Balian (família)

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A Mesquita de Ortaköy ou Büyük Mecidiye Camii (Grande Mesquita Imperial), em Ortaköy, Beşiktaş; obra de Garabet Amira e Nigoğayos Balian, construída entre 1852 e 1584; atrás: a Ponte do Bósforo.
Palácio de Çırağan, em Ortaköy, Beşiktaş, da originalmente da autoria de Nigoğayos, foi construído por Sarkis e Hagop Balian.
Palácio de Ihlamur (Ihlamur Kasrı, pavilhão das tílias), atualmente a sede do Departamento de Palácios Nacionais da Turquia, em Nişantaşı, Beşiktaş; obra de Nigoğayos Balian de 1849.

A família Balian ou Balyan (em armênio/arménio: Պալյաններ, transl.: Palyans) notabilizou-se pelas obras de arquitetura otomana de vários dos seus membros. Era uma família de etnia arménia residente em Istambul, Turquia . Entre os séculos XVIII e XIX os arquitetos Balian desenharam e construíram numerosos edifícios importantes, incluindo palácios, quiosques, mesquitas, igrejas e outros edifícios públicos, a maior parte deles em Istambul. Os nove membros mais conhecidos da família serviram seis sultões durante aproximadamente um século e tiveram grande influência na ocidentalização da arquitetura da então capital do Império Otomano.[nt 1]

Até ao século XVII, os arquitetos ao serviço do Império Otomano eram muçulmanos, senão de nascimento, pelo menos convertidos.[carece de fontes?] Provavelmente devido ao movimento de reforma,[necessário esclarecer] os arquitetos de minorias não muçulmanas começaram a ganhar popularidade e, entre eles destacaram-se os Balian, com educação ocidental. Entre os estudiosos debate-se se a sua importância teria sido mais como arquitetos propriamente ditos, como empreiteiros, pois não se sabe ao certo quais os membros da família que eram arquitetos e quais os que eram homens de negócios ligados à construção.

Os Balian usaram técnicas de construção e desenhos ocidentais, mas não menosprezaram elementos tradicionais otomanos nas suas obras. A obra maior e mais importante construída pelos Balian foi o Palácio Dolmabahçe, considerado um dos palácios do século XIX mais requintados do mundo,[1] mas muitos dos outros seus monumentos estão classificados como monumentos histórios.[carece de fontes?]

Membros mais famosos[editar | editar código-fonte]

Meremetçi Bali (ou Balen; ?–1725)
 
 
Magar (?-?)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sogome[nt 2]
 
Krikor Balian
(1764-1831)
Senekerim Balian
(1768-1833)
 
 
 
Nazeni Babaian[nt 2]
 
Garabet Amira Balian
(1800-1866)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nigoğayos Balian
(1826-1858)
Sarkis Balian
(1835-1899)
Hagop Balian
(1838-1875)
Simon Balian
(1846-1894)
 
 
Levon Bey Balian
(1855-?)

Obras dos Balian[editar | editar código-fonte]

Quartel de Selimiye, em Üsküdar, construído entre 1825 e 1828, obra de Krikor Balian.

Os Balian desenharam ou dirigiram a construção de inúmeros edifícios, quase todos em Istambul, desde residências da família imperial otomana a fábricas e represas, passando por edifícios públicos e religiosos, quer igrejas, quer mesquitas. Muitas dessas construções encontram-se nas vistas mais populares de Istambul, nomeadamente os palácios à beira do Bósforo, a Mesquita de Ortaköy, situada junto à Ponte do Bósforo, e a Torre de Beyazıt, que se destaca no horizonte de Fatih, a parte mais antiga da cidade.

Entre os palácios ou pavilhões (em turco: köşk, quiosque) para a família imperial, destaca-se não só a realização mais famosa dos Balian, o Palácio Dolmabahçe, mas também os palácios de Beylerbeyi, de Çırağan, de Yıldız e o Pavilhão Mecidiye (ou Grande Quiosque) do Palácio Topkapı. Entre os edifícios públicos destacam-se o Quartel de Selimiye (ou de Scutari), o antigo Ministério da Defesa, onde atualmente funciona a reitoria da Universidade de Istambul, a Torre de Beyazıt, o Liceu de Galatasaray, originalmente construído como a Escola de Medicina do Palácio Imperial, a Academia de Belas Artes, a Torre do Relógio de Dolmabahçe, a escola primária arménia de Makruhyan e o complexo residencial de Akaretler.

