Bacacheri (Curitiba)

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Bacacheri
Curitiba Neighbourhood Bacacheri.gif
Subprefeitura Boa Vista
Área 6,98 km²
População 23.106 hab.
Densidade 33,10 hab/km²
Bairros Limítrofes Bairro Alto, Boa Vista, Cabral, Hugo Lange, Jardim Social, Santa Cândida e Tingui.
Principais Vias Avenida Prefeito Erasto Gaertner
Avenida Francisco Albizu
Rua Cláudio Chatagnier
Rua Fagundes Varela
Rua Paulo Ildefonso Assumpção
Rua México
Rua Nicarágua
Rua Marcelino Nogueira
Rodovia Régis Bittencourt
Pontos de referência Aeroporto do Bacacheri
Parque General Iberê de Mattos
Cindacta II
Ordem Rosa Cruz

O Bacacheri é um bairro do município brasileiro de Curitiba, capital do Paraná. Localiza-se na subprefeitura do Boa Vista, sendo que está situado na região nordeste do município. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população no ano de 2000 era de 23 106 habitantes, cujo valor representava 1,46% do total do município e estava distribuído em uma área de 6,98 km². É famoso por abrigar o Aeroporto do Bacacheri, que realiza vôos domésticos para outros estados brasileiros.

As origens do bairro confundem-se com a criação, nessa região, da Colônia Argelina de imigrantes, em 1869. O nome da colônia se deve ao fato de a maioria dos seus integrantes ser composta por franceses originários da Argélia, existindo também alemães, suíços, suecos, ingleses e, posteriormente, italianos. O crescimento e desenvolvimento do bairro esteve ligado, nos primeiros tempos, ao tráfego em direção à estrada da Graciosa, que deu origem a numerosos estabelecimentos comerciais e de serviços. O Parque dos Ingleses é ponto importante na história do bairro.

No bairro está a Ordem Rosa Cruz e nele o museu egípcio que possui objetos da cultura egípcia antiga e uma múmia. Muitos habitantes do bairro confundem a Ordem Rosa Cruz com a Maçonaria, motivo pela qual ambas as sociedades secretas têm a mesma filosofia.

Índice

[editar] Etimologia

A primeira referência ao nome do bairro Bacacheri é de um documento de 1778, que diz respeito a uma escritura pública de venda de um pedaço de campo na paragem da Vila Velha, no Atuba. Já em 1820, num relato do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, consta o seguinte: "… e parei num pequeno sítio denominado Bacacheri, nome derivado das palavras guaranis vaca e ciri, "vaca que escorregou".

De acordo com o historiador Ermelino de Leão a palavra é da língua tupi e significa rio pequeno, em referência ao rio Bacacheri que passa pelo bairro. Porém, a história que a maioria das pessoas conhece, refere-se aos imigrantes que vieram para Curitiba na segunda metade do século XIX. Nesta época, vários idiomas eram falados na cidade. Na tentativa de aprender o idioma do novo país, esses imigrantes acabavam produzindo situações engraçadas que passaram a fazer parte do folclore da cidade. Uma delas conta que um dos antigos imigrantes franceses que colonizaram a região tinha uma vaca de estimação chamada Chèrie (querida, em francês), que certo dia desapareceu. O dono saiu procurando seu animal e a todos perguntava se não tinham visto sua "Vaca Chèrie". O sotaque permitiu que vaca fosse entendido como "baca" e o "Chèrie" "cheri", fazendo com que o lugar fosse conhecido como o da "baca cheri", ou seja, Bacacheri.

Outra versão, semelhante à primeira, também envolvendo imigrantes, gira em torno do mesmo animal. Esta versão atribui o nome do bairro Bacacheri ao carinho de um certo produtor rural francês por sua vaquinha. Ao se referir ao animal, o homem diria minha "baca cherri". Num linguajar atrapalhado, "baca" queria dizer "vaca" e "chèrie" é a palavra francesa que significa "querida". A mistura de sons teria produzido o nome Bacacheri.

Estas versões, apesar de mantidas e reproduzidas de geração em geração, são contestadas com base em fatos históricos. Conforme documentação, o nome Bacacheri foi criado praticamente um século antes da vinda desses imigrantes e provavelmente o que pode ter ocorrido é um afrancesamento do termo "vacaciri" para Bacacheri, já que o bairro foi colonizado por imigrantes franceses.

