Aureliano de Mira Fernandes

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Aureliano de Mira Fernandes (c. 1935)

Aureliano de Mira Fernandes (Mina de S. Domingos, Mértola, 16 de Junho de 1884Lisboa, 19 de Abril de 1958) foi um matemático português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Aureliano de Mira Fernandes fez os seus estudos secundários em Beja e inscreveu-se em 1904 na Faculdade de Matemática[1] da Universidade de Coimbra. Aderiu à greve estudantil de Fevereiro de 1907, o que fez com que ficasse comprometida a sua passagem de ano. A adesão à greve foi maciça, mas o governo concedeu o perdão a todos os que o requeressem. Quase todos apresentaram tal requerimento, mas não Mira Fernandes. Consequentemente, reprovou no final do ano. No ano seguinte apresentou-se aos exames e teve 20 valores a todos. Foi ainda com 20 valores que se licenciou em 1910 e que se doutorou no ano seguinte, tendo nesse mesmo ano sido nomeado, por convite, professor catedrático no Instituto Superior Técnico, escola onde ensinou ininterruptamente até se jubilar, em 1954.

Em 1918, Mira Fernandes aceitou o convite para reger a cadeira de Análise Matemática no Instituto Superior de Comércio, onde teve como alunos Bento de Jesus Caraça e Duarte Pacheco.

De 1928 a 1938 colaborou activamente com a Accademia dei Lincei, apresentando aí as suas mais importantes investigações, as quais seriam republicadas mais tarde em Portugal na Portugaliæ Mathematica. Também em 1928 tornou-se sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa, tendo proposto a nomeação de Einstein e Levi-Civita como sócios correspondentes, proposta essa que foi aprovada na sessão de 17 de Março de 1932. Em 1930 Mira Fernandes tornou-se sócio correspondente da Real Academia de Ciências de Madrid. Em 4 de Outubro de 1943 fundou a Junta de Investigação Matemática, juntamente com António Aniceto Monteiro e Ruy Luís Gomes.

A partir dos anos quarenta, os seus trabalhos científicos passaram a aparecer principalmente na Portugaliæ Mathematica e na Revista da Faculdade de Ciências de Lisboa.

Mira Fernandes pertenceu à direcção do Centro de Estudos de Matemáticas Aplicadas à Economia[2] bem como aos corpos gerentes da Sociedade Portuguesa de Matemática.

O seu nome foi escolhido para dar nome a uma das avenidas do concelho de Mértola, a " Avenida Aureliano de Mira Fernandes".

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • J. F. Ramos Costa, «Elogio histórico de Aureliano Lopes de Mira Fernandes», Memórias da Academia das Ciências de Lisboa, Classe de Ciências IX.
  • Augusto J. S. Fitas e António A. P. Videira, Cartas entre Guido Beck e cientistas portugueses, Instituto Piaget, 2004
  • José Morgado, Para a história da Sociedade Portuguesa de Matemática, Publicações de história e metodologia da matemática 4, Universidade de Coimbra, 1995
  • José Sebastião e Silva, Mira Fernandes, O Homem e o Professor, Beja: Minerva Comercial, 1969.
  • Nuno Crato (ed.), Obras de Aureliano Mira Fernandes (3 vols.), Fundação Calouste Gulbenkian, 2008–2010.
  • Luís Saraiva e João Pinto (eds.), Aureliano da Mira Fernandes: Actas do Colóquio do cinquentenário da sua morte, Boletim da Sociedade Portuguesa de Matemática, 2010

Notas

  1. Esta faculdade seria integrada em 1911 na Faculdade de Ciências.
  2. Este centro foi criado em 1938 por Bento de Jesus Caraça, Mira Fernandes e Caetano Maria Beirão da Veiga.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]