Assembleia de Deus (Brasil)
| Classificação | Protestante |
|---|---|
| Orientação | Pentecostal |
| Política | Episcopal e Congregacional |
| Fundador | Daniel Berg e Gunnar Vingren |
| Origem | 1911 Belém, Pará |
As igrejas evangélicas pentecostais1 que usam o nome Assembleia de Deus no Brasil são, em sua maioria, fruto da propagação pentecostal dos sueco-americanos Gunnar Vingren e Daniel Berg.
Índice |
História[editar]
A Assembleia de Deus chegou ao Brasil por intermédio dos missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, que aportaram em Belém, capital do Estado do Pará, em 19 de novembro de 1910, vindos dos Estados Unidos. A princípio, frequentaram a Igreja Batista, denominação a que ambos pertenciam nos Estados Unidos. Os missionários suecos traziam a doutrina do batismo no Espírito Santo, com a glossolalia — o falar em línguas espirituais (estranhas) — como a evidência inicial da manifestação que já vinha ocorrendo em várias reuniões de oração nos Estados Unidos e também de forma isolada em outros países, principalmente naquelas que eram conduzidas por Charles Fox Parham, mas teve seu apogeu inicial através de um de seus principais discípulos, um pastor leigo negro, chamado William Joseph Seymour, na rua Azusa, Los Angeles, em 1906.2
A nova doutrina trouxe muita divergência. Enquanto um grupo aderiu, outro rejeitou. Assim, em duas assembleias distintas, conforme relatam as atas das sessões3 , os adeptos do pentecostalismo foram desligados e, em 18 de junho de 19114 5 , juntamente com os missionários estrangeiros, fundaram uma nova igreja e adotaram o nome de Missão de Fé Apostólica, que já era empregado pelo movimento de Los Angeles, mas sem qualquer vínculo administrativo com William Joseph Seymour. A partir de então, passaram a reunir-se na casa de Celina de Albuquerque. Mais tarde, em 18 de janeiro de 1918 a nova igreja, por sugestão de Gunnar Vingren, passou a chamar-se Assembleia de Deus, em virtude da fundação das Assembleias de Deus nos Estados Unidos, em 1914, em Hot Springs, Arkansas, mas, outra vez, sem qualquer ligação institucional entre ambas as igrejas.
A Assembleia de Deus no Brasil expandiu-se pelo estado do Pará, alcançaram o Amazonas, propagou-se para o Nordeste, principalmente entre as camadas mais pobres da população. Chegaram ao Sudeste pelos idos de 1922, através de famílias de retirantes do Pará, que se portavam como instrumentos voluntários para estabelecer a nova denominação aonde quer que chegassem. Nesse ano, a igreja teve início no Rio de Janeiro, no bairro de São Cristóvão, e ganhou impulso com a transferência de Gunnar Vingren, de Belém, em 1924, para a então capital da República. Um fato que marcou a igreja naquele período foi a conversão através de um folheto evangelístico de Paulo Leivas Macalão, filho de um general e precursor do assim conhecido Ministério de Madureira.
A influência sueca teve forte peso na formação assembleiana brasileira, em razão da nacionalidade de seus fundadores, e graças à igreja pentecostal escandinava, principalmente a Igreja Filadélfia de Estocolmo, que, além de ter assumido nos anos seguintes o sustento de Gunnar Vingren e Daniel Berg, enviou outros missionários para dar suporte aos novos membros em seu papel de fazer crescer a nova Igreja. Desde 1930, quando se realizou um concílio da igreja na cidade de Natal, a Assembleia de Deus no Brasil passou a ter autonomia interna, sendo administradas exclusivamente pelos pastores residentes no Brasil, sem contudo perder os vínculos fraternais com a igreja na Suécia. A partir de 1936 a igreja passou a ter maior colaboração das Assembleias de Deus dos Estados Unidos através dos missionários enviados ao país, os quais se envolveram de forma mais direta com a estruturação teológica da denominação.
