Bárbara Heliodora

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Bárbara Heliodora
Bárbara Heliodora, em óleo sobre tela encontrado nos porões da antiga Fazenda Boa Vista em São Gonçalo do Sapucaí.
Nome completo Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira
Nascimento c. 1759[1]
São João del-Rei, Minas Gerais,  Brasil
Morte 24 de maio de 1819 (60 anos)
São Gonçalo do Sapucaí, Minas Gerais,  Brasil
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Ocupação Ativista política, mineradora, poetisa

Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira (São João del-Rei, c. 1759São Gonçalo do Sapucaí, 24 de maio de 1819) foi uma poetisa brasileira.[1]

Nascimento[editar | editar código-fonte]

Foram seus pais o Dr. José da Silveira e Sousa e D. Maria Josefa Bueno da Cunha. Para alguns estudiosos, era descendente de uma das famílias paulistas mais ilustres: a de Amador Bueno, o aclamado.

Casamento[editar | editar código-fonte]

Era casada com o Inconfidente Alvarenga Peixoto. Na realidade, Alvarenga Peixoto e Bárbara Heliodora viveram juntos por algum tempo, e só se casaram, por portaria do Bispo de Mariana, em 22 de dezembro de 1781, quando Maria Ifigênia, filha do casal, já contava três anos de idade. Desta união ainda nasceram mais três filhos: José Eleutério, João Damasceno (Que mais tarde seria chamado de João Evangelista) e Tristão Antônio.[2]

Em virtude de seu casamento com Alvarenga, e sua instantânea participação no movimento Inconfidente, Bárbara ganhou o título de "Heroína da Inconfidência Mineira".

Perdeu Maria Ifigênia, sua filha mais velha, quando esta ainda estava com seus 13 anos, e sofrera uma violenta queda de cavalo que causara sua morte[3] , em virtude da viagem de volta de Campanha da Princesa para São Gonçalo do Sapucaí.

Participação da Inconfidência[editar | editar código-fonte]

Para Aureliano Leite em "A Vida Heróica de Barbara Heliodora", "ela foi a estrela do norte que soube guiar a vida do marido, foi ela que lhe acalentou o seu sonho da inconfidência do Brasil … quando ele, em certo instante, quis fraquejar, foi Barbara que o fez reaprumar-se na aventura patriótica. Disso e do mais que ela sofreu com alta dignidade, fez com que a posteridade lhe desse o tratamento de Heroína da Inconfidência"[4] .

Pós-Inconfidência[editar | editar código-fonte]

Alguns anos depois, com a descoberta do movimento Inconfidente, Alvarenga Peixoto foi preso, sentenciado e declarado infame pela Coroa Portuguêsa. Seus bens foram confiscados. Foi degredado para Ambaca, em Angola, na África, onde viera a falecer. A partir de então, Bárbara viria a morar com seus filhos e sua irmã.

Essas duas perdas foram umas das teorias usadas como motivo para atestar a suposta demência de Bárbara Heliodora. A poetisa viveu entre a vila de Campanha da Princesa e a de São Gonçalo do Sapucaí.

Teoria da demência[editar | editar código-fonte]

O capitão-de-mar e guerra Alberto Carlos da Rocha, no artigo publicado (sob as iniciais A.C.R.) em 11 de outubro de 1931, no periódico A Opinião de S. Gonçalo do Sapucaí, explica as razões da decretação da demência de Bárbara: com o propósito de se livrar da ameaça de seqüestro e execução, ela "vendeu", por escritura de 27 de julho de 1809, os bens que ainda lhe restavam ao seu filho José Eleutério de Alvarenga. Ora, tal manobra, ao que parece, prejudicava a Fazenda Real; para que fosse anulada a citada escritura, Heliodora foi declarada demente[5] .

Morte[editar | editar código-fonte]

Bárbara viveu seus últimos anos na cidade sul-mineira de São Gonçalo do Sapucaí, onde mantinha propriedades com atuação na mineração e agricultura, comandadas em sociedade com seu compadre João Rodrigues de Macedo.

Na mesma cidade morreu em 24 de maio de 1819, sendo sepultada na Igreja Matriz da cidade, "das grades para cima" (sic)[6] .

A certidão de óbito informa que Bárbara faleceu de tísica (tuberculose), e recebeu todos os sacramentos. Em meados da década de 1920 seus ossos foram trasladados para o cemitério local e ali enterrados em vala comum, sendo que o paradeiro de seus restos mortais até hoje é considerado incerto.

Obra[editar | editar código-fonte]

A produção literária de Bárbara Heliodora é bastante reduzida e controvertida. A ela são atribuídos os poemas Conselhos a meus filhos e um soneto dedicado a Maria Ifigênia, mas nem todos os estudiosos são unânimes nesta atribuição.

Representações na Cultura[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Nelly Novaes Coelho. Dicionário crítico de escritoras brasileiras: 1711-2001. Escrituras; 2002. ISBN 978-85-7531-053-3. p. 86–87.
  2. Biografia de Bárbara Heliodora e Alvarenga Peixoto Portal Tudoave (Abril de 2008). Visitado em 12 de outubro de 2010.
  3. Coelho, Nelly Novaes. Dicionário crítico de escritoras brasileiras (em português). São Paulo: Escrituras Editora e Distribuidora de Livros, 2002. p. 85-86. ISBN 85-7531-053-4. Visitado em 10 de maio de 2012.
  4. Leite, Aureliano. A Vida Heróica de Barbara Heliodora (em português). [S.l.: s.n.], 1860.
  5. Roberto Leonel, Rezende. Rudimentos Históricos de São Gonçalo do Sapucaí (em português). [S.l.: s.n.], 1960.
  6. Mitra Diocesana da Campanha. Livro de Óbitos (em português). [S.l.: s.n.], 1819.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • de Souza e Silva, Joaquim Norberto. História de Conjuração Mineira. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1948. p. 176-186.
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