[editar] História

[editar] Fundação de Curitiba (1693)

Em 29 de março de 1693, como mostra a Ata, é fundada oficialmente a Vila de Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais, hoje Curitiba. Nos séculos seguintes, a região dos bairros Bacacheri e Tingüi seria cortada pela Estrada da Graciosa, um dos caminhos que ligavam Curitiba ao litoral. A passagem de viajantes que seguiam do Planalto de Curitiba para Paranaguá, incentivou a criação de estabelecimentos comerciais e de serviços que foram decisivos para o crescimento, o progresso e a vinda de novos moradores para a região.

[editar] Paragem de Vila Velha (1778)

Conforme o documento intitulado Escritura de venda de um pedaço de campo na Paragem de Vila Velha, o nome Bacacheri já era conhecido desde o tempo em que o Brasil era chamado de América Portuguesa. A escritura, datada de 12 de dezembro de 1778, comprova a venda de um terreno, localizado entre o Bacacheri e o Atuba. Mais adiante, em 1858, em uma ata da Câmara Municipal, o nome "Bacachery" aparece novamente. A ata refere-se a uma pedido de uma carta de foro de 50 braças de terreno no rincão denominado "Josefá Quaresma" sobre a estrada que vem do Bacachery para o Cajuru. Ambos os documentos ressaltam a importância estratégica do Bacacheri e do Tingüi. De um lado a região de passagem entre a área central de Curitiba e o litoral, e de outro, sua ligação com outras diversas regiões da cidade.

[editar] Abertura da Estrada da Graciosa (1807)

A antiga trilha da Graciosa entre o litoral e o campos de Curitiba era utilizada pelos índios e pioneiros nos séculos XVI e XVII. Nestes dois séculos o caminho foi fechado e reaberto várias vezes. Somente em 1807, com uma nova abertura, a Estrada da Graciosa vem a ganhar impulso pelo seu desenvolvimento. Em 1820, data da passagem do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire para Curitiba, a Estrada da Graciosa não satisfazia, absolutamente, às necessidades do trânsito e motivava as representações das Câmaras de Curitiba e Paranaguá. De 1854 em diante, sofreu as primeiras modificações técnicas no sentido de ser melhorada e condicionada ao trânsito de veículos. De 1866 até sua conclusão em 1873, foi modificada quase por inteiro, até que, em 1886, a Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá a sucedeu. O Caminho da Graciosa era um dos caminhos que ligava Curitiba a Antonina.

[editar] Colônia Argelina de Imigrantes (1869)

Em 1869, era criada na região a Colônia Argelina de imigrantes. A colônia foi fundada a 5 quilômetros da capital, à margem da Estrada da Graciosa, entre o Alto do Cabral e o Bacacheri. O núcleo argelino começou com 117 colonos que se dedicavam à agricultura, sendo a maioria imigrantes franceses procedentes da Argélia, motivo pelo qual lhe foi dado o nome. Além de franceses, existiam alemães, suíços, ingleses, e posteriormente italianos. Pouco a pouco os colonos foram mudando para outros locais, permanecendo apenas algumas famílias. Conforme o relatório apresentado pelo Presidente da Província do Paraná, Frederico José Cardoso de Araújo Abranches, em 15 de fevereiro de 1875, este núcleo não prosperou devido à esterilidade da terra.

[editar] Casa Tod (1890)

Em 1865, na Escócia, cinco jovens amigos decidiram sair pelo mundo e conhecer o que existia do outro lado do Atlântico. Eram eles: Phelipe Tod, Frederico Fowler, James Good, R. Balster e George Joslin. O grupo se estabeleceu em 1866, nos arrabaldes do Bacacheri, com residência e um armazém. Phelipe Tod e Frederico Fowler continuaram o empreendimento comercial conhecido como "Casa Tod". Parada quase obrigatória das pessoas que desciam ao litoral, o estabelecimento sofreu uma queda nos negócios quando os viajantes passaram a utilizar a Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, diminuindo o movimento da casa comercial. Conseqüentemente, o sócio Frederico Fowler se afastou do negócio, tornando-se Phelipe Tod o único proprietário. Mais tarde, a propriedade de Phelipe Tod viria a ser conhecida como "Parque Inglês". Outros dois marcos do Bacacheri, nesta mesma época, a "Cerâmica Colle" e a "Casa do Burro Bravo", um marco histórico do bairro, que já abrigou desde um bordel até um local para produção de hortaliças.