Organização denominacional[editar]
As Assembleias de Deus brasileiras estão organizadas em forma episcopado não-territorial, onde cada Ministério é constituído pela igreja-sede com suas respectivas filiadas, congregações e pontos de pregação (subcongregações). O sistema de administração é um misto entre o sistema episcopal e o sistema congregacional, onde os assuntos são previamente tratados pelo ministério(Convenção local), com forte influência da liderança pastoral, e depois são levados às assembleias para serem referendados apenas. Os pastores das Assembleias de Deus podem estar ligados ou não às convenções estaduais, e estas se vinculam a uma convenção de âmbito nacional.
As Assembleias de Deus iniciaram cedo seu trabalho missionário, em 1913 enviou um evangelista a Portugal. Desde a década de 1990 os diversos ministérios expandiram em áreas cada vez mais distantes de suas igrejas-mães, plantando igrejas em comunidades imigrantes brasileiras nos Estados Unidos, Europa, Japão, América Latina ou em novas inicitivas missionárias na África e Ásia.
Desde a década de 1980, por razões administrativas, a Assembleia de Deus brasileira tem passado por algumas cisões que deram origem a diversas convenções e ministérios, com administração autônoma, em várias regiões do País. O mais expressivo dos ministérios independentes é o Ministério de Madureira, cuja igreja já existia desde os idos de 1930, fundada pelo pastor Paulo Leivas Macalão e que, em 1958, serviu de base para a estruturação nacional do Ministério por ele presidido, até a sua morte, no final de 1982.
Particularmente na América do Sul, hoje existem muitas Assembleias de Deus autônomas e independentes. No Brasil, segundo o censo 2010 de todos os grupos havia 12,3 milhões de aderentes. Contudo, o Pr. Silas Malafaia, pastor da Assembléia de Deus Vitória em Cristo, da Penha-RJ, aponta algumas falhas na pesquisa, pois segundo ele, embora seja difícil a contagem dos membros, é fácil notar que pela quantidade de igrejas que são catalogadas pelas diversas convenções de pastores e igrejas, o número deveria apontar para cerca de 20 milhões de membros e congregados. (6 ) O que o pastor Silas falou é relevante e não aponta para um sentimento de querer ser maior do realmente se é, contudo, historicamente os assembleianos foram discriminados por formadores de opinião com mente e opinião ultra-católica, que sempre fizeram questão de associá-los ao pensamento alienado. Por suas origens estarem ligadas ao povo carente do norte e nordeste e com níveis culturais e educacionais mais simplórios, foram sempre associados à falta de esclarecimento e de cultura, consequentemente com sua fé distante do romanismo católico e próximo da imensidão da ignorância protestante. Esse pensamento não faz mais parte do cotidiano, pois há uma diversidade de teólogos, pensadores, formadores de opinião, magistrados, políticos, pesquisadores, cientistas, arqueólogos, enfim, em todos os segmentos da sociedade brasileira há algum assembleiano.
Apesar do crescimento e das projeções futuras, que colocam a referida denominação como a 2° maior influência religiosa no Brasil, depois da Igreja Católica, a liderança vê com certo cuidado essa figura de vanguarda nas questões nacionais, pois acreditam eles, que todo esse fenômeno de crescimento se deve a ação do Espírito Santo na nação brasileira e portanto, muito mais do que métodos eficientes de crescimento, comenta Alessandro Santana, pesquisador e teólogo assembleiano. O Pr. Silas Malafaia que é o maior ícone dessa denominação, sempre diz em suas aparições televisivas que os evangélicos não tem nenhuma intenção de se criar no Brasil uma espécie de "república xiita-evangélica", fazendo uma referência ao que acontece nos países de maioria islâmica, onde tudo que se decide é em torno do islamismo. Uma das evidências de que a afirmação do pastor Silas é verídica e não é mera demagogia, é que a denominação cresceu e se tornou a maior do segmento evangélico, sem ter canais e programas de televisão com a mesma intensidade que outras denominações como: Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja Mundial de Cristo, Igreja Universal do Reino de Deus, esta última com notada diminuição de seus membros nos últimos anos, segundo dados do IBGE.
