Banalidade do Mal

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Banalidade do Mal é uma expressão criada por Hannah Arendt (1906-1975), teórica política alemã, em seu livro "Eichmann em Jerusalém", cujo subtítulo é "Informe sobre a Banalidade do Mal".

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Antecedentes[editar]

Buscando compreender os acontecidos da Europa, na primeira metade do século XX (1901-2000), isto é, os modelos Totalitários como Nazismo e Stalinismo Hannah Arendt inicia seus escritos políticos. E no decorrer do seu dissertar, cunha o conceito de "Mal Banal" No ano de 1961, após o fim da Segunda Guerra Mundial, inicía-se em Israel, o julgamento de Adolf Eichmann por crimes de genocídio contra os judeus, durante a Segunda Guerra Mundial. O julgamento foi recheado de grande polêmica e controvérsias; porém, quase todos os jornais do mundo enviaram jornalistas para cobrir as sessões que foram tornadas públicas pelo governo israelense. Uma das correspondentes presente ao julgamento, como enviada da revista The New Yorker foi a alemã naturalizada norte-americana, Hannah Arendt. Além de crime contra o povo judeu, ele foi acusado de crimes contra a Humanidade, e de pertencer a um grupo organizado com fins criminosos. E o réu se declarou "Inocente no sentido das acusações"1 e é a partir deste sujeito que a autora produz o livro "Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal"

Eichmann foi condenado por todos os seus crimes e enforcado em 1962, nas proximidades de Tel Aviv.

O Livro[editar]

Em 1963, baseado em seus relatos do julgamento e em cima de todo o seu conhecimento filosófico-político ela escreveu um livro ao qual denominou "Eichmann em Jerusalém".

Nele, ela descreve não somente o desenrolar das sessões, mas faz uma análise do "indivíduo Eichmann".

Segundo ela, Adolfo Eichmann não possuía um histórico ou traços anti-semita e não apresentava características de uma pessoa com caráter distorcido ou doentio. Ele agiu como agiu por desejo de ascender em sua carreira profissional e seu atos foram resultados de cumprimento de ordens superiores. Ele era um simples burocrata que cumpria ordens sem racionalizar em suas conseqüências. Para Eichmann, tudo era realizado com zelo e eficiência, e não havia nele o sentimento de "bem" ou "mal" em seus atos.

A Frase[editar]

Para Hannah, ele não era o "monstro", o "poço de crueldade" com que era julgado pela maior parte da imprensa. Os atos de Eichmann não eram desculpáveis e nem ele era inocente, mas estes atos não foram realizados por um ser dotado de imensa capacidade de crueldade, mas sim por um funcionário burocrata dentro de um sistema baseado em atos de extermínio.

Em cima desta análise ela cunhou a expressão "Banalidade do Mal" para indicar que alguns indivíduos agem dentro das regras do sistema a que pertencem sem racionalizar sobre seus atos. Eles não se preocupam com as conseqüências destes, só com o cumprimento das ordens. A tortura, a execução de seres humanos ou a prática de atos do "mal" não são racionalizados em seu resultado final, desde que as ordens para executá-los advenham de estâncias superiores.

Hannah Arendt discorre sobre a complexidade da natureza humana e alerta que é necessário estar sempre atento para o que chamou de "banalidade de atos do mal" e evitar a sua ocorrência.

Hoje a frase é utilizada com significação universal para descrever o comportamento de alguns personagens históricos que cometeram atos de extrema crueldade e sem nenhuma compaixão para com outros seres humanos, e que em suas vidas pregressas não foram encontrados traços de traumas ou quaisquer desvios de personalidade que justificassem os seus atos. Em resumo: eles eram "pessoas normais".

Bibliografia[editar]

  • Hannah Arendt, [Eichman in Jerusalem : A Report on the Banality of Evil, New York, The Vinking Press, 1963]
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Referências

  1. ARENDT, Hannah; Eichmman em Jerusalém: Um relato sobre a banalidade do mal; Tradução: José Rubens Siqueira. São Paulo: Companhia das Letras; 1999.

Ligações externas[editar]