[editar] Em busca da "Vaca Chérie" (1907)

O século XX chegava e a região era muito conhecida em toda a cidade. Nos ainda vastos e extensos campos que dominavam o local, colonos trabalhavam a terra. Na região noroeste do bairro Bacacheri, o belo tanque do Bacacheri era, já há um bom tempo, ponto de encontro e lazer para moradores de toda a Curitiba. Nas chácaras e fazendas, a considerável quantidade de gado criado no Bacacheri tornara-se tema para brincadeiras que reforçavam a explicação de que o nome do bairro teria vindo de um francês que procurava desesperado por sua "vaca querida".

[editar] Mapa histórico de Curitiba (1915)

Em 1915, como mostra o mapa da época, grande parte de Curitiba era conhecida e dividida por colônias. Na área em destaque do mapa, a região mais ao norte era denominada Bacachery, sendo cortada pela Estrada da Graciosa, atual avenida Prefeito Municipal Erasto Gaertner. Ao sul, estava a Colônia Argelina. Ambas as áreas eram cortadas pelo rio Bacacheri. Os pontos que aparecem ao longo do rio, mais ao sul, representam a existência de vegetação neste trecho. Neste período as áreas de chácaras ainda eram maioria na região.

[editar] Chegada da neve (1928)

Em 1928, Curitiba recebeu uma visita estranha e desconhecida: a neve. O fenômeno foi percebido às 19h30min, horário em que muitas famílias estavam reunidas para jantar. Os pratos foram deixados de lado e muitas pessoas saíram de suas casas, enfrentando o frio, para presenciar mais de perto o acontecimento. No dia seguinte, a cidade amanheceu como se fosse uma noiva, toda vestida de branco. Os jardins e os campos pareciam tapetes de algodão e o episódio ficou gravado na memória daqueles que tiveram oportunidade de assistí-lo. Com a neve, foram feitos bonecos e tanto as crianças como os adultos organizaram batalhas para se divertir.

[editar] Fundação do Aeroclube do Paraná (1932)

Passados quase 26 anos do vôo do 14-Bis, vinte simpatizantes do aerodesportismo, reunidos na "Casa do Mate" (no Palácio Avenida), fundaram em 9 de janeiro de 1932, o Aeroclube do Paraná. Já de início, a diretoria concentrou esforços na construção de um campo de aviação e na aquisição de aviões para treinamento, visto que, na época, os aviões aterrissavam em campos naturais do Boqueirão, Guabirotuba, Bacacheri e Portão. Após examinar vários locais da cidade, foi escolhida uma área situada nos fundos da Escola de Agronomia do Paraná. Consta que, consultados os dirigentes da Escola, estes demonstraram contrários à utilização da área para fins estranhos à suas atividades. Em 4 de abril de 1932, era assinado um Decreto Estadual doando ao Aeroclube do Paraná um imóvel, com 250 mil metros quadrados, nos fundos da escola agronômica, e mais uma faixa de seis metros para o acesso pela Estrada da Graciosa.

Imediatamente iniciaram-se os serviços de terraplenagem e construção de um hangar provisório. Duas pistas foram preparadas, bem como a rua de acesso, dois pontilhões e um portão na entrada da Estrada da Graciosa. Cinco anos depois, em 1937, era construído um complexo militar, também no Bacacheri, para abrigar o 5° Regimento de Aviação, que pertencia nesta época ao Ministério do Exército, hoje Ministério da Defesa.