As maiores convenções são:
- Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) possui sede no Rio de Janeiro, esta se considera o tronco da denominação por ser a entidade que desde o princípio deu corpo organizacional à igreja. A CGADB hoje conta com centenas de pastores e missionários espalhados pelo mundo. É afiliada à Associação Mundial da Assembleia de Deus.
- Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil (CONAMAD) – Ministério de Madureira – possui sede no Rio de Janeiro, fruto do ministério de Paulo Leivas Macalão. Desligou-se da CGADB na década de 1980.
Doutrina[editar]
De acordo com o credo das Assembleias de Deus, entre as verdades fundamentais da denominação, estão a crença:7
- Num só Deus eterno subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo;
- Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, considerada a única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão;
- Na concepção virginal de Jesus Cristo, na sua morte vicária e expiatória, ressurreição corporal e ascensão para o céu;
- No pecado que distancia o homem de Deus, condição que só pode ser restaurada através do arrependimento e da fé em Jesus Cristo.
- Arrebatamento dos membros da Igreja para a Nova Jerusalém em breve com a volta de Cristo.
- Na necessidade de um novo nascimento pela fé em Jesus Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus para que o homem se torne digno do Reino dos Céus;
A denominação pratica o batismo em águas por imersão do corpo inteiro, uma só vez, em adultos, em nome da Trindade; a celebração, sistemática e continuada, da Santa Ceia; e o recebimento do batismo no Espírito Santo, geralmente, com a evidência inicial do falar em outras línguas, seguido de outros dons do Espírito Santo.
A exemplo da maioria dos cristãos, os assembleianos aguardam a segunda vinda premilenial de Cristo em duas fases distintas: a primeira, invisível ao mundo, para arrebatar a Igreja fiel da terra, antes da Grande Tribulação; e a segunda, visível e corporal com a Igreja glorificada, para reinar sobre o mundo por mil anos, sendo portanto dispensacionalista.
Ainda, nesse corolário de fé, os assembleianos esperam comparecer perante o Tribunal de Cristo, para receber a recompensa dos seus feitos em favor da causa do Cristianismo, seguindo-se uma vida eterna de gozo e felicidade para os fiéis e de tormento para os infiéis.
Os assembleianos, em regra, são contra o aborto voluntário e o divórcio.[carece de fontes]
Liturgia[editar]
Os cultos das Assembleias de Deus se caracterizam por orações, cânticos (hinos evangélicos clássicos e contemporâneos), testemunhos e pregações, onde muitas vezes ocorrem manifestações dos dons espirituais, como, por exemplo, profecias e línguas espirituais (estranhas).
Possui dias e horários específicos para cultos, sendo o principal deles no domingo por volta das 18/19 horas, e o de ensinamento bíblico (a Escola Bíblica Dominical, com divisão de classes por idade) por volta das 9 horas.
Os cultos têm duração média de 2 horas, sendo divididos em:
- Oração inicial - Normalmente um pastor ou outro obreiro faz uma oração a Deus.
- Cânticos iniciais - Utilizando-se a Harpa Cristã (um livreto de Hinos Evangélicos Clássicos), canta-se em média 3 hinos e em alguns ministérios, hinos congregacionais.
- Leitura bíblica (ou palavra introdutória) - Neste momento a leitura do trecho bíblico e inspirada pelo Espírito Santo, no qual o culto será direcionado como um todo com fulcro nesse trecho.
- Oportunidades de cânticos por grupos de jovens, crianças, senhoras, adolescentes, corais, grupos e ministérios de louvor.
- Oportunidades de testemunhos por membros - Momento no qual os membros contam o que Deus mudou em suas vidas e vem fazendo, atualmente, por eles.
