Axiologia

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Axiologia (do grego άξιος "valor" + λόγος "estudo, tratado") é o estudo de valores[1] , uma teoria do valor geral, compreendido no sentido moral. Tal como se descreveu na Alemanha com Max Scheler ou John Rickert e a França por Ruyer ou R. Polin, a axiologia tenta estabelecer uma hierarquia de valores.[2]

Definição[editar | editar código-fonte]

A definição da axiologia como "ciência dos valores" é descartada por sociólogos e filósofos, como Nildo Viana, sendo o termo considerado insustentável, já que tal ciência não existe concretamente e nem foi sistematizada intelectualmente. A definição mais comum de axiologia é que ela é um ramo da Filosofia que tem por objeto o estudo dos valores. Esta definição também é descartada por Viana, pois para este pensador, a ética já é o ramo da filosofia que se dedica ao estudo dos valores. Uma outra definição é fornecida por Nildo Viana, segundo a qual axiologia seria o padrão dominante de valores em determinada sociedade. Neste sentido, ele cria o termo antagônico de axionomia que expressa os valores autênticos dos seres humanos, ou seja, compatíveis com a natureza humana. Diversos sociólogos dedicaram-se ao estudo dos valores, mas geralmente não utilizaram o termo axiologia, a não ser no sentido de ser sinônimo de "valorativo".[3]

História[editar | editar código-fonte]

A axiologia tem início só no século XIX. quando o termo, originário do âmbito econômico, foi estendido, sobretudo graças a Windelband, a outros âmbitos da vida humana.[4] Os neokantinos do século XIX praticamente inventaram a reflexão axiológica, podemos destacar aqui os mais importantes: Lotze, Albrecht Ritschl, Windelband, John Rickert, Münsterberg, Meinong, Ehrenfelds, Scheler[5] Nicolai Hartmann, Lavelle e René Le Senne por exemplo.[6]

Uma boa síntese das diferentes escolas de axiologia neokantiana encontra-se na obra Introdução à filosofia, de Windelband.[7] Lotze introduziu o tema dos valores em seu livro Mikrokosmos, no qual defente a diferença entre "ser" e "valor", o "mundo dos valores" é distinto do "mundo dos entes".[8] Ritschl introduziu na axiologia a distinção entre "juízos de valor" e"juízos de fato".[9] A axiologia de Rickert era chamada de logicista ou de logicismo axiológico, porque para ele valor significaria "validade lógica", como isso ele pretendia dar objetividade à axiologia, retirando-a do subjetivismo.[10]

Nietzsche foi quem popularizou o uso filosófico do termo "valor" com seu Assim falou Zaratustra, entre outras obras igualmente iconoclastas, longe de ser um axiólogo tradicional, as questões formais da axiologia não o interessava, sua preocupação se concentrou nas questões práticas da classificação e hierarquização dos valores, isto é, na questão dos critérios de valoração.[6]

Principais pensadores[editar | editar código-fonte]

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • REALE, Miguel. "Experiência e Cultura", "Verdade e Conjectura" e "Teoria Tridimensional do Direito".
  • Heller, Agnes. O Cotidiano e a História.
  • Viana, N. Heróis e Super-Heróis no Mundo dos Quadrinhos.
  • Cuvillier, A. Pequeno Vocabulário de Língua Filosófica.
  • Frondizi, R. Que son los Valores? Introducción a la Axiologia.

Referências

  1. Dicionário UNESP do português contemporâneo. [S.l.]: UNESP, 2004. p. 147. ISBN 978-85-7139-576-3
  2. Dicionário de filosofia. [S.l.]: PAPIRUS, 2005. p. 48. ISBN 978-85-308-0227-1
  3. Nildo Viana. Os valores na sociedade moderna. [S.l.]: Thesaurus Editora, 2007. p. 29. ISBN 978-85-7062-690-5
  4. Vários autores. Lexicon - dicionário teológico enciclopédico. [S.l.]: Loyola, 2003. p. 780. ISBN 978-85-15-02487-2
  5. Max Scheler. Da reviravolta dos valores: ensaios e artigos. [S.l.]: Vozes, 1994. ISBN 978-85-326-1161-1
  6. a b Maria Luisa Mendes Teixeira. Valores Humanos E Gestao. [S.l.]: Senac, 2008. p. 34. ISBN 978-85-7359-737-0
  7. Harold H. Titus. Living issues in philosophy. [S.l.: s.n.], 1964.
  8. Krzysztof Piotr Skowroński. Values and Powers: Re-Reading the Philosophical Tradition of American Pragmatism. [S.l.]: Rodopi, 2009. p. 87. ISBN 978-90-420-2745-9
  9. Johnny Washington. A journey into the philosophy of Alain Locke. [S.l.]: Greenwood Press, 1994. ISBN 978-0-313-29047-3
  10. Weimar Thought: A Contested Legacy. [S.l.]: Princeton University Press, 30/jun/2013. p. 142. ISBN 978-1-4008-4678-8

Ligações externas[editar | editar código-fonte]