Aybak

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Aybak
عز الدين أيبك
11º Sultão do Egito
Governo
Reinado 12501257
Antecessor Shajar al-Durr
Herdeiro Al-Mansur Ali
Sucessor Al-Mansur Ali
Dinastia Mamelucos Bahri
Vida
Nome completo Al-Malik al-Mu'izz Izz al-Din Aybak al-Jawshangir al-Turkmani al-Salihi
الملك المعز عز الدين أيبك التركماني الجاشنكير الصالحى
Nascimento 1197?
Morte 1257 (64 anos)
Cairo
Filhos Al-Mansur Ali
Nasir ad-Din khan

Al-Malik al-Mu'izz Izz al-Din Aybak al-Jawshangir al-Turkmani al-Salihi, dito Izz al-Din Aybakdn 1 (em árabe: عز الدين أيبك) ou somente Aybak, foi o primeiro sultão mameluco do Egito e fundador da dinastia Bahridn 2 dn 3 dn 4 1 . Aybak reinou entre 1250 e 1257.

Origem e primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Aybak era um emir/líder militar de origem turca que serviu com outros turcomanos na corte do sultão aiúbida as-Salih Ayyub e, portanto, era conhecido entre os mamelucos bahri como "Aybak al-Turkmani". Ele foi elevado à posição de emir e serviu como jashnkir ("provador da comida e da bebida do sultão")2 e detinha o título de khawanja ("contador do sultão")dn 5 .

Após a morte de as-Salih durante a invasão franca de Damietta em 1249 e o trágico assassinato de seu filho e herdeiro Turanshah em 1250, Shajar al-Durr, a viúva de as-Salih, com a ajuda e o apoio dos mamelucos de seu falecido marido, tomou o controle do trono e se tornou sultana do Egito, suplantando os aiúbidas.

Tanto os aiúbidas da Síria quanto o califa abássida de Bagdá, al-Musta'sim, desafiaram os mamelucos e se recusaram a reconhecer a Shajar como sultanadn 6 , mas os mamelucos renovaram seu juramento de fidelidade à nova sultana e nomearam Aybak para a importante posição de atabeg (comandante-em-chefe).

Ascensão ao poder[editar | editar código-fonte]

Se sentindo desconfortável após os emires sírios terem se recusado a prestar homenagem a Shajar e terem cedido Damasco para an-Nasir Yusuf, o emir aiúbida de Alepo, Shajar se casou com Aybak e renunciou em seguida ao sultanato, passando o trono para o novo marido após ter governado o Egito por oitenta dias3 .

Aybak, o novo sultão, tomou o nome real de al-Malik al-Muizz. Até então, Aybak contava principalmente com quatro líderes mamelucos: Faris ad-Din Aktai, Baibars al-Bunduqdari, Qutuz e Bilban al-Rashidi4 5 .

Para consolidar sua posição e tentar apaziguar seus adversários na Síria e em Bagdá, os mamelucos instalaram al-Malik Sharaf Muzafer al-Din Musadn 7 dn 8 , de apenas seis anos, que era do ramo sírio da família dos aiúbidasdn 9 como sultão e anunciaram que Aybak era apenas o representante do califa abássida de Bagdá. Além disso, para mostrar sua lealdade ao falecido mestre as-Salih Ayybub, Aybak realizou o funeral de as-Salih e o enterrou na tumba que ele tinha construído perto de sua madrassa no distrito de Bain al-Qasrain no Cairo6 7 dn 10 .

Desafio aiúbida[editar | editar código-fonte]

An-Nasir Yusuf enviou suas forças para Gaza para conquistar o Egito e derrubar Aybak, mas suas forças foram derrotadas pelo emir Faris ad-Din Aktai. Em seguida, ele liderou um enorme exército que enfrentou o de Aybak perto de Al-Salihiyya, mas no final da batalha ele foi forçado a fugir para Damasco enquanto seu filho, Turanshahdn 11 , seu irmão Nosrat ad-Din e al-Malik al-Ashraf, o emir de Alepo, foram aprisionados por Aybak8 . Os triunfos de Aybak sobre os aiúbidas da Síria consolidaram sua posição como governante do Egito8 . Através de negociações e a mediação do califa abássida, Aybak libertou os prisioneiros aiúbidas e ganhou o controle da Palestina meridional, incluindo Gaza, Jerusalém e a costa da Síria9 .

Revolta[editar | editar código-fonte]

Em 1253, uma séria revolta liderada por Hisn al-Din Thalab no Alto e Médio Egito foi sufocada por Aktai, o líder dos mamelucos bahri. Ao derrotar as forças aiúbidas de an-Nasir Yusuf e suforcar a revolta de Thalab, o poder do emir Aktai e seus mamelucos cresceu e eles se tornaram uma nova ameaça à autoridade de Aybak. Quando Aktai solicitou que Aybak permitisse que ele vivesse dentro da cidadela com sua futura esposa, que era irmã de al-Malik al-Mansur, o emir de Hama, Aybak se convenceu que ele e seus mamelucos tinham a intenção de derrubá-lo e, assim, decidiu se livrar deles8 .