- Pregação - na qual um pastor, um membro da igreja local, ou um pregador ou pastor convidado fará a pregação (sermão) explicando a passagem bíblica.
- Apelo - Convite aos que não são evangélicos a aceitarem a Jesus como único e suficiente Salvador.
- Cântico de encerramento e/ou avisos sobre as próximas reuniões.
- Oração final.
- Bênção apostólica (somente dado pelo pastor, presbítero ou evangelista: "A graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o amor de Deus, o nosso Eterno Pai, a comunhão, as doces e eternas consolações do Espírito Santo sejam sobre nós e sobre todo o povo de Deus, desde agora e para sempre. Amém".8
Em alguns casos, após a oração inicial, dá-se a oportunidade de cantar alguns corinhos, com conjuntos ou equipes de louvor.
Apesar de nem todas Assembléias de Deus seguirem essa liturgia, igrejas como a Igreja Pentecostal Deus é Amor, seguem, costumeiramente, liturgia igual.
Crescimento[editar]
Recentemente, o órgão oficial para Senso no Brasil, o IBGE, divulgou dados que demonstram que a Assembléia de Deus foi a igreja que mais cresceu no Brasil, e que representa mais de 50% dos evangélicos do país, que em 2010 somava mais de 22 milhões. Desde os anos de 1970, a Assembleia de Deus é a maior denominação evangélica do país, e continua crescendo. Segundo os números do Censo 20109 do IBGE, divulgados nesta manhã, há 12.314.410 assembleianos em todo o país. Em 2011, o IBGE já havia apresentado os dados sobre religião da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2009, que revelavam que o número de assembleianos no país já era de 11 milhões a apenas um ano do Censo 2010. Porém, com os dados do último Censo, esse crescimento pode ser melhor avaliado.
“As Assembleias de Deus crescem por causa do seu ardor evangelístico”. A evangelização faz parte da cultura assembleiana. Na Convenção Geral de 1981, realizada no Estádio Felippe Drummond (conhecido como “Mineirinho”), em Belo Horizonte, MG, o missionário Bernhard Johnson declarou que as maiores necessidades das Assembleias de Deus no Brasil são “preservar a agressividade evangelística que as tem caracterizado e preservar a doutrina”. O mesmo disse Alcebíades Pereira Vasconcelos, de Manaus, AM: “Mais do que nunca, a Assembleia de Deus precisa arrepender-se e, ajoelhada, confessar a Deus o seu pecado de omissão evangelística”. Na mesma oportunidade, o missionário John Peter Kolenda lembrou que o alvo de qualquer despertamento religioso é a evangelização e aproveitou para dar uma alfinetada: “Quando estamos preocupados com a evangelização, não se oferecem tantas oportunidades para a contenda”.
A prática da oração é outro ponto forte entre os assembleianos. Em 1943, houve um forte apelo para as igrejas começarem a orar todos os dias, pela manhã, das 4 às 5 horas e das 5 às 6 horas, em favor de um avivamento no país. Nesse mesmo ano lançou-se o Círculo de Oração, uma reunião de oração semanal que começava de manhã e durava até às 16 horas. Depois de algumas décadas, o Círculo de Oração passou a ser uma atividade mais desenvolvida pelas mulheres, em um dia útil da semana, à tarde.
“As Assembleias de Deus crescem porque começaram com missionários pobres (imigrantes suecos nos Estados Unidos) e se infiltraram nas camadas mais desfavorecidas do país”. Chamam a atenção para o sobrenatural (o fenômeno de línguas estranhas, a expulsão de demônios, o dom de profecia e os possíveis milagres de cura). As classes sociais que eles atingem têm menos resistência ao evangelho, menos satisfações a dar, menos distrações para tomar o tempo da religião. Além de tudo, elas acreditam fervorosamente na existência de Deus e enxergam com mais facilidade suas próprias carências pessoais e familiares, sociais e afetivas. O país deve às Assembleias de Deus e a várias outras igrejas evangélicas a diminuição do analfabetismo e a recuperação de marginais.
