Babilônia
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BabilôniaPB ou Babilónia PE foi a capital da antiga Suméria e Acádia, no sul da Mesopotâmia (hoje no moderno Iraque, localiza-se a aproximadamente 80 km ao sul de Bagdá). O nome (Babil ou Babilu em babilônico) significa "Porta de Deus", mas os judeus afirmam que vem do Hebraico Antigo Babel ( בבל ), que significa "confusão". Essa palavra semítica é uma tradução do sumério Kadmirra.
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[editar] História
A cidade de Babilónia, que teve um papel significativo na história da Mesopotâmia, foi provavelmente fundada por volta de 3800 a.C.. O povo babilônico era muito avançado para a sua época, demonstrando grandes conhecimentos em arquitetura, agricultura, astronomia e direito. Iniciou sua era de império sob o amorita Hamurabi, por volta de 1730 a.C., e manteve-se assim por pouco mais de mil anos. Hamurabi foi o primeiro rei conhecido a codificar leis, utilizando no caso, a escrita cuneiforme, escrevendo suas leis em tábuas de barro cozido, o que preservou muitos destes textos até ao presente. Daí, descobriu-se que a cultura babilônica influenciou em muitos aspectos a cultura moderna, como a divisão do dia em 24 horas, da hora em 60 minutos e daí por diante.
Os arameus, assírios e os caldeus lutaram durante séculos pelo controle da Babilônia. O rei assírio Assurbanípal venceu a luta em 648 a.C., e foi sucedido por Nabucodonosor II.
A Babilônia teve início com o declínio do império de Sargão I. Era a capital dos amoritas (semitas, vindos do deserto da Arábia), que até então, era uma pequena cidade do Eufrates. Graças ao enfraquecimento dos Acadianos e posteriormente dos Sumérios, a Babilônia cresceu e evoluiu, tornando-se então, um império e um cobiçado centro comercial.
De entre os seus soberanos, o mais famoso foi Hamurabi (1792 a 1750 a.C.). O mais antigo e completo código de leis que a história registra foi de realização sua. Hamurabi também nomeou governadores, unificou a língua, a religião e fundiu todos os mitos populares em um único livro: a Epopéia de Marduk - que era lido em todas as festas de seu reino. Também cercou sua capital, fortificando-a.
A expansão dessa cidade se iniciou por volta de 1800 a.C., logo, o rei Hamurabi unificou toda a região que ia da Assíria (no norte), à Caldéia (no sul). A partir dessa unificação, surgiu o Primeiro Império Babilônico.
A Babilônia entrou em declínio após a morte de Hamurabi; o poderio da cidade foi balançado por invasões de povos indo-europeus, vindos da Ásia Central. Destacavam-se os cassitas, hititas e mitanos. Os cassitas estabeleceram-se nas margens do rio Tigre.
O poder cai nas mãos dos cruéis assírios, que formavam um poderoso império que se iniciou em 1200 a.C., até 612 a.C. quando Nabopolasar (da Babilônia), aliado aos Medos (povo que vivia no planalto iraniano), atacou Nínive, capital do Império Assírio, retomando o poder para a Babilônia, e se iniciando assim o Segundo Império Babilônico (ou Caldeu), que se tornou a mais notável cidade do Oriente.
Teve um extraordinário progresso econômico, o que permitiu por exemplo a construção de zigurates, as torres dos templos onde os sacerdotes observavam os astros.
[editar] Assurbanípal
Assurbanípal (reinou de c. 668 a 627 a.C.) foi o rei que mandou criar a biblioteca de tábuas de barro, escritas em linguagem cuneiforme, que, tendo muitas delas sido preservadas até aos dias de hoje, permitiu aos arqueólogos descobrirem muitos aspectos da vida política, militar e intelectual dessa grande civilização. Com essa descoberta, os textos bíblicos puderam ser separados entre o que era fato real e o que era mitológico ou simplesmente propaganda ideológica falsa.
Essa descoberta deve-se ao arqueólogo Austen Henry Layard. A "Biblioteca Real" de Assurbanípal consiste de milhares de tabuinhas de barro e fragmentos contendo textos de vários tipos (inscrições reais, crônicas, mitologia, religião, contratos, cartas reais, decretos, documentos administrativos, entre outros) datando do sétimo século a.C. Este tesouro arqueológico foi encontrado em Kuyunjik (onde ficava Nínive, capital da Assíria).
