Bósnia e Herzegovina

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Republika Bosna i Hercegovina
Републикa Боснa и Херцеговинa

República da Bósnia e Herzegovina
Bandeira da Bósnia e Herzegovina
Brasão da Bósnia e Herzegovina
Bandeira Brasão de armas
Hino nacional: Intermeco ("Intermezzo")
Gentílico: bósnio

Localização da Bósnia e Herzegovina

Localização da Bósnia e Herzegovina (em verde).
Capital Sarajevo
43º52'N 18º25'E
Cidade mais populosa Sarajevo
Língua oficial Bósnio, croata e sérvio
Governo República federal
 - Alto Representante Valentin Inzko1
 - Membros da Presidência Bakir Izetbegović2
Nebojša Radmanović3
Željko Komšić4
 - Presidente do Conselho de Ministros Vjekoslav Bevanda
Independência História 
 - Formada 29 de Agosto de 1189 
 - Reino estabelecido 26 de outubro de 1377 
 - Independência perdida para o Império Otomano 1463 
 - Independência da Iugoslávia 1º de março de 1992 
 - Reconhecida 6 de abril de 1992 
Área  
 - Total 51 197 km² (127.º)
População  
 - Estimativa de 2007 3 935 000 hab. (126.º)
 - Censo 1991 4 377 033 hab. 
 - Densidade 76 hab./km² (116.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2007
 - Total US$ 36 500 milhões (94.º)
 - Per capita US$ 9 168 (77.º)
IDH (2010) 0,710 (68.º) – elevado[1]
Moeda Marco convertível (BAM)
Fuso horário Horário da Europa CentralCET (UTC+1)
 - Verão (DST) CEST (UTC+2)
Org. internacionais Conselho da Europa, CEFTA
Cód. ISO BIH
Cód. Internet .ba
Cód. telef. +387

Mapa da Bósnia e Herzegovina

1Não é membro do governo; o Alto Representante é um supervisor internacional civil do cumprimento do Acordo de Paz de Dayton no país. Tem poder para demitir tanto agentes eleitos como não eleitos e para promulgar legislação.
2Atual líder da presidência; bósnio.
3Atual membro da presidência; sérvio.
4Atual membro da presidência; croata.

Bósnia e Herzegovina (ou de forma abreviada Bósnia[2] [3] ; em servo-croata Bosna i Hercegovina ou Босна и Херцеговина) é uma república federal dos Balcãs, resultante da dissolução da Jugoslávia, limitada a norte e oeste pela Croácia, a leste e a sul pela Sérvia, e a sul pelo Montenegro, dispondo ainda de uma minúscula extensão de litoral, no Mar Adriático. Sua capital é a cidade de Sarajevo. É composta por duas entidades politicamente autónomas, a Federação da Bósnia e Herzegovina (federação croato-bosníaca) e a República Sérvia (também conhecida como República Srpska, que não deve ser confundida com a Sérvia propriamente dita).

História[editar | editar código-fonte]

A famosa Ponte Velha em Mostar.

A partir do século VII, várias partes da região que hoje corresponde à Bósnia e Herzegovina foram tomadas pelos sérvios, croatas, húngaros, venezianos e bizantinos. No século XII, o Reino da Hungria passou a governar o território, delegando o poder a vice-reis distritais de origem bósnia, croata e húngara. Anos depois, a região foi invadida pelo Império Otomano e, depois de várias batalhas, tornou-se uma província turca. Durante os séculos XVI e XVII, a Bósnia foi um ponto estratégico nos conflitos constantes contra os Habsburgos e contra Veneza. Durante este período, a maior parte da população converteu-se ao Islão.

Depois da guerra russo-turca, entre 1877 e 1878, a Bósnia e Herzegovina ficou sob controlo do Império Austro-Húngaro, tendo sido anexada em 1908. A nova Constituição dividiu o eleitorado em ortodoxo, católico e muçulmano, o que contribuiu muito pouco para travar o crescente nacionalismo sérvio. Em 1914, o arquiduque austríaco Francisco Fernando foi assassinado em Sarajevo por um nacionalista sérvio. Esse acontecimento foi a gota de água para o início da Primeira Guerra Mundial. Em 1918, a Bósnia e Herzegovina foi anexada à Sérvia, como parte do Reino dos sérvios, croatas e eslovenos. Em 1946, os dois territórios formaram a República Socialista Federativa da Jugoslávia, de regime comunista, sob o comando de Josip Broz Tito.

Com o colapso do comunismo, em 1989-1990, a Jugoslávia mergulhou numa onda de nacionalismo extremo. Depois de a Croácia abandonar a federação, em 1991, os croatas bósnios e os muçulmanos aprovaram um referendo a favor da criação de uma república multinacional e independente. Mas os sérvios bósnios recusaram separar-se da Jugoslávia, que nessa altura se encontrava sob o domínio da Sérvia. Em 1992, a Bósnia e Herzegovina foi arrastada para uma guerra civil sangrenta e devastadora, em que as populações acabaram por ser saneadas das regiões tomadas por cada nacionalidade. Em 1995 foi assinado o Acordo de Dayton e desde essa altura as forças da Organização das Nações Unidas encontram-se no território para garantir o cumprimento dos acordos de paz.

Geografia[editar | editar código-fonte]

A Bósnia e Herzegovina situa-se nos Balcãs ocidentais e faz fronteira com a Croácia a norte e sudoeste, Sérvia a leste, Montenegro a sudoeste.

Demografia[editar | editar código-fonte]

De acordo com o censo de 1991, a população da Bósnia e Herzegovina é composta por:

  • 44% de bósnios étnicos (então declarados como "muçulmanos"),
  • 31% de sérvios,
  • 17% de croatas,
  • 6% da população a declarar-se "jugoslava", o que inclui os filhos de casamentos mistos e os patriotas jugoslavos.