Costumes[editar]
Inicialmente caracterizada por um rigorismo de conduta, fruto do que o sociólogo Paul Freston chama de "ethos sueco-nordestino", mesclando o pietismo nórdico com o patriarcalismo nordestino, hoje muitas igrejas Assembleias de Deus vêm experimentando, recentemente, grandes mudanças comportamentais concernente a usos e costumes.10
Há ainda diversidade de condutas, mas muito dessas igrejas já não mais impõem o uso de determinadas peças do vestuário feminino, consentindo que as mulheres usem calças compridas, decotes mais alongados ou mangas mais curtas, permitindo ainda o uso de jóias, tais como brincos, cordões, maquiagens e coloração dos cabelos, desde que mantido um razoável padrão de pudor. Praia, cinema e teatro já não são, terminantemente, proibidos. Quanto aos homens, diminuem as restrições ao uso de barba ou cabelos mais alongados, bem como bermudas e lazer. De igual modo, tendem a diminuir do cenário assembleiano as folclóricas proibições ao uso da televisão e do rádio.
A composição social dos membros consiste em classe trabalhadora, boa parte migrantes ou descentes de migrantes. Apresenta recentemente ascensão social1 .
Produção teológica[editar]
Originalmente, por influência sueca, a Assembleia de Deus tinha uma produção literária modesta e pouca afinidade ao ensino formal acadêmico no campo da teologia, mas sob ação de missionários americanos surgiram as primeiras escolas, como o seminário de Pindamonhangaba. Com o crescimento de seus seminários e faculdades teológicas, começa a criar uma tradição acadêmica, que hoje é referência no meio evangélico.
A diversidade literária é fruto da influência de diversos ícones da Assembléia de Deus, que reconhecidamente tem entre seus líderes e pastores, os pregadores mais proeminentes e avivados do meio evangélico contemporâneo, com posturas puramente pentecostais. Estas personalidades tem influenciado demasiadamente a leitura de seus livros e as diversas edições bíblicas. É fato que há uma forte manifestação da influência norte-americana nas prateleiras das livrarias evangélicas, principalmente no arraial assembleiano, fenômeno este criticado pelos mais ortodoxos e teólogos conservadores, pois "os americanos produzem o que há de melhor, teologicamente falando, e também é sede do maior besteirol teológico", palavras do Pr. Silas Malafaia (Assembléia de Deus Vitória em Cristo), que enriquece esse pensamento.
Nas primeiras décadas do séxulo XX, as Assembléias de Deus eram dependentes de outras literaturas, principalmente da literatura batista, fato este já superado nas últimas duas décadas. A produção de literatura vasta, tornou os escritores assembleianos como referência bibliográfica de outros escritos, e não é incomum o recebimento de prêmios de literatura, como o Prêmio Areté de Literatura, que é promovido pela Associação de Editores Cristãos (ASEC) desde 1991. Hoje a literatura ocupa uma importância ímpar dentro das comunidades assembleianas e há diversas editoras dentro da denominação. Podemos citar as três maiores: - CPAD (Casa Publicadora das Assembléias de Deus), fundada em 1940 no Rio de Janeiro e está no âmbito da CGADB; - Editora Betel, fundada em 1988 no Rio de Janeiro e está no âmbito da CONAMAD; - Editora Central Gospel, fundada em 1999 no Rio de Janeiro e está no âmbito da Associação Vitória em Cristo, da Assembléia de Deus Vitória em Cristo.
