Ataúlfo

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Estátua de Ataúlfo em Madrid (F. Castro, 1750-53)

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ataúlfo, em gótico Athal Wolf, "lobo nobre", nascido em 372?, foi rei dos Visigodos entre 410 e 415.

Era filho do rei Atanarico II, da linhagem dos baltingos, e foi nomeado rei segundo o costume germano (sobre o túmulo do seu antecessor), depois da morte do seu primo e cunhado Alarico I.

Casou-se por duas vezes. Não se conhece o nome da sua primeira esposa, mas sabe-se que teve com ela seis filhos. A sua segunda esposa foi Gala Placídia, filha do imperador romano Teodósio I.

De 410 a 412 pouco se sabe da sua actividade, apenas que, ao subir ao trono, tinha o projecto de destruir o Império Romano e criar, no seu lugar, um império gótico. A princípio tentou, certamente, passar a África, como o seu antecessor, mas ao deparar-se com a impossibilidade de tal projecto optou por migrar com o seu povo da Península Itálica para a Gália.

Nesse mesmo ano de 412 entra em contacto com o imperador Honório e conclui uma aliança pela qual este se comprometia a pagar tributo e a ceder terras na Gália em troca da devolução da sua irmã Gala Placídia. Este tratado marca, assim, o início da estruturação dos Visigodos como reino e estado permanentes, para o que contribuiu em grande medida a actuação de Ataúlfo, o qual pode ser considerado em boa medida o verdadeiro fundador do reino visigótico.

Ataúlfo quebrou o pacto ao não devolver Gala Placídia e no Outono de 413 invadiu a região de Marselha. Tendo fracassado, deslocou-se para a Aquitânia e para a Narbonense, onde se instala provisoriamente.

Em Janeiro de 414 casa-se com Gala Plácida (segundo o ritual romano), provocando uma reacção enfurecida de Honório. Ataúlfo simula abdicar a favor de Átalo, nomeando-o Imperador dos Visigodos, mas Honório apercebe-se do estratagema e bloqueia o abastecimento de víveres por mar aos Visigodos, o que os obriga, no início de 415, a abandonar a Gália rumo à Hispânia, cinco anos depois dos Suevos, Vândalos e Alanos. No percurso, Ataúlfo instala a sua corte em Barcino (Barcelona). Aqui nascerá o filho que teve com Gala Placídia, Teodósio, com o qual pretendia unir os germanos e os romanos, mas a criança morreu poucos meses depois. As tentativas de entendimento que procurou com Roma granjearam-lhe inimigos na corte.

No início do Verão de 415 foi assassinado por Dúbio, homem da sua confiança. Não se sabe ao certo o instigador do regicídio, mas a sua morte é seguida pelo apresentar das pretensões de diversos candidatos, como Vália, que conseguiu reunir o apoio da maioria dos nobres visigodos e Sigerico, que ainda conseguiu ser rei durante uma semana logo a seguir à morte de Ataúlfo.

Fontes e Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por:
Alarico I
Reis visigodos
410–415
Sucedido por:
Sigerico



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