Astiages

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Astiages (reinou de 596 a 560 a.C.[1] ) foi o último rei de Media. Ele foi filho de Ciáxares e foi destronado, segundo algumas versões, pelo rei persa Ciro, o Grande.

Fontes históricas[editar | editar código-fonte]

A maior parte da informação sobre Astiages (existe escrita em acádio Ištum egu) é proporcionada pelo historiador grego Heródoto de Halicarnasso, que viveu no Século V a.C., 100 anos depois do reinado de Astiages.[carece de fontes?]

Outra fonte é Ctésias de Cnido, que viveu no tempo de Ciro, filho de Dario II Nótus e Parisátide, e do irmão de Ciro, Artaxerxes II.[2]

Família[editar | editar código-fonte]

Ele era filho de Ciáxares,[3] [4] filho de Fraortes, filho de Deioces.[4]

Em 626 a.C.,[1] antes da queda de Assur, uma aliança militar entre os medos e os babilónios foi feita com outro matrimónio real, tendo o príncipe da coroa babilónica Nabucodonosor II se casado com Amitis (Amuhean), uma filha de Astiages.[5] [6] De acordo com Heródoto, quem derrotou a Assíria foi Ciáxares, o pai de Astíages.[7]

Em 601 a.C.,[1] Astíages se casou com Arienis, filha de Aliates, rei da Lídia, como parte do acordo de paz após uma guerra, que havia durado seis anos, entre Ciáxares e Aliates; esta guerra terminou por causa de um eclipse solar que ocorreu durante uma batalha, e que havia sido previsto por Tales de Mileto.[8] [Nota 1] Deste modo, Astíages se tornou cunhado do futuro rei Creso.[4] De acordo com James Ussher, desta união nasceu, em 600 a.C., Dario, o Medo, mencionado no Livro de Daniel, e identificado por Ussher com Ciáxares, filho de Astíages.[1]

Reinado[editar | editar código-fonte]

Em 596 a.C., morreu Ciáxares,[1] que havia reinado por quarenta anos,[9] incluindo-se nestes os vinte e oito anos em que os citas dominaram a Ásia,[10] e foi sucedido por seu filho Astíages.[9]

Astíages tinha uma filha, Mandane, que os Magos previram que teria um filho, que dominaria a Ásia.[9] Em 600 a.C.,[1] quando ela chegou em idade de se casar, Astíages, não querendo casá-la com nenhum medo, a entregou a Cambises I,[9] filho de Ciro I,[11] um persa, que tinha bons ancestrais e era tranquilo, e que tinha uma posição inferior aos medos.[9] No primeiro ano de casamento, Astíages teve outro sonho, e mandou trazer sua filha à Média, com intensão de assassinar o seu filho.[12] A criança não foi morta, e, em seu lugar, foi apresentado um bebê natimorto.[13] Quando o menino tinha dez anos,[14] foi levado a Astíages, que reconheceu traços familiares nele, e, sob ameaça de tortura, seu pai adotivo revelou a verdade.[15]

Harpago, a quem havia sido dada a missão de matar o menino, não sofreu de imediato nenhum castigo,[16] porém mais tarde Astíages assassinou o filho de treze anos de Harpago e o serviu em banquete ao pai, mostrando no final que ele tinha comido o próprio filho.[17] Seu neto, o futuro rei Ciro, foi levado ao julgamento pelos Magos, que interpretaram uma brincadeira das crianças que o haviam eleito rei como o cumprimento da profecia, e que ele não poderia ser rei por duas vezes.[18] Ciro foi enviado de volta para seus pais.[19]

De acordo com o patricarca bizantino Fócio, Ctésias de Cnido não considerava que Ciro fosse parente de Astíages.[2]

De acordo com Ussher, Astíages, chamado, na Bíblia, de Assuero, morreu em 560 a.C. e foi sucedido por seu filho Ciáxares, tio materno de Ciro, o Grande, chamado, na Bíblia, de Dario, o Medo.[1]

Queda[editar | editar código-fonte]

Harpago conspirou com os medos, e fez amizade com Ciro, pretendendo que Ciro derrubasse Astíages.[20] Ciro sublevou os persas,[21] e o exército que Astíages enviou contra Ciro, comandado por Harpago, desertou, em parte, para o lado de Ciro.[22] Astíages empalou os magos que o haviam convencido a deixar Ciro viver, e tentou resistir, mas foi capturado.[23]

