Art déco

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Adolphe DERVAUX, Estação de Vaneau (Metropolitano de Paris - Linha 10), 1923.

O Art déco é um movimento internacional que comece na Europa em 1910, conhece o seu apogeu nos anos de 1920 e 1930, o Art déco declina depois de 1935 até 1939[1] . O Art déco afecta as artes decorativas, a arquitectura, o design de interiores e desenho industrial, assim como as artes visuais, a moda, a pintura, as artes gráficas e o cinema[2] .

O pico da popularidade na Europa foi durante os "loucos anos 1920" e continuou fortemente nos Estados Unidos através da década de 1930. Embora muitos movimentos de design tivessem raízes em intenções filosóficas ou políticas na mesma altura, o Art déco foi meramente decorativo. Na altura, este foi visto como estilo elegante, funcional e ultramoderno.

Representou a adaptação pela sociedade em geral dos princípios do cubismo, do exotismo e do princípio da obra de arte total herdado do Art nouveau. Sem abrir mão do requinte, os objectos têm decoração geometrizada na arquitecturas, esculturas, joias, luminárias e móveis, mesmo quando são feitos com bases simples; o betão armado (concreto) pode ser paramentado de madeira e outros ornamentos de bronze, mármore, prata, marfim, etc. Diferentemente da Art nouveau, a Art déco tem mais simplicidade de estilo.

A origem do termo Art déco[editar | editar código-fonte]

O estilo Art déco cujo o nome provém da Exposição internacional de Artes decorativas e industriais modernas (em francês: Exposition internationale des Arts décoratifs et industriels modernes) é organizada em Paris em 1925. Também em 1925, o arquitecto francês Le Corbusier escreve uma série de artigos "Expo 1925: Arts déco" sobre as artes decorativas na sua revista L'Esprit Nouveau; Charlotte e Tim Benton consideram que foi certamente uma maneira de desconsiderar este estilo da parte de Le Corbusier ao utilizar esse vocábulo. O nome Art déco foi adoptato definitivamente em 1966 após a exposição : Les années '25: Art déco/ Bauhaus/ De Stijl/ Esprit Nouveau organizada no Museu das Artes decorativas de Paris[3] .

Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes[editar | editar código-fonte]

O estilo deve o seu nome à Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas (em francês: Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes), realizada em Paris, de Abril a Outubro de 1925[4] . Na mostra, nus femininos, animais e folhagens são apresentados em cores discretas, traços sintéticos, formas estilizadas ou geométricas. Muitas peças exibem marcas de civilizações antigas. É o caso de uma escrivaninha de madeira laqueada, marfim e metal que reproduz um templo asteca.

Design industrial[editar | editar código-fonte]

Ao lado de objectos industrializados, há peças feitas artesanalmente em número limitado de cópias. Ao contrário do design criado pela bauhaus, na art déco não há exigência de funcionalidade. Ela pode ser vista como uma tentativa de modernizar a art nouveau.

Prefeitura de Los Angeles (1926-1928)

O uso de materiais menos nobres – como o baquelite, concreto (betão) armado, compensado de madeira e aço tubular – e o início da produção em série contribuem para baixar o preço unitário das obras. É o caso das luminárias de vidro com esculturas de bronze criadas pelo francês René Lalique (1860-1945), vendidas em grandes lojas. Antes designer de joias do estilo art nouveau, ele foi um dos grandes expoentes da art déco.

A art déco possui, nos Estados Unidos, duas fases formais distintas: na primeira, procurou-se inspiração nas máquinas e formas industriais; na segunda, seguiu-se o estilo hollywood de inspiração nos figurinos e cenários dos filmes.

Arquitectura[editar | editar código-fonte]

Art déco do Chrysler Building, em Nova York, construído em 1928/1930 pelo arquitecto William Van Alen

De forma geral, a arquitetura déco representa uma certa tendência de passagem entre a arquitetura produzida pelos estilo art nouveau e do ecletismo para o modernismo. Assim, observam-se elementos de avanço de estilo, com certos comedimentos em relação aos estilos predecessores. Observa-se, por exemplo, uma tentativa de racionalização dos volumes e dos elementos de ornamentação, ainda que houvesse ornamentações pontuais e com materiais que representassem modernidade e que os volumes seguissem a composição tripartite clássica - embasamento, corpo principal e coroamento.

O art déco é marcado pelo rigor geométrico e predominância de linhas verticais, havendo a tendência de tornar, através da percepção, o edifício mais alto. Os volumes arquitetônicos são também marcados pelo escalonamento, pela transposição da ideia do zigurate, aproximação de formas aerodinâmicas.

Como relação ao passado, o art déco faz uso intenso de ornamentação, mas que, é feita com materiais nobres e modernos para sua época. Os motivos, em grande parte são geométricos ou com elementos de povos pré-colombianos - como os maias.

Existem duas principais vertentes do art déco dentro da compreensão da arquitetura: o estilo usado em Miami e o estilo usado em Nova Iorque e Chicago. O estilo de Miami é marcado por formas mais puras e pouca ornamentação. O outro estilo é marcado fortemente por uma rica ornamentação e o uso de elementos metálicos. Como exemplos, temos, em Nova Iorque, o Empire State Building e o Chrysler Building, além de diversos edifícios de baixo gabarito em Miami.

