Astiages

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Astiages (reinou de 596 a 560 a.C.1 ) foi o último rei de Media. Ele foi filho de Ciáxares e foi destronado, segundo algumas versões, pelo rei persa Ciro, o Grande.

Fontes históricas[editar | editar código-fonte]

A maior parte da informação sobre Astiages (existe escrita em acádio Ištum egu) é proporcionada pelo historiador grego Heródoto de Halicarnasso, que viveu no Século V a.C., 100 anos depois do reinado de Astiages.[carece de fontes?]

Outra fonte é Ctésias de Cnido, que viveu no tempo de Ciro, filho de Dario II Nótus e Parisátide, e do irmão de Ciro, Artaxerxes II.2

Família[editar | editar código-fonte]

Ele era filho de Ciáxares,3 4 filho de Fraortes, filho de Deioces.4

Em 626 a.C.,1 antes da queda de Assur, uma aliança militar entre os medos e os babilónios foi feita com outro matrimónio real, tendo o príncipe da coroa babilónica Nabucodonosor II se casado com Amitis (Amuhean), uma filha de Astiages.5 6 De acordo com Heródoto, quem derrotou a Assíria foi Ciáxares, o pai de Astíages.7

Em 601 a.C.,1 Astíages se casou com Arienis, filha de Aliates, rei da Lídia, como parte do acordo de paz após uma guerra, que havia durado seis anos, entre Ciáxares e Aliates; esta guerra terminou por causa de um eclipse solar que ocorreu durante uma batalha, e que havia sido previsto por Tales de Mileto.8 Nota 1 Deste modo, Astíages se tornou cunhado do futuro rei Creso.4 De acordo com James Ussher, desta união nasceu, em 600 a.C., Dario, o Medo, mencionado no Livro de Daniel, e identificado por Ussher com Ciáxares, filho de Astíages.1

Reinado[editar | editar código-fonte]

Em 596 a.C., morreu Ciáxares,1 que havia reinado por quarenta anos,9 incluindo-se nestes os vinte e oito anos em que os citas dominaram a Ásia,10 e foi sucedido por seu filho Astíages.9

Astíages tinha uma filha, Mandane, que os Magos previram que teria um filho, que dominaria a Ásia.9 Em 600 a.C.,1 quando ela chegou em idade de se casar, Astíages, não querendo casá-la com nenhum medo, a entregou a Cambises I,9 filho de Ciro I,11 um persa, que tinha bons ancestrais e era tranquilo, e que tinha uma posição inferior aos medos.9 No primeiro ano de casamento, Astíages teve outro sonho, e mandou trazer sua filha à Média, com intensão de assassinar o seu filho.12 A criança não foi morta, e, em seu lugar, foi apresentado um bebê natimorto.13 Quando o menino tinha dez anos,14 foi levado a Astíages, que reconheceu traços familiares nele, e, sob ameaça de tortura, seu pai adotivo revelou a verdade.15

Harpago, a quem havia sido dada a missão de matar o menino, não sofreu de imediato nenhum castigo,16 porém mais tarde Astíages assassinou o filho de treze anos de Harpago e o serviu em banquete ao pai, mostrando no final que ele tinha comido o próprio filho.17 Seu neto, o futuro rei Ciro, foi levado ao julgamento pelos Magos, que interpretaram uma brincadeira das crianças que o haviam eleito rei como o cumprimento da profecia, e que ele não poderia ser rei por duas vezes.18 Ciro foi enviado de volta para seus pais.19

De acordo com o patricarca bizantino Fócio, Ctésias de Cnido não considerava que Ciro fosse parente de Astíages.2

De acordo com Ussher, Astíages, chamado, na Bíblia, de Assuero, morreu em 560 a.C. e foi sucedido por seu filho Ciáxares, tio materno de Ciro, o Grande, chamado, na Bíblia, de Dario, o Medo.1

Queda[editar | editar código-fonte]

Harpago conspirou com os medos, e fez amizade com Ciro, pretendendo que Ciro derrubasse Astíages.20 Ciro sublevou os persas,21 e o exército que Astíages enviou contra Ciro, comandado por Harpago, desertou, em parte, para o lado de Ciro.22 Astíages empalou os magos que o haviam convencido a deixar Ciro viver, e tentou resistir, mas foi capturado.23

