Baía do Guajará

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Baía do Guajará, vista próxima à Foz do Rio Guamá

A baía do Guajará é uma baía que banha diversas cidades do estado brasileiro do Pará, inclusive sua capital, Belém. Foi formada pelo encontro da foz do rio Guamá com a foz do rio Acará.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Antes denominada Paraná-Guaçu, pelos índios tupinambás que habitavam a região, a baía do Guajará, foi a porta de entrada para os portugueses que desejavam ocupar o Grão-Pará. De acordo com o Tratado de Tordesilhas as terras pertenciam à Espanha, mas naquele momento os territórios estavam unificados pela União Ibérica.

A 12 de janeiro de 1616, três embarcações, o patacho Santa Maria da Candelária, o caravelão Santa Maria das Graças, e a lancha grande Assunção, aportaram onde hoje é a cidade de Belém (Mairi, para os indígenas) com 150 homens, a qual Francisco Caldeira de Castelo Branco, Descobridor e Primeiro Conquistador do Amazonas, seu título na época, denominou Feliz Lusitânia. No local, o engenheiro-mor Francisco Frias Mesquita iniciou a construção, à margem leste da baía, do Forte do Presépio (hoje, Forte do Castelo), marco inicial da fundação da cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará.

Nos anos seguintes a baía foi palco de diversas batalhas. Uma grande disputa pelo Grão-Pará acontecia ali entre os portugueses, ingleses, holandeses e franceses. Nenhum desses povos conseguiu estabelecer-se nessa região, sendo obrigados a buscar terras mais ao norte, nas Guianas.

A pesca[editar | editar código-fonte]

Os barcos pesqueiros atracados na Cidade Velha, bairro no centro de Belém

Considerada a atividade mais importante para os Tupinambás, a pesca na Baía do Guajará era o significado da sobrevivência daquela população indígena.

Após a chegada dos portugueses a atividade se intensificou, e até o início do Ciclo da borracha em 1879 e compunha a base da economia local.

Ainda hoje os peixes da Baía do Guajará estão muito presentes à mesa dos paraenses e permeia toda a culinária tradicional do Pará com os mais diversos pratos, dentre eles o Pirarucu, considerado por muitos o bacalhau da Amazônia.

O Círio fluvial[editar | editar código-fonte]

Como parte das comemorações do Círio de Nazaré, um procissão fluvial ocorre sobre as águas da Baía do Guajará todos anos. Criada em 1985, a romaria proporciona aos ribeirinhos, pescadores e navegantes da baía, uma oportunidade de homenagear a padroeira dos paraenses, Nossa Senhora de Nazaré.

Saindo do porto de Icoaraci, centenas de embarcações acompanham o barco que leva a imagem da santa até o porto de Belém, em um percurso que dura aproximadamente 5 horas. Durante todo o trajeto a santa recebe homenagens dos fiéis e diversas salvas de fogos.

Pontos turísticos[editar | editar código-fonte]

O turismo é, atualmente, a atividade econômica mais importante da região. As margens da Baía do Guajará oferecem diversas opções, de passeios históricos a recantos de beleza natural.

Ver-o-Peso[editar | editar código-fonte]

Mercado do Ver-o-Peso, às margens da Baía do Guajará

As chamadas Casas do Ver-o-Peso foram criadas no Brasil em 1614, no Rio de Janeiro para aferir exatamente o peso de qualquer mercadoria e cobrar sobre ele o imposto devido. A casa do Ver-o-Peso de Belém foi erguida em 1625 para o mesmo propósito e foi extinta em 1839. Anos depois, após diversas transformações no local, foi criado o Mercado de Ferro e em volta dele se desenvolveu a maior feira livre da cidade.

O prédio foi construído pela empresa La Rocque Pinto & Cia., vencedora de uma concorrência pública em 1897, possui uma área de 1.197 m² na forma de um dodecágono. O peso estimado da estrutura é de 1.133.389[2] toneladas e a estrutura metálica é de zinco veille-montaine.

Mosqueiro[editar | editar código-fonte]

A ilha do Mosqueiro, onde se encontra a Vila do Mosqueiro, é uma porção de terra com cerca de 11.000 hectares ao norte da cidade de Belém e um dos maiores atrativos turísticos da região com cerca de 17 km[3] de praias.

O nome Mosqueiro surgiu do processo de conservação dos peixes, criado pelos índios Tupinambás que habitavam a região, chamado moqueio.

Mangal das Garças[editar | editar código-fonte]

Parque do Mangal das Garças, ao fundo o mirante

Construído às margens da foz do Rio Guamá, o Mangal das Garças possui uma área de 64.300 m² a 3 km[4] do centro de Belém que foi totalmente revitalizada no bairro da Cidade Velha, a exemplo do que aconteceu com o Parque das Nações em Lisboa. O parque foi projetado e erguido em harmonia com a natureza e a biodiversidade local. Ali pode-se encontrar aves pernaltas, marrecos e quelônios nativos, além de uma enorme variedade de espécies de plantas amazônicas. O mirante (foto) fornece uma vista panorâmica da Baía do Guajará e do centro histórico de Belém.

Imagens da Baía do Guajará[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Site sobre o projeto da hidrovia do rio Capim
  2. ROCQUE, Carlos - História Geral de Belém e do Grão-Pará Distribel, 2001 - ISBN 8533804385 - Pág. 45
  3. Artigo Mosqueiro
  4. Site sobre o Mangal das Garças

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ROCQUE, Carlos. História Geral de Belém e do Grão-Pará. Distribel, 2001. ISBN 8533804385
  • TOCANTINS, Leandro. Santa Maria de Belém do Grão-Pará. Itatiaia, 1987.