Esses textos agora encontram-se, em grande parte, no Museu Britânico, em Londres.
[editar] Nabucodonosor II
Liderados por Nabucodonosor II (reinado de 604 a.C. a 562 a.C) (que também construiu os Jardins Suspensos da Babilônia, uma das sete maravilhas do mundo antigo), os babilônios destruíram Jerusalém em 607 a.C., levando os judeus ao exílio babilônico. O rei persa Ciro, o Grande, derrotou os babilônicos em 539 a.C., anexando a cidade e libertando os judeus de seu exílio.
[editar] Alexandre Magno
Após a conquista da Pérsia por Alexandre Magno, este imperador fez da cidade de Babilônia sua capital, sendo depois capital dos Selêucidas, mas a cidade foi completamente destruída pelos partos anos mais tarde. Sobre suas ruínas foi construída a cidade de Ctensifon, capital da Pérsia Sassânida.
[editar] A Babilónia e os judeus
Na cultura hebraica e no cristianismo, a Babilônia se tornou um inimigo arquetípico do "povo de Deus". Várias referências à Babilônia ocorrem na Bíblia. A cidade de Babilônia é tida, biblicamente, como símbolo de soberba e idolatria, conforme relatado pelo apóstolo João no livro do Apocalipse do Novo Testamento.
Temos, hoje em muitos países, costumes e práticas que nasceram em Babilônia. Muitos costumes nativos dessa cidade inclusive influenciam várias religiões espalhadas pelo mundo como, por exemplo, a imortalidade da alma humana, o espiritismo (falar com os mortos), o uso de imagens na adoração, o uso de encantamentos mágicos para dominar ou expulsar demônios, um grande poder da classe sacerdotal e também a trindade ou utilização de deuses tríades.
O cardeal católico romano John Henry Newman, do século XIX, indicando origens não-cristãs de muitas das doutrinas, cerimônias e práticas, disse, no seu Essay on the Development of Christian Doctrine (Ensaio sobre o Desenvolvimento da Doutrina Cristã): "O emprego de templos, e estes dedicados a certos santos, e enfeitados em ocasiões com ramos de árvores; incenso, lâmpadas e velas; ofertas votivas ao restabelecer-se de doenças; água benta; asilos; dias santos e estações, uso de calendários, bênção de campos, vestimentas sacerdotais, a tonsura, a aliança nos casamentos, o virar-se para o Oriente...".
[editar] Religião
Durante o seu segundo império, Marduk foi considerado o maior deus nacional. Porém em todos os períodos sempre se acreditou em milhares de demônios invisíveis que espalhavam o mal e cegavam os homens. Suas características gerais eram:
- Politeísmo;
- Desprezo pela vida além-túmulo;
- Crença em gênios, demônios, heróis, adivinhações e magia.
Para eles, os gênios bons, ajudavam os deuses contra os malignos demônios, contra as enfermidades e a morte. Os seres mortais viviam a procura de saber a vontade dos deuses, manifestada em sonhos, eclipses e o movimento dos astros. E deram origem a astrologia.
[editar] Economia
A base da economia era a agricultura. A construção de canais era controlada pelo Estado. Utilizavam arado semeador, a carroça de rodas e a grade. Sua situação geográfica não lhes era propícia, pois eram escassas as suas matérias-primas, o que favoreceu os empreendimentos mercantis. As caravanas de mercadores saíam para vender suas mercadorias e iam em busca de marfim (da Índia), cobre (do Chipre) e estanho (do Cáucaso).
As transições comerciais eram feitas à base de troca, e, em alguns casos, usavam-se barras de ouro e prata.
[editar] Política
Tanto o regime dos assírios quanto a dos caldeus era a monarquia absoluta. O poder estava centralizado nas mãos do rei, que também era o chefe militar, administrador, legislador supremo, sacerdote máximo e supervisor do comércio. A sociedade era hierárquica na seguinte sequência: o rei, nobres, sacerdotes estudados em ciências, comerciantes, pequenos proprietários e escravos.
