Assassinato de Victoria Climbié

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Victoria Climbié após sofrer maus tratos.

Victoria Adjo Climbié (Abobo, Abidjan, Costa do Marfim, 2 de Novembro de 1991Londres, 25 de Fevereiro de 2000) foi uma criança marfinense que morreu aos oito anos de idade, em razão de maus tratos, agressões e abuso sexual praticados por sua própria tia, Marie Thérèse Kouao, e o companheiro desta, Carl Manning. Sua morte levou a uma investigação pública e produziu grandes mudanças nas políticas de protecção da infância na Inglaterra.

Nascida em Abobo, Costa do Marfim, Victoria deixou o país com sua tia-avó Marie-Thérèse Kouao para ser educada na França, após isso partiram para a Inglaterra chegando em Londres em abril de 1999, onde Kouao conheceu Carl Manning, um motorista de ônibus. As duas se mudaram para o apartamento de Manning, onde Victoria era torturada e abusada sexualmente pelos dois. Não se sabe exatamente quando Kouao começou a abusar Victoria, embora se suspeite que a situação tenha piorado quando Kouao e Victoria foram morar com Carl Manning, que se tornou namorado de Kouao. Durante o abuso, Victoria foi queimada com cigarros, amarrada por períodos de mais de 24 horas, e agredida com correntes de bicicleta, martelos e cabos. Até sua morte, a polícia, o departamento de serviços sociais de quatro autoridades locais, o Serviço Nacional de Saúde, a Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra as Crianças (NSPCC), e as igrejas locais, incluindo a Igreja Universal do Reino de Deus, todos tiveram contato com ela, e perceberam os sinais de abuso. No entanto, no julgamento após a morte de Victoria que o juiz descreve como "incompetência cegante", todos falharam em investigar adequadamente o caso e pouca ação foi tomada. Kouao e Manning foram condenados por assassinato e sentenciados à prisão perpétua.

Após a morte de Vitória, as partes envolvidas no caso dela, foram bastante criticados. Um inquérito público, dirigido por William Laming foi executado. Descobriu-se inúmeros casos em que Victoria poderia ter sido salva, foi observado que muitas das organizações envolvidas em seus cuidados eram mal geridas, e discutiu-se os aspectos raciais em torno do caso, como a de que muitos dos participantes eram negros. O relatório subsequente feito por Laming fez inúmeras recomendações relacionadas com a protecção das crianças na Inglaterra. A morte de Victoria foi o grande responsável pela formação do Every Child Matters; a introdução da Lei da Criança de 2004; a criação do projeto ContactPoint, um banco de dados do governo concebido para armazenar informações sobre todas as crianças na Inglaterra; e a criação do Gabinete Comissário de Menores, presidido pelo Comissão de Menores para a Inglaterra.

Vida[editar | editar código-fonte]

Victoria Climbié nasceu em 2 de novembro de 1991 em Abobo, perto de Abidjan, Costa do Marfim, a quinta de sete filhos.[1] [2] Seus pais foram Francis Climbié e sua esposa Berthe Amoissi.[3] Marie-Thérèse Kouao, tia de Francis, nasceu em 17 de julho de 1956 em Bonoua, Costa do Marfim e viveu na França, com seus três filhos, alegando benefícios sociais.[2] [4] Ela se divorciou de seu ex-marido em 1978 que morreu em 1995.[4] Kouao foi no funeral do seu irmão na Costa do Marfim, quando ela visitou a família Climbié em outubro de 1998. Ela informou que ela queria levar a criança para a França com ela e ser responsável pela sua educação; essa prática informal é comum na sociedade os pais de Victoria. E Victoria estava aparentemente feliz em ser escolhida.[2]

A partir daí, Kouao fingiu que Victoria era sua filha. Victoria viajou com um passaporte francês, em nome de Anna Kouao e era conhecida como Anna durante toda sua vida na Inglaterra.[2] Não se sabe exatamente quando Kouao começou a abusar de Victoria. Os pais de Victoria receberam três mensagens sobre ela a partir do momento que ela morreu, todos dizendo que ela estava com boa saúde.[5]

Kouao e Victoria deixaram a Costa do Marfim, possivelmente, em novembro de 1998 e voaram para Paris, na França, onde Victoria foi matriculada na escola.[2] Até dezembro de 1998, no entanto, Kouao começou a receber avisos sobre faltas de Victoria, e em fevereiro de 1999, a escola emitiu uma notificação para crianças em situação de risco e um assistente social se envolveu. A escola observou como Victoria tendia a adormecer nas aulas, e mais tarde, é citado o sofrimento de Victoria por algum tipo de condição dermatológica e que, em sua última visita à escola em 25 de março de 1999, Vitória tinha a cabeça raspada e usava uma peruca.[6] Kouao também tinha sido despejada de sua casa na França por causa do aluguel atrasado.[4]

Inglaterra[editar | editar código-fonte]

Em 24 de abril de 1999, Kouao Climbié e deixaram a França e viajaram para Ealing, Londres.[6] Em 25 de abril de 1999, e Kouao e Climbié visitou Esther Ackah, um parente distante de Kouao pelo casamento, conselheiro e pregador.[3] [6] Ackah e sua filha notaram que Climbié estava usando uma peruca e parecia pequena e frágil.[6]

Causas da morte[editar | editar código-fonte]

Foi levada ao hospital em 24 de Fevereiro de 2000, desacordada e sofrendo de hipotermia. Morreu no dia seguinte. A patologia descobriu 128 cicatrizes e ferimentos espalhados pelo seu corpo. Kouao e Manning foram presos e condenados à prisão perpétua, por crueldade e homicídio culposo.

As causas oficias da morte da menina foram hipotermia (causada porque Victoria foi obrigada a dormir nua em uma banheira cheia de água), desnutrição e falência múltipla de órgãos.

Referências

  1. Verkaik, Robert. "Climbie council 'is still failing abused children'". The Independent. Acessado em 29/07/10.
  2. a b c d e Laming, p. 25.
  3. a b Batty, David. "Key figures in the Climbié case". The Guardian. Acessado em 01/08/10.
  4. a b c Laming, p. 46.
  5. "Climbie case is 'turning point'". BBC News. Acessado em 01/08/10.
  6. a b c d Laming, p. 26.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

(em inglês)