Balança corrente
Em contabilidade nacional, a balança corrente é uma das três balanças primárias que compõem a balança de pagamentos, juntamente com a balança de capital e a balança financeira. Por sua vez, a balança corrente é composta pela balança de bens, a balança de serviços, a balança de rendimentos e a balança de transferências correntes.1 Portanto, esta balança inclui as transacções que têm um carácter regular com o resto do mundo como as exportações, as importações, os rendimentos dos factores produtivos e transferências unilaterais.2
A balança corrente é um dos principais indicadores sobre o comércio internacional de um país. Quando esta apresenta um saldo positivo, vulgo superavit externo, então indica que os seus os activos no estrangeiro aumentaram, e vice-versa. Também é de notar que uma balança corrente negativa implica que a economia do país está a ser financiado por poupança externa.3
Índice |
[editar] Composição
Os quatro componentes da balança corrente são:4
- Balança de bens: regista as exportações e as importações de mercadorias;
- Balança de serviços: contabiliza as prestações de serviço, entre as quais turismo e transporte;
- Balança comercial: resulta da agregação da balança de bens com a de serviços;
- Balança de rendimentos: agrega as transacções que correspondem a rendimentos decorrentes de activos que residentes possuem no exterior e estrangeiros no território nacional;
- Balança de transferências: regista as transferências unilaterais, ou seja, aquelas que não correspondem a rendimentos dos factores de produção ou destinam-se a pagamentos. Como exemplo temos as remessas dos emigrantes.5
[editar] Países
[editar] Portugal
A economia portuguesa não tem um superavit externo desde 1993. Entre 1999, ano de adesão ao euro, e 2011, ano do regaste financeiro executado pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional, o saldo médio do período é de -9,7% do produto interno bruto.6 Economistas como Paul de Grauwe argumentam que foi a combinação de défices externos persistentes e elevados e a adopção de uma moeda que não controlam, que criou uma situação propícia à crise europeia.7
[editar] Fontes
- ↑ Estatísticas da balança de pagamentos. Banco de Portugal. Página visitada em 8 de Abril de 2012.
- ↑ Santos, Susana. Conceitos da contabilidade nacional: Uma aplicação a Portugal. Lisboa: Universidade Técnica de Lisboa, 2011. p. 11. ISSN 2182-1356 Página visitada em 8 de Abril de 2012.
- ↑ Santos, J., A. Pina, J. Braga, M. St. Aubyn. Macroeconomia. 3ª ed. Lisboa: Escolar Editora, 2010. Capítulo: 1 - Contabilidade nacional, p. 13-14. ISBN 978-972-592-295-8
- ↑ Santos, J., A. Pina, J. Braga, M. St. Aubyn. Macroeconomia. 3ª ed. Lisboa: Escolar Editora, 2010. Capítulo: 7 - Economia aberta com preços fixos: o modelo de Mundell-Flemming, p. 197-200. ISBN 978-972-592-295-8
- ↑ Manual de Procedimentos das Estatísticas de Operações com o Exterior pp. 35-36. Banco de Portugal.
- ↑ World Economic Outlook Database: September 2011. Fundo Monetário Internacional. Página visitada em 8 de Abril de 2012.
- ↑ de Grauwe, Paul (4 de Maio de 2011). Governance of a Fragile Eurozone (em inglês). Página visitada em 9 de Abril de 2011.