Entre as mesquitas, além da mais famosa, a Mesquita de Ortaköy, cabe nomear a de Nusretiye, a de Dolmabahçe e a de Pertevniyal Valide Sultan.[2] Entre as igrejas arménias, destacam-se a de Surp Haç (Santa Cruz),[3] em Üsküdar, a de Surp Astvadzadzin, em Ortaköy, e a de Surp Krikor Lusavoriç (São Gregório, o Iluminador), em Kayseri. Esta última já existia antes de 1191, mas estava em ruínas em 1859. Foi reconstruída em 1868 e em 1885.[4] Os Balian foram também os arquitetos dos türbe (mausoléus) dos sultões Mahmud I, Abdülmecid I e Abdülaziz.

Arquitetos da família[editar | editar código-fonte]

Túmulos da família Balian em Bağlarbaşı, Üsküdar, Istambul.

Mason Bali[editar | editar código-fonte]

Mason Bali (ou Mason Balen; em turco: Meremmetçi Bali Kalfa ou Meremmetçi Balen Kalfa), um pedreiro da aldeia de Belen, na região de Karaman, na Anatólia Central, é considerado o fundador da "dinastia". Estabeleceu-se em Constantinopla, onde conheceu um arquiteto arménio[carece de fontes?] ao serviço do sultão Mehmed IV (1648-1687) que ele viria a substituir. Quando Bali morreu, em 1725, o seu filho Magar tomou o seu lugar como arquiteto da corte do sultão.

Magar[editar | editar código-fonte]

O "Arquiteto" Magar (em turco: Mimar Magar) foi encarregado de importantes projetos e atingiu os mais altos cargos na corte. No entanto, em resultado de uma denúncia, foi afastado da corte do sultão Mahmud I (1730–1754) e exilado em Bayburt, no nordeste da Anatólia.[carece de fontes?] Aí, Magar ensinou oaruitetura ao seu filho Krikor antes de ter sido perdoado e voltar a Constantinopla. Quando o Magar se retirou, Krikor tomou o cargo do pai, com a colaboração do seu irmão mais novo Senekerim. Magar viria a morrer em Bayburt.

A Torre de Beyazıt, em Bayezid, Fatih, junto à Universidade de Istambul. A torre atual, de 1828, é da autoria de Senekerim e substituiu uma anterior que ardeu, da autoria de Krikor.

Krikor[editar | editar código-fonte]

Krikor Amira Baliyan (ou Balian) nasceu em 1764 e morreu em 1831. Recebeu o nome Balian em honra do avô e adotou-o como apelido de família. Era genro do pedreiro Minas e foi sogro de Ohannes Amira Severyan, ambos arquitetos da corte. Krikor (Gregório) recebeu as credenciais de arquiteto do sultão Abd-ul-Hamid I (1774–1787). Posteriormente foi conselheiro não oficial do sultão Selim III (1789–1807) e foi íntimo de Mahmud II (1808–1839). A atitude de imparcialidade e habilidade para a negociação grangeou-lhe o respeito dos estrangeiros que visitavam o palácio do sultão.[carece de fontes?]

Em 1820 foi exilado em Kayseri, na Anatólia Central por causa do seu envolvimento numa disputa entre arménios católicos e gregorianos. Foi depois perdoado e autorizado a regressar a Constantinopla, supostamente pouco depois do seu amigo no palácio, Amira Bezjian, ter oferecido em seu nome um delicioso presunto de Kayseri ao sultão.[carece de fontes?] Krikor morreu em 1831 depois de servir quatro sultões.

Senekerim[editar | editar código-fonte]

Senekerim Balian (1768–1833) era o filho mais novo de Mimar Magar e irmão de Krikor. Trabalhou com o seu irmão, mas permanceu quase sempre em segundo plano.[carece de fontes?] É conhecido principalmente pela reconstrução da Torre de Torre de Beyazıt, que tinha sido construída por Krikor em 1826 para vigiar incêndios, mas que ironicamente foi destruída por um fogo dois anos depois. Morreu em Jerusalém, onde foi sepultado numa igreja arménia.

