Balduíno IV de Jerusalém

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Guilherme de Tiro descobre os primeiros sintomas de lepra de Balduíno (Ilustração de L'Estoire d'Eracles (tradução francesa da Historia de Guilherme de Tiro), pintura francesa da década de 1250. Biblioteca Britânica, Londres.)
Guilherme de Tiro descobre os primeiros sintomas de lepra de Balduíno (Ilustração de L'Estoire d'Eracles (tradução francesa da Historia de Guilherme de Tiro), pintura francesa da década de 1250. Biblioteca Britânica, Londres.)

Balduíno IV (11611185), chamado de Balduíno, o Leproso, filho de Amalrico I de Jerusalém e sua primeira esposa, Inês de Courtenay, foi rei de Jerusalém de 1174 a 1185.

Índice

[editar] Primeiros Passos

Balduíno passou sua juventude na corte do pai em Jerusalém, tendo pouco contato com sua mãe, Inês de Courtenay, Condessa de Jaffa e Ascalon, e mais tarde Senhora de Sidon, com quem seu pai havia sido forçado a se divorciar. Balduíno IV foi educado pelo historiador Guilherme de Tiro, que posteriormente veio a ser Arcebispo de Tiro e chanceler do rei, e que fez uma descoberta desconcertante acerca do príncipe: ele e seus amigos estavam brincando um dia, tentando machucar uns aos outros com beliscões nos braços, mas Balduíno não sentia dor. Guilherme imediatamente reconhecu isso como indício de uma séria doença, mas não foi conclusivamente identificada como lepra até vários anos depois. Entretanto a chegada de sua puberdade acelerou a doença, na sua forma mais séria.

O pai de Balduíno faleceu em 1174 e o garoto foi coroado com a idade de treze anos, em 15 de Julho daquele ano. Antes de completar a maioridade o reinado foi conduzido por dois sucessivos regentes: primeiro Miles de Plancy, embora não oficialmente, e então Raimundo III de Tripoli, primo de seu pai. Em 1175, Raimundo III, rei em exercício de Jerusalém, fez um acordo com Saladino.

Por ser leproso, não se esperava que Balduíno reinasse por muito tempo ou produzisse um herdeiro, e os cortesãos e os senhores de terra se posicionaram de modo a influenciar os herdeiros de Balduíno, sua irmã a princesa Sibila de Jerusalém e sua meia-irmã, a princesa Isabela de Jerusalém. Sibila estava sendo criada por sua tia-avó Ioveta de Betânia no convento de Betânia, ao passo que Isabela estava na corte de sua mãe, a rainha viúva Maria Comnena, em Nablus (atual Cisjordânia).

[editar] Regra de Balduíno

A regência de Raimundo terminou no segundo aniversário da coroação de Balduíno: o jovem rei tinha agora idade suficiente. Ele não ratificou o tratado de Raimundo com Saladino, mas ao invés disso resolveu invadir Damasco e a região do Vale do Beqaa. Designou então seu tio materno, Joscelino III, conde titular de Edessa. Joscelino era seu parente masculino mais próximo que não tinha desejo pelo trono, sendo então considerado um apoio valoroso. De fato, acabou por provar sua lealdade.

Em seu tempo como regente, Raimundo de Trípoli havia começado as negociações para o matrimônio da princesa Sibila com William de Montferrat, primo em primeiro grau de Luís VII da França e de Frederico I, Sacro Imperador Romano-Germânico. William chegou no começo de outubro e logo se tornou Conde de Jaffa e Ascalon por seu matrimônio. Esperava-se que ele pudesse governar como rei assim que Balduíno estivesse incapacitado, sucedendo-o com Sibila.

Neste meio tempo, Balduíno planejava um ataque ao quartel general de Saladino no Egito. Acabou por mandar Reinaldo de Chatillon (antigo príncipe de Antioquia graças ao casamento com uma prima de Amalrico I, Constância de Antioquia) para Constantinopla como um enviado para Manuel I Comnenus, a fim de obter o apoio naval bizantino. Reinaldo tinha sido recentemente libertado do cativeiro em Alepo: Manuel pagou seu resgate, uma vez que ele era padrasto da imperatriz Maria de Antioquia. Manuel procurava a restauração do Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém no reino, e arranjou o casamento de Boemundo III de Antioquia com sua sobrinha-neta Teodora Comnena, filha da rainha viúva Maria. Reinaldo retornou mais cedo em 1177, e foi recompensado com o casamento com Stephanie de Milly, uma herdeira cujo marido havia falecido. Isto tornou-o lorde de Kerak e Oultrejourdain. Balduíno tentou se assegurar que Reinaldo e Guilherme de Montferrat cooperassem na defesa do sul. Entretanto, em junho, Guilherme morreu em Ascalon após várias semanas de doença, deixando a viúva Sibila grávida do futuro Balduíno V.

