Arthur Friedenreich

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Friedenreich
Arthur friedenreich.jpg
Informações pessoais
Nome completo Arthur Friedenreich
Data de nasc. 18 de julho de 1892
Local de nasc. São Paulo (SP),  Brasil
Falecido em 6 de setembro de 1969 (77 anos)
Local da morte São Paulo (SP),  Brasil
Apelido Fried
El Tigre
Informações profissionais
Período em atividade 1909-1935 (26 anos)
Posição Atacante
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos/gols)
1909
1910
1911
1912
1913
1913
1913-1914
1914
1914-1915
1915-1916
1916
1917
1917
1917-1929
1929
1929
1929
1930-1935
1935
1935
Brasil Germânia
Brasil Ypiranga
Brasil Germânia
Brasil Mackenzie
Brasil Ypiranga
Brasil Americano
Brasil Paulista
Brasil Atlas
Brasil Ypiranga
Brasil Payssandu
Brasil Paulistano
Brasil Ypiranga
Brasil Flamengo
Brasil Paulistano
Brasil Internacional
Brasil Atlético Santista
Brasil Santos
Brasil São Paulo[1]
Brasil Santos
Brasil Flamengo
Seleção nacional
1914-1925 Brasil Brasil 23 (10)
Copa América
Ouro Brasil 1919 Futebol
Ouro Brasil 1922 Futebol
Prata Argentina 1921 Futebol

Arthur Friedenreich (São Paulo, 18 de julho de 1892 – São Paulo, 6 de setembro de 1969) foi um futebolista brasileiro. Apelidado "El Tigre" ou "Fried", foi a primeira grande estrela do futebol brasileiro na época amadora, que durou até 1933.

Friedenreich participou da excursão do Paulistano pela Europa em 1925 onde disputou dez jogos e voltou invicto. Teve importante participação no campeonato sul-americano de seleções (atual Copa América) de 1919. O apelido de "El Tigre" foi dado pelos uruguaios após a conquista do Campeonato Sul-Americano de 1919, atual Copa América.

Ele marcou o gol da vitória contra os uruguaios na decisão e, ao lado de Neco, foi o artilheiro da competição. Após o feito, suas chuteiras ficaram em exposição na vitrine de um loja de joias raras no Rio de Janeiro.

Nos dias atuais, ainda é considerado um dos maiores centroavantes que o Brasil já teve.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de um comerciante alemão e de uma lavadeira negra brasileira, Arthur Friedenreich nasceu em 18 de julho de 1892, no bairro da Luz, na cidade de São Paulo.[2] Poucos anos depois de Charles Miller chegar ao país, em 1894, trazendo o futebol como novidade, o Brasil revelou seu primeiro ídolo. Hoje em dia, são poucos aqueles que viram Friedenreich brilhar nas décadas de 1910, 1920 e 1930.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Jogador de futebol paulista, "Fried" começa a jogar futebol ainda adolescente na cidade de São Paulo, nos clubes Germânia (atual Pinheiros), Mackenzie, Ypiranga e o Paulistano, que hoje são apenas clubes sociais e já não atuam no futebol profissional. Começa a se destacar pela imaginação, técnica, estilo e pela capacidade de improvisar. O fato de ser descendente de alemães ajudou Friedenreich na carreira. Mulato, só assim ele pôde jogar nos grandes clubes frequentados pelos brancos da elite.

O auge[editar | editar código-fonte]

A sua posição de origem foi a de centroavante. "El Tigre" acabou introduzindo novas jogadas no ainda recente futebol brasileiro, na época ainda amador, como o drible curto, o chute de efeito e a finta de corpo. Foi campeão paulista em diversas oportunidades pelo clube Paulistano. Também atuou pelo São Paulo da Floresta,[3] [4] conquistando mais um campeonato paulista em 1931. O time do São Paulo campeão naquele ano ficou conhecido por "Esquadrão de Aço", e era formado por Nestor; Clodô e Bartô; Mílton, Bino e Fabio; Luizinho, Siriri, Araken Patusca e Junqueirinha. Pelo São Paulo FC marcou 103 gols em 125 jogos, é o 18º maior artilheiro do clube e tem uma das melhores medias, 0,82 gol por jogo.[5]

Depois de ter jogado em 1917 no Flamengo Friedenreich volta ao Rio na década de 30 para de novo jogar pelo clube.

Era considerado pelos cronistas da época um jogador inteligente dentro de campo. Friedenreich talvez tenha sido o jogador mais objetivo e um dos mais corajosos de sua época. Parecia conhecer todos os segredos do futebol e sabia quando e como ia marcar um gol.

