Arturo Toscanini

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Arturo Toscanini

Arturo Toscanini (Parma, 25 de Março de 1867 - 16 de Janeiro de 1957) foi um maestro italiano. Um dos mais aclamados músicos do século XIX e XX, ele foi renomeado pela sua brilhante intensidade, seu inquieto perfeccionismo, sua fenomenal orelha para detalhes e sonoridade da orquestra e sua memória fotográfica. Ele é especialmente considerado um autoritativo intérprete das obras de Giuseppe Verdi, Ludwig van Beethoven, Johannes Brahms e Richard Wagner.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Toscanini nasceu em Parma e conquistou uma bolsa para o conservatório musical local, onde estudou violoncelo. Ingressou na orquestra de uma companhia de ópera, com a qual fez turnê para a América do Sul em 1886. Enquanto apresentava Aida, na sua turnê pelo Rio de Janeiro em 1886, Leopoldo Miguez, o condutor local, atingiu o ápice de uma escalada de conflito com os músicos, devido ao seu trabalho bastante pobre, a tal ponto que os cantores entraram em greve, forçando o empresário da companhia a procurar um maestro substituto. O maestro Aristide Venturi foi chamado, mas não foi aceito pelo público. Então, de última hora, os músicos sugeriram que Toscanini regesse a orquestra. Assim, as 21:15, ele tomou a batuta e conduziu duas horas e meia de ópera apenas de memória. O público foi tomado de surpresa,num primeiro momento, pela juventude deste desconhecido maestro, e em seguida, pela sua sólida maestria. O resuldado foi uma aclamação surpreendente. Toscanini conduziu dezoito óperas até o fim da temporada. Começou, assim, sua carreira de maestro, aos dezenove anos de idade.

Ao retornar à Itália, Toscanini voltou para sua cadeira na seção dos violoncelos e participou como violoncelista na estreia mundial de Otello (Verdi) no La Scala no ano de 1887, sob a supervisão do compositor. Verdi ficou impressionado com Toscanini, principalmente quando ele foi consultar Verdi sobre uma pontuação na partitura. Gradualmente a reputação do jovem músico como um maestro começou a se firmar. Na década seguinte ele consolidou sua carreira na Itália, nas estreias mundiais de La Bohème (Giacomo Puccini) e Pagliacci (Ruggiero Leoncavallo). Em 1896 Toscanini conduziu seu primeiro concerto sinfônico (em Turim, com obras de Schubert, Brahms, Tchaikovsky e Wagner). Em 1898 foi o maestro residente no La Scala, permanecendo lá até 1908, voltando para este posto na década de 1920. Ele levou a Orquestra do La Scala para os Estados Unidos em uma turnê em 1920/21, onde fez sua primeira gravação.

Toscanini

Reconhecimento Internacional[editar | editar código-fonte]

Fora da Europa, ele conduziu no Metropolitan Opera em Nova Iorque (1908 - 1915) bem como a Orquestra Filarmônica de Nova Iorque (1926 - 1936). Toscanini percorreu a Europa com a Filarmônica de Nova Iorque em 1930, ele e os músicos foram aclamados pela crítica e público. Toscanini foi também o primeiro maestro não alemão a aparecer em Bayreuth (1930 - 1931) e a orquestra Filarmônica de Nova Iorque foi a primeira orquestra não alemã a tocar ali. Na década de 1930 ele se apresentou no Festival de Salzburgo (1934 - 1937) e em 1936 ele conduziu o concerto inaugural da Orquestra Sinfônica da Palestina (que passou a ser Orquestra Filarmônica de Israel) em Tel Aviv, se apresentando com ela em Jerusalém , Haifa, Cairo e Alexandria.

Oposição ao Governo Fascista Italiano[editar | editar código-fonte]

Em 1919, Toscanini concorreu, sem êxito, como um parlamentar fascista em Milão. Ele tinha sido chamado de "O maior condutor do mundo" pelo líder fascista Benito Mussolini. No entanto, ele tornou-se desiludido com o fascismo e repetidamente desafiou o ditador italiano após sua subida ao poder, em 1922. Ele recusou-se a mostrar a fotografia de Mussolini ou a conduzir o hino fascista no La Scala. Ele falou para um amigo "Se eu fosse capaz de matar um homem, eu mataria Mussolini".

No concerto em memoria ao compositor italiano Giuseppe Martucci, no dia 14 de Maio de 1931, no Teatro Comunale em Bologna, foi ordenado que ele começasse a tocar Giovinezza, mas ele recusou pois o ministro dos negócios exteriores fascista estava presente. Mussolini tinha grampeado o telefone de Toscanini e colocou-o sob constante vigilância e retirou seu passaporte. O passaporte foi devolvido somente após o clamor mundial para o tratamento de Toscanini. Ele ficou fora da Itália até 1938.

