Balduíno II da Flandres

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Balduíno II de Flandres (863 - Blandimberga, 4 de dezembro de 918), conhecido como Balduíno, o Calvo, era filho do conde Balduíno I, e da princesa carolíngia Judite (843–870). Foi conde de Flandres de 879 a 918. De ancestralidade carolíngia (ele foi apelidado de o Calvo não devido à calvície, mas por causa do avô, Carlos o Calvo).

Brasão de Armas do condado de Vermandois.

História[editar | editar código-fonte]

Com o fim do Império Carolíngio e sua consequente dissolução, Flandres entra em uma era feudal (este período só terminará no séc XIII). No século XII a região será dividida pela dominação francesa e em 1191 ficará sob o domínio do Hainaut.

Os Vikings (Normandos), chamados os homens do Norte, avançam pela região, destroem Thérouanne; assolam aquela parte do país, roubam e destroem abadias e semeiam morte e desolação por onde passam. Na Primavera de 881 eles passam por Tournai, em 882 passam por Cambrai e Arras, em 883, chegam em Bolonha, Sithiu, Saint-Riquier, Furnes, passam novamente por Thérouanne, em seguida, retornam a Gand. Depois de uma incursão no Reno, roubando Arras em seguida Kortrijk (886). O chefe Viking Rollo com a ajuda de Bernardo I de Danois devasta a região de Saint-Bertin, não conseguindo entretanto capturar a cidade pois encontra forte resistência. Em resposta, Balduíno II construiu novas fortalezas, vários castelos, vilas ou "Burchen", reforçou as muralhas das cidades confiando sua guarda e proteção aos senhores, como em Ypres, Kortrijk, Bergues-Saint-Winoc de Gand, Bruges, St. Omer. A construção destas aldeias caracterizou o senhorio de Balduíno II, e marcou o início da era feudal na região. Ele também confiscou todas as terras que haviam sido abandonadas na ocupação e, com isso, estendeu seu território e marcou definitivamente o seu poder sobre a região. No entanto, como no resto da Nêustria, a questão Viking só seria resolvida com Carlos, o Simples, que, em 911, pela assinatura do Tratado de Saint-Clair-sur-Epte, concedeu a Rollo a região em torno da cidade do Rouen, posteriormente denominada Normandia.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Apontado como o segundo dos três filhos de Balduíno I e da Princesa carolíngia Judite (n. 843 - † AD. 870), filha do rei francês Carlos II o Calvo, Balduíno sucedeu ao pai em 879 e ficou conhecido como Balduíno II, o Calvo, conde de Flandres. Assumindo o condado ainda na menoridade ele viu suas possessões serem invadidas pelos normandos em ataques sem precedentes obrigando-o a se refugiar nos pântanos de Saint-Omer (883). Em 884 ele se casa com Elfrida de Wessex, filha do rei Alfredo I da Inglaterra. Este casamento representaria o início de uma aliança duradoura entre a Inglaterra e Flandres, alicerçada no mútuo interesse de protegerem-se das incursões Vikings ao longo da costa.

Ocorre que sem um poder central - pois a dinastia carolíngia estava extremamente debilitada -, graças a uma sequencia de invasões normandas e à ausência de um poder efetivo, possibilitaram a Balduíno, firmar a região de Flandres como condado e tornar-se de fato – já que era de direito – o seu segundo conde (883). Todavia ele enfrentou uma forte oposição em outros senhores feudais e no próprio Odo I de Paris, conde de Paris e marquês da Nêustria (886-888) - (um dos últimos resquícios do agonizante poder carolíngio). Ocorre que após a deposição de Carlos, o Gordo (888), dá-se uma disputa pelo trono da França, apoia a causa de Carlos, o Simples, enquanto o conde de Vermandois Herberto I, traindo a sua causa, apoia Eudes que é reconhecido como soberano e rei da França (888–898).

Após a morte de Raul abade de Saint-Bertin, em 892, Balduíno é chamado para a gestão temporal da abadia, mas os monges, temendo as atrocidades do conde convidam Fulco e o elegem abade, nomeação confirmada por Carlos o Simples que sucedera a Eudes. Apesar do convencionado pelo sínodo de Soissons em 893, Balduíno assume, pela força, o castelo e abadia de Arras – o rei havia prometido a abadia a Egfrido - e toma Artois e também toma o condado de Bruges, porém não consegue capturar a cidade.

O irmão de Balduíno II, o Conde Raul de Cambrai (ou Rodolfo) em represália contra Herberto I que seguia apoiando Carlos o Simples, segue para Vermandois e toma as cidades de Peronne e St. Quentin, mas em 17 de junho de 896, ele morre em uma em uma emboscada armada por Herberto I, ao que Balduíno responde ordenando o assassinato de Herberto, mas este, entretanto, havia se mobilizado com a causa de Carlos, o Simples, o que provoca uma aparente trégua. Apesar desta reconciliação temporária (Adele ou Alix, filha de Herberto está noiva de Arnulfo, filho mais velho de Balduíno), as hostilidades recomeçaram, Balduíno desta vez opõe-se a Carlos o Simples, que havia se aliado a Herberto e passa a apoiar Zventiboldo, duque da Lotaríngia e, aproveitando-se do conflito existente entre Eudes e Carlos o simples, ele se favorece expandindo seus territórios aos quais anexa o condado de Bolonha (Boulogne-sur-Mer), e de Ternois, a seguir ele ocupa novamente Peronne, captura St. Omer, o castelo de St-Vaast, e a sua abadia. Em vista disso o rei oferece vantagens ao arcebispo de Reims, Fulco, o Venerável, que havia regressado de Soissons. Balduíno porém ganancioso, cruel e vingativo, movido pelo ressentimento e, tratando de frear o poder de Fulco, não hesita em tramar contra sua vida, instigando o seu assassinato, o qual é levado a cabo por Vinimar, senhor de Lillers em 17 junho 900. O sucessor designado para o arcebispado, Ervígio, irritou-se quando da excomunhão que o papa Bento IV lançou contra o patrocinador do crime, mas Carlos o Simples, um príncipe fraco, só pode perdoar seu vassalo poderoso demais.

Em 899 ele invade Peronne e ataca Vermandois, Artois e Bolonha. No ano seguinte (900) ele é expulso de Vermandois e, anos depois, ele logra seu principal objetivo: reconquistar o Vermandois e matar (entre 900 e 907) o conde Herberto I, em vingança pela morte de seu irmão Raul de Cambrai.

Balduíno morre em 918 ou 919, Balduíno II e é enterrado na Abadia de Saint-Bertin (como seu pai), então em Saint-Pierre de Gand.

Teve cinco filhos com Elfrida de Wessex sua esposa, filha do rei Alfred I da Inglaterra, com os quais dividiu seus bens:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Link externo[editar | editar código-fonte]

Referências e Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Le Glay Edward: Histoire des comtes de Flandre jusqu'à l'avènement de la Maison de Bourgogne, Comptoir des Imprimeurs-unis, Paris, MDCCCXLIII
  • Platelle Henri et Clauzel Denis: Histoire des provinces françaises du Nord, 2. Des principautés à l'empire de Charles Quint (900-1519), Westhoek-Editions Éditions des Beffrois, 1989; ISBN 2-87789-004-X
  • Douxchamps Cécile et José: Nos dynastes médiévaux, Wepion-Namur 1996, José Douxchamps, éditeur; ISBN 29600078-1-6
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