Bajazet

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Retrato de um violinista veneziano, usualmente considerado um retrato de Vivaldi.

Bajazet (RV 703) é uma ópera em três atos do compositor veneziano Antonio Vivaldi (1678-1741). Na verdade, a obra é um pasticcio, ou seja, uma montagem contendo árias de óperas de diversos outros autores, além de árias de óperas do próprio Vivaldi. Essa era uma prática comum na época. Ainda assim, algumas das árias mais importantes são originais e, outras, adaptações de composições do próprio Vivaldi. A estreia ocorreu no Teatro Filarmonico de Verona durante o carnaval de 1735. No elenco original estavam os cantores Anna Girò, a soprano predileta de Vivaldi e sua suposta amante, como Astéria, a contralto Maria-Maddalena Pieri como Tamerlano, a soprano Margherita Giacomazzi como Irene, o barítono Marc'Antonio Mareschi como Bajazet e o castrato Giovanni Manzoli no papel de Idaspe.[1]

O libreto é do conterrâneo de Vivaldi, Agostino Piovene. O título original era Tamerlano e já havia sido musicado anteriormente por Francesco Gasparini (1661-1727) em uma obra que estreou em Veneza em 1711. A origem mais remota do texto é a tragédia francesa de Jacques Pradon (1632-1698) Tamerlan ou La Mort de Bajazet, de 1675, traduzida para o italiano em 1709. O mesmo texto já havia sido adaptado por Nicola Francesco Haym (1678-1729) para a ópera Tamerlano (HWV 18) de Händel, composta em 1724.

O argumento se baseia em fatos reais, ocorridos por volta de 1402 na cidade de Prusa, na Bitínia, atual Turquia. A trama conta a história de Bajazet (ou Bayezid I, 1360-1403), monarca turco feito prisioneiro pelo imperador tártaro Tamerlão (ou Timur-i-Lenk, 1636-1405). Vivaldi utilizou sobretudo trechos de obras de Hasse (duas árias de Siroe, composta em 1733), Geminiano Giacomelli (1692-1740) (duas árias, incluindo Sposa, son disprezzata, originada na obra Merope, de 1734) e Riccardo Broschi (1690-1756) (uma ária de Idaspe, composta em 1730). É interessante notar que as árias tomadas de empréstimo aos compositores napolitanos, Vivaldi dedicou aos personagens Tamerlano, Andrônico e Irene. Já as árias de compositores venezianos, incluindo o próprio Vivaldi, foram alocadas para Bajazet, Astéria e Idaspe.[2] [3]




Origem das árias utilizadas[editar | editar código-fonte]

Ária - Personagem Compositor Ópera Nome Original
Del destin non dee lagnarsi - Bajazet Antonio Vivaldi L'Olimpiade Del destin non vi lagnate
Nasce rosa lusinghiera - Idaspe Antonio Vivaldi Giustino, também presente em Farnace Senti l'aura lusinghiera /
Scherza l'aura lusinghiera
In sì torbida procella - Tamerlano Geminiano Giacomelli Alessandro Severo
Vedeste mai sul prato - Tamerlano Johann Adolf Hasse Siroe re di Persia
Qual guerriero in campo armato - Irene Riccardo Broschi Idaspe
Non ho nel sen costanza - Andrônico Geminiano Giacomelli Adriano in Siria
Anche il mar par che sommerga - Idaspe Antonio Vivaldi Semiramide
La sorte mia spietata - Andrônico Johann Adolf Hasse Siroe
La cervetta timidetta - Astéria Antonio Vivaldi Giustino/Semiramede La sorte mia tiranna
Dov'è la figlia? - Bajazet Antonio Vivaldi Motezuma
Sposa, son disprezzata - Irene Geminiano Giacomelli Merope Sposa, non mi conosci
Sì crudel! questo è l'amore (quarteto) Antonio Vivaldi Farnace Io crudel? giusto rigore
Veder parmi, or che nel fondo - Bajazet Antonio Vivaldi Farnace "Roma Invitta una clemente"
Spesso tra vaghe rose - Andrônico Johann Adolf Hasse Siroe
Coronata di gigli e di rose (tutti) Antonio Vivaldi Farnace


Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Fonte: http://www.operabaroque.fr/Cadre_baroque.htm
  2. Fonte: http://www.operabaroque.fr/Cadre_baroque.htm
  3. Ver também GONÇALVES, R. Uma Breve Viagem pela História da Ópera Barroca. SP: Clube de Autores, 2011. Disponível em www.clubedeautores.com.br [1]