Orquestra Sinfônica NBC[editar | editar código-fonte]

Toscanini voltou para os Estados Unidos, onde em 1937 tinha sido criada a Orquestra Sinfônica NBC. Ele conduziu o seu primeiro concerto com a orquestra dia 25 de Dezembro de 1937, no estúdio 8-H da NBC, no Centro Rockefeller de Nova Iorque. A acústica do estúdio era muito seca; algumas remodelações em 1939, onde foi acrescentado um pouco mais de reverberação.

Toscanini foi criticado muitas vezes por não conduzir músicas estadunidenses, no entanto, em 5 de Novembro de 1938 ele conduziu a estreia mundial de dois trabalhos orquestrais de Samuel Barber. Em 1945 ele conduziu a orquestra em gravações no Carnegie Hall. Nesse período ele gravou obras de John Philip Sousa, Howard Hanson, Bernard Wagenaar, Abram Chasins, Aaron Copland, Samuel Barber e George Gershwin.

Em 1940 Toscanini fez uma turnê com a orquestra pela América do Sul. Mais tarde naquele ano, ele teve desentendimentos com a gestão da NBC. Então no dia 10 de Março ele escreveu uma carta aos gestores, alegando que queria "retirar-se da cena de uma arte militante" e assim recusou a assinar um novo contrato. Então Leopold Stokowski assinou um contrato de 3 anos com a orquestra. Toscanini sofreu uma mudança e acabou voltando a orquestra, tomando o controle total em 1944.

Uma das transmissões mais notáveis aconteceu em Julho de 1942, quando Toscanini conduziu a estreia estadunidense da Sinfonia Nº7 de Shostakovich. Em 1950 Toscanini conduziu a orquestra em uma extensa turnê transcontinental.

No dia 4 de Abril de 1954, no Carnegie Hall, Toscanini sofreu de um lapso de memória, alegadamente causados por um ataque isquêmico transitório. Depois disso ele nunca mais realizou concertos em público. Toscanini tinha 87 anos quando se aposentou. Após sua aposentadoria a Sinfónica NBC foi reorganizada como a Sinfónica do Ar, até que foi dissolvida em 1963.

Anos Finais[editar | editar código-fonte]

Com a ajuda do seu filho Walter, Toscanini passou seus últimos anos editando fitas e transcrições de seus desempenhos com a Sinfônica NBC.

Toscanini morreu com 89 anos de idade, devido a um acidente vascular cerebral em sua casa, em Riverdale na Cidade de Nova Iorque no dia 16 de Janeiro de 1957. Seu corpo retornou a Itália e foi enterrado no Cemitério Monumentale em Milão. Em seu testamento, ele deixou sua batuta para a sua protegida, a soprano Herva Nelli. Toscanini foi postumamente premiado com o Grammy Lifetime Achievement Award em 1987.

Família[editar | editar código-fonte]

Toscanini casou com Carla de Martini em 21 de Junho de 1897, quando ela ainda não tinha completado vinte anos de idade. O seu primeiro filho, Walter, nasceu dia 19 de Março de 1898. Uma filha, Wally, nasceu dia 6 de Janeiro de 1900. Carla também deu à luz um menino, Giorgio, em Setembro de 1901, mas ele acabou morrendo de difteria dia 10 de Junho de 1906. Então, naquele mesmo ano, Carla deu à luz sua segunda filha, Wanda.

Apesar das infidelidades de Toscanini, comprovadas em cartas, ele permaneceu casado com Carla até a morte dela, dia 23 de junho de 1951.

Inovações[editar | editar código-fonte]

No La Scala, ele tinha o que era o mais moderno sistema de iluminação cênica, que foi instalado em 1901 e também um pit orquestral, instalado em 1907. Toscanini insistia que as performances tinham que ser escurecidas.

Toscanini favoreceu para a tradição orquestral, em que os primeiros violinos e os violoncelos ficassem à esquerda, as violas à direita e os segundos violinos na extremidade da direita, no pit.

Estreias[editar | editar código-fonte]

Toscanini conduziu estreias mundiais de muitas óperas (incluindo Pagliacci, La Bohème, La Fanciulla del West e Turandot). As suas estreias, com locais e datas, foram:

