Bagan

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Localização de Bagan, no Myanmar.
Monumentos em Bagan.

Bagan, antigamente Pagan, foi a antiga capital de vários reinos em Mianmar (ou Birmânia). A cidade fica localizada na meseta árida do país, na margem oriental do (rio Irauádi)[1] a 145 quilómetros sudoeste da cidade de Mandalay.

A UNESCO tentou várias vezes de forma infrutífera designar Bagan como Património da Humanidade. A junta militar no poder em Mianmar restaurou as antigas construções, mas não respeitou o estilo arquitectónico e utilizou materiais modernos que não eram usados em tempos remotos. Com se não bastasse a junta militar teve ainda a ideia de ali construir um campo de golfe, uma auto-estrada pavimentada e ainda uma torre de observação com 61 metros de altura, que está prevista que termine em 2007. Com estas alterações não é crível este local seja classificado como Património Mundial da Humanidade, malgrado a sua antiguidade.

Estilos arquitectónicos[editar | editar código-fonte]

As construções religiosas de Bagan são reminiscências de estilos arquitectónicos populares no tempo da sua construção. As mais comuns são:

  • Stupa com cúpula com forma de relíquia;
  • Stupa com cúpula com forma de mausóleu;
  • Stupa no estilo cingalês;
  • Modelo do norte da Índia ;
  • Modelo do centro da Índia;
  • Modelo do sul da Índia;
  • Modelo Mon.

Os seus principais edifícios religiosos estão fora da área circundada pelos antigos muros e pelo rio Ayeyarwady, como os templos de Sulamani Bagan, Ananda, Thatbyinnyu, Dhammayazika, Gawdawpalin e Dhammayangyi.

Templo em Bagan.

História[editar | editar código-fonte]

As ruínas de Bagan cobrem uma área de 16 milhas quadradas (41 km2). A maioria dos seus edifícios foram construídos do século XI ao século XIII, durante o tempo em que Bagan era a capital do Primeiro Império birmanês.[2]

Os birmanes (atualmente a etnia principal de Myanmar) começaram a migrar do reino de Nan chao (Yunnan) para o vale do Irauádi a partir do século VII e, em 849, fundaram um pequeno reino com centro em Bagan.

Não foi até que o rei Pyinbya mudou a capital para Bagan em A.D. 874 que ela se tornou uma cidade importante. No entanto, na tradição da Birmânia, a capital mudava a com cada reinado, e, portanto, Bagan foi mais uma vez abandonada até o reinado de Anawrahta. Em 1057, o rei Anawrahta conquistou a capital do Império Mon, Thaton, situado na baixa Birmânia, e trouxe de volta não somente as escrituras sagradas “Tripitaka Pali”, mas também o rei vencido, parte da corte, monges budistas e artesãos, que ajudaram a transformar Bagan em um centro religioso e cultural.[2] Com a ajuda destes monges, Anawrahta fez o Budismo Theravada uma espécie de religião do Estado, o rei também estabeleceu contactos com Sri Lanka, e desenvolveu a escrita birmanesa, baseada na escrita mon.[3]

Nos séculos XII e XIII, Bagan se tornou um centro cosmopolita de estudos budistas, atraindo monges e estudantes da Índia, Sri Lanka, bem como dos reinos tailandeses e khmer.

Em 1287, após se recusar a prestar homenagem a Kublai Khan o reino caiu sob o dominio dos mongóis. Abandonados pelo rei birmanês e saqueada pelos mongóis, a cidade deixou de ser um centro político, mas continuou a florescer como um centro de estudos budistas.

Existem controvérsias quanto o número de pagodes em Bagan, em 1975 foram catalogados 2.217[1] pagodes mas em 2014, de acordo com o Ministério da Cultura, o número era de 3312,[4] em contraste com mais de 5.000 durante a altura do seu centro político. Após o sismo do ano de 1975, a fim de preservar os templos, apenas bicicletas e carruagens puxadas por cavalos, estão autorizados a transitar entre os pagodes.[5]

Reis de Bagan[editar | editar código-fonte]

Além dos 14 monarcas historicamente documentados, que governaram Bagan a partir de Anawrahta, o Yarzawin Hmannan fornece uma lista de não verificáveis lendários monarcas que governaram de forma contínua a área de Bagan de 107AD, até a ascensão do Anawrahta.[2]

Sismos em Bagan[editar | editar código-fonte]

A cidade de Bagan está sujeita a sismos por estar situada perto da falha de Sagaing, que passa a oeste de Mandalay. Recordes históricos mostram uma longa história de sismos em nesta região.[6]

Inscrições em tinta nas paredes dos templos, testemunham reparos feitos neles após terremotos a partir do século XIV, quando no ano de 1380 um monge fez reparos na cabeça de uma estatua do Buda. Documentos Birmaneses referem a um sismo no reinado de Narapatisithu (1174-1211), e mais tarde nos anos de 1286, 1298, 1644, 1768 e 1838.[6] .

O mais recente ocorreu no ano de 1975, quando diversos importantes templos foram bastante danificados. A restauração deles continua até hoje.[6] .

Referências

  1. a b Folliot, Scott. (julho – dezembro de 2014). "Bagan by bicycle". Swesone.
  2. a b c Stadtner, Donald; Ancient Bagan; pp 252-259; River Books; (2005); Bangkok; ISBN 974 9863 02 X
  3. Clark, Michael; Myanmar; pp 320-321; Lonely Planet Ltd; (Jan 2000); 7th edition; Austrália; ISBN 0 86442 703 4;
  4. Cherry Thien; The Myanmar Times; Call for stricter development rules in Bagan after UNESCO meeting; 13 de outubro de 2014; página 14
  5. Stories From Afar (II) - Myanmar, Documentary films produced by Asia Television, Hong Kong, 1999
  6. a b c Stadtner, Donald; Ancient Bagan; pp 13 e 14; River Books; (2005); Bangkok; ISBN 974 9863 02 X

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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