Augusto Abelaira

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Augusto José de Freitas Abelaira (Coimbra[1] , 18 de Março de 1926 - Lisboa, 4 de Julho de 2003) foi um professor, romancista, dramaturgo, tradutor e jornalista português[2] .

A sua obra foi influenciada pela estética neo-realista que une os romances histórico-materialistas e os romances psicológicos.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em Coimbra[3] ,freguesia de Sé Nova, distrito de Coimbra, em 1926.Mudou-se ainda jovem para a cidade do Porto, tendo-se licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Abelaira participou activamente na luta contra o regime de Salazar, integrando-se em movimentos estudantis de oposição, participando activamente na distribuição de panfletos. Após a década de 1930 passou a utilizar a ironia como sua principal arma, criando personagens com aversão à política de esquerda e à hipocrisia, empenhados em causas como o Movimento de Unidade Democrática e a contestação ao Plano Marshall.

Na década de 40 colaborou no semanário Mundo Literário [4] (1946-1948).

Estreou-se como autor de romances no fim da década de 1950 com o romance A cidade das flores (1959), um retrato das perplexidades da juventude do seu tempo em relação ao totalitarismo de Salazar, deslocando a trama para a Itália a fim de não ser preso pela PIDE.

Foi colaborador da revista Almanaque (1959-61), publicação com redação coordenada por José Cardoso Pires e grafismo de Sebastião Rodrigues, onde colaboraram, entre outros, Luís de Sttau Monteiro, Alexandre O'Neill e João Abel Manta.[5] e colaborou igualmente no Jornal do Caso República (1975) de Raul Rêgo. Foi detido em 1965 por ter atribuído, como presidente do júri, o Grande Prémio da Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores ao angolano José Luandino Vieira (também preso no Tarrafal), pelo seu livro de contos, Luuanda.

Trabalhou como tradutor e como jornalista no Diário Popular, no Jornal de Letras e no Século. Entre 1977 e 1978, foi director de programas da RTP e das revistas Seara Nova e Vida Mundial[6] .

Obras[editar | editar código-fonte]

  • A Cidade das Flores (romance), 1959;
  • Os Desertores (romance), 1960;
  • A Palavra é de Oiro (teatro), 1961;
  • O Nariz de Cleópatra (teatro), 1962;
  • As Boas Intenções (romance), 1963;
  • Enseada Amena (romance), 1966;
  • Bolor (romance), 1968;
  • Ode (quase) Marítima, (monólogo), com desenhos de Maria Keil, 1968;
  • Quatro Paredes Nuas (contos), 1972;
  • Sem Tecto Entre Ruínas (romance), 1979[7] ;
  • «Olfacto», in Poética dos Cinco Sentidos: La Dame à la Licorne, 1979;
  • Anfitrião, Outra Vez (teatro), 1980;
  • O Triunfo da Morte (romance), 1981[8] ;
  • O Bosque Harmonioso (romance), 1982;
  • O Único Animal que... (romance), 1985;
  • Deste Modo ou Daquele (romance), 1990;
  • Outrora, Agora (romance), 1996;
  • Nem Só Mas Também (romance) [póstumo], 2004;
  • «O arquimortes», in Ficções n.º 8, 2003-2004.

Obras traduzidas[editar | editar código-fonte]

  • Romeno: Bunele intentii (As boas intenções), tradução de Mirela Stanciulescu, Edinter, 1992.
  • Búlgaro: Outrora Agora, tradução de Iordanka Hascimento, Karin-Mariana Todorova, 1996.

Traduções[editar | editar código-fonte]

  • A Roda da Fortuna, de Roger Vaillant, Ulisseia, Lisboa, 1961.
  • A Promessa, de Gary Kassel, Bertrand, Lisboa, 1962.
  • O Tambor, de Günter Grass, Estúdios Cor, Lisboa, 1964.
  • História do Mundo, de Jean Duché, (em co-autoria com Severiano Ferreira), Estúdios Cor, Lisboa, 1963 – 1971.
  • A Segunda Guerra da Indochina, de Wilfred G. Burchett, Seara Nova, Lisboa, 1971.
  • O Doutor Jivago de Boris Pasternak, Europa – América, Mem Martins, 1987.
  • O Declínio da Idade Média de Johan Huizinga, Ulisseia, Lisboa, 1996.

Prémios[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. certidão de nascimento
  2. Augusto Abelaira. [1] Infopédia. Visitado em 28 de dezembro de 2012.
  3. certidão de nascimento
  4. Helena Roldão (27-01-2014). Ficha histórica: Mundo literário : semanário de crítica e informação literária, científica e artística (1946-1948). (pdf) Hemeroteca Municipal de Lisboa. Visitado em 03 de Novembro de 2014.
  5. Fragoso, Margarida – Design Gráfico em Portugal: formas e expressões da cultura visual do século XX. Lisboa: Livros Horizonte, 2012, p. 121, 122. ISBN 978-972-24-1716-7
  6. VIEIRA, Agrioina Carriço. Augusto José de Freitas Abelaira.
  7. Sobre esta obra, ver o estudo de Inês Assunção Gamelas intitulado 1968 (e depois) – Representações da juventude nos romances Heiβer Sommer, de Uwe Timm, e Sem Tecto, entre Ruínas, de Augusto Abelaira, Aveiro, 2010.
  8. Sobre esta obra, ver o estudo de Natália Ubirajara Silva intitulado A Sinfonia Narrativa de Augusto Abelaira: A Metaficção em O Triunfo da Morte, Porto Alegre, 2009.
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