[editar] Segunda Guerra Mundial (1940)

Era o ano de 1941, quando o Bacacheri entrou para Segunda Guerra Mundial. Na época foi criado o Ministério da Aeronáutica, e o 5º Regimento de Aviação passou a ser o destacamento da Base Aérea de Curitiba, localizada no Bacacheri. Ali, eram treinados soldados e enfermeiras da Força Expedicionária Brasileira. Os reflexos da guerra e o racionamento de alimentos, como farinha e açúcar, atingiam a população curitibana. Muitos moradores do Bacacheri e do Tingüi, como de outras regiões, traziam do centro da cidade mantimentos e outros produtos que a horta de suas casas não fornecia, utilizando o bonde como principal meio de transporte. Em 1941, também era fundado no Bacacheri uma escola que mais tarde, no ano de 1955, viria a ser chamada de Grupo Escolar Leôncio Correia.

[editar] Segunda metade do século XX (1953)

A segunda metade do século XX estava iniciando. A principal rua do Bacacheri, conhecida primeiramente como Estrada da Graciosa, depois Avenida Nossa Senhora da Luz - quando do prolongamento e ligação com a BR-116 - recebia finalmente seu nome atual: Avenida Prefeito Erasto Gaertner. Além da mudança dos nomes, o antigo caminho de terra deixava de existir, dando lugar ao asfalto que apagava assim as pegadas dos pioneiros, mas trazia melhores condições de deslocamento por um dos caminhos históricos de Curitiba. Em 19 de maio de 1958, no bairro Vila Tingüi, era inaugurado o Centro Experimental de Estudos Espíritas Afonso Pena, que posteriormente seria denominado de Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas, também conhecido como Centro Espírita Doutor Leocádio.

[editar] Fundação do Colégio Nossa Senhora do Rosário (1957)

Em outubro de 1955, a Madre Inês de Jesus e a Madre Maria do Divino Coração chegavam a Curitiba para visitar os campos alagadiços da região noroeste de um bairro chamado Bacacheri. A visita era uma solicitação de frei Guido Casali que desejava a construção de um colégio em Curitiba. Em 22 de fevereiro de 1958 as Irmãs estavam novamente no bairro Bacacheri, desta vez para a cerimônia de benção e lançamento da pedra fundamental da construção do Instituto Nossa Senhora do Rosário. No dia 1º de agosto, as Irmãs começaram as aulas para 15 alunos do 1º ano primário e 4 do 2º ano. Em 1962, era implantado o curso ginasial, em 1967 o ensino pré-escolar e, em 1974, com a reforma do ensino, foi instalado o 2º grau e o antigo primário e ginásio passaram a ser de 1º grau.

[editar] Mudança da Ordem Rosacruz ao Paraná (1960)

Detalhe do templo Rosacruz, situado no Bairro Bacacheri, em Curitiba.

Em 1960, o Bacacheri recebia um dos mais imponentes e importantes monumentos. Após ter sido fundada em 1956, no Rio de Janeiro, a Ordem Rosacruz - uma organização mística de ordem internacional, educacional, cultural e fraternal - se transferia para o Bacacheri, em 1960. Na rua Nicarágua, iniciava-se a construção da Grande Loja da Jurisdição dos Países de Língua Portuguesa, espaço reservado para a comunicação de todos os membros da AMORC que utilizam a língua portuguesa. Em 1964, por ocasião da Primeira Convenção Nacional Rosacruz, foram inaugurados os dois primeiros prédios da Ordem, separados pelo portal de Akhenaton, sendo o da esquerda o Grande Templo e o da direita destinado à administração.

[editar] Desenvolvimento urbano (1970)

Na década de 1970, o comércio do Tingüi e a zona residencial do Bacacheri ganhariam locais, que, anos mais tarde, se tornariam referência na região. Na Vila Tingüi, no dia 23 de março de 1973, era inaugurada a Escola Municipal Eny Caldeira e, em 20 de maio de 1974, começava a funcionar o Supermercado Fantinato, empreendimento do Sr. Lydio Octávio Fantinato. Quase quatro anos depois, em 15 de maio de 1978, entrava em funcionamento o Comércio de Frutas e Verduras Tingüi, mais conhecido por "Banca do Zico". No Bacacheri, três grandes conjuntos residenciais, um de casas e dois de apartamentos, eram construídos. O primeiro, o Conjunto Residencial Solar, teve sua construção iniciada em 1977, comportando aproximadamente 900 famílias. Ao lado da Avenida Prefeito Erasto Gaertner, nas proximidades da base aérea, foi construído o Conjunto Residencial Leônis, composto por 456 apartamentos, distribuídos em 38 blocos de três pavimentos. Com estilo arquitetônico semelhante ao Leônis, era inaugurado em 22 de setembro de 1979, ao lado da Avenida Canadá, o Conjunto Residencial Vênus, com 360 apartamentos.

