Assassinato de Sarajevo

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Assassinato de Sarajevo
Placa recordando o acontecimento no local do assassinato.
Local Sarajevo,  Bósnia e Herzegovina
Data 28 de junho de 1914
Arma(s) 7.65mm Browning
Mortes 2
Feridos 3
Responsáveis(s) Gavrilo Princip
Danilo Ilić

Em 28 de junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro e sua esposa Sofia foram assassinados em Sarajevo, capital da Bósnia por Gavrilo Princip, membro da Jovem Bósnia, grupo terrorista que almejava a unificação da "Terra dos Eslavos do Sul" (Iugoslávia). Tal evento serviu como pretexto para o início da Primeira Guerra Mundial.

Índice

[editar] Introdução

A Bósnia e a Herzegovina tinham sido ocupadas pelo Império Austro-Húngaro em 1878 e anexadas em 1908. Muitos bósnios, particularmente os de etnia sérvia, não aceitavam a a ocupação, preferindo a unificação com o Reino da Sérvia.

No final de junho de 1914, Francisco Ferdinando visitou a Bósnia para observar seu exército e para fundar um museu em Sarajevo. Normalmente em ocasiões oficiais ele não levava sua esposa Sofia, com quem tinha contraído casamento morganático, já que ela vinha de uma família de posição inferior na corte. Só que em 1 de julho o casal estaria comemorando seu aniversário de casamento, o que permitiu a Sofia a viagem com o marido.

O dia do assassinato, 28 de junho, é no calendário juliano o dia 15 de julho, dia do Vidovdan, que na Sérvia se comemora a derrota sérvia perante os Otomanos em 1389. Tal dia era comemorado com cerimônias patrióticas.[1]

[editar] Conspiração

Gavrilo Princip - o assassino

A Jovem Bósnia, grupo de jovens bósnios anarquistas, estava equipada com pistolas FN Herstal, modelo 1910 e bombas fornecidas pela Mão Negra, uma sociedade secreta nacionalista sérvia que tinha entre seus membros oficiais do exército sérvio, notavelmente o coronel em Viena avisando ao Império Austro-Húngaro que a visita do arquiduque ao disputado território da Bósnia poderia ser perigoso, principalmente pelas reações despertadas pela Guerras balcânicas (1912-1913). Tal aviso, contudo, foi ignorado.

[editar] O assassinato

Nota: O curso exato dos acontecimentos nunca foi completamente estabelecido, muito em fato dos relatos inconsistentes das testemunhas.

Os sete conspiradores eram inexperientes com armas, e só por uma seqüência extraordinária dos fatos é que foram bem sucedidos. Por volta das 10 horas, Francisco Ferdinando, junto com sua esposa e comitiva, saiu do acampamento militar de Philipovic, onde o arquiduque tinha passado revista na tropa. A comitiva era composta por sete carros:

  • No primeiro carro: o detetive chefe de Sarajevo e três policiais locais.
  • No segundo carro: Fehim Efendi Curcic, prefeito de Sarajevo; Dr. Edmund Gerde, Comissário de Polícia de Sarajevo.
  • No terceiro carro: Francisco Fernando, sua esposa Sofia, Oskar Potiorek, governador geral da Bósnia e o guarda-costas de Francisco Fernando, tenente-coronel conde Franz von Harrach.
  • No quarto carro: o chefe da corte militar de Francisco Fernando, o barão Carl von Rumerskirch; Wilma Lanyus von Wellenberg, condessa e dama de companhia de Sofia; tenente-coronel Erich Edler von Merizzi, chefe ajudante de Potiorek e o tenente-coronel conde Alexander Boos-Waldeck.
  • No quinto carro: Adolf Egger, diretor da fábrica da Fiat em Viena; Major Paul Höger; Coronel Karl Bardolff; Dr. Ferdinand Fischer.
  • No sexto carro: barão Andreas von Morsey; Capitão Pilz; outros membros da comitiva de Francisco Fernando e oficiais bósnios.
  • No sétimo carro: Major Erich Ritter von Hüttenbrenner; conde Josef zu Erbach-Fürstenau; tenente Robert Grein.
Mapa do local onde o Arquiduque foi morto.

Às 10 horas e 15 minutos, a comitiva passou pelo primeiro membro do grupo, Mehmed Mehmedbašić, que tinha se colocado numa janela para atirar. O tiro não fora disparado porque, de acordo com Mehmed Mehmedbašić, ele não tinha uma visão clara da comitiva, o que o fez não disparar e alertar as autoridades. O segundo membro, Nedeljko Čabrinović, jogou uma bomba no carro onde estava Francisco Fernando, mas errou o alvo. A explosão destruiu o carro seguinte, ferindo diversos passageiros, policiais e a multidão. Čabrinović então engoliu sua pílula de cianeto e pulou no raso rio Miljacka. Ele, contudo, foi retirado vivo de lá, e quase linchado pela multidão até ser levado pela polícia em custódia. Sua pílula de cianeto era talvez muito antiga ou sua dosagem muito pequena. O rio também só tinha 10 centímetros de profundidade e Čabrinović não conseguiu se afogar. Os outros conspiradores fugiram, provavelmente assumindo que Francisco Fernando tivesse sido morto.

Ao chegar à prefeitura para uma recepção oficial, Francisco Fernando mostrou claros sinais de irritação e estresse, interrompendo um discurso de boas vindas do prefeito Curcic para protestar "nós viemos aqui e as pessoas nos lançam bombas". Acalmado, o resto da recepção passou de forma tensa, mas sem incidentes. Oficiais e membros da comitiva então discutiram sobre como evitar novas tentativas de atentados, sem chegar a uma conclusão coerente. Uma sugestão de que as tropas que estavam no lado de fora da cidade fossem mandadas para as ruas foi rejeitada pelo fato de não estarem com os uniformes adequados.

Após a recepção, Francisco Fernando decidiu ir ao hospital para visitar as vítimas da explosão. Gavrilo Princip tinha ido a uma loja de alimentos, e viu o carro de Francisco Fernando voltando após pegar o caminho errado. O motorista, Leopold Loyka, não tinha sido avisado da mudança de plano e tinha pego um caminho que levaria a saída da cidade. Princip então atirou com uma pistola semi-automática FN Herstal modelo 1910 de calibre 7.65×17 mm (.32 ACP, número de série 19074). A primeira bala perfurou o veículo e acertou Sofia no abdômen, e a segunda o pescoço de Francisco Fernando. Princip mais tarde afirmaria que sua intenção era matar o governador geral Oskar Potiorek e não Sofia.

Princip tentou o suicídio, primeiro com o cianeto e depois com sua arma, mas vomitou a pílula e sua arma foi-lhe tirada das mãos antes que pudesse atirar.

[editar] Consequências

Durante a interrogatório, Gavrilo Princip, Čabrinović e os outros membros do grupo permaneceram em silêncio enquanto Danilo Ilić contava os detalhes da conspiração, incluindo o fato de que as armas tinham vindo do estoque militar sérvio.

O assassinato do herdeiro do Império Austro-Húngaro produziu um grande choque na Europa, e inicialmente houve muita simpatia pela perda austríaca. O governo em Viena viu os acontecimentos como uma forma de ameaça definitiva a Sérvia, e após garantir o apoio alemão, acusou a mesma pelo assassinato e a obrigou a uma série de demandas, conhecidas como o Ultimato de Julho. O Império Austro-Húngaro insistiu que a Sérvia deveria aceitar todas as condições propostas, algumas das quais feriam a soberania da mesma. A Sérvia aceitou todas as propostas, com exceção da que permitia que agentes austríacos tivessem o poder de fazer inquéritos em solo sérvio. Por essa recusa, o Império Austro-Húngaro declarou guerra à Sérvia em 28 de julho de 1914. O sistema da época de alianças e tratados militares forçaram então as grandes potências a entrarem na guerra até se formar a Primeira Guerra Mundial.

Oito conspiradores foram declarados culpados.Os menores de idade foram sentenciados à prisão. Nedjelko Cabrinovic, Gavrilo Princip e Trifko Grabez pegaram pena máxima de 20 anos, enquanto Vaso Cubrilovic pegou 16 anos e Cvijetko Popovic 13 anos. Danilo Ilic, Veljko Cubrilovic e Misko Jovanovic foram executados em 3 de fevereiro de 1915.

O veículo usado pelo Arquiduque no seu assassinato. O buraco deixado pela bala que matou Sofia pode ser visto acima do pneu à esquerda da foto.

O assassinato é apontado como o ponto de partida de diversos significativos eventos do século XX. O Tratado de Versalhes no final da Primeira Guerra Mundial normalmente é dito como o responsável pela ascensão de Hitler e da Segunda Guerra Mundial. Ele também teria ajudado no sucesso da Revolução Russa, que levaria à Guerra Fria.

Contudo, mesmo que o assassinato tivesse falhado é provável que a guerra ainda assim ocorresse por algum outro acontecimento. As alianças da época e a existência de complexos planos de mobilização militar faziam com que fosse muito improvável a não eclosão do conflito em escala global.

[editar] Relíquias

A bala disparada por Princip está em exibição no museu do castelo de Konopiště perto da cidade de Benešov, na República Checa. Já a arma de Princip, junto com o carro que o arquiduque usava na ocasião do assassinato, está em exibição permanente no Museu de História Militar, em Viena, Áustria.

Referências

[editar] Bibliografia

  • PONTING, Clive. Thirteen Days, Chatto & Windus, Londres, 2002.

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