Ataque aos mamelucos[editar | editar código-fonte]

Numa conspiração com Qutuz e uns poucos mamelucos, Aybak convidou Aktai à cidadela e o assassinou. Ao verem a cabeça de Aktai sendo atirada cidadela abaixo, os mamelucos bahri, entre eles Baibars e Qalawun, fugiram durante a noite para Damasco, al-Karak e para o Sultanato Seljúcida de Rûm. Aybak saqueou as propriedades dos bahri e retomou Alexandria, que Aktai controlava como sendo seu domínio pessoal desde 1252. Os que não conseguiram fugir ou foram aprisionados ou executados. Tão logo ele terminou com Aktai e seus mamelucos bahri, Aybak destronou o jovem co-sultão al-Ashraf Musa e o enviou de volta para a casa de suas tias, com quem ele morava antes de se tornar co-sultão. Agora Aybak era o líder inconteste do Egito e de parte da Síria, mas logo em seguida um novo acordo com an-Nasir Yusuf limitaria seu poder exclusivamente ao Egito8 .

Em 1255, uma nova revolta liderada por seu homônimo Izz al-Din Aybak al-Afram irrompeu no Alto Egito e as forças de an-Nasir Yusuf chegaram até a fronteira egípcia, desta vez acompanhadas dos mamelucos bahri que haviam fugido para a Síria, incluindo Baibars e Qalawun.

Final bizarro[editar | editar código-fonte]

Precisando de uma aliança com algum emir importante que pudesse ajudá-lo contra a ameaça dos mamelucos que fugiram para a Síria10 , Aybak decidiu, em 1257, se casar com a filha de Badr ad-Din Lu'lu', o emir de al-Mousil. Shajar al-Durr, que já tinha suas diferenças com Aybakdn 12 se sentiu traída pelo homem que ela fizera sultão e ordenou que ele fosse assassinado após ele ter governado o Egito por sete anos. No dia de sua morte, ele tinha por volta de sessenta anos e uns poucos filhos, entre eles Nasir ad-Din khan e al-Mansur Ali8 .

Ali, de apenas onze anos, foi instalado pelos mamelucos de Aybak (chamados de mu'iziyya), que eram liderados por Qutuz11 , como novo sultão, tomando o nome real de "al-Malik al-Mansur Nour ad-Din Ali" e tendo Qutuz como vice-sultão.

Impacto[editar | editar código-fonte]

Aybak não gostava e nem respeitava os egípcios, embora ele seja lembrado pelos historiadores como sendo um sultão generoso e corajoso8 dn 13 . Ele construiu uma madrassa no Cairo conhecida por "al-Madrasah al-Mu'izzyah"8 .

Aybak reinou num período turbulento. Além de seus conflitos com an-Nasir Yusuf na Síria e com o emir Aktai e seus mamelucos no Egito, havia ainda ameaças de forças externas, principalmente os cruzados e Luís X da França, que estavam em Acre esperando por uma chance para arrancar uma vitória aos muçulmanos após a humilhante derrota no Egito em 1250 (Batalha de Almançora e Batalha de Fariskur), e Hulagu à frente de seus mongóis, que estavam começando a atacar as fronteiras orientais do mundo islâmicodn 14 .

Antes de suas mortes, Aybak e Shajar al-Durr estabeleceram firmemente a dinastia mameluca no Egito, uma potência que, em última instância, iria repelir os invasores mongóis, expulsar os cruzados europeus da Terra Santa e permaneceria como uma força política poderosa no Oriente Médio até a ascensão do Império Otomano.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Aybak
Nascimento: 1197? Morte: 1257
Precedido por:
Shajar al-Durr
Sultões do Egito
1250–1257
com Al-Ashraf Musa (1250–1254)
Sucedido por:
Al-Mansur Ali