[editar] Inauguração do Parque do Bacacheri (1988)

No dia 26 de outubro de 1974, com o objetivo de reunir aviões antigos, era organizada no Aeroporto de Bacacheri, a 1ª Revoada Nacional de Velhas Águias. Foram três dias de shows aéreos e exposição de aviões antigos, demonstrações de paraquedismo e presença da Força Aérea Brasileira com a famosa Esquadrilha da Fumaça. Mas as novidades não ficaram somente no ar. Em 5 de novembro de 1988, após 90 dias de construção, era inaugurado o Parque General Iberê de Mattos — mais conhecido como Parque Bacacheri por seus visitantes — que tinha como uma de suas principais atrações o "Tanque do Bacacheri", que havia sido recuperado nos moldes do antigo lago.

[editar] Casa do Burro Brabo (1998)

Na década de 1990, a região do Bacacheri e Tingüi, recebia mais alterações e inovações em sua infraestrutura. Uma das principais mudanças ocorreu, em 20 de março de 1997, na principal via de acesso ao bairro Bacacheri, a Avenida Prefeito Erasto Gaertner, com a mudança de mão em parte de seu traçado. Unidades de saúde 24 horas, hipermercados e novas lojas pipocavam em uma e outra rua. Na divisa entre Bacacheri, Tingüi e Boa Vista a região era comtemplada com a sua Rua da Cidadania. Enquanto os automóveis passavam cada vez rápidos pelas ruas e avenidas, os jornais noticiavam a preservação do "Burro Brabo". Na região da Vila Tingüi, novos prédios surgiam e, no Bacacheri, já desapontavam os primeiros arranha-céus. Nas esquinas, os moradores discutiam a permanência ou não da base aérea, enquanto em templos, centros, igrejas ou seitas, moradores de todos os cantos da cidade dirigiam-se à região para tentar o vôo das almas no território sagrado de Tingüi e Bacacheri.

[editar] Geografia

O Bacacheri é o vigésimo-segundo maior bairro em extensão territorial de Curitiba e está localizado no nordeste do município, mais precisamente na subprefeitura do Boa Vista. A área do bairro, segundo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), é de 6,98 km², 698,10 hectares e 6 981 000 m². Situa-se a 25°24'03" de latitude sul e 49°13'41" de longitude oeste e está a uma distância de 3 140 metros a nordeste do marco zero de Curitiba. Seus bairros limítrofes são Tingui e Santa Cândida, a norte; Jardim Social e Hugo Lange a sul; Bairro Alto a leste; Boa Vista e Cabral, a oeste.

A delimitação do bairro de acordo com o decreto municipal nº 774, de 1975 é a seguinte: ponto inicial na confluência da Rua Cel. Romão R. O. Branco e Av. Nossa Sra. da Luz. Segue pela Av. Nossa Sra. da Luz, Estrada de Ferro Curitiba - Rio Branco do Sul, Av. Paraná, Ruas Fernando de Noronha, 29 de Junho, Miguel Jorge, rua sem nome, Começo da Avenida Prefeito Erasto Gaertner. final da Av. Monteiro Tourinho paralela ao Rio Bacacheri, rua sem nome do conjunto Solar, Marginal da BR-116, Av. Edegard Stelfeld, Ruas Osório Duque Estrada, Langue de Morretes, Cel. Temístocles de Souza Brasil, Cel. Romão R. O. Branco, até o ponto inicial.

