Assembleia de Deus (Brasil)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Assembleia de Deus
{{{imagealttext}}}
Classificação Protestante
Orientação Pentecostal
Política Episcopal e Congregacional
Fundador Daniel Berg e Gunnar Vingren
Origem 1911 (103 anos) Belém, Pará
Site oficial www.cgadb.org.br

As igrejas evangélicas pentecostais[1] que usam o nome Assembleia de Deus no Brasil são, em sua maioria, fruto da propagação pentecostal dos sueco-americanos Gunnar Vingren e Daniel Berg.

História[editar | editar código-fonte]

A Assembleia de Deus chegou ao Brasil por intermédio dos missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, que aportaram em Belém, capital do Estado do Pará, em 19 de novembro de 1910, vindos dos Estados Unidos. A princípio, frequentaram a Igreja Batista, denominação a que ambos pertenciam nos Estados Unidos. Os missionários suecos traziam a doutrina do batismo no Espírito Santo, com a glossolalia — o falar em línguas espirituais (estranhas) — como a evidência de manifestações que já vinham ocorrendo em reuniões de oração nos Estados Unidos e também de forma isolada em outros países, principalmente naquelas que eram conduzidas por Charles Fox Parham, mas teve seu apogeu através de um de seus principais discípulos, um pastor leigo negro, chamado William Joseph Seymour, na rua Azusa, Los Angeles, em 1906.[2]

A nova doutrina trouxe divergência. Enquanto um grupo aderiu, outro rejeitou. Assim, em duas assembleias distintas, conforme relatam as atas das sessões[3] , os adeptos do pentecostalismo foram desligados e, em 18 de junho de 1911[4] [5] , juntamente com os missionários estrangeiros, fundaram uma nova igreja e adotaram o nome de Missão de Fé Apostólica, que já era empregado pelo movimento de Los Angeles, mas sem qualquer vínculo administrativo com William Joseph Seymour. A partir de então, passaram a reunir-se na casa de Celina de Albuquerque. Mais tarde, em 18 de janeiro de 1918 a nova igreja, por sugestão de Gunnar Vingren, passou a chamar-se Assembleia de Deus, em virtude da fundação das Assembleias de Deus nos Estados Unidos, em 1914, em Hot Springs, Arkansas, mas, sem qualquer ligação institucional entre ambas as igrejas.

A Assembleia de Deus no Brasil expandiu-se pelo estado do Pará, alcançando o Amazonas e propagou-se para o Nordeste, principalmente entre as camadas mais pobres da população. Chegou ao Sudeste pelos idos de 1922, através de famílias de retirantes do Pará, que se portavam como instrumentos voluntários para estabelecer a nova denominação aonde quer que chegassem. Nesse ano, a igreja teve início no Rio de Janeiro, no bairro de São Cristóvão, e ganhou impulso com a transferência de Gunnar Vingren, de Belém, em 1924, para a então capital da República. Um fato que marcou a igreja naquele período foi a conversão através de um folheto evangelístico de Paulo Leivas Macalão, filho de um general e precursor do assim conhecido Ministério de Madureira.

A influência sueca teve forte peso na formação assembleiana brasileira, em razão da nacionalidade de seus fundadores, e porque à igreja pentecostal escandinava, principalmente a Igreja Filadélfia de Estocolmo, que, além de ter assumido nos anos seguintes o sustento de Gunnar Vingren e Daniel Berg, enviou outros missionários para dar suporte aos novos membros em seu papel de fazer crescer a nova Igreja. Desde 1930, quando se realizou um concílio da igreja na cidade de Natal, a Assembleia de Deus no Brasil passou a ter autonomia interna, sendo administrada exclusivamente pelos pastores residentes no Brasil, sem contudo perder os vínculos fraternais com a igreja na Suécia. A partir de 1936 a igreja passou a ter maior colaboração das Assembleias de Deus dos Estados Unidos através dos missionários enviados ao país, os quais se envolveram de forma mais direta com a estruturação teológica da denominação.


Igreja Assembléia de Deus do povoado Lagoa Verde, município de Imperatriz Maranhão, Brasil.