Escola Bíblica Dominical[editar]
Não poderia deixar de ser mencionada a famosa ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL (EBD), marca registrada do ensino religioso teológico assembleiano. A Escola Dominical teve seus primórdios da seguinte maneira. Sentado a sua mesa de trabalho num domingo em outubro de 1780 o dedicado jornalista Robert Raikes procurava concentrar-se sobre o editorial que escrevia para o jornal de Gloucester, de propriedade de seu pai. Foi difícil para ele fixar a sua atenção sobre o que estava escrevendo pois os gritos e palavrões das crianças que brincavam na rua, debaixo da sua janela, interrompiam constantemente os seus pensamentos. Quando as brigas tornaram-se acaloradas e as ameaças agressivas, Raikes julgou ser necessário ir à janela e protestar do comportamento das crianças. Todos se acalmaram por poucos minutos, mas logo voltaram às suas brigas e gritos.
Robert Raikes contemplou o quadro em sua frente; enquanto escrevia mais um editorial pedindo reforma no sistema carcerário. Ele conclamava as autoridades sobre a necessidade de recuperar os encarcerados, reabilitando-os através de estudo, cursos, aulas e algo útil enquanto cumpriam suas penas, para que ao saírem da prisão pudessem achar empregos honestos e tornarem-se cidadãos de valor na comunidade. Levantando seus olhos por um momento, começou a pensar sobre o destino das crianças de rua; pequeninos sendo criados sem qualquer estudo que pudesse lhes dar um futuro diferente daquele dos seus pais. Se continuassem dessa maneira, muitos certamente entrariam no caminho do vício, da violência e do crime.
Raikes sentiu-se atribulado no seu espírito ao ver tantas crianças desafortunadas crescendo desta maneira; sem dúvida, ao atingir a maioridade, muitas delas cairiam no mundo do crime. O que ele poderia fazer? Foi na carência de uma resolução para esse problema, com uma enorme vontade de ensinar a Palavra de Deus que Robert Raikes criou a Escola Bíblica Dominical. Ele foi visto freqüentemente acompanhado de seu fiel servo, andando sob a neve, com sua lanterna nas noites frias de inverno. Raikes fazia isto nos redutos mais pobres da cidade para levar agasalho e alimento para crianças de rua que morreriam de frio se ninguém cuidasse delas; conduzindo-as para sua casa, até encontrar um lar para elas.
No começo Raikes encontrou resistência ao seu trabalho, entre aqueles que ele menos esperava - os líderes das igrejas. Achavam que ele estava profanando o domingo sagrado e profanando as suas igrejas com as crianças ainda não comportadas. Grandes homens da igreja, tais como João Wesley, o fundador do metodismo, logo ingressaram entusiasticamente na obra de Raikes, julgando-a ser um dos trabalhos mais eficientes para o ensino da Bíblia.
A primeira Associação da Escola Dominical foi fundada na Inglaterra em 1785, e no mesmo ano, a União das Escolas Dominicais foi fundada nos Estados Unidos. Embora o trabalho tivesse começado em 1780, a organização da Escola Dominical em caráter permanente, data de 1782. No dia 3 de novembro de 1783 é celebrada a data de fundação da Escola Dominical. Entre as igrejas protestantes, a Metodista se destaca como a pioneira da obra de educação religiosa. Em grande parte, esta visão se deve ao seu dinâmico fundador João Wesley, que viu o potencial espiritual da Escola Dominical e logo a incorporou ao grande movimento sob sua liderança.
A Escola Bíblica Dominical surgiu no Brasil em 1855, em Petrópolis (RJ). O jovem casal de missionários escoceses, Robert e Sarah Kalley, chegou ao Brasil naquele ano e logo instalou uma escola para ensinar a Bíblia para as crianças e jovens daquela região. A primeira aula foi realizada no domingo, 19 de agosto de 1855. Somente cinco participaram, mas Sarah, contente com “pequenos começos”, contou a história de Jonas, mais com gestos,do que palavras, porque estava só começando a aprender o português. Ela viu tantas crianças pelas ruas que seu coração almejava ganhá-las para Jesus. A semente do Evangelho foi plantada em solo fértil.
Na década de 70 acentuava-se mais e mais a necessidade de novas revistas para a Escola Dominical, graduadas conforme as diversas faixas de idade de seus alunos. Isto acontecia, principalmente, à medida que o CAPED (Curso de Aperfeiçoamento de Professores da Escola Dominical), lançado pela CPAD em 1974, percorria o Brasil.
