Baby Face

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Baby Face
A Mulher Que Nos Perde (PT)
Serpente de Luxo (BR)
 Estados Unidos
1933 • P&B • 80 min 
Direção Alfred E. Green
Roteiro Darryl F. Zanuck
Gene Markey
Elenco Barbara Stanwyck
George Brent
Donald Cook
Género Drama
Idioma inglês
Página no IMDb (em inglês)

Baby Face (Serpente de Luxo (título no Brasil) ou A Mulher Que Nos Perde (título em Portugal)[1] ) é um filme estadunidense de 1933, do gênero drama, dirigido por Alfred E. Green.

Barbara Stanwyck interpreta uma amoral alpinista social que utiliza o sexo como arma, em uma obra carregada de sexualidade que não se viu por décadas em Hollywood.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Lily Powers é explorada pelo pai negociante de bebidas ilegais em Erie (Pensilvânia), que a faz se prostituir desde os quatorze anos de idade. O único homem que Lily respeita é um velho professor de filosofia, que lhe dá livros de Nietzsche para ler. Quando o pai morre num acidente na destilaria, Lily resolve ir até Nova Iorque acompanhada apenas de sua fiel criada negra. Ao avistar um imenso prédio de um banco, ela o escolhe para começar ali a sua ascensão social, aplicando a sua maneira o que aprendera nos livros. Dormindo com todos os homens que considera importantes para alcançar seus objetivos, Lily acaba provocando um escândalo que abala o alto escalão da empresa. Para preservar a imagem da instituição, o presidente playboy do banco Courtland Trenholm a manda para a filial em Paris, achando que ela logo deixará o emprego. Mas Lily continua no cargo e se reencontra com Courtland, quando percebe a chance de seduzi-lo também.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

A versão original do filme foi rejeitada pelo Gabinete de Censura do Estado de Nova Iorque em abril de 1933. Uma nova versão foi feita a partir não somente de cortes em cenas que traziam sugestão sexual, mas também com a inserção pelo produtor de novas filmagens e outra edição.[2] Em junho de 1933 os censores aprovaram a versão refeita.[3]

A versão original permaneceu perdida até 2004, quando foi descoberta (George Willeman recebeu o crédito por isso).[4] A versão apareceu no Festival de Cinema de Londres em novembro de 2004. Em 2005 foi selecionado para preservação pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos[5] e foi nomeado pela Time.com como um dos 100 melhores filmes dos últimos 80 anos.[6]

Diálogo alterado[editar | editar código-fonte]

Em uma cena do filme, o intérprete do professor de filosofia, Alphonse Ethier, lê um trecho do livro de Nietzsche. Na versão original do filme, que foi censurada, a fala era a seguinte :[7]

A woman, young, beautiful like you, can get anything she wants in the world. Because you have power over men. But you must use men, not let them use you. You must be a master, not a slave. Look here — Nietzsche says, "All life, no matter how we idealize it, is nothing more nor less than exploitation." That's what I'm telling you. Exploit yourself. Go to some big city where you will find opportunities! Use men! Be strong! Defiant! Use men to get the things you want![7]

Em tradução aproximada:

"Uma mulher, jovem e bonita como você, pode conseguir qualquer coisa que desejar no mundo. Isso porque tem poder sobre os homens. Mas deve usar os homens, não ser usada por eles. Você deve ser o mestre, não o escravo. Veja aqui — Nietzsche escreveu, "Toda vida, não a matéria como nós a idealizamos, não é nada mais nem menos do que exploração." E é o que eu digo a você. Explore a si mesma. Vá para a cidade grande onde você encontrará oportunidades! Use os homens! Seja forte! Desafiadora! Use os homens para conseguir as coisas que você quer!"

Após discutir com o roteirista Darryl F. Zanuck, Joseph Breen do Comitê de Relações Públicas do Estúdio sugeriu que fosse feita a mudança. Breen reescreveu ele mesmo a cena, a seguir (As linhas revisadas na fala estão em itálico):

A woman, young, beautiful like you, can get anything she wants in the world. But there is a right way and a wrong way. Remember, the price of the wrong way is too great. Go to some big city where you will find opportunities! Don't let people mislead you. You must be a master, not a slave. Be clean, be strong, defiant, and you will be a success."[7]

Tradução aproximada:

Uma mulher, jovem e bonita como você, pode conseguir qualquer coisa que desejar no mundo. Mas existe o jeito certo e o jeito errado. Lembre-se, o preço do jeito errado é muito alto. Vá para a cidade grande onde encontrará oportunidades! Não deixe o povo enganá-la. Você deve ser o mestre, não o escravo. Seja limpa, seja forte, desafiadora, e você conseguirá o sucesso."

Produção[editar | editar código-fonte]

Esse filme foi uma resposta da Warner Bros. para a MGM que tinha lançado um filme semelhante, Red-Headed Woman (1932), com Jean Harlow.[7]

O produtor Darryl F. Zanuck escreveu que vendeu o filme para a Warner Bros. por 1 dólar. A Grande Depressão tinha devastado a indústria da época, e muita gente dos estúdios voluntariamente cortou os próprios salários para ajudarem na recuperação. Zanuck não precisava de dinheiro porque tinha um salário semanal de 3 500 dólares.[7] Zanuck mais tarde deixou a Warner Bros. e se tornou o lendário executivo da 20th Century Fox.

Além de ter como protagonista uma mulher do tipo "predadora sexual", o filme também é notável por mostrar uma relação de camaradagem de Lily com sua criada afro-americana, Chico.[8]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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