Em agosto, o primo do rei Felipe de Flandres, veio à Jerusalém pelas cruzadas. Felipe reclamou o casamento das irmãs de Balduíno aos seus vassalos. Felipe, enquanto parente masculino paterno mais próximo (ele era neto de Fulk e assim primo em primeiro grau de Balduíno; Raimundo era sobrinho de Melisende e assim primo em primeiro grau do pai de Balduíno), afirmou que sua autoridade superava a regência de Raimundo. A Haute Cour (supremo conselho de Jerusalém) recusou-se a concordar com isso, inclusive tendo Balduíno de Ibelin publicamente insultando Felipe. Ofendido, Felipe deixou o reino, entrando em campanha em favor do Principado de Antioquia. A família de Ibelin era de padrinhos da rainha Maria, e é possível que Balduíno de Ibelin tenha agido desta forma visando casar uma das irmãs do rei consigo mesmo.

Em novembro, Balduíno e Reinaldo de Chatillon derrotaram Saladino com a ajuda dos Cavaleiros Templários na celebrada Batalha de Montgisard. Naquele mesmo ano, Balduíno permitiu que sua madrasta se casasse com Balian de Ibelin, o que foi um movimento conciliatório para ambos, mas que carregava riscos, dada a ambição da família de Ibelin. Com o patronado de Maria, os Ibelins passaram a tentar casar as princesas Sibila e Isabela também dentro da família.

Em 1179, o rei se encontrou com alguns conflitantes militares ao norte. Em 10 de Abril, liderou uma incursão de gado em Banias, mas foi surpreendido com o sobrinho de Saladino Farrukh Shah. O cavalo de Balduíno se prendeu, e ao salvá-lo o respeitadíssimo guarda da coroa Humphrey II foi mortalmente ferido. Em 10 de Junho, em resposta aos ataques surpresa à cavalaria perto de Sidon, Balduíno organizou uma expedição, com Raimundo de Trípoli e o Grande Mestre dos Templários Odo de St Amand, para Marj Uyun. Eles derrotaram os atacantes cruzando o rio Litani, mas foram apanhados pela força principal de Saladino. O rei (incapaz de montar novamente sem ajuda) foi deixado sem cavalo, e teve que ser retirado de campo no cavalo de outro cavaleiro enquanto sua guarda abria o caminho. O Conde Raimundo fugiu para o Tiro, e o padrasto do rei, Reginaldo de Sídon resgatou um grande número de fugitivos, mas os prisioneiros incluíam o Grande Mestre, Balduíno de Ibelin, e Hugo de Tiberias, um dos enteados de Raimundo de Trípoli. Em agosto, o castelo interminado no Vale de Jacó caiu ante Saladino após um breve cerco, com o assassinato de metade de sua guarnição militar templária.

A popular atitude muçulmana frente a Balduíno foi registrada pelo viajante Ibn Jubair, que escreveu que ele fora chamado de al-khinzir ("o porco", referência ao animal considerado impuro), e sua mãe Inês al-khinzira ("a porca").[1]

[editar] Referências

  1. "[Tibnin] belongs to the sow known as Queen who is the mother of the pig who is the Lord of Acre - may God destroy it." The Travels of Ibn Jubair, trans. Roland Broadhurst, pg. 316.

[editar] Fontes

  • Guilherme de Tiro, A History of Deeds Done Beyond the Sea. E. A. Babcock and A. C. Krey, trans. Columbia University Press, 1943.
  • Steven Runciman, A History of the Crusades, vol. II: The Kingdom of Jerusalem. Cambridge University Press, 1952.
  • Bernard Hamilton, "Women in the Crusader States: The Queens of Jerusalem", in Medieval Women, edited by Derek Baker. Ecclesiastical History Society, 1978
  • Bernard Hamilton, The Leper King and his Heirs: Baldwin IV and the Crusader Kingdom of Jerusalem. Cambridge University Press, 2000.
Precedido por
Amalrico I

Rei de Jerusalém

11741185
Sucedido por
Balduíno V


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