Mesquita de Dolmabahçe (Dolmabahçe Camii ou Bezm-i Alem Valide Sultan Camii), em Kabataş, Beşiktaş, junto ao Palácio Dolmabahçe, da autoria de Garabet Amira Balian; construída por ordem da rainha-mãe Bezmi Alem Valide Sultan entre 1852 e 1854.
Interior da Mesquita Küçük Mecidiye, obra de Nigoğayos Balian.

Garabet Amira[editar | editar código-fonte]

Garabet Amira Balian (ou Karabet Balian; 1800–1866) era demasiado jovem e inexperiente para ocupar sozinho os cargos do seu pai quando este morreu, pelo que trabalhou com o seu tio Ohannes Serveryan. Garabet serviu os sultões Mahmud II (1808–1839), Abd-ul-Medjid I e Abd-ul-Aziz (1861–1876). Entre as suas numerosas obras em Istambul destacam-se o Palácio Dolmabahçe e a Mesquita de Ortaköy, obras realizadas em conjunto com o filho Nigoğayos, e o Palácio de Beylerbeyi, realizado em conjunto com o filho Sarkis.

Garabet foi um membro ativo da comunidade arménia, nomeadamente em assuntos administrativos e relacionados com a educação. Também levou a cabo estudos sobre arquitetura arménia. Foi sucedido pelos seus quatro filhos, Nigoğayos, Sarkis, Hagop e Simon após a sua morte por ataque cardíaco em 1866, enquanto conversava com amigos.[carece de fontes?]

Nigoğayos[editar | editar código-fonte]

Nigoğayos Balian (1826-858), por vezes grafado Nigoğos, foi o filho mais velho de Garabet Armira. Em 1843 foi enviado para Paris juntamente com o seu irmão Sarkis para estudarem Arquitetura no Colégio Sainte-Barbe. No entanto, devido a ter adoecido, os irmãos voltaram a Constantinopla em 1845. Nigoğayos ganhou experiência trabalhando com o pai e foi nomeado conselheiro artístico do sultão Abd-ul-Medjid I (1839–1861). Fundou uma escola para arquitetos locais onde se ensinava arquitetura ocidental.[carece de fontes?]

Nigoğayos colaborou com o seu pai na construção do Palácio de Dolmabahçe, que decorreu entre 1842 e 1856. Participou também na preparação da "Lei da Nação Arménia".[necessário esclarecer][carece de fontes?] Morreu em Constantinopla em 1858 de febre tifoide quando tinha 32 anos.

Sarkis[editar | editar código-fonte]

Sarkis Balian (1835–1899) foi o segundo filho de Garabet. Em 1843 foi com o seu irmão mais velho Nigoğayos para Paris, de onde voltou em 1845 devido ao irmão ter adoecido. Em 1847 Sarkis voltou a Paris para estudar no Colégio Sainte-Barbe, onde acabou o curso de Arquitetura três anos depois. Posteriormente estudou na Academia de Belas Artes.[qual?]

O pavilhão de "apartamentos de estado" (Büyük Mabeyin Binası), onde trabalhavam os altos funcionários do sultão, no Palácio de Yıldız, obra de Sarkis Balian.

Depois de voltar a Constantinopla, Sarkis começou a trabalhar com o pai e com o irmão .Nigoğayos Após a morte destes, continuou a sua obra com o irmão mais novo, Hagop. Sarkis tornou-se mais famoso do que Hagop porque construíu as obras desenhadas pelo seu irmão, mas também é conhecido por ter projetado alguns edifícios.[carece de fontes?]

Conhecido por ser rápido no seu trabalho, a vida profissional de Sarkis foi interrompida pela morte do irmão Hagop em 1875 e pela ascensão de Abd-ul-Hamid II (1876–1909) ao trono. Abd-ul-Hamid II. Devido a acusações políticas a que não deverão ter sido alheias as perseguições aos arménios no Império Otomano iniciadas no reinado de Abd-ul-Hamid II, que culminariam na chacina de dezenas ou centenas de milhares de arménios, Sarkis foi forçado a exilar-se na Europa durante 15 anos, mas acabou por regressar à Turquia graças a Hagop Kazazian Paşa, um alto funcionário otomano arménio ao serviço do sultão que chegou a ministro das finanças imperial, ter intercedido por ele.[5]

A sua obra mais importante foi o pavilhão da Valide Sultana. Interessado em todos os ramos das Belas Artes, Sarkis apoiou vários artistas arménios (escritores, músicos e principalmente atores). Foi também membro da Assembleia do Patriarcado Arménio de Constantinopla. Foi-lhe concedido o título nobiliárquico de Sir Mimar (Aqrquiteto-chefe do Império Otomano).[carece de fontes?]