Destaca-sem o uso do concreto (betão) armado, das esculturas com forma de animais, o uso dos tons de rosa e a geometrização das formas. Também pode-se destacar o uso do plástico como elemento estrutural e a pelúcia, muito utilizada como forro para as paredes internas de grandes salões.

No Brasil, Goiânia reúne grande número de exemplares de edifícios art déco, a começar pelo traçado da cidade, realizado pelo arquiteto Attílio Correa Lima. São Paulo também tem grandes exemplos como o edíficio do Banco de São Paulo - que não deve ser confundido com o edifício situado em frente, do Banespa, que também é um exemplo déco - e diversas obras realizadas pelo arquiteto Rino Levi.

Design industrial art déco de Maurice Ascalon, da Pal-Bell, em 1939-1950

Ainda no estado de Goiás, no interior, Ipameri tem o maior patrimônio da arquitetura art déco preservado, todos localizados no centro da cidade. Alguns exemplares que mais se destacam são o antigo prédio do Cine Teatro Estrela, prédio da antiga sede do Banco do Brasil, prédio-sede da Câmara Municipal, prédio das antigas Chevrolet e Ford (Edifícios Firmo Ribeiro e Miguel David Cosac respectivamente), para citar alguns.

Influência da Art déco[editar | editar código-fonte]

Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, no Brasil. A maior estátua art déco no mundo, construída entre 1922-1931.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) a art déco sai de moda no Ocidente, e se populariza na Coreia do Sul, Vietnã e na China pré-comunista, mas, no fim da década de 1960, colecionadores do mundo inteiro voltaram a se interessar pelo estilo.

No cinema, também é possível encontrar referências ao art déco. Um filme que pode servir de exemplo é Superman - O Retorno, de 2006. Nele, o estilo arquitetônico da sede do jornal fictício Planeta Diário é explicitamente o art déco.[5]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, o estilo influenciou artistas como o escultor Vítor Brecheret (1894-1955), o pintor Vicente do Rego Monteiro (1899-1970), entre outros. Uma obra de Brecheret em estilo art déco é o Monumento às Bandeiras, em São Paulo. O edifício-sede da Biblioteca Mário de Andrade e o Estádio do Pacaembu, ambos também em São Paulo, são dois grandes marcos arquitetônicos do estilo na cidade. Outro belo exemplar da art déco na capital paulista situa-se na rua Domingos de Morais.

Foi o art déco que inspirou os primeiros prédios de Goiânia, nova capital de Goiás, projetada em 1933 por Atílio Correa Lima, cujo acervo arquitetônico é considerado um dos mais significativos do país.[6] Alguns dos exemplos mais significativo da art déco no Brasil são a Torre do Relógio da Central do Brasil e o Cristo Redentor no Rio de Janeiro.

A arquitetura art déco está espalhada por todo o país, mas os principais acervos art déco brasileiro concentram-se em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia. Há, ainda, importantes exemplos como Campo Grande (com a obra do arquiteto Frederico Urlass), Belo Horizonte ou Juiz de Fora (MG) (nos projetos do arquiteto Raphael Arcuri), Porto Alegre, na Avenida Farrapos, entre vários outros.

Outros conjuntos arquitetônicos em art déco significativos estão localizados em Iraí (RS), Cipó (BA) e Campina Grande (PB)[1].

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Principais nomes ligados à corrente[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BENTON Charlotte, BENTON TIM e WOOD Ghislaine, L'Art déco dans le monde 1910-1939, Bruxelas, Renaissance du Livre, 2010.
  • LABORDIÈRE Jean-Marc, Paris Art déco. L'architecture des années 20, Paris, ed. Massin (Colecção "Reconnaître"), 2008.
  • WEILL Alain, L'Affiche Art déco, Paris, ed. Hazan, 2013.
  • Art déco 1925, Lisboa, Museu Calouste Gulbenkian, 16 de Outubro de 2009 - 3 de Janeiro de 2010.

Referências

  1. BENTON, Charlotte; BENTON Tim, WOOD Ghislaine. L'Art déco dans le monde 1910-1939.. Bruxelas: Renaissance du Livre, 2010. p. 13.
  2. Unes, Wolney. Identidade Art Déco de Goiânia. São Paulo: Ateliê, 2003
  3. BENTON, Charlotte; BENTON Tim, WOOD Ghislaine. L'Art déco dans le monde 1910-1939. Bruxelas: Renaissance du Livre, 2010. p. 16.
  4. BENTON, Charlotte; BENTON Tim, WOOD Ghislaine. L'Art déco dans le monde 1910-1939. Bruxelas: Ed. Renaissance du Livre, 2010. p. 112.
  5. Superman Returns (Os cinco primeiros desenhos mostrados são do edifício do jornal Planeta Diário). Visitado em 15/09/2011.
  6. Barreto, Amanda. Art déco: depoimentos e imagens. Goiânia: RF, 2007

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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