Automutilação

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Automutilação
Classificação e recursos externos
CID-10 X84.
Star of life caution.svg Aviso médico

Automutilação (AM), é definida como qualquer comportamento intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo sem intenção consciente de suicídio. Os atos geralmente têm como intenção o alívio de dores emocionais e em grande parte dos casos, estão associados ao Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). As formas mais frequentes de automutilação são cortar a própria pele, bater em si mesmo e queimar-se.

Definição[editar | editar código-fonte]

Automutilação refere-se a comportamentos onde demonstráveis feridas são auto-infligidas. A maioria das pessoas que se automutilam estão bastante conscientes de suas feridas e cicatrizes, e tomam atitudes extremas para esconde-las dos outros. Eles podem oferecer explicações alternativas para suas feridas, ou tapar suas cicatrizes com roupas. Automutilação, nesses indivíduos, não está associada ao suicídio ou para-suicídio. A pessoa que se automutila não está, usualmente, querendo interromper sua própria vida, mas sim usando esse comportamento como um modo de cooperação para aliviar dor emocional e desconforto.

Perfil do automutilador[editar | editar código-fonte]

O auto-mutilador tende a ter grandes dificuldades para se expressar verbal ou emocionalmente, portanto, não consegue falar publicamente sobre suas angústias nem chorar diante de outras pessoas. . Essa dificuldade de expressão acaba, em muitos casos, sendo um forte fator que desencadeia o comportamento auto-mutilador. Alguns indivíduos afirmam que escrever (textos, poemas, contos, músicas, etc.) lhes parece de grande ajuda, como uma forma de expressar suas emoções, o que não conseguem fazer de outras formas. Desse modo, a necessidade de se automutilar diminui significativamente.

Não possui amor próprio e usualmente define a si mesmo como sendo "um lixo humano, uma criatura insuficiente e fracassada, que não tem direito de conviver com os demais". Desse modo, alguns tendem a se afastar da família e dos amigos, buscando poupa-los do mal que presumem ser a sua presença. Com o tempo, se veem executando sozinhos atividades que costumavam fazer em grupo.

Geralmente afirmam automutilar-se com a intenção de interromper uma dor emocional muito forte. A maioria alega se tratar "de uma espécie de troca, da dor emocional pela dor física". Além disso, vários automutiladores se ferem também como uma forma de punição, por se sentirem insuficientes e fracassados, "um lixo humano", como eles próprios se definem; dentre outras razões. Todos eles descrevem o desejo automutilador como algo incontrolável, como um vício do qual, ainda que queiram, não conseguem se libertar.

Logo após uma crise, em que o automutilador fere o próprio corpo ou apresenta qualquer outro comportamento autoagressivo, o sentimento que permanece é, geralmente, de culpabilidade. O indivíduo geralmente chora muito e a sensação de fracasso é extrema.

Possui extrema dificuldade em falar sobre si mesmo, principalmente sobre a doença, pois tem medo de não ser aceito, julgado ou incompreendido, pois a grande maioria das pessoas que não passam pelo mesmo não compreendem este comportamento e/ou a sua origem.

Constantemente se descobre buscando feridas ou cicatrizes nos pulsos de outras pessoas, talvez como uma forma de não sentir-se tão só ou de tentar ajudar essa pessoa, pois sabe o quão mau é não ter ninguém que o ajude e compreenda.

Alguns abandonam qualquer tipo de atividade em que seja necessária a exibição do corpo, como ir à praia ou a um clube, para que suas feridas e cicatrizes permaneçam ocultas e, desse modo, não tenham que falar sobre o problema nem corram o risco de serem impedidos da prática.

Não possui qualquer expectativa com relação ao futuro, pois se considera incapaz de alcançar qualquer coisa realmente boa - razão pela qual se surpreende muito quando alcança grandes feitos, como passar no vestibular ou conquistar o amor incondicional de alguém que lhes interesse. Ainda que acontecimentos do gênero lhes sejam de grande benefício, não são o bastante para que abandone as práticas autoagressivas, o que faz com que retorne à mesma falta de expectativas a respeito da vida.

Quando o indivíduo consegue superar a doença, o primeiro problema com que se depara é a sensação de vazio. Muitos ex-automutiladores afirmam que se tornaram incapazes de qualquer sentimento comum ao ser humano, como ódio, raiva, indignação, medo, insegurança, alegria, amor, etc. Sentem-se apáticos e desinteressados com relação a qualquer assunto que os rodeie. "Se alguém morresse ao meu lado, eu não daria a mínima" é uma sentença que bem traduz esse estado de espírito. Tal sensação tem sido observada em vários indivíduos, porém, não se estende por muito tempo. Ainda que tenha alguma recaída, o ex-automutilador tende a sentir cada vez menos falta do comportamento autoagressivo e, com o tempo, o abandona completamente.