O Palácio de Beylerbeyi, em Beylerbeyi, Üsküdar, na margem asiática do Bósforo; obra de Sarkis.

Hagop[editar | editar código-fonte]

Hagop Balian (1838–1875), por vezes grafado Agop, foi o terceiro filho de Garabet. Como Sarkis, formou-se em Arquitetura no Colégio Sainte-Barbe de Paris. Trabalhou com o irmão Sarkis em vários projetos em Constantinopla. Não se sabe ao certo qual a divisão de tarefas entre os dois irmãos, mas supõe-se que Hagop se dedicou mais ao desenho do que à direcção de construção e que muitas das obras pelas que deram fama a Sarkis porque este as dirigiu eram da autoria de Hagop.[nt 2]

Hagop morreu em Paris em 1875 com 37 anos de idade; foi sepultado no cemitério do Père-Lachaise, em Paris.[nt 1]

Simon[editar | editar código-fonte]

Simon Balian (1846-1894) foi o quarto filho de Garabet Amira. Sabe-se que trabalhou em conjunto com os irmãos e que estudou Aqruitetura na Europa. As obras mais importantes em que trabalhou foram o Quartel ou Arsenal de Maçka, em Beşiktaş, na estação de Maçka e num dos pavilhões (köşk) do Palácio de Yıldız. Pintou várias aguarelas das obras dos Balian.[nt 2]

Levon[editar | editar código-fonte]

Levon Bey Balian (1855-?) era filho de Hagop. Estudou Arquitetura em no Colégio Sainte-Barbe de Paris, onde se diplomou em 1869. Frequentou também a Escola de Belas Artes.[qual?][nt 2]

Notas

  1. a b A maior parte do texto foi inicialmente baseado no artigo «Balyan family» na Wikipédia em inglês (acessado nesta versão).
  2. a b c d e Artigo «Balyan Ailesi» na Wikipédia em turco (acessado nesta versão).

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Armenian Constantinople, Abstracts from the International Conference (em inglês) www.sscnet.ucla.edu Armenian Studies, Universidade da Califórnia em Los Angeles (maio 2001). Visitado em 23 de fevereiro de 2011. Cópia arquivada em 24 de maio de 2008.
  2. Ersoy, İnci Kuyulu; Wood, Barry (trad.); Gomez, Mandi (trad.). Pertevniyal Valide Sultan Mosque Complex (em inglês) Discover Islamic Art (www.discoverislamicart.org) Museum With No Frontiers. Visitado em 23 de fevereiro de 2011. Cópia arquivada em 24 de fevereiro de 2011.
  3. Surp Haç Ermeni Kilisesi (em turco) www.uskudar.bel.tr Prefeitura de Üsküdar. Visitado em 24 de fevereiro de 2011. Cópia arquivada em 24 de fevereiro de 2011.
  4. Kilisemiz Hakkında (em turco) www.kayserikilisesi.org Kayseri Surp Krikor Ermeni Lusavoriç Kilisesi Vakfı. Visitado em 24 de fevereiro de 2011. Cópia arquivada em 24 de fevereiro de 2011.
  5. Pamukciyan, Kevork. Ermeni Kaynaklarından Tarihe Katkılar IV - Biyografileriyle Ermeniler (em <código de língua não-reconhecido>). Istambul: Aras Yayıncılık, 2003. 97 pp. ISBN 975-7265-54-5.

Genéricas[editar | editar código-fonte]

Nota: Não usadas diretamente; constavam do «en:Balyan family» na Wikipédia em inglês cuja tradução serviu de base à maior parte do texto.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • TuğLaci, Pars. The Role of the Balian Family in Ottoman Architecture (em <código de língua não-reconhecido>). Yenı Çiğir. ed. Istambul: Yeni Cigir Kıtapevı, 1990. ISBN 9789759555212.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Balian (família)
  • Kuran, Aptullah; Adalian, Rouben P.. Balyan family (em inglês) www.Answers.com. Visitado em 23 de fevereiro de 2011.