  • Pagliacci (Ruggiero Leoncavallo) - Milão, 21 de maio, 1892
  • Guglielmo Swarten (Gnaga) - Roma, 15 de novembro, 1892
  • Savitri (Natale Canti) - Bolonha, 1 de decembro, 1894
  • Emma Liona (Antonio Lozzi) - Veneza, 24 de Maio, 1895
  • La Bohème (Giacomo Pucci)ni - Turim, 1 de fevereiro, 1896
  • Forza d'Amore (Arturo Buzzi-Peccia) - Turim, 6 de março, 1897
  • La Camargo (Enrico de Leva) - Turim, 2 de março, 1898
  • Anton (Cesare Galeotii) - Milão, 17 de dezembro, 1900
  • Zaza (Leoncavallo) - Milão, 10 de novembro, 1900
  • Le Maschere (Pietro Mascagni) - Milão, 17 de janeiro, 1901
  • Mosè (Don Lorenzo Perosi) - Milão, 16 de novembro, 1901
  • Germania (Alberto Franchetti) - Milão, 11 de março, 1902
  • Oceana (Antonio Smareglia) - Milão, 22 de janeiro, 1903
  • Cassandra (Vittorio Gnecchi) - Bolonha, 5 de dezembro, 1905
  • Gloria (Francesco Cilea) - Milão, 15 de abril, 1907
  • La Fanciulla del West (Puccini) - Nova Iorque, 10 de dezembro, 1910
  • Madame Sans-Gène (Umberto Giordano - Nova Iorque, 25 de janeiro, 1915
  • Debora e Jaele by Ildebrando Pizzetti) - Milão, 16 de dezembro, 1922
  • Nerone (Arrigo Boito - acabada por Toscanini e Vincenzo Tommasini) - Milão, 1 de maio, 1924
  • La Cena delle Beffe (Giordano) - Milão, 20 de december, 1924
  • I Cavalieri di Ekebu (Riccardo Zandonai) - Milão, 7 de março, 1925
  • Turandot (Puccini) - Milão, 25 de abril, 1926
  • Fra Gherado (Pizzetti) - Milão, 16 de maio, 1928
  • Il Re (Giordano) - Milão, 12 de janeiro, 1929
  • Adagio for Strings and First Essay for Orchestra (Samuel Barber) - Orquestra Sinfónica da NBC, Nova Iorque, 5 de novembro, 1938
  • Western Suite (Elie Siegmeister) - Orquestra Sinfónica da NBC, Nova Iorque, novembro de 1945.
Tumba de Arturo Toscanini

Especialidades[editar | editar código-fonte]

Toscanini era especialista em performances de Beethoven, Brahms, Wagner, Richard Strauss, Debussy, Rossini, Verdi, Arrigo Boito e Puccini. Ele fez muitas gravações de obras desses compositores.

Gravações[editar | editar código-fonte]

As gravações de Toscanini são (em inglês):

  • Beethoven, Symphony No. 3 "Eroica" (1953; also 1939 and 1949 recordings)
  • Beethoven, Symphony No. 6 "Pastoral" (1952)
  • Beethoven, Symphony No. 7 (1936, Philharmonic-Symphony of New York)
  • Beethoven, Symphony No. 9 (1952 and 1938)
  • Beethoven, Missa Solemnis, (1940 NBC broadcast)
  • Berlioz, Roméo et Juliette (1947 NBC broadcast)
  • Brahms, Symphony No. 1 (1940)
  • Brahms, Symphony No. 2 (1952 and February, 1948 broadcast)
  • Brahms, Symphony No. 4 (1951 and 1948 broadcast)
  • Brahms, Four Symphonies, Tragic Overture and Haydn Variations, 1952, Philharmonia Orchestra, London (his only appearances with that orchestra, produced by Walter Legge).
  • Debussy, La Mer (1950 and 1940 broadcast)
  • Dvořák, Symphony No. 9 "From the New World" (1953)
  • Mendelssohn, Incidental Music from A Midsummer Night's Dream, (NBC 1947, studio and broadcast versions; Philadelphia 1941); Scherzo, New York Philharmonic, (1929)
  • Mendelssohn, Symphony No. 4 "Italian", (1954, exists in two versions: one as approved by Toscanini with excerpts from the rehearsals, and the unedited broadcast)
  • Mendelssohn, Symphony No. 5 "Reformation", (1953)
  • Puccini, La bohème (1946 broadcast)
  • Mozart, Die Zauberflöte (1937, Salzburg Festival; poor sound
  • Schubert, Symphony No. 9 (Philadelphia, 1941; NBC 1947 and 1953)
  • Tchaikovsky, Piano concerto No. 1 in B flat minor, Op. 23, Vladimir Horowitz and NBC Symphony, (live recording of April 25, 1943 War Bonds benefit concert at Carnegie Hall, first issued in 1959 as LP RCA Red Seal RB-16190)
  • Verdi, Requiem (1940 NBC broadcast; and 1951 studio recording)
  • Verdi, Un ballo in maschera (1954 NBC broadcast)
  • Verdi, Falstaff (1937, Salzburg Festival with restored sound on the Andante label; 1950 NBC broadcast)
  • Verdi, Rigoletto (Act IV only, 1944; from World War II Red Cross benefit concert held in Madison Square Garden, with the combined forces of the New York Philharmonic and the NBC Symphony)
  • Verdi, Otello (1947 NBC broadcast)
  • Wagner, Die Meistersinger von Nürnberg (1937, Salzburg Festival; original Selenophone sound-on-film recording restored on Andante.)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Desconhecido
Diretor musical do Teatro alla Scala de Milão
1898–1908
Sucedido por
Tullio Serafin
Precedido por
Tullio Serafin
Diretor musical do Teatro alla Scala de Milão
1921–1929
Sucedido por
Victor de Sabata
Precedido por
Willem Mengelberg
Diretor artístico da Orquestra Filarmônica de Nova Iorque
1928–1936
Sucedido por
John Barbirolli
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