[editar] Relevo e hidrografia

No Bacacheri há grande variação de altitude, sendo que o bairro é cercado por altos morros na metade sul, nos extremos norte e leste, e as maiores altitudes estão no extremo oeste. A altitude máxima chega aos 950 metros e a altitude mínima se encontra no Conjunto Residencial Solar, com 895 metros. A leste e norte da localidade passa o Rio Bacacheri, com suas águas impróprias para banho e pesca. Pertence à Bacia do Atuba-Bacacheri, onde o principal acidente geográfico empresta seu nome ao bairro. O Bacacheri é banhado pelo rio do mesmo nome que nasce no extremo oeste do município de Colombo e desagua no Rio Atuba. Passando por vários outros bairros de Curitiba, como o Tarumã, o Bairro Alto, o Tingui, o Boa Vista, o Barreirinha e o Cachoeira. Os afluentes do rio Bacacheri existentes no território do bairro do mesmo nome são:

Atualmente o rio sofre com a grande quantidade de resíduos, na maioria de origem domiciliar. Por exemplo, no ano de 2007 foram realizadas três limpezas no rio Bacacheri e retirados no total 1500 quilos de resíduos, entre os principais: sacolas plásticas, madeira, embalagens, garrafas pet, resto de comida, etc.

[editar] Clima e vegetação

O clima do Bacacheri, assim como o curitibano, é caracterizado, como um clima temperado marítimo ou clima subtropical de altitude (Cfb) de acordo com a classificação climática de Köppen, tendo temperatura média anual de 16,5 °C com invernos secos e amenos (raramente frios) e verões chuvosos com temperaturas moderadamente altas.

O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de 19,9 °C, sendo a média máxima de 25,8 °C e a mínima de 16,3 °C. E o mês mais frio, julho, de 12,2 °C, sendo 18,3 °C e 7,8 °C as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição. A precipitação média anual é de 89 mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas 9,5 mm. Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em 150,1 mm.

O Bacacheri está situado no domínio vegetacional denominado floresta ombrófila mista, composto por estepes gramíneo-lenhosas pontuadas por capões de florestas com araucária, além de outras formações, como várzeas e matas ciliares. Na vegetação local ainda aparecem remanescentes do pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), que resistiram à ação civilizadora dos tempos atuais. As araucárias estão a norte do Parque General Iberê de Mattos, agora protegidas pela legislação ambiental que impede a sua derrubada.

[editar] Demografia

Segundo o censo divulgado em 2005 pelo IPPUC e pelo IBGE hoje o bairro o Bacacheri é habitado por 23.080 pessoas.

Habitantes por hectare
Ano Nº. de habitantes
1970 21,35
1980 34,78
1991 33,82
1996 33,06
Taxa anual de crescimento
Período Taxa de crescimento
1970/1980 5%
1981/1990 -1,46%
1991/1996 -0,44%
Indicadores
Indicador Bairro Regional Cidade
Densidade demográfica (2000) 33,10 - 36,73
Idade média da população 33,85 - 29,87
População homens 10.762 107.858 760.854
População mulheres 12.344 117.838 826.467
População total (2000) 23.106 225.696 1.587.315
Taxa de crescimento anual (2000/2007) 1,46 - 1,44

[editar] Etnias

População Residente por Cor, segundo o Bairro e Curitiba - 2000
Etnia População absoluta  %
Branca 17.469 75,60
Preta 930 4,02
Amarela 2.815 12,18
Parda 1.855 8,03
Indígena 19 0,08
Total 23.106 100,00

[editar] Religião

População Residente por Religião, segundo o Bairro e Curitiba - 2000
Religião População absoluta  %
Sem Religião 930 4,02
Católica 17.469 75,60
Evangélica 2.815 12,18
Outra Religião 1.855 8,03
Não Determinada 19 0,08
Sem Declaração 18 0,08
Total 23.080 100,00

[editar] Imigração

Imigrantes de Data Fixa por Origem, segundo os Bairros de Curitiba - 2000
Imigrantes de Data Fixa por Origem População absoluta  %
Interestaduais ou Outros Países 1.471 59,52
Intraestaduais - Interior 815 32,97
Intraestaduais - Intra-metropolitano 186 7,51
Total 2.471 100,00

[editar] Deficiência

População Residente por Existência de Deficiência, Segundo os Bairros de Curitiba - 2000
População com Algum Tipo de Deficiência População absoluta  %
Sim 2.407 10,42
Não 20.699 89,58
Total 23.106 100,00

[editar] Galeria de fotos do Bacacheri

[editar] Ligações externas

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