Organização denominacional[editar | editar código-fonte]

Pentecostalismo
Pentecostalismo

As Assembleias de Deus brasileiras estão organizadas em forma episcopado não-territorial, onde cada Ministério é constituído pela igreja-sede com suas respectivas filiadas, congregações e pontos de pregação (subcongregações). O sistema de administração é um misto entre o sistema episcopal e o sistema congregacional, onde os assuntos são previamente tratados pelo ministério(Convenção local), com forte influência da liderança pastoral, e depois são levados às assembleias para serem referendados apenas. Os pastores das Assembleias de Deus podem estar ligados ou não às convenções estaduais, e estas se vinculam a uma convenção de âmbito nacional.

As Assembleias de Deus iniciaram cedo seu trabalho missionário, em 1913 enviou um evangelista a Portugal. Desde a década de 1990 os diversos ministérios expandiram em áreas cada vez mais distantes de suas igrejas-mães, plantando igrejas em comunidades imigrantes brasileiras nos Estados Unidos, Europa, Japão, América Latina ou em novas iniciativas missionárias na África e Ásia.

Desde a década de 1980, por razões administrativas, a Assembleia de Deus brasileira tem passado por algumas cisões que deram origem a diversas convenções e ministérios, com administração autônoma, em várias regiões do País. O mais expressivo dos ministérios independentes é o Ministério de Madureira, cuja igreja já existia desde os idos de 1930, fundada pelo pastor Paulo Leivas Macalão e que, em 1958, serviu de base para a estruturação nacional do Ministério por ele presidido, até a sua morte, no final de 1982.

Particularmente na América do Sul, hoje existem muitas Assembleias de Deus autônomas e independentes. No Brasil, segundo o censo 2010 de todos os grupos havia 12,3 milhões de aderentes.

As maiores convenções são:

Doutrina[editar | editar código-fonte]

Santa Ceia.

De acordo com o credo das Assembleias de Deus, entre as verdades fundamentais da denominação, estão a crença:[6]

  • Num só Deus eterno subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo;
  • Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, considerada a única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão;
  • Na concepção virginal de Jesus Cristo, na sua morte vicária e expiatória, ressurreição corporal e ascensão para o céu;
  • No pecado que distancia o homem de Deus, condição que só pode ser restaurada através do arrependimento e da fé em Jesus Cristo.
  • Arrebatamento dos membros da Igreja para a Nova Jerusalém em breve com a volta de Cristo.
  • Na necessidade de um novo nascimento pela fé em Jesus Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus para que o homem se torne digno do Reino dos Céus;

A denominação pratica o batismo em águas por imersão do corpo inteiro, uma só vez, em adultos, em nome da Trindade; a celebração, sistemática e continuada, da Santa Ceia; e o recebimento do batismo no Espírito Santo, geralmente, com a evidência inicial do falar em outras línguas, seguido de outros dons do Espírito Santo.

A exemplo da maioria dos cristãos, os assembleianos aguardam a segunda vinda premilenial de Cristo em duas fases distintas: a primeira, invisível ao mundo, para arrebatar a Igreja fiel da terra, antes da Grande Tribulação; e a segunda, visível e corporal com a Igreja glorificada, para reinar sobre o mundo por mil anos, sendo portanto dispensacionalista.

Ainda, nesse corolário de fé, os assembleianos esperam comparecer perante o Tribunal de Cristo, para receber a recompensa dos seus feitos em favor da causa do Cristianismo, seguindo-se uma vida eterna de gozo e felicidade para os fiéis e de tormento para os infiéis.

Os assembleianos, em regra, são contra o aborto voluntário e o divórcio.[carece de fontes?]

Liturgia[editar | editar código-fonte]

Pregação.

Os cultos das Assembleias de Deus se caracterizam por orações, cânticos (hinos evangélicos clássicos e contemporâneos), testemunhos e pregações, onde muitas vezes ocorrem manifestações dos dons espirituais, como, por exemplo, profecias e línguas espirituais (estranhas).

Possui dias e horários específicos para cultos, sendo o principal deles no domingo por volta das 18-19 horas, e o de ensinamento bíblico (a Escola Bíblica Dominical, com divisão de classes por idade) por volta das 9 horas.[carece de fontes?]