De acordo com Ctésias de Cnido, em texto preservado em epítome pelo patriarca bizantino Fócio, Astíages fugiu para Ecbátana, e se escondeu no vãos do palácio real, protegido por sua filha Nota 2 Amitis e seu genro Espistamenes. Ciro, ao tomar o trono, ordenou que Amitis, Espistamenes e seus dois filhos, Spitaces e Megabernes, fossem torturados para confessar onde estava Astíages, mas este, para preservar seus netos, se entregou, e foi levado em cadeias por Oebares para Ciro.24

Harpago, vendo Astíages prisioneiro, veio insultá-lo, perguntando o que ele achava de ter se tornado um escravo, e se gabou de ter sido quem havia orquestrado a tomada de poder por Ciro, mas Astíages replicou, dizendo que Harpago era ao mesmo tempo o mais injusto e o mais desastrado de todos os homens; desastrado porque, tendo o poder para se tornar rei, havia entregue o poder a outro, e injusto porque por causa de uma refeição ele havia reduzido os medos à escravidão.25

Astíages havia reinado por trinta e cinco anos, e o tempo total de duração do reino do Medos foi de cento e vinte e oito anos, incluindo o período em que os citas dominaram a Ásia.26

Reinado de Ciro[editar | editar código-fonte]

Astíages foi bem tratado por Ciro, e viveu com Ciro até sua morte.26 De acordo com Ctésias, Ciro libertou Astíages e o honrou como seu pai, também honrou Amitis como sua mãe, mas depois se casou com ela, mas executou Espistamenes, porque este havia declarado falsamente que não sabia onde estava Astíages.24

Ciro guerreou contra a Báctria sem obter uma vitória decisiva até que eles souberam que Ciro havia sido adotado por Astíages como filho e por Amitis como mãe e esposa, quando eles se submeteram voluntariamente a Amitis e Ciro.27

Em seguida, Ciro lutou contra os Sacae, e capturou seu rei, Amorges, mas eles contra-atacaram e capturaram Parmises, irmão de Amitis, e seus três filhos, que foram trocados por Amorges.28

Durante o período de cativeiro de Astíages, Creso, rei da Lídia, decidiu entrar em guerra contra Ciro, para vingar seu cunhado.4 Ciro marchou contra Creso com a ajuda de Amorges.29 De acordo com Ussher, Creso foi derrotado por Ciro em 548 a.C., depois da morte de Astíages.1

Morte[editar | editar código-fonte]

De acordo com Ctésias, Ciro enviou o eunuco Petisacas, que tinha grande influência sobre ele, para trazer Astíages, pois ele e Amitis estavam com saudades; Oebaras, porém, aconselhou Petisacas a deixar Astíages em um local isolado, para que ele morresse de fome e sede. O crime foi revelado em um sonho; Petisacas foi punido, tendo seus olhos e pele arrancados e sendo crucificado, mas Oebaras, temendo um castigo semelhante, se suicidou ao fazer jejum por dez dias. O corpo de Astíages havia sido preservado, sendo guardado por alguns leões.30

Notas e referências

Notas

  1. Como eclipses solares são eventos raros, a data desta batalha pode ser determinada com relativa precisão, as duas datas sendo o dia 28 de maio de 585 a.C. ou o dia 30 de setembro de 610 a.C.
  2. Amitis, possivelmente, era neta de Astíages.

Referências

  1. a b c d e f g h James Ussher, The Annals of the World [em linha]
  2. a b Fócio, Biblioteca de Fócio, sobre Ctésias de Cnido, Pérsica [em linha]
  3. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 46 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  4. a b c d Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 73 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  5. Alexandre, o Polímata, citado por Eusébio de Cesareia, 9. Do mesmo Alexandre, o Polímata, sobre os feitos de Senaqueribe e Nabucodonosor [em linha][em linha]
  6. Abideno, citado por Eusébio de Cesareia, Crônica, 11. Abideno sobre Senaqueribe [em linha][em linha]
  7. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 103 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  8. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 74 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  9. a b c d e Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 107 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  10. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 106 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  11. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 111 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  12. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 108 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  13. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 112 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  14. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 114 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  15. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 117 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  16. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 118 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  17. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 119 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  18. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 120 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  19. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 122 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  20. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 123 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  21. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 126 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  22. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 127 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  23. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 128 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  24. a b Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 1 [em linha]
  25. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 129 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  26. a b Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 130 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  27. Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 2
  28. Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 3
  29. Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 4
  30. Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 6
Ícone de esboço Este artigo sobre História ou um historiador é um esboço relacionado ao Projeto História. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.