Ataque ao engenho Tracunhaém

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

O ataque ao engenho Trucunhaém, também conhecido como tragédia de Trucunhaém ou chacina de Trucunhaém foi um ataque de índios potiguaras dirigido ao Engenho Trucunhaém, próximo a Goiana, Pernambuco, ocorrido em 1534. Neste ataque, toda a população colonizadora da região foi dizimada.

Contextualização[editar | editar código-fonte]

Após o descobrimento do Brasil, nas terras ainda por serem ocupadas transitavam piratas e corsários, traficantes de pau-brasil. Estes traficantes eram na sua maioria franceses, que logo estabeleceram com os índios uma relação de escambo: em troca da extração do pau-brasil, os índios recebiam objetos considerados sem valor pelos franceses, como espelhos, pentes, tesouras, dentre outros.

Para explorar as terras, a Coroa portuguesa dividiu o país em capitanias hereditárias,porções de terra administradas por um só dono, que tinha poder sobre tudo que acontecia dentro desta. Em 1534, D. João III doou a capitania de Itamaracá a Pedro Lopes de Sousa. As terras iam desde a foz do rio Santa Cruz (hoje rio Igarassu) em Pernambuco, até próximo ao rio Paraíba, que, nessa época, chamava-se São Domingos. A administração da capitania coube a Francisco Braga, que rivalizava com Duarte Coelho e levou a capitania à falência. Em seu lugar, João Gonçalves desenvolveu engenhos e fundou a Vila Conceição.

Com a morte de Pero Lopes de Sousa em 1536, a não observância da Lei de Sesmarias, as terras devolutas retornaram ao domínio da Coroa. Este distanciamento administrativo facilitou a ação dos traficantes franceses e os ataques dos índios potiguaras. Embora estes índios mantivessem relações mercantilistas com os franceses, resistiam aos colonizadores devido ao risco de escravização. Eram frequentes os ataques dos indígenas com arcos e flechas em Itamaracá.

O ataque[editar | editar código-fonte]

O cristão-novo Diogo Dias adquiriu terras próximas a Goiana, no vale do Rio Tracunhaém, para estabelecer um engenho.

Um aventureiro mameluco chegou à aldeia potiguara Cupaóba do chefe Iniguassu. Esta aldeia compreendia as terras hoje correspondentes aos municípios de Serra da Raiz, Duas Estradas, Lagoa de Dentro e Sertãozinho, no Brejo Paraibano. O mameluco foi recebido com hospitalidade, chegando a casar com uma de suas filhas, índia de grande beleza, Iratembé (Lábios de Mel). O casamento exigia que o mameluco permanecesse na aldeia. Numa ausência do cacique, o rapaz resolveu voltar ao seu lugar de origem, levando a índia.

A primeira providência de Iniguassu foi enviar dois de seus filhos a Olinda, em Pernambuco, para reclamar justiça. Por sorte, encontraram em visita a Pernambuco, o governador do Brasil, Antônio Salema, que ordenou a volta imediata da bela índia à casa do pai. Na volta tiveram que pernoitar no Engenho Tracunhaém, de Diogo Dias. Quando amanheceu o dia verificou-se o desaparecimento da índia, possivelmente escondida por Diogo Dias. Os seus irmãos reclamaram muito mas nada conseguiram e voltaram para casa sem a irmã.

Em pouco tempo, insuflados pelos franceses, os chefes potiguaras se reuniram para planejar a vingança. Movimentaram dois mil guerreiros da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Os índios cercaram o engenho fortificado e usaram de um ardil: apenas alguns índios se deixaram ver para fazer crer que era ação de um pequeno grupo. Quando os defensores do engenho saíram para contra-atacar, foram atacados por uma multidão de índios. Daí, segue-se a morte de todos os que moravam no engenho (proprietários, colonos e escravos), sobrevivendo da família, apenas dois que estavam ausentes. Outros engenhos de Itamaracá também foram atacados, resultando em 614 mortes.

Este episódio generalizou o medo nos colonizadores da região e fez com que o rei de Portugal extinguisse a capitania de Itamaracá e criasse a capitania da Paraíba, com limites desde a foz do rio Popoca até a Baía da Traição. Assim protegeria a índústria açucareira, expulsando os franceses e expandiria o domínio para o norte da região Nordeste.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Fontes[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre História ou um historiador é um esboço relacionado ao Projeto História. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.