Baiano (dança)

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O Baiano ou Chorado é uma dança brasileira tambem é uma expresão cultural, típica do Nordeste no século XIX. É uma espécie de lundu que comporta, durante a dança, desafios dos cantadores[1] e costuma aparecer nas representações do bumba-meu-boi.

O Baião (Baiano) é uma dança cantada. Criação nordestina, resultante da fusão da dança africana com as danças dos nossos indígenas e a dos portugueses colonizadores, refletindo na sua composição o caldeamento destas três raças. O Baião, anteriormente conhecido como Baiano, por influência do verbo “baiar”, forma popular de bailar, baiar, baio (baile), na opinião do mestre Joaquim Ribeiro, sempre foi apreciado e praticado no Nordeste; depois foi-se difundindo por outras plagas e por fim atravessou com sucesso as fronteiras do País. A natureza do Baião não sofreu nenhuma transformação em sua peregrinação para outras regiões. Apenas foi alterado em sua forma na migração para o Sul do País, visto que: após a execução do Baião, o dançarino convida outra pessoa para o substituir com uma umbigada, enquanto no Sul o convite ao substituto é assinalado com um estalar de dedos, à guisa de castanholas, em direção ao escolhido.

O Baião é formado dos seguintes passos: balanceios; passos de calcanhar; passo de ajoelhar; rodopio.

O Baião é dançado em pares.

Indumentária: Damas - vestido de chita ordinária com babados na saia, amplo decote e mangas curtas; sandálias coloridas.

Cavalheiros – calça de brim claro; camisa comum; sandálias de couro cru.

Instrumentos musicais: agogô, triangulo e sanfona. Coreografia: os dançarinos e dançarinas formam-se em círculos, sentados ou em pé. Dançam aos pares no centro da roda. A dança consiste em movimento do ventre e sapateado, e a umbigada constitui a principal marcação do folguedo. A coreografia do Baião é individual e composta de dança cantada. A dança é executada com balanceios lascivos, rodopios, estalar de dedos e movimentos dos braços.

O ventre e os pés desempenham relevante papel na coreografia do Baião. O remelexo é executado com movimento do ventre, com sapateado típico, enquanto os braços se conservam abertos.

Outra posição consiste em ficar o dançarino com o calcanhar para frente e a ponta dos pés para cima.

Passos mais conhecidos:

Balanceio: passo à frente com perna esquerda, flexionando-a ligeiramente sem apoiar o pé; o mesmo procedimento com a perna direita, mudando o peso do corpo para a perna que fica atrás.

Em cada mudança faz um balanceio, ficando as pernas semi-flexionadas e o tronco acompanhando o movimento. Reinicia-se o passo levando a perna de trás para frente. O cavalheiro executa esse passo segurando com a mão direita o punho esquerdo atrás do corpo, à altura da cintura. A dama coloca o braço esquerdo na perna e avança. A palma da mão para baixo. A outra mão apóia-se nos quadris. Olhar sempre à frente.

Passo de calcanhar: o calcanhar esquerdo apoiado obliquamente à frente; perna estendida; inclinando o tronco e a cabeça para a esquerda. Em seguida unir o pé direito ao esquerdo, levantando o tronco e a cabeça. Depois apoiar o calcanhar direito obliquamente à frente, unir o pé direito como foi dito, então, cruzar as pernas, a esquerda atrás da direita levemente flexionada, apoiando o pé pela ponta, inclinado o tronco e a cabeça para a direita. Um passo oblíquo à frente, com o pé esquerdo, unindo a perna direita à esquerda e voltando a posição normal.

Passo de ajoelhar: saltitando, caindo sobre a perna esquerda, flexionando e apoiando o pé lateralmente. Aproximam-se os punhos como a comprimi-los quando unem-se os pés, e colocando-os obliquamente para a frente, enquanto a perna direita fica estendida obliquamente para trás. Os braços ficam sempre levantados para frente. A seguir, sempre saltitando, coloca-se a perna direita em diagonal à frente e a esquerda para trás, volvendo a perna direita junto com a cabeça para o lado esquerdo. Ao mesmo tempo ajoelha-se.

Rodopio: cruzando a perna direita na frente da esquerda, flexionando ao mesmo tempo que movimenta a cabeça e tronco, cruzando os braços pendidos na frente do corpo. Iniciar com um giro pela direita, elevando-se gradativamente o tronco, a cabeça e os braços, que abrem em forma de arco oblíquo para cima, enquanto as pernas se estendem. O giro é feito sobre o pé direito que se desloca, movimentando-se no lugar sobre a ponta, enquanto o esquerdo na fase final se coloca em afastamento lateral. Rodopio. Em seguida levar a perna direita para junto da esquerda, apoiando-se à ponta do pé e fazendo com ambas uma semi-flexão seguida de extensão. Balanceio com movimento dos quadris. Trejeito com pequeno afastamento para a frente apoiando o dorso das mãos nos quadris, cotovelos ligeiramente para frente balançando-se sobre as pernas e fazendo rotações com o corpo ora para a direita, ora para a esquerda. Depois, um pequeno afastamento para frente, flexionando lentamente as pernas com o cotovelo esquerdo na mão direita.


  1. ALVARENGA, Oneyda. Música popular brasileira. Porto Alegre: Globo, 1960. pág. 157
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