Embora os automutiladores acreditem que sua prática faz com que passe a dor emocional (ex. ódio, raiva, medo, culpa, etc.), essa é uma impressão falsa. O que ocorre é que a dor emocional é suplantada momentaneamente pela dor física. Quando perguntadas por familiares ou amigos, muitas pessoas respondem não saber por que fazem isso.

Os automutiladores, no geral, sentem compaixão por outras pessoas na mesma situação e tentam ajuda-las, muitas vezes querendo que outros parem com este comportamento mesmo que o pratiquem também.

Formas de automutilação[editar | editar código-fonte]

Uma forma comum de AM envolve fazer cortes na pele dos braços (comumente o pulso esquerdo), pernas, abdômen, coxas, etc. O número de métodos automutilantes se restringe à criatividade do indivíduo. Os locais de lesão são, geralmente, áreas escondidas de uma possível detecção por outras pessoas.

Exemplos de formas de automutilação:

  • Esmurrar-se, chicotear-se
  • Cortar-se
  • Enforcar-se por alguns instantes
  • Morder as próprias mãos, lábios, língua, ou braços
  • Apertar ou reabrir feridas (Dermatotilexomania)
  • Arrancar os cabelos (Tricotilomania)
  • Queimar-se, incluindo com cigarro, produto químicos (por exemplo, sal e gelo)
  • Furar-se com agulhas, arames, pregos, canetas
  • Beliscar-se, incluindo com roupas e clips para papel
  • Ingerir agentes corrosivos, alfinetes
  • Se Bater
  • Socar paredes e outras superfícies rígidas/ásperas capazes de machucar as mãos (como o tronco de uma árvore)
  • Envenenar-se, medicar-se (por exemplo, exagerar na dose de remédios e/ou álcool), sem intenção de suicídio.

Auto-lesão entre indivíduos com distúrbios de desenvolvimento (por ex., autismo, retardamento, inteligência limítrofe) envolve, geralmente, ações relativamente simples, tais como bater a própria cabeça contra a parede, esmurrar superfícies duras e morder-se. É comum desenvolverem pica, que corresponde a um transtorno onde o afetado engole substâncias/objetos que não são comestíveis.

Possíveis Causas[editar | editar código-fonte]

A automutilação é usualmente associada ao Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), porém, grande parte dos automutiladores não sofrem desse transtorno de personalidade. A doença tem acometido cada vez mais pessoas e, nos dias atuais, tem sido observada sua crescente associação a problemas como Depressão, Transtorno Bipolar, Síndrome do pânico, Bulimia, Anorexia, Bullying, epilepsia,problemas emocionais,transtornos alimentares dentre outros.

Outro fator que deve ser investigado está relacionado à associação entre dor e prazer. Em muitos casos a origem do problema está em crianças que ficaram internadas em hospitais, às vezes por muitos dias ou meses. O comportamento autodestrutivo constantemente carrega uma carga de prazer associado, muito comum de ser encontrado em masoquistas. O psicanalista Robert J. Stoller escreveu em seu livro (Pain and Passion: a psychoanalyst explore the Word of S&M, Ed. Plenum Press) que a maior parte dos membros de grupos sado-masoquistas passaram por tratamentos dolorosos na infância. Eles ficaram submetidos à relação entre dor e alívio; o que gerou um forte condicionamento mental que faz com que a dor seja o gatilho para a percepção do prazer.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

A associação psicoterapia e medicação tem se mostrado eficaz nos casos de automutilação. A psicoterapia, nestes casos, tem como um dos objetivos ajudar o paciente a identificar outras formas de lidar com frustrações que sejam mais eficazes do que seu comportamento. Ainda não há medicação específica indicada para que o paciente pare de se mutilar, entretanto, a medicação pode ser indicada para alívio dos sintomas depressivos e ansiosos que podem colaborar para a manutenção do comportamento. Há também medicações que são usadas para diminuir a impulsividade e que ajudam o paciente a resistir à vontade de se machucar, caso esta apareça. O ideal é procurar um bom profissional, um psicólogo ou psiquiatra, que possa identificar as causas do problema no paciente e tratá-las. Contudo, é importante que essa iniciativa parta do próprio paciente, não sendo indicado forçá-lo à situção, o que poderia agravar seu quadro. O melhor é que família e amigos o incentivem a procurar voluntariamente ajuda médica, e facilitem o acesso. O automutilador necessita, sobretudo, do apoio da família e dos amigos. Ele precisa desesperadamente sentir-se amado.

Se sentir sozinho, sem amor, Sofrem preconceitos. excluidos do grupo colegial etc.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]