Uma excursão do Paulistano à Europa em 1925, deu a ele a chance de participar de um marco histórico do futebol do país. No dia 15 de março, pela primeira vez, um time brasileiro jogava no exterior. Ele comandou a goleada de 7 a 2 na França, que deu início a uma série de outras vitórias. E é apelidado de "roi du football" (rei do futebol). Voltou da Europa como um dos "melhores do mundo", depois de vencer, pelo Paulistano, nove dos dez jogos disputados. Um de seus mais incríveis feitos, ocorrido em 1928, foi a marca de sete gols numa única partida contra o União da Lapa, batendo o recorde da época. Ele jogava pelo Paulistano e o resultado final foi de 9 a 0, no dia 16 de setembro; a curiosidade fica por conta do pênalti perdido por Fried. Encerrou a carreira no Flamengo, em julho de 1935, aos 43 anos de idade.

Friedenreich e a Revolução de 32[editar | editar código-fonte]

Em 1932, assim que iniciou o conflito entre paulistas e o governo de Getúlio Vargas, Friedenreich fez uma breve pausa em sua vitoriosa carreira e se alistou no exército paulista. Começou como sargento e chegou até o posto de tenente, saindo do conflito como herói. Comandou uma divisão de 800 desportistas, num clima descrito por ele mesmo como tenso, porém de extrema camaradagem. Além da participação ativa no campo de guerra, também doou medalhas de ouro e troféus para arrecadar dinheiro na causa dos paulistas.[6]

Últimos anos de vida[editar | editar código-fonte]

Após a Revolução de 32 jogou futebol por mais três anos. Também foi contra a profissionalização do futebol no país. A partir dos anos 30, o futebol passou a caminhar rumo ao profissionalismo. A ideia não agradou Friedenreich, que recusou proposta do Flamengo, seu último clube, de continuar atuando, e abandonou os gramados após fazer sua última partida no dia 21 de julho de 1935. Passou a trabalhar numa companhia de bebidas, por onde se aposentou. Viveu numa casa cedida pelo São Paulo até morrer em 6 de setembro de 1969.[7]

Seleção Brasileira[editar | editar código-fonte]

Sua estreia na seleção se deu no ano de 1914 em um amistoso contra a Seleção Argentina, quando o escrete brasileiro perdeu por 3 a 0. Friedenreich fez pela seleção principal 23 jogos e marcou 10 gols. No ano de 1914 ganhou o primeiro título do Brasil na história: a Copa Roca, taça amistosa realizada para melhorar as relações diplomáticas entre Brasil e Argentina. Outras conquistas importantes que conseguiu foram os sul-americanos de 1919, marcando o gol do título na prorrogação contra os uruguaios, e 1922, primeiras conquistas relevantes da Seleção Brasileira. O choro "Um a Zero" - de Benedito Lacerda, Pixinguinha e Nelson Ângelo - foi composto em homenagem ao gol de Fried contra o Uruguai na final de 1919. Uma atitude infeliz do presidente da Liga Paulista, Elpídio de Paiva Azevedo, causou uma das maiores decepções de Friedenreich na carreira. Ao saber que a comissão técnica da Seleção não teria nenhum paulista, o dirigente impediu a ida dos jogadores do estado para a Copa do Mundo, no Uruguai em 1930. Assim, "El Tigre" encerrou a carreira sem sentir o sabor de disputar um Mundial.

Polêmica na quantidade de gols[editar | editar código-fonte]

A polêmica em relação aos gols de "El Tigre" se deve à soma de um erro com uma falta de critério por parte do Jornalista Adriano Neiva da Motta e Silva, o De Vaney. Acontece que o "velho Oscar", pai de Fried, começou a anotar em pequenos cadernos todos os gols marcados pelo filho desde que começou a atuar. Em 1918, o atacante confiou a tarefa a um colega do Paulistano, o center-forward (centroavante) Mário de Andrada, que seguiu a trajetória do craque por mais 17 anos, registrando detalhes das partidas até o encerramento da carreira de Fried, em 21 de julho de 1935, quando ele vestiu a camisa do Clube de Regatas do Flamengo (mas não marcou gols) num 2 a 2 contra o Fluminense. A lenda ganhou consistência em 1962. Naquele ano, Mário de Andrada disse a De Vaney que tinha as fichas de todos os jogos de Fried, podendo provar que o craque atuara em 1.329 partidas, marcando 1.239 gols. Andrada, porém, morreu antes de mostrar as fichas a De Vaney. Mesmo sem nunca comprovar esses dados, De Vaney resolveu divulgá-los, mas erroneamente inverteu o número de gols para 1.329. A estatística, no entanto, começou a rodar o mundo, e ainda por cima na forma errada. No livro Gigantes do Futebol Brasileiro, de Marcos de Castro e João Máximo, de 1965, consta que Fried marcou 1.329 gols. Outros livros e até enciclopédias referendaram o registro. A FIFA, entidade máxima do futebol, chegou a "oficializar" os números, até que enfim, Alexandre da Costa conferiu os registros de todos os jogos de Fried em pelo menos dois jornais, "Correio Paulistano" e "O Estado de S. Paulo", e chegou a dois números surpreendentes: 554 gols em 561 partidas. "Não quis destruir o mito", jura o autor de O Tigre do Futebol. "Adoro o Fried. Apenas quis esclarecer essa questão". O problema é que não esclareceu completamente. Em Fried Versus Pelé (Orlando Duarte e Severino Filho), publicado semanas depois de O Tigre do Futebol, o jornalista Severino Filho chega a outros números: 558 gols em 562 partidas. "Não há levantamento estatístico que não possa ser melhorado", escreve o autor de O Tigre do Futebol. É verdade. Mesmo nos dias de hoje, com mais recursos disponíveis, as discrepâncias prosseguem.