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. O nome Aybeg ou Aybak é a combinação de duas palavras túrquicas, "Ay" = Lua e "Beg" ou "Bak" = Emir, em árabe - (Al-Maqrizi, Nota p.463/vol.1 )
  2. Embora Aybak seja considerado pelos historiadores como sendo um mameluco, ele na realidade serviu na corte de as-Salih Ayyub como um emir/líder militar e não como um mameluco. - Shayal, p. 153/ vol.2- Al-Maqrizi, p. 463/vol.1 - De acordo com Ibn Taghri, as-Salih Ayyub o comprou antes de se tornar sultão e o promoveu até a posição de emir. O status que Aybak detinha era o de khawanja (خوانجا‏ - contador do sultão). Ibn Taghri, PP.103-273/ The Sultanate of al-Muizz Aybak al-Turkumani.
  3. Alguns historiadores, porém, consideram Shajar ad-Durr como sendo a primeira entre os sultões mamelucos (uma sultana, na verdade). Shayal, p.115/vol.2.
  4. Al-Maqrizi, descreveu Shajar ad-Durr como sendo a primeira sultana mameluca de origem turca. al-Maqrizi, p.459/ vol.1
  5. See note 1.
  6. O califa abássida enviou uma mensagem de Bagdá para os mamelucos do Egito dizendo: "Se vocês não tem homens aí, contem-nos que os enviaremos" - Al-Maqrizi, p.464/vol1
  7. Também conhecido como Al-Nasir Salah ad-Din Yusuf. - Al-Maqrizi, p.464/vol.1- Ibn Taghri, pp.103-273/ The Sultanate of al-Muizz Aybak al-Turkumani.
  8. Moedas de Musa confirmam que ele foi sultão e não um co-sultão.
  9. al-Malik Sharaf Muzafer al-Din Musa era neto de al-Malik al-Kamil. Al-Maqrizi, p.464/vol.1 - Shayal, p.115/ vol.2 - Ibn Taghri, pp.103-273/ The Sultanate of al-Muizz Aybak al-Turkumani,
  10. A morte de as-Salih foi acobertada por sua esposa, Shajar al-Durr]], pois o Egito estava sob ataque da Sétima Cruzada e seu corpo estava sendo transportado de barco em segredo ao castelo da ilha de al-Rudah, no Nilo, onde ele permaneceu até ser enterrado por Aybak na tumba do sultão perto da madrassa de as-Salih. ( Al-Maqrizi, pp. 441-443/vol.1 )
  11. Que não deve ser confundido com seu homônimo sultão Turanshah, o filho de as-Salih Ayyub.
  12. O conflito de Aybak com os mamelucos e sua tentativa de aumentar sua supremacia sobre os assuntos políticos tiveram um efeito negativo na relação com Shajar. De acordo com Al-Maqrizi, Aybak decidiu eliminar Shajar ao ser informado que ela havia contatado an-Nasir Yusuf e prometido fazer dele o sultão do Egito. Al-Maqrizi, pp.493-494/vol.1
  13. Em "Sirat al-Zahir Baibars", que é uma ficção misturada com realidade e produto do folclore, Aybak aparece como um homem fraco e maligno. Veja Sirat al-Zahir Baibars.
  14. Em 1252, durante o governo de Aybak, os mongóis realizaram raides contra as cidades e territórios orientais do mundo islâmico. - Al-Maqrizi, p.477/vol.1

Referências

  1. Encyclopaedia Britannica Online - Aybak article. web page
  2. Al-Maqrizi, p.463/ vol.1
  3. Al-Maqrizi, pp.462-463/vol.1
  4. Al-Maqrizi, p.472/vol.1
  5. Ibn Taghri, pp.103-273/ The Sultanate of al-Muizz Aybak al-Turkumani.
  6. Al-Maqrizi, p. 464/vol.1
  7. Shayal, p.116/vol.2
  8. a b c d e f g Ibn Taghri, PP.103-273/ The Sultanate of al-Muizz Aybak al-Turkumani.
  9. Shayal,p.116/ vol.2
  10. Shayal, p.119/ vol.2
  11. Qasim,p.44

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Abu al-Fida, The Concise History of Humanity
  • Al-Maqrizi, Al Selouk Leme'refatt Dewall al-Melouk, Dar al-kotob, 1997.
  • Idem in English: Bohn, Henry G., The Road to Knowledge of the Return of Kings, Chronicles of the Crusades, AMS Press, 1969.
  • Al-Maqrizi, al-Mawaiz wa al-'i'tibar bi dhikr al-khitat wa al-'athar,Matabat aladab, Cairo 1996, ISBN 977-241-175-X.
  • Idem in French: Bouriant, Urbain, Description topographique et historique de l'Egypte,Paris 1895
  • Ibn Taghri, al-Nujum al-Zahirah Fi Milook Misr wa al-Qahirah, al-Hay'ah al-Misreyah 1968
  • History of Egypt, 1382-1469 A.D. by Yusef. William Popper, translator Abu L-Mahasin ibn Taghri Birdi, University of California Press 1954
  • Mahdi, Dr. Shafik, Mamalik Misr wa Alsham ( Mamluks of Egypt and the Levant), Aldar Alarabiya, Beirut 2008
  • Qasim, Abdu Qasim Dr., Asr Salatin AlMamlik ( era of the Mamluk Sultans ), Eye for human and social studies, Cairo 2007
  • Sadawi,H., Al-Mamalik, Maroof Ikhwan, Alexandria.
  • Shayal, Jamal, Prof. of Islamic history, Tarikh Misr al-Islamiyah (History of Islamic Egypt), dar al-Maref, Cairo 1266, ISBN 977-02-5975-6
  • The New Encyclopædia Britannica, Macropædia, H.H. Berton Publisher, 1973–1974