Existe uma forte correlação entre a identidade étnica e a religião: 88% dos Croatas são católicos romanos, 90% dos Bósnios seguem o Islão e 99% dos Sérvios são cristãos ortodoxos.

De acordo com os dados de 2000 do CIA World Factbook, a Bósnia é, etnicamente, composta por 48% bósnias, 37,1% sérvia, 14,3% croata e 0,6% outra.[4]

As cidades principais são a capital, Sarajevo, Banja Luka no noroeste, Tuzla no nordeste e Mostar, a capital da Herzegovina.

Ver também: Lista de cidades na Bósnia e Herzegovina

Religião[editar | editar código-fonte]

A vila de Međugorje, no Sul da Bósnia e Herzegovina, é atualmente a localidade que mais tem atraído as atenções do Mundo devido a aparições marianas.

Em termos religiosos, a distribuição estatística das crenças dos habitantes da região da antiga Jugoslávia é a seguinte: 88% dos Croatas são católicos romanos, 90% dos Bósnios seguem o Islão e 99% dos Sérvios são cristãos ortodoxos.

Na região Sul da Bósnia e Herzegovina, numa pequena vila chamada Međugorje, alegadamente estão a ocorrer as mais recentes aparições da Santíssima Virgem Maria, o que tem atraído a atenção de milhares de pessoas em todo o Mundo. A Igreja Católica encontra-se ainda a analisar os fenómenos, tentando apurar a sua veracidade, mas o número de peregrinos que acorrem ao local das aparições nos últimos anos tem vindo a aumentar exponencialmente.

Cidades mais populosas[editar | editar código-fonte]

Política[editar | editar código-fonte]

Prédio do Governo da Bósnia e Herzegovina, em Saraievo.

República presidencialista tripartida, com um representante bósnio-muçulmano (bosníaco), um croata e um sérvio.

O cargo de presidente da Bósnia e Herzegovina é exercido em rotatividade pelos três membros da presidência da Bósnia e Herzegovina (um bósnio, um sérvio e um croata), cada um ocupando o cargo durante 8 meses ao longo do seu mandato de quatro anos na presidência. Os três membros da presidência são eleitos diretamente pelo povo (votos da Federação para o bosníaco e o croata, e da República Srpska para o sérvio). O presidente do Conselho de Ministros é nomeado pela presidência e aprovado pela Câmara dos Representantes. Depois, é dele a responsabilidade de nomear os ministros do governo.

A Assembleia Parlamentar é o corpo legislativo da Bósnia e Herzegovina. Consiste de duas Câmaras: a Câmara dos Representantes e a Câmara dos Povos. A Câmara dos Povos inclui 15 delegados, dois terços dos quais provenientes da Federação (5 croatas e 5 bosníacos) e um terço da República Srpska (5 sérvios). a Câmara dos Representantes é composta por 42 membros, dois terços eleitos pela Federação e um terço eleito pela República Srpska.

O Tribunal Constitucional da Bósnia e Herzegovina é o supremo e final árbitro nas matérias legais. É composto por nove membros: quatro são seleccionados pela Câmara dos Representantes da Federação, dois pela Assembleia da República Srpska, e três pelo Presidente do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem após consultas com a Presidência.

Organização político-administrativa[editar | editar código-fonte]

A Bósnia e Herzegovina é uma federação composta de duas entidades politicamente autónomas: a Federação da Bósnia e Herzegovina e a República Sérvia.

Economia[editar | editar código-fonte]

A par da Macedónia, a Bósnia e Herzegovina era a mais pobre das repúblicas da antiga Jugoslávia. A agricultura esteve sempre principalmente em mãos privadas, mas as quintas costumam ser pequenas e ineficientes e os bens alimentares são habitualmente uma das importações da república. A economia planificada deixou alguns legados na economia. Segundo as teorias económicas em voga, a indústria tem um grande excesso de pessoal. Sob a liderança de Josip Broz Tito, a indústria militar foi colocada na república, e a Bósnia albergava uma grande porção das indústrias de defesa da Jugoslávia.

Três anos de guerras interétnicas destruíram a economia e as infraestruturas da Bósnia, causando um aumento exponencial do desemprego e uma queda na produção de 80%, já para não falar da morte de entre 60 e 200 mil pessoas e do deslocamento forçado de metade da população. Com uma paz instável no país, a produção recuperou entre 1996 e 1998 em grandes percentagens anuais, mas o crescimento abrandou apreciavelmente em 1999 e o PIB permanece bem abaixo dos níveis de 1990.

Valor total de investimento estrangeiro direto (1999-2008):[5]

De 1994 a 2008, €5.3 mil milhões foram investidos no país.[6]

Investimentos estrangeiros por sector (1994-2007):[5]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ranking do IDH 2010. PNUD. Página visitada em 4 de novembro de 2010.
  2. 15102 Peixoto da Fonseca, F.V.; Ciberdúvidas da Língua Portuguesa – Países e línguas várias
  3. 27380 Marinheiro, Carlos; Ciberdúvidas da Língua Portuguesa – Os naturais da Bósnia
  4. CIA - The World Factbook (em inglês). CIA. Página visitada em 21 de janeiro de 2012.
  5. a b Najveći investitor Srbija sa 707 miliona evra. Página visitada em 21 de janeiro de 2012.
  6. Šajinović, Dejan. Uloženo 5,3 milijarde evra u BiH – Događaji. Nezavisne. Página visitada em 21 de janeiro de 2012.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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