Condado de Artois

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Bandeira de Artois.

Artois ou, raramente aportuguesado para Artésia,[1] (em francês: comté d'Artois; em neerlandês: graafschap Artesië) foi um condado carolíngio estabelecido na Francia Ocidental. Artois foi posteriormente uma província francesa. Seu território possuía uma área de cerca de 4 000 km² e uma população de cerca de 1 milhão de habitantes. Suas principais cidades são Arras, Calais, Boulogne-sur-Mer, Saint-Omer, Lens e Béthune.

Localização[editar | editar código-fonte]

Artois ocupava o interior do departamento francês de Pas-de-Calais, a parte ocidental do que constituía o antigo Boulonnais. Ocupava a ponta ocidental do campo de carvão que se estende através do departamento vizinho do Nord e através da Bélgica.

História[editar | editar código-fonte]

Nos tempos romanos, Artois situava-se nas províncias romanas da Gália Belga e da Germânia Inferior e era habitada por tribos célticas, até que povos germânicos os substituíram e puseram fim ao domínio romano.

O condado foi criado pelos condes Odorico e Ecfrido de Artois, logo incorporado ao Condado de Flandres, primeiro por Balduíno II da Flandres, por volta de 898, e depois por Arnulfo I. Um novo principado territorial foi criado pela divisão do condado Flandres como um dote dado por Filipe I da Flandres para sua sobrinha, Isabel de Hainaut, quando ela se casou com o rei Filipe II da França.

O Tratado de Guînes, em 1212, deu Aire-sur-la-Lys, Saint-Omer e Guînes a Filipe II. O resto do condado foi adquirido pela Coroa Francesa depois da derrota flamenga na Batalha de Bouvines, em 1214, e pelo Tratado de Melun, em 1226. Artois então se tornou um apanágio de Roberto I de Artois, filho do rei Luís VIII da França.

Depois da morte do conde Roberto II na Batalha das Esporas Douradas, em 1302, começou uma disputa de sucessão entre a filha de Roberto, Matilde, e o sobrinho dela, Roberto III, representando o direito de seu pai, Filipe, morto na Batalha de Veurne, em 1298. A disputa foi resolvida em favor de Matilde.

Com a morte de Matilde, em 1329, Artois foi passado para sua filha com Otão IV, conde da Borgonha, Joana da Borgonha. Viúva de Filipe V da França, Joana deixou Artois para sua filha mais velha, sua homônima (esposa de Odo IV, duque da Borgonha), quando morreu, em 1369.

Ao morrer o neto Joana e de Odo, Filipe I, em 1361, Artois passou para a segunda filha de Joana I, Margarida, e, depois da morte dela, para seu filho Luís II de Flandres. A filha de Luís, Margarida III, casou com Filipe, o Bravo, em 1369.

Com a morte de Luís II, em 1384, Artois tornou-se parte do vasto e complexo território da Borgonha. Conquistado por Luís XI da França e estabelecido como senescalado, depois oficialmente cedido ao rei pelo Tratado de Arras, em 1482, passou para os Habsburgos em Tratado de Senlis, em 1493. O condado voltou para o governo francês no Tratado dos Pireneus, em 1659, e se tornou um condado titular no pariato da França; o mais notável desses pares foi o futuro Carlos X da França.

Originalmente um condado feudal autônomo, Artois foi anexado pelo condado de Flandres. Passou para a França em 1180 como dote de uma princesa flamenga e foi novamente transformado num condado separado (Condado de Artois) em 1237 para um neto daquela princesa. Embora herança, Artois caiu sob o domínio dos duques da Borgonha em 1384. Com a morte do quarto duque, Carlos, Duque da Borgonha, Artois tornou-se uma possessão dos Habsburgos, e tornou-se parte do patrimônio dos Habsburgos da Espanha. Como resultado de uma guerra, tornou-se uma província francesa em 1659.

Artois experimentou um rápido crescimento industrial durante a segunda metade do século XIX, abastecido por suas ricas reservas de carvão. Durante a Primeira Guerra Mundial, a linha de frente entre os exércitos adversários alemão e britânico na França passava através da província, resultando em enormes danos físicos. Nas décadas recentes Artois tem sofrido junto com regiões similares por causa do declínio da indústria do carvão.

Referências

  1. Fernandes, Ivo Xavier. Topónimos e Gentílicos. Porto: Editora Educação Nacional, Lda., 1941. vol. I.

Ver também[editar | editar código-fonte]