De acordo com Ctésias de Cnido, em texto preservado em epítome pelo patriarca bizantino Fócio, Astíages fugiu para Ecbátana, e se escondeu no vãos do palácio real, protegido por sua filha [Nota 2] Amitis e seu genro Espistamenes. Ciro, ao tomar o trono, ordenou que Amitis, Espistamenes e seus dois filhos, Spitaces e Megabernes, fossem torturados para confessar onde estava Astíages, mas este, para preservar seus netos, se entregou, e foi levado em cadeias por Oebares para Ciro.[24]

Harpago, vendo Astíages prisioneiro, veio insultá-lo, perguntando o que ele achava de ter se tornado um escravo, e se gabou de ter sido quem havia orquestrado a tomada de poder por Ciro, mas Astíages replicou, dizendo que Harpago era ao mesmo tempo o mais injusto e o mais desastrado de todos os homens; desastrado porque, tendo o poder para se tornar rei, havia entregue o poder a outro, e injusto porque por causa de uma refeição ele havia reduzido os medos à escravidão.[25]

Astíages havia reinado por trinta e cinco anos, e o tempo total de duração do reino do Medos foi de cento e vinte e oito anos, incluindo o período em que os citas dominaram a Ásia.[26]

Reinado de Ciro[editar | editar código-fonte]

Astíages foi bem tratado por Ciro, e viveu com Ciro até sua morte.[26] De acordo com Ctésias, Ciro libertou Astíages e o honrou como seu pai, também honrou Amitis como sua mãe, mas depois se casou com ela, mas executou Espistamenes, porque este havia declarado falsamente que não sabia onde estava Astíages.[24]

Ciro guerreou contra a Báctria sem obter uma vitória decisiva até que eles souberam que Ciro havia sido adotado por Astíages como filho e por Amitis como mãe e esposa, quando eles se submeteram voluntariamente a Amitis e Ciro.[27]

Em seguida, Ciro lutou contra os Sacae, e capturou seu rei, Amorges, mas eles contra-atacaram e capturaram Parmises, irmão de Amitis, e seus três filhos, que foram trocados por Amorges.[28]

Durante o período de cativeiro de Astíages, Creso, rei da Lídia, decidiu entrar em guerra contra Ciro, para vingar seu cunhado.[4] Ciro marchou contra Creso com a ajuda de Amorges.[29] De acordo com Ussher, Creso foi derrotado por Ciro em 548 a.C., depois da morte de Astíages.[1]

Morte[editar | editar código-fonte]

De acordo com Ctésias, Ciro enviou o eunuco Petisacas, que tinha grande influência sobre ele, para trazer Astíages, pois ele e Amitis estavam com saudades; Oebaras, porém, aconselhou Petisacas a deixar Astíages em um local isolado, para que ele morresse de fome e sede. O crime foi revelado em um sonho; Petisacas foi punido, tendo seus olhos e pele arrancados e sendo crucificado, mas Oebaras, temendo um castigo semelhante, se suicidou ao fazer jejum por dez dias. O corpo de Astíages havia sido preservado, sendo guardado por alguns leões.[30]

Notas e referências

Notas

  1. Como eclipses solares são eventos raros, a data desta batalha pode ser determinada com relativa precisão, as duas datas sendo o dia 28 de maio de 585 a.C. ou o dia 30 de setembro de 610 a.C.
  2. Amitis, possivelmente, era neta de Astíages.

Referências

  1. a b c d e f g h James Ussher, The Annals of the World [em linha]
  2. a b Fócio, Biblioteca de Fócio, sobre Ctésias de Cnido, Pérsica [em linha]
  3. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 46 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  4. a b c d Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 73 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  5. Alexandre, o Polímata, citado por Eusébio de Cesareia, 9. Do mesmo Alexandre, o Polímata, sobre os feitos de Senaqueribe e Nabucodonosor [em linha][em linha]
  6. Abideno, citado por Eusébio de Cesareia, Crônica, 11. Abideno sobre Senaqueribe [em linha][em linha]
  7. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 103 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  8. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 74 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  9. a b c d e Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 107 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  10. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 106 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  11. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 111 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  12. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 108 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  13. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 112 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  14. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 114 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  15. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 117 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  16. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 118 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  17. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 119 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  18. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 120 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  19. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 122 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  20. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 123 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  21. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 126 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  22. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 127 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  23. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 128 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  24. a b Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 1 [em linha]
  25. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 129 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  26. a b Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 130 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  27. Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 2
  28. Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 3
  29. Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 4
  30. Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 6
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