Foi assim que, também em 1974, com a criação do Departamento de Escola Dominical (atual Setor de Educação Cristã), começa-se a planejar e elaborar os diversos currículos bíblicos para todas as faixas etárias, bem como suas respectivas revistas para aluno e professor, e também os recursos visuais para as idades mais baixas.
As EBDs tem planejamentos, cursos, literatura própria, hierarquia e tornou-se então uma das marcas registradas das Assembléias de Deus, sendo uma espécie de curso básico de teologia com duração de 4 anos, segundo a editora CPAD. As doutrinas, regras de fé, costumes e comportamento assembleiano é amplamente abordado nestas escolas, além do culto de ensinamento ou de membro, como é chamado por algumas igrejas, que abordam todas essas questões também, mas sem currículo regular como nas EBDs.
Ver também[editar]
Referências
- ↑ a b JACOB, C.R.; HEES, D.R.; WANIEZ, P.; BRUSTLEIN, V.. In: Augusto Sampaio, Cesar Romera Jacob, Danilo Marcondes de Souza Filho, Eneida do Rego Monteiro Bomfirn, Fernando Sa, Cisele Cittadino, José Alberto dos Reis Parise, Miguel Pereira. Atlas da Filiação Religiosa e Indicadores Sociais no Brasil (em português). São Paulo: PUC-Rio - Edições Loyola, 2003. Capítulo: 3, 240 p. p. 43. 1 vol. vol. 1. ISBN 85-15-02719-4 (OCLC CDD 291) (Apoio Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB)
- ↑ Souza Matos, Alderi de. Centenário do movimento pentecostal. FIDES REFORMATA XI, Nº 2 (2006): 23-50
- ↑ Conde, Emilio História das Assembleias de Deus
- ↑ Corten, André; Echalar, Mariana N. R.. In: Vitório Mazzuco, OFM. Os pobres e o Espírito Santo: o pentecostalismo no Brasil (em português). Petrópolis, RJ: Vozes, 1996. 285 p. p. 66. 1 vol. vol. 1. ISBN 85-326-1713-1 (OCLC CDD 269.4)
- ↑ Corten, André. Le pentecôtisme au Brésil: émotion du pauvre et romantisme théologique (em francês). Paris: KARTHALA Editions, 1995. Capítulo: 3, 307 p. p. 74. 1 vol. vol. 1. ISBN 2-86537-563-3 (OCLC 408192473) (ISBN-13: 978-2865375639)
- ↑ [1]
- ↑ A Declaração de Verdades Fundamentais da Assembléia de Deus (em inglês)
- ↑ Nem todas as Assembleias de Deus seguem esta liturgia
- ↑ http://www.ibge.gov.br/home/
- ↑ Mariano, Ricardo. Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. p32
- Almeida, Abraão de. História das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 1982.
- Berg, David. Enviado por Deus - Memórias de Daniel Berg Rio de Janeiro: CPAD,
- Conde, Emílio. História das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
- Freston, Paul. "Breve Historia do pentecostalismo brasileiro". Antoniazzi, A. (org.). Nem anjos nem demônios interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994.
- Vingren, Ivar. O Diário do Pioneiro.Rio de Janeiro: CPAD,
- Vingren, Ivar, Nyberg Gunilla, Alvarsson Jan-Åke, Johannesson Jan-Endy. Det började i Pará: svensk pingstmission i Brasilien. Estocolmo: Missionsinstitutet-PMU, 1994.
Ligações externas[editar]
- Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil
- Casa Publicadora das Assembleias de Deus
- Instituto Bíblico das Assembleias de Deus
- Página oficial do Centenário das Assembleias no Brasil
- Site de divulgação do Centenário das Assembleias de Deus no Brasil
- Convenção Nacional das Assembleias de Deus
- Assembleia de Deus Online