Bandeira arco-íris

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Bandeira arco-íris usada pelo movimento LGBT.

A Bandeira arco-íris é uma bandeira composta por barras horizontais que representam as diferentes cores do arco-íris.

Existem várias versões, com pequenas variações das cores, número e disposição das barras. É impossível determinar a sua versão original, já que o seu uso acontece desde há muito e em diferentes partes do mundo.

Durante a Guerra dos Camponeses, no século XVI na Alemanha, foi usada como sinal de esperança na nova era. Thomas Muentzer, sacerdote que apelou à revolta dos camponeses, é muitas vezes retratado segurando uma bandeira arco-íris.

Projetado pelo artista Gilbert Baker, de São Francisco, em 1978, inicialmente a bandeira passou por várias revisões e, em seguida, voltou a adicionar cores devido aos tecidos amplamente disponíveis.[1] [2] Desde de 2008, a variante mais comum é composta por seis faixas, com as cores vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta. A bandeira é comumente hasteada horizontalmente, com a faixa vermelha no topo, como seria em um arco-íris natural.

Movimento Pacifista[editar | editar código-fonte]

A bandeira arco-íris foi usada pela primeira vez como símbolo pacifista na Itália nos anos 60. Mas só se popularizou a nível mundial em 2002 durante os protestos contra a Ocupação do Iraque. A versão mais comum tem sete barras horizontais, sendo a ordem inversa à usada pelo movimento LGBT, e com uma barra azure, a cor nacional de Itália. Geralmente tem inscrita a palavra pace, que significa "paz" em latim, em letras maiúsculas de cor branca. Também é usual ver outras traduções da palavra.

A organização ecologista Greenpeace ("paz verde") também usa a bandeira em várias acções. Rainbow Warrior ("guerreiro arco-íris") é o nome de uma série de barcos desta organização, sendo considerada o mais importante símbolo da Greenpeace. O primeiro Rainbow Warrior foi afundado a 10 de Julho de 1985 pelos serviços secretos franceses, provocando a morte do tripulante e fotógrafo português Fernando Pereira.

Movimento LGBT[editar | editar código-fonte]

O uso generalizado da bandeira arco-íris em manifestações LGBT começa nos anos 80. Sendo hoje reconhecida mundialmente como o símbolo das minorias sexuais. A sua versão mais actual tem seis barras horizontais, cada uma com uma cor diferente, de cima para baixo, vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta.

História[editar | editar código-fonte]

Gay flag 8.svg
Versão original com oito cores de Gilbert Baker (1978)

Gay flag 7.svg
Versão com o rosa removido (1978–79)

Gay flag.svg
Versão atual de seis cores desde 1979. O azul-escuro mudou para azul.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os homossexuais nos campos de concentração nazistas eram identificados por um triângulo rosa, símbolo que permaneceu. Na década de 1970, em São Francisco, Califórnia, o movimento homossexual florescia, e os militantes queriam um símbolo que fosse mais entusiasta. Dessa forma, o artista Gilbert Baker, amigo de Harvey Milk (o primeiro político gay eleito nos Estados Unidos da América),[3] tratou de providenciar um novo modelo. Baseado nos hippies, para os quais o arco-íris representava a paz, a estreia da bandeira ocorreu em 1978 na Parada do Orgulho Gay de São Francisco. Possuía oito cores, sendo que por motivos comerciais, visando diminuir o preço, as cores rosa e azul-claro foram removidas. Portanto, atualmente a bandeira possui apenas seis cores.[4]

Rosa - Sexualidade
Vermelho - Vida
Laranja - Saúde
Amarelo - Sol
Verde - Natureza
Azul-claro - Arte
Azul - Harmonia
Roxo - Espírito

Outras versões[editar | editar código-fonte]

Além da versão com seis barras, ainda são vistas actualmente outras versões da bandeira arco-íris em manifestações LGBT, contendo sete cores. Desde versões com uma barra a negro [1], simbolizando os homossexuais mortos pela SIDA, a bandeiras que misturam as cores do arco-íris com símbolos nacionais ou regionais, pretendendo assim representar a população LGBT desse país ou região [2].

Existem ainda bandeiras derivadas da arco-íris, mas com outras cores, para representarem sub-culturas LGBT, como a ursina (bandeira em tons acastanhados [3]) ou a leather (bandeira com barras azuis e negras [4]).

Wiphala[editar | editar código-fonte]

A Whipala é uma bandeira de origem andina. A palavra Wiphala tem origem das palavras "aymaras": Wiphay que é uma expressão de alegria; e Phalax que é o sonho produzido por conduzir uma bandeira.

As cores se originam no arco-íris, tomado como referência pelos antepassados andinos, para mostrar a composição e estrutura dos emblemas e organizar a sociedade comunitária e harmónica dos Andes.

Oblast Autónomo Judaico[editar | editar código-fonte]

Outra versão da bandeira arco-íris é usada como bandeira oficial do Oblast Autónomo Judaico, uma divisão federal da Rússia, situada no Extremo Oriente junto à fronteira com a China. Esta bandeira tem fundo branco, com um arco-íris que a atravessa horizontalmente, constituído por sete barras horizontais, por sua vez separadas entre si por pequenas barras brancas [5]. A ordem é semelhante à da bandeira usada pelo movimento LGBT, diferindo apenas na existência de uma barra azul-celeste. As sete cores representam os sete braços do Menorá, que segundo as tradições judaicas representam os sete dias usados por Deus para criar o mundo.

Tahuantinsuyu[editar | editar código-fonte]

Inca.

Uma bandeira arco-íris é também usada no Peru, Bolívia e Equador como símbolo do Tahuantinsuyu, indígenas andinos. E tem sido exibida em protestos contra os governos destes países. É constituída por sete barras horizontais. Por vezes a barra azul-claro está ausente, sendo substituída por uma branca que é colocada entre a verde e a amarela.

A frequente confusão com a bandeira usada pelo movimento LGBT tem suscitado o desejo de abandono e substituição da bandeira arco-íris, por parte de algumas pessoas do movimento indígena de Cuzco, no Peru.

Referências

  1. (28 de maio de 1993) "The Rainbow Flag" (em inglês). The Alyson Almanac. Página visitada em 06 de outubro de 2013.
  2. Gilbert Baker (18 de outubro de 2007). Pride-Flyin' Flag: Rainbow-flag founder marks 30-years anniversary (em inglês). Metro Weekly. Página visitada em 06 de outubro de 2013.
  3. Diehl, Alexandra; Cordeiro, Daniel Cruz; Larangeira, Ronaldo. Dependência Química: Prevenção, Tratamento e Políticas Públicas. Artmed. pp. 402.
  4. (Agosto 2013) "Arco-íris gay". Aventuras na História (121): 15. São Paulo: Editora Abril.

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • The National Museum & Archive of Lesbian and Gay History (1996). The Gay Almanac. Cidade de Nova Iorque, Berkeley Books. ISBN 0-425-15300-2.
  • Witt, Lynn, Sherry Thomas & Eric Marcus (1995). Out in All Directions: The Almanac of Gay and Lesbian America. Nova Iorque, Warner Books. ISBN 0-446-67237-8.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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