Banu Qurayza

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Detalhe da pintura: O Profeta, Ali, e os companheiros no massacre dos Prisioneiros da tribo judaica de Banu Qurayza, ilustração de um texto do século XIX de Muhammad Rafi Bazil. Manuscrito atualmente na Biblioteca Britânica.

A Banu Qurayza (em árabe: بني قريظة; بنو قريظة ou Quraiza, Qurayzah, Quraytha, e o arcaico Koreiza) foi uma tribo judaica do oasis de Yathrib (atualmente conhecido como Medina) até o século VII, quando surgiu o conflito com o profeta Maomé que levou ao seu extermínio.

História[editar | editar código-fonte]

Os Banu Qurayza eram uma das três grandes tribos judias existentes em Medina por volta da Hégira e que haviam adotado vários dos hábitos árabes com o passar dos anos. As outras duas tribos judaicas eram os Banu Qaynuqa e Banu Nadir. Perdiam em importância política apenas para as tribos árabes pagãs de Aws e Khazraj provenientes do Iêmen. Boa parte da prosperidade da cidade se devