Baioneta

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Diversos modelos de baionetas do século XX.

Baioneta - consiste numa espécie de estilete, punhal ou sabre, segundo Princípios de Defesa Militar de J. S. Vasconcelos publicação da Editora Biblioteca do Exército e Marinha do Brasil, 1939, "Pequena - espada" e/ou "Espada - dos - praças", na forma que hoje se conhece, adaptável em arma de fogo, como se o fosse uma lança, é atribuída a Napoleão Bonaparte, Imperador francês, sendo produzida na cidade francesa na fortaleza arsenal de "Bayonette", base militar - francesa dai o nome da "Espada - de - Napoleão" segundo original projeto atribuído ao primeiro imperador dos franceses, dessa forma o mais correto o seria nome-a-lo com alguma referência ao criador, segundo os irmãos J.S. Vasconcelos em sua obra concebido por Napoleão desde o princípio para ser adaptável à boca do cano de uma arma de fogo dando poder de lança - romana e/ou pilo, permitindo-lhe funcionar também como arma de estocada para combate corpo a corpo, na falta de munição.

Quando não fixa ao cano de uma arma de fogo, "uma baioneta em forma de punhal espada - longa ou de sabre pode ser usada como ferramenta de corte ou como arma branca de mão e assar churrascos", segundo o próprio Napoleão Bonaparte encaminhando seu projeto ao arsenal.

História[editar | editar código-fonte]

Espingarda Springfield Modelo 1873 e respetiva baioneta de alvado.
Espingarda Mauser 98 e respetivo sabre-baioneta.
Fuzil SIG 550 e respetivo punhal-baioneta.
LAPA FA-03, fuzil brasileiro da categoria bullpup com baioneta.

As origens da baioneta são algo nebulosas, mas parece estarem da França do século XVII. A palavra portuguesa "baioneta" deriva da palavra francesa "bayonette", por sua vez derivada do nome da cidade de Bayonne (Baiona), no Sul da França. O termo era já usado no final do século XVI, mas não se sabe se se referia já a uma arma do tipo da moderna baioneta ou simplesmente a um tipo de faca. Por exemplo, o Dictionarie das línguas francesa e inglesa - escrito pelo lexicólogo inglês Randle Cotgrave em 1611 - descreve a baioneta como "uma espécie de pequeno punhal de bolso ou uma faca grande para ser pendurada à cintura". Outrossim, o sábio francês Pierre Borel escreveu, em 1655, que em Baiona era feita uma espécie de faca longa chamada "baioneta", não dando uma descrição mais específica da mesma.

Existe uma lenda que refere que, durante os conflitos irregulares da França rural de meados do século XVII, os camponeses da região de Baiona - tendo-se lhes esgotado a pólvora e as balas - enfiaram as suas longas facas de caça nas bocas dos seus mosquetes de modo a transformá-los numa espécie de lanças improvisadas, criando assim um novo tipo de arma auxiliar.

Outra possibilidade é a da baioneta ter tido origem numa arma de caça. Uma vez que as primeiras armas de fogo eram muito pouco certeiras e demoravam muito tempo a carregar, um caçador de animais perigosos poderia ficar facilmente exposto aos mesmos se o seu tiro falhasse. A baioneta poderia assim ter surgido para permitir ao caçador defender-se de animais selvagens no caso de falha do tiro. Esta teoria bate certo com o costume que existiu na Espanha, entre o século XVII e o advento do cartucho, das armas de caça serem equipadas com baioneta.

Como arma militar, a baioneta foi introduzida pela primeira vez no Exército Francês pelo general Jean Martinet. Na década de 1660, o seu uso já eram comum na maioria dos exércitos da Europa.

O benefício de duas armas concentradas apenas numa única tornou-se logo aparente. As primeiras espingardas dispunham de uma baixa cadência de tiro e, dependendo da qualidade de fabrico, podiam ser também pouco certeiras e confiáveis. As baionetas ofereciam uma útil adição ao sistema de armas quando uma carga do inimigo conseguia atravessar a zona da morte dos mosquetes (cerca de 100 metros), chegando ao contato com os seus oponentes. Uma baioneta com cerca de 40 cm colocada numa espingarda com cerca de 1,5 m formava uma arma de fuste com um alcance semelhante ao de um pique ou alabarda de infantaria. A combinação espingarda/baioneta era, no entanto, consideravelmente mais pesada que uma arma de fuste convencional do mesmo comprimento.

As primeiras baionetas eram do tipo de tampão, o qual consistia numa empunhadura cilíndrica que se encaixava no interior do cano da espingarda. Logicamente, este tipo de baioneta, quando colocada na espingarda, impedia que a mesma fosse disparada. Na França, o Regimento de Fuzileiros do Rei - levantado por ordem do marechal Vauban em 1671 - foi equipado com espingardas de pederneira e com este tipo de baionetas, servindo de modelo para a criação de unidades de fuzileiros em outros países da Europa. Na Inglaterra, estas baionetas também equiparam parte de um regimento de dragões - levantado em 1672 e extinto em 1674 - e o Regimento Real de Fuzileiros, quando este foi levantado em 1685.

O perigo gerado pelo uso de baionetas do tipo tampão, o uso da espingarda como arma de fogo, cedo foi sentido, levando à invenção da baioneta de alvado em 1678. A baioneta de alvado dispunha de uma banda circular de metal que formava um orifício (o alvado) que se encaixava no exterior da boca do cano da espingarda, não o tamponando, portanto. A banda de metal prendia à lâmina por uma espécie de cotovelo que fazia com que o seu eixo estivesse paralelo mas desenfiado do eixo do cano da espingarda. A espingarda poderia assim ser carregada e disparada, mesmo com a baioneta montada. Tipicamente, a baioneta de alvado dispunha de uma lâmina triangular com dois gumes não cortantes.

Como a baioneta de alvado não impedia a arma de disparar ("não calava a espingarda"), passou a usar-se a expressão "calar a baioneta" (e não a espingarda) para designar o ato de fixar a baioneta à espingarda.

Contudo, a baioneta de alvado não foi logo amplamente adotada. Depois de ver as suas tropas usarem experimentalmente a baioneta de alvado na Batalha de Fleurus em 1690, Luís XIV de França recusou adotá-la, uma vez que demonstraram ter uma certa tendência para cairem das espingardas. No entanto, pouco depois do final da Guerra dos Nove Anos em 1697, tanto a infantaria inglesa como a alemã abandonaram o uso do pique e adotaram a baioneta de alvado. A infantaria francesa só viria a adotar este tipo de baioneta em 1703, usando um sistema de fixação com mola que impedia que aquela caísse acidentalmente da espingarda. Nessa altura, a baioneta de alvado era já utilizada pela maioria dos exércitos europeus.

Já no século XIX, foi desenvolvido o sabre-baioneta. Consistia numa arma branca com uma lâmina bastante mais longa que a de uma baioneta convencional, normalmente com um gume afiado (ou ocasionalmente com dois, neste caso referida como "espada-baioneta"), que - para além de poder ser usada como uma baioneta presa à arma de fogo - poderia também ser usada como um pequeno sabre ou espada de mão. Inicialmente, os sabres-baionetas destinavam-se a ser usados pelos caçadores ou atiradores armados com carabinas estriadas, as quais eram mais curtas que as espingardas dos fuzileiros, não podendo assim ter a mesma eficiência que aquelas como arma de estoque, usando baionetas convencionais.

Soldados franceses, atacando com baionetas, na I Guerra Mundial.

A partir de 1869, alguns países europeus começaram a desenvolver novos tipos de sabres-baionetas, multifuncionais e adequadas à produção em massa, as quais se destinavam especialmente a equipar as unidades de gendarmaria, engenharia e artilharia, tropas que tipicamente estavam armadas com carabinas mais curtas que as espingardas usadas pela infantaria de linha. A decisão de redesenhar a baioneta de modo a transformá-la numa ferramente multiusos teve muito a ver com a tomada de consicência da perda de importância da mesma como arma, face aos avanços na tecnologia das armas de fogo.

Um desses tipos multifucionais foi a baioneta com dorso de serra, a qual incorporava dentes no lado oposto ao do gume da lâmina. Os dentes de serra destinavam-se a facilitar o corte de madeira para ser usada em trabalhos defensivos como postes de arame farpado, bem como para o abate e corte de carne para preparação de alimentos. A baioneta com dentes de serra foi inicialmente adotada pelos estados alemães em 1865, seguindo-se o Reino Unido em 1869, a Bélgica em 1868 e a Suíça em 1878. Originalmente, as baionetas com dentes de serra constitiam em pesados sabres-baionetas, atribuídos especialmente às tropas de enegenharia, com a sua função como arma a ser secundarizada face à sua função como ferramenta. Este tipo de baioneta mostrou-se, contudo, pouco funcional como ferramenta de corte, sendo abandonado por quase todos os países utilizadores na viragem do século XIX para o XX. No entanto, o Exército Alemão só abandonou o seu uso em 1917, depois de protestos das suas baionetas com dentes de serra causarem ferimentos graves desnecessários quando usadas como arma.

Outro tipo de baioneta multiusos foi a pá-baioneta, destinada a ser usada tanto como arma como ferramenta para escavar entrincheiramentos. Um modelo de pá-baioneta - desenvolvido pelo tenente-coronel Edmund Rice - foi adoptado pelo Exército dos EUA em 1870, sendo atribuído aos seus regimentos de infantaria. Este modelo foi também proposto e demonstrado perante vários exércitos europeus, não sendo aparentemente adotada por nenhum deles. A pá-baioneta de Rice foi declarada obsoleta pelo Exército dos EUA em 1881.

No final do século XIX, foi desenvolvido o punhal-baioneta, uma versão mais curta do sabre-baioneta. A experiência do combate no espaço confinado das trincheiras, durante a Primeira Guerra Mundial, contrariou a opinião até aí dominante de que quanto mais longa a arma de fogo e a respetiva baioneta melhor. A tendência foi então a progressiva substituição dos longos sabres-baionetas por punhais-baionetas.

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