A Babilônia tornou-se a maior cidade caldaica (o termo vem de "Caldéia" - a parte sul e mais fértil da Mesopotâmia, onde se localizava o Império. -) de toda a Ásia, graças ao seu extraordinário desenvolvimento no comércio. Após a sua morte, o Império Caldeu declinou, suas causas, foram a corrupção. O Império tendo se tornado sede de grandes riquezas e refinamentos, tornou seus governantes, sedentos de ainda mais luxo, fazendo-os se esquecerem de sua cidade, o que fez relaxarem suas defesas. Em 539 a.C. Ciro II da Pérsia aproveitou-se da situação da cidade e atacou-a, conquistando-a.
[editar] Períodos
O Império da Babilónia pode dividir-se em dois períodos distintos: o primeiro iniciou-se no ano 1.728 a.C. e finalizou em 1.513 a.C.,; o segundo foi de 614 a.C. a 539 a.C.
No intervalo desse períodos, o império foi destruído e arrasado por várias invasões e domínios de estrangeiros.
[editar] Soberanos clássicos
Esta é uma lista de reis e soberanos da Babilônia na Antigüidade, incluindo babilônios e estrangeiros que se revezaram no poder sobre a cidade:
- Domínio Assírio
- Ukin-zer (732-729 a.C.)
- Nadinu (734-732 a.C.)
- Nabonassar (747-734 a.C.)
- Eriba-Marduk (802-763 a.C.)
- Moyses-Thadeus (811-802 a.C.)
- Bau-ahe-iddin (814-811 a.C.)
- Marduk-balatsuiqbi (827- ? a.C.)
- Marduk-zakir-shum (851-827 a.C.)
- Nabo-apal-iddin (885-851 a.C.)
- Nabo-shum-ukin (900-885 a.C.)
- Samas-mudaminiq (941-900 a.C.)
- Marbiti-ahe-iddin (953-941 a.C.)
- Ninurta-kudur-usur (954-953 a.C.)
- Nabo-mukin-apli (990-954 a.C.)
- ? (1062-990 a.C.)
- Adad-apal-iddin (1083-1062 a.C.)
- Marduk-shapik-zer-mati (1091-1083a.C.)
- Itti-Marduk-balatu (1100-1091 a.C.)
- Marduk-nadin-ahe (1116-1100 a.C.)
- Enlil-nadin-apli (1123-1116 a.C.)
- Nabucodonosor I (1146-1123 a.C.)
- Ninurta-nadin-shumi (1152-1146 a.C.)
- Marduk-shapik-zer (1170-1170 a.C.)
- Enlil-nadin-ahe (1173-1170 a.C.)
- Zabada-sum-Iddin (1174-1173 a.C.)
- Marduk-Baladan I (1187-1174 a.C.)
- Melishipah II (1202-1187 a.C.)
- Adad-shum-nasir (1232-1202 a.C.)
- ? (1242-1232 a.C.)
- Kastiash III (1249-1242 a.C.)
- ? (1262-1249 a.C.)
- Sagarakti-Suriash (1270-1262 a.C.)
- Kudur-Enlil (1270 a.C.)
- Kadashman-Enlil II (1276-1270 a.C.)
- Kadashman-Turgu (1293-1276 a.C.)
- Nazimaruttash II (1319-1293 a.C.)
- Kurigalza III (1344-1319 a.C.)
- Burnaburiash II (1376-1356 a.C.)
- ? (1390-1376 a.C.)
- Kadashman-Kharbé (1415-1390 a.C.)
- ? (1427-1415 a.C.)
- Karaindash (1445-1427 a.C.)
- ? (1465-1445 a.C.)
- Agum III (1483-1465 a.C.)
- Kashtiliash II (1502-1483 a.C.)
- Burnaburiash I (1521-1502 a.C.)
- (11 reis entre 1750-1521 a.C.)
- Adad-sum-Usur (?), cassita
- Carigalzu (?), cassita
- Samsuditana (1801-1780 a.C.)
- Ammi-zaduga (1838-1801 a.C.)
- Ammi-ditana (1866-1838 a.C.)
- Abeshuh (1904-1866 a.C.)
- Samsu-iluna (1947-1904 a.C.)
- Hamurabi (?) (1967-1947 a.C.)
- Sin-muballit (2000-1967 a.C.)
- Sumu-la-ilu (2035-2000 a.C.)
- Sumuabi (2049-2035 a.C.)

