Artur Lins de Vasconcelos Lopes

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Arthur Lins de Vasconcellos Lopes (Teixeira, 27 de março de 1891São Paulo, 21 de março de 1952) foi um engenheiro agrônomo, empresário e espírita brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Tendo vivido uma infância pobre no Sertão da Região Nordeste do Brasil, onde trabalhou na lavoura e como tropeiro, deslocou-se para Recife, onde exerceu a atividade de caixeiro, no comércio.

Após uma curta passagem pelo Rio de Janeiro, por volta dos vinte e um anos de idade fixou-se em Curitiba onde, pelas mãos de Antônio Duarte Veloso, conheceu a Doutrina Espírita, passando a freqüentar a Federação Espírita do Paraná (FEP). Na mesma época, em 1912, alistou-se no Exército brasileiro, vindo a servir no 18º Batalhão do 3º Regimento de Infantaria, alcançando em pouco tempo, pelos seus estudos e dedicação, o posto de Sargento. Em 1914 propôs a criação de cursos especiais para médiuns. Em 1915, como Secretário Geral da FEP, participou da inauguração do Albergue Noturno daquela entidade, evento que contou com a presença do então Presidente do Estado, Carlos Cavalcanti de Albuquerque. Em 1916, com 25 anos incompletos, foi eleito Presidente da FEP, instituição da qual foi Secretário Geral por cinco vezes e Presidente por seis mandatos, num período de dezoito anos. Entre as suas iniciativas no período destacam-se, ainda naquele ano, a integração da FEP à Liga Brasileira contra o Analfabetismo, a realização do II Congresso Espírita Paranaense, além de notável atuação no campo da assistência social.

Em 1918, matriculou-se na Escola Superior de Agronomia de Curitiba, onde se graduou como Engenheiro Agrônomo. Nesse ano, manifestara-se contra a entrada de Capelães para a Marinha do Brasil, tendo convencido os seus pares na FEP a enviar telegrama ao Presidente da República, em fevereiro de 1918.

Criada a Revista do Espiritualismo, órgão da Sociedade Publicadora Kardecista do Paraná, Lins de Vasconcelos tornou-se um dos seus diretores.

Ainda em Curitiba, onde constituiu família ao desposar Hercília César de Vasconcelos Lopes, obteve a posição de escrevente juramentado em certo tabelionato daquela cidade. Em 1925, o Presidente do Estado, sem a autorização da Assembléia Legislativa, presenteou terrenos e dinheiro públicos à Igreja Católica, para a instalação de dois bispados. Alguns cidadãos, entre os quais o Prof. Dario Veloso, homem de letras e presidente do Instituto Neo-Pitagórico de Curitiba, e Lins de Vasconcelos enquanto Presidente da FEP, protestaram contra o ato inconstitucional do governo. A posição de Lins de Vasconcelos acarretou-lhe a demissão do cargo público, chegando a responder processo na alçada criminal, onde foi condenado, tendo a sua sentença, posteriormente, sido revogada pelo Tribunal. Com ajuda de um amigo, José Leprevost, conseguiu pagar a fiança para não ser preso. O mesmo amigo ofereceu-lhe novo emprego, em sua firma comercial.

Nesta fase difícil, embora com poucos recursos, mas senhor de tino comercial, lança-se no comércio madeireiro, vindo a prosperar. Em 1930, decidiu mudar-se para o Rio de Janeiro, sendo eleito presidente honorário da FEP, em homenagem aos relevantes serviços prestados à instituição. Na então capital do país, Lins de Vasconcelos conseguiu firmar-se econômica e socialmente, amealhando fortuna, ao fundar a Companhia Pinheiro Indústria e Comércio, empresa do ramo madeireiro.

Por volta de 1938, em viagem de passeio a Curitiba, e presente à reunião do Conselho da FEP, Lins de Vasconcelos propôs-se entrar com recursos significativos para o reinício das obras do atual Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro, tendo mantido sua colaboração econômica até à inauguração do mesmo.

Por ocasião dos trabalhos parlamentares que culminaram com a promulgação da Constituição Brasileira de 1946, como presidente da Coligação Nacional Pró-Estado Leigo, instituição republicana fundada em 17 de maio de 1931, enviou numerosas propostas visando resguardar o estado leigo, a liberdade de consciência religiosa, a laicidade do ensino público, a secularização dos cemitérios e a absoluta separação entre a Igreja e o Estado.

Mais tarde, em 1948, a "Gráfica Mundo Espírita", responsável pelo jornal Mundo Espírita, periódico fundado em 1932 por Henrique Andrade, enfrentava séria crise financeira, quando foi adquirida por Lins de Vasconcelos. A sede do jornal e as suas oficinas foram posteriormente transferidas para Curitiba, vindo o periódico a tornar-se o órgão noticioso e doutrinário da FEP.