Os cultos têm duração média de 2 horas, sendo divididos em:

  • Oração inicial - Normalmente um pastor ou outro obreiro faz uma oração a Deus.
  • Cânticos iniciais - Utilizando-se a Harpa Cristã (um livreto de Hinos Evangélicos Clássicos), canta-se em média 3 hinos e em alguns ministérios, hinos congregacionais.
  • Leitura bíblica (ou palavra introdutória) - Neste momento a leitura do trecho bíblico e inspirada pelo Espírito Santo, no qual o culto será direcionado como um todo com fulcro nesse trecho.
  • Oportunidades de cânticos por grupos de jovens, crianças, senhoras, adolescentes, corais, grupos e ministérios de louvor.
  • Oportunidades de testemunhos por membros - Momento no qual os membros contam o que Deus mudou em suas vidas e vem fazendo, atualmente, por eles.
  • Pregação - na qual um pastor, um membro da igreja local, ou um pregador ou pastor convidado fará a pregação (sermão) explicando a passagem bíblica.
  • Apelo - Convite aos que não são evangélicos a aceitarem a Jesus como único e suficiente Salvador.
  • Cântico de encerramento e/ou avisos sobre as próximas reuniões.
  • Oração final.
  • Bênção apostólica (somente dado pelo pastor, presbítero ou evangelista: "A graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o amor de Deus, o nosso Eterno Pai, a comunhão, as doces e eternas consolações do Espírito Santo sejam sobre nós e sobre todo o povo de Deus, desde agora e para sempre. Amém".[7]

Em alguns casos, após a oração inicial, dá-se a oportunidade de cantar alguns corinhos, com conjuntos ou equipes de louvor.

Apesar de nem todas Assembleias de Deus seguirem essa liturgia, igrejas como a Igreja Pentecostal Deus é Amor, seguem, costumeiramente, liturgia igual.

Costumes[editar | editar código-fonte]

Assembleia de Deus do Gama Oeste (Brasília), um exemplo de uma AD 'renovada'.

Inicialmente caracterizada por um rigorismo de conduta, fruto do que o sociólogo Paul Freston chama de "ethos sueco-nordestino", mesclando o pietismo nórdico com o patriarcalismo nordestino, hoje muitas igrejas Assembleias de Deus vêm experimentando, recentemente, grandes mudanças comportamentais concernente a usos e costumes.[8]

Há ainda diversidade de condutas, mas muito dessas igrejas já não mais impõem o uso de determinadas peças do vestuário feminino desde que sejam vestimentas comportadas, consentindo que as mulheres usem saias, vestidos calça comprida de diversos modelos comportados, mangas mais curtas, permitindo ainda o uso de jóias, tais como anéis e cordões, maquiagens e coloração dos cabelos, desde que mantido um razoável padrão de pudor. Praia, cinema e teatro já não são, terminantemente, proibidos. Quanto aos homens, diminuem as restrições ao uso de barba e bermudas. De igual modo, tendem a diminuir do cenário assembleiano as folclóricas proibições ao uso da televisão e do rádio.

A composição social dos membros consiste em classe trabalhadora, boa parte migrantes ou descentes de migrantes. Apresenta recentemente ascensão social[1] .

Produção teológica[editar | editar código-fonte]

Question book.svg
Este artigo não cita fontes fiáveis e independentes. (desde setembro de 2012). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)

Originalmente, por influência sueca, a Assembleia de Deus tinha uma produção literária modesta e pouca afinidade ao ensino formal acadêmico no campo da teologia, mas sob ação de missionários americanos surgiram as primeiras escolas, como o seminário de Pindamonhangaba. Com o crescimento de seus seminários e faculdades teológicas, começa a criar uma tradição acadêmica.

Nas primeiras décadas do século XX, as Assembleias de Deus eram dependentes de outras literaturas, principalmente da literatura batista, fato este já superado nas últimas duas décadas. A produção de literatura vasta, tornou os escritores assembleianos como referência bibliográfica de outros escritos, e não é incomum o recebimento de prêmios de literatura, como o Prêmio Areté de Literatura, que é promovido pela Associação de Editores Cristãos (ASEC) desde 1991. Hoje a literatura ocupa uma importância ímpar dentro das comunidades assembleianas e há diversas editoras dentro da denominação. Podemos citar as três maiores: - CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus), fundada em 1940 no Rio de Janeiro e está no âmbito da CGADB; - Editora Betel, fundada em 1988 no Rio de Janeiro e está no âmbito da CONAMAD; - Editora Central Gospel, fundada em 1999 no Rio de Janeiro e está no âmbito da Associação Vitória em Cristo, da Assembléia de Deus Vitória em Cristo.

