Balão de papel

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Balão de papel ou balão junino é um tipo de balão confeccionado de papel.

História[editar | editar código-fonte]

A partir de experimento anteriores, onde se adquiriu a habilidade de fazer um invólucro preenchido com ar quente flutuar livre na atmosfera terrestre, o homem desenvolveu várias outras modalidades de objetos voadores[1] . O primeiros efeitos observados foram efetuados pelos homens primitivo, que quando provocava o fogo, observava que o produto da queima, que se formava, volátil e de cor escura (fumaça) subia. Logo, com o advento do papel elaborado pelos chineses, o homem, pelo empirismo, fez elevar do solo o invólucro de papel, cheio de fumo (fumaça), assim, dando início à trajetória do balão[1] .

Raízes[editar | editar código-fonte]

Do berço do balão até nossos dias surgem alguns novos registros. A viagem da família Polo, italiana, a China no século XIII. A amizade de Marco Polo, com seus pouco mais de dez anos, com Kublai Khan, neto de Gengis Khan, também jovem, da dinastia dos Khan, proporcionou o aprendizado da arte dos balões. Vinte e cinco anos mais tarde, quando retornaram à Itália levaram, para o ocidente, aquele invento[1] . Naquela época, em Pequim, na China os balões já eram observados nos céus, para reverenciar os mortos e homenagear os imperadores. Em 1306, nesta cidade do oriente, foi lançado um balão por motivo da coroação do imperador chinês Fo-Kien[1] .Em 1814, a família Pita, da cidade de Betanzos na Galícia, norte da Espanha, solta um balão, de aproximadamente 30 metros, em louvor a São Roque, padroeiro da cidade, festa mantida nos anos seguintes.[2]

Balão como precussor dos projetos aeronáuticos[editar | editar código-fonte]

Bartolomeu de Gusmão se incorporou à série das figuras que pertencem à história da humanidade, no campo das ciências com sua invenção, integrando a galeria dos notórios do mundo, com o relevo que assumiu na prioridade da navegação aérea[3] .

Em dezembro de 1685, nascia na Vila de Santos, em São Paulo, o Bartolomeu Lourenço de Gusmão, que com idéias avançadas para sua época, logo se destacou. Fez os estudos primários em Santos, seguiu para o Seminário de Belém (Bahia), a fim de completar o Curso de Humanidades, vindo a filiar-se à Companhia de Jesus, sob a orientação do amigo de seu pai e fundador daquele Seminário, Padre Alexandre de Gusmão. Em 1705, com apenas 20 anos de idade, requereu à Câmara da Bahia, o privilégio para o seu primeiro invento. Era um aparelho que fazia subir a água de um riacho até uma altura de cerca de 100 metros. A água não precisaria mais ser transportada morro acima nas costas de homens ou em lombo de animais. Entre 1708 e 1709, Bartolomeu de Gusmão, já ingresso no sacerdócio, embarcou para Lisboa, capital do Império, onde aprofundaria seus conhecimentos[3] . Na Universidade de Coimbra realizou profundos estudos da Ciência Matemática, além das Ciências de Astronomia, Mecânica, Física, Química e Filologia, além do exercício da Diplomacia e da Criptografia, atendendo designação de D. João V, tendo bacharelado-se aos 5 de maio de 1720 e completado o Curso de Doutoramento da Faculdade de Canones, da Universidade de Coimbra, em 16 de junho de 1720. Foi uma bolha de sabão elevando-se ao se aproximar do ar quente ao redor da chama de uma vela que acendeu o intelecto de Gusmão para a diferença entre as densidades do ar. Um objeto mais-leve-que-o-ar poderia então voar! Em 1709, anunciou à corte que apresentaria uma "Máquina de Voar". Em 19 de abril daquele ano, recebeu autorização do Rei D. João V para demonstrar seu invento perante a Casa Real[3] .Em 3 de agosto de 1709 foi realizada a primeira tentativa na Sala de Audiências do Palácio. No entanto, o pequeno balão de papel aquecido por uma chama incendiou-se antes ainda de alçar vôo. Dois dias mais tarde, uma nova tentativa deu resultado: o balão subiu cerca de 20 palmos, para verdadeiro espanto dos presentes. Assustados com a possibilidade de um incêndio, os criados do palácio se lançaram contra o engenho antes que este chegasse ao teto[3] . Três dias mais tarde, exatamente no dia 8 de agosto de 1709, foi feita a terceira experiência, agora no Pátio da Casa da Índia perante D. João V, a rainha D. Maria Anad e Habsburgo, o Núncio Cardeal Conti, o Infante D. Francisco de Portugal, o Marquês de Fonte, fidalgos e damas da Corte e outros personagens. Desta vez, sucesso absoluto. O balão ergue-se lentamente, indo cair, uma vez esgotada sua chama, no Terreiro do Paço. Havia sido construído o primeiro engenho mais-leve-que-o-ar. O Rei ficou tão impressionado com o engenho que concedeu a Gusmão o direito sobre toda e qualquer nave voadora desde então. E para todos aqueles que ousassem interferir ou copiar-lhe as idéias, a pena seria a morte[3] .