Homenagens Póstumas[editar | editar código-fonte]

Friedenreich tem um parque no bairro de Vila Alpina, na zona Leste de São Paulo, com seu nome. O parque, situado no início da Av. Francisco Falconi, é um dos maiores da região. Ainda em São Paulo, uma rua na zona leste tem seu nome. [8] Friedenreich também tem uma escola com seu nome no Rio de Janeiro, coincidentemente, essa escola fica localizada dentro do complexo esportivo do Maracanã, próximo a entrada principal, a esquerda da estátua de Bellini.

Clubes[9] [editar | editar código-fonte]

Clubes com "*" só jogou um vez
Clubes com "?" não são bem identificado.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Com a Seleção Brasileira:

Com Clubes:

Artilheiro[editar | editar código-fonte]

Honrarías[editar | editar código-fonte]

Gols[editar | editar código-fonte]

Entre 1909 e 1935:

  • 554 gols em 561 partidas, média de 0,99 gols por partida.[12] [13] , Alexandre da Costa, no livro O Tigre do futebol
  • 558 gols em 562 partidas - Orlando Duarte e Severino Filho, no livro Fried versus Pelé
  • 105 gols em 125 partidas - Memorial do São Paulo Futebol Clube

Chegou a ser anunciado que Friedenreich fez 1.239 gols,[14] segundo um colega centroavante Mário de Andrade que até então mantinha anotações dos gols de Friedenreich mas que nunca foram recuperadas.[15]

Segundo levantamento do jornalista Alexandre da Costa, autor do livro O Tigre do Futebol, Friedenreich converteu uma média superior à de Pelé, 0,99 por jogo, contra 0,93 de Pelé[12] ou 0,987 gols/jogo contra 0.931/jogo.[16]

Referências

  1. Soldados do São Paulo Futebol Clube na Revolução de 1932. Hoje é 9 de Julho!.
  2. Editora Abril. Placar Magazine. Editora Abril; Junho de 1999. p. 85.
  3. http://www.futebolnacional.com.br/infobol/championship.jsp?code=6657. Página visitada em 30 de setembro de 2014.
  4. http://terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/araken-patusca-2472. Página visitada em 30 de setembro de 2014.
  5. [1]
  6. Romano, Léo. Um tigre na guerra. Aventuras na História. Editora Abril, n. 23, jul.2005. p. 10-11.
  7. Romano, p. 11.
  8. https://www.google.com.br/maps/place/R.+Arthur+Friedenreich+-+Vila+Rio+Branco,+S%C3%A3o+Paulo+-+SP/@-23.5125667,-46.4981584,17z/data=!3m1!4b1!4m2!3m1!1s0x94ce609321275b61:0xed92f20cf1b3a5f6?hl=pt-BR. Página visitada em 30 de setembro de 2014.
  9. Histórico de Jogos rsssfbrasil. Página visitada em 11/09/2012.
  10. Prêmios rsssf. Página visitada em 11/09/2012.
  11. Prêmios rsssf. Página visitada em 11/09/2012.
  12. a b Gustavo Poli; Lédio Carmona. Almanaque Do Futebol. Casa da Palavra; 2006. ISBN 978-85-7734-002-6. Cap. Grandes craques, item Arthur Friedenreich
  13. Editora Abril. Placar Magazine. Editora Abril; June 1999. p. 91.
  14. Editora Abril. Placar Magazine. Editora Abril; 6 de março de 1981. p. 32.
  15. Paul Simpson; Uli Hesse. Who Invented the Stepover?: and other crucial football conundrums. Profile; 2013. ISBN 978-1-84765-842-5. p. 95.
  16. FOLHA.com, "El Tigre" vive!, Juca Kfouri, 3 de julho de 2011

Ligações externas[editar | editar código-fonte]



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