Escola Bíblica Dominical[editar | editar código-fonte]

Question book.svg
Este artigo não cita fontes fiáveis e independentes. (desde setembro de 2012). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)


Na década de 70 acentuava-se mais e mais a necessidade de novas revistas para a Escola Dominical, graduadas conforme as diversas faixas de idade de seus alunos. Isto acontecia, principalmente, à medida que o CAPED (Curso de Aperfeiçoamento de Professores da Escola Dominical), lançado pela CPAD em 1974, percorria o Brasil.

Foi assim que, também em 1974, com a criação do Departamento de Escola Dominical (atual Setor de Educação Cristã), começa-se a planejar e elaborar os diversos currículos bíblicos para todas as faixas etárias, bem como suas respectivas revistas para aluno e professor, e também os recursos visuais para as idades mais baixas.

As EBDs tem planejamentos, cursos, literatura própria, hierarquia e tornou-se então uma das marcas registradas das Assembleias de Deus, sendo uma espécie de curso básico de teologia com duração de 4 anos, segundo a editora CPAD. As doutrinas, regras de fé, costumes e comportamento assembleiano é amplamente abordado nestas escolas, além do culto de ensinamento ou de membro, como é chamado por algumas igrejas, que abordam todas essas questões também, mas sem currículo regular como nas EBDs.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b JACOB, C.R.; HEES, D.R.; WANIEZ, P.; BRUSTLEIN, V.. In: Augusto Sampaio, Cesar Romera Jacob, Danilo Marcondes de Souza Filho, Eneida do Rego Monteiro Bomfirn, Fernando Sa, Cisele Cittadino, José Alberto dos Reis Parise, Miguel Pereira. Atlas da Filiação Religiosa e Indicadores Sociais no Brasil (em ). Col.: Ciências Sociais. São Paulo: PUC-Rio - Edições Loyola, 2003. Capítulo 3. 240 pp. p. 43. 1 vols. vol. 1. ISBN 85-15-02719-4. OCLC CDD 291. (Apoio Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB)
  2. Souza Matos, Alderi de. Centenário do movimento pentecostal. FIDES REFORMATA XI, Nº 2 (2006): 23-50
  3. Conde, Emilio História das Assembleias de Deus
  4. Corten, André; Echalar, Mariana N. R.. In: Vitório Mazzuco, OFM. Os pobres e o Espírito Santo: o pentecostalismo no Brasil (em ). Petrópolis, RJ: Vozes, 1996. 285 pp. p. 66. 1 vols. vol. 1. ISBN 85-326-1713-1. OCLC CDD 269.4.
  5. Corten, André. Le pentecôtisme au Brésil: émotion du pauvre et romantisme théologique (em ). Col.: Collection Chrétiens en liberté. Paris: KARTHALA Editions, 1995. Capítulo 3. 307 pp. p. 74. 1 vols. vol. 1. ISBN 2-86537-563-3. OCLC 408192473. (ISBN-13: 978-2865375639)
  6. A Declaração de Verdades Fundamentais da Assembléia de Deus (em inglês)
  7. Nem todas as Assembleias de Deus seguem esta liturgia
  8. Mariano, Ricardo. Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. p32
  • Almeida, Abraão de. História das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 1982.
  • Berg, David. Enviado por Deus - Memórias de Daniel Berg Rio de Janeiro: CPAD,
  • Conde, Emílio. História das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
  • Freston, Paul. "Breve Historia do pentecostalismo brasileiro". Antoniazzi, A. (org.). Nem anjos nem demônios interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994.
  • Vingren, Ivar. O Diário do Pioneiro.Rio de Janeiro: CPAD,
  • Vingren, Ivar, Nyberg Gunilla, Alvarsson Jan-Åke, Johannesson Jan-Endy. Det började i Pará: svensk pingstmission i Brasilien. Estocolmo: Missionsinstitutet-PMU, 1994.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]