Naquele mesmo ano, empenhou-se na realização do I Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil, apoiando a idéia do Deputado Campos Vergal, transformada em realidade pela atuação de Leopoldo Machado. Foi uma de suas principais figuras, contribuindo decisivamente na parte financeira para a realização do evento. Foi, por unanimidade, proclamado seu presidente de honra e, na sessão de instalação no Teatro João Caetano, na manhã do dia 18 de Julho de 1948, proferiu brilhante discurso, fazendo a entrega simbólica do Congresso aos moços espíritas ali reunidos.

Em fevereiro de 1949, fundou a Ação Social Espírita, instituição que se destinava ao trabalho social do Espiritismo em todo os seus aspectos e sob todas as formas. As finalidades dessa instituição estão condensadas nos vinte e cinco itens inseridos na edição de 12 de Março de 1949, do "Mundo Espírita", abrangendo, desde o auxílio às sociedades espíritas até ao estímulo às Artes e à Ciência.

Graças à sua colaboração e empenho, realizou-se a I Festa Nacional do Livro Espírita, de 14 a 18 de abril de 1949. Este empreendimento também demandou a sua decisiva ajuda financeira, sem a qual não teria sido possível efetuá-lo. Custeou todas as despesas para que se comemorasse, a nível nacional, o aparecimento de O Livro dos Espíritos.

Ainda em 1949, quando dos preparativos para a realização do II Congresso Espírita Pan-Americano, que se reuniu no Rio de Janeiro, de 3 a 12 de Outubro, foi chamado para participar da Comissão Organizadora, sendo-lhe entregue o cargo de Tesoureiro, e a quem se deve, em boa parte, o êxito alcançado pelo evento. No discurso que proferiu diante dos representantes das nações americanas, destacam-se os seguintes trechos, ilustrativos de sua motivação:

"É belo dulcificar o coração, é mesmo grandioso e até sublime, mas é sensato iluminar o templo para que os morcegos não o invadam, fazendo do Espiritismo um instrumento de cegueira ou um anestésico para as horas de dores."
"No Brasil, o Espiritismo tomou um franco aspecto de aplicação social e exemplificação evangélica. E a tal ponto isso vem ocorrendo que as sociedades, antes de terem sede própria, já estão fundando creches, ambulatórios, orfanatos, abrigos, lares, albergues, hospitais, amparos, etc. Fazem isso com ardor evangélico e pouca preocupação de instruir e fazer adeptos. Conquistam o coração e desprezam o entendimento, deixando o convertido na superfície com risco de submergir ao embate da primeira procela."
"Não deixa de ser caridade auxiliar os pobres com pensões, isso é incontestável. Mas entre um benefício dessa ordem, passageiro, exclusivista, e um outro de feição geral concretizada em obra perfeitamente consolidada e transmissível à posteridade, a diferença é tão grande que se assemelha à penumbra comparada com a luz."

Entre 1947 e 1952, teve destacada atuação no advento do Pacto Áureo (5 de outubro de 1949), tendo participado da Caravana da Fraternidade ao lado de nomes como Leopoldo Machado, Francisco Spinelli e outros. Foi representante da FEP no Conselho Federativo Nacional, e membro efetivo da Assembléia Deliberativa da Federação Espírita Brasileira, além de Vice-presidente da Liga Espírita do Estado da Guanabara, 1º secretário da Sociedade de Medicina e Espiritismo do Rio de Janeiro e seu presidente de honra, além de muitos outros encargos.

Aplicou boa parte de sua fortuna pessoal no movimento espírita, tendo deixado obras em diversas cidades brasileiras, assim como financiado diversos eventos ligados ao movimento espírita. O patrimônio da FEP, por exemplo, iniciou-se quando Lins de Vasconcelos, em seu testamento, lhe legou a metade da meação do seu patrimônio. O Colégio Lins de Vasconcelos, outro de seus legados, foi recentemente alienado pela diretoria da FEP, sob a alegação de prejuízos financeiros. No testamento de Lins foram ainda agraciadas, com quantias em dinheiro, todas as entidades federativas regionais existentes, inclusive a Liga Espírita do Brasil.

Tendo desencarnado na cidade de São Paulo, foi sepultado no Jardim em frente ao Pavilhão Administrativo do Sanatório Bom Retiro, no bairro do Bom Retiro, em Curitiba, conforme sua vontade manifestada em vida.

Seu túmulo encontrava-se nos jardim do Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro até 2012 e em virtude a venda e demolição do imóvel, seus restos mortais foram transferidos para a cidade de Balsa Nova, para o espado da Federação Espírita do Paraná.[1]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • GODOY, Paulo Alves; LUCENA, Antônio. Personagens do Espiritismo (2ª ed.). São Paulo: Edições FEESP, 1990. p. 44.
  • WANTUIL, Zeus. Grandes Espíritas do Brasil. Rio de Janeiro: FEB, 1990.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Uma paisagem em despedida (matério do Jornal Gazetado Povo de 26 de agosto de 2012) acessado em 27 de agosto de 2012
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