O invento do Padre chamou-se Passarola, em razão de ter a forma de pássaro, crivado de multiplicados tubos, pelos quais coava o vento e a encher um bojo que lhe dava a ascensão; e, se o evento minguasse conseguia-se o mesmo efeito, mediante uma série de foles dispostos dentro da tramóia[3] . A concepção e realização do aeróstato por Bartolomeu de Gusmão, mostrou o passo gigantesco que representou sua invenção, idealização e objetivação do flutuador aerostático, donde deveria sair a aeronave, sendo corretamente considerado o Pai da Aerostação, tendo precedido em 74 anos os irmãos Montgolfier, que voaram em um balão de ar quente em 1783</ref name="fab">.


Os irmão Montgolfier[editar | editar código-fonte]

Joseph Michel Montgolfier nascido no ano de 1740 e Jaques Étienme Montgolfier em 1745, ambos da cidade de Annonay, Ardéche, construíram utilizando o mesmo princípio de Bartolomeu de Gusmão, o primeiro balão tripulado de sucesso no ano de 1783[4] . No dia 5 de junho de 1783, o balão que possuía 32m de circunferência e era feito de linho foi cheio com fumaça de uma fogueira de palha seca, elevou-se do chão cerca de 300 m, durante cerca de 10 minutos voando uma distância de aproximadamente 3 quilômetros. No dia 19 de setembro de 1783, perante o Rei Luis XVI e a Rainha Maria Antonieta, Joseph Montgolfier repetiu sua experiência, o balão voou por 25 minutos com dois ocupantes (Pilatre de Rozier e François Laurent) percorrendo mais ou menos 9 quilômetros.Com estas experiências realizadas, os irmãos Montgolfier descobriram os princípios básicos da navegação aérea, fato que foi fundamental para posteriores avanços na exploração da atmosfera, além disso, receberam as honras da Academia de Ciências por pesquisas que resultaram em projetos como o carneiro eletrônico e um modelo de calorímetro.Joseph Michel Montgolfier morreu no ano de 1810 e seu irmão, Jacques Étienme Montgolfier morreu no ano de 1799[4] .

Características físicas e químicas[editar | editar código-fonte]

Os balões sobem devido o ar quente interno se menos denso que o ar frio externo, isso parece simples, contudo, ar quente sobe devido a um conceito físico descrito como densidade[5] . A densidade é a relação matemática entre a massa de um corpo e o seu volume, chamando-se então a densidade de d, a massa de m e o volume de v, teremos:

d=m/v;

A relação reside no fato de que, ao aquecermos o ar, as partículas gasosas ganham energia e passam a se mover com maior velocidade[6] . Assim, as partículas se afastam uma das outras e isso quer dizer que o volume do gás aumenta com o calor. Para ilustrar a idéia, imaginemos um liquidificador cheio, até a metade de seu recipiente, com várias bolinhas de isopor, ao ligarmos o aparelho as bolinhas ganharão energia e logo ocuparão o volume total do recipiente, isto é, as bolinhas se afastarão uma das outras ocupando todo volume interno[6] . É isso que acontece também com o balão De fato o que faz o balão subir são as diferenças de densidades entre o ar interno do balão, e o ar externo. Assim, ao aquecermos o ar interno do balão, as partículas se afastam, o volume aumenta (o balão vai enchendo) e a densidade diminui, pois pela relação d=m/v, supondo-se que a massa de gás seja invariável, sendo constante, temos que se o volume aumentar a densidade irá diminuir (só o dividendo aumenta), e essa diferença de densidades entre o ar interno do balão e o ar externo, faz com que a menor densidade interna do balão, faça ele subir. Então, o balão sobe porque a densidade interna é menor em relação à densidade externa[6] . Já para a queima do tocha, é necessário um combustível duradouro, são usado tufos de algodão, tecidos, sacos de batata, entres outros que são embebido em parafina.

Características[editar | editar código-fonte]

O tamanho do balão determina o tipo de papel a ser utilizado. É mais comum ver esse tipo de balão na época de festas juninas, mas existem turmas de baloeiros que o confeccionam o ano inteiro. Tem vários modelos de balões, o mais conhecido é o biriba (vendidos em época de festa junina). São confeccionado com variados formatos como carrapetas, bagdás, modelados, trufas, recortes, entre outros. Esses balões podem ser soltos de dia ou à noite. De dia, o baloeiro costuma colocar bandeiras, bandeiras de folha de seda e fogueteiras chamada de cangalhas (fogos de artifício). De noite, ele costuma colocar fogueteiras, painéis, letreiros. Para fazerem os painéis e letreiros noturnos ele utiliza lanterninhas (copinho de folhas de seda com uma vela acesa dentro), também usada para por em volta do balão, e este balão é conhecido como lanternado ou bojado. Os conhecidos como fogueteiros carregam uma carga de fogos de artifício

Crime ambiental no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, esse tipo de balão é proibido por lei, devido ao risco de incêndios[7] . Quem os solta é chamado baloeiro. Geralmente os baloeiros se organizam em turmas ou equipes, principalmente nas cidades brasileiras de Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo, para confeccionar balões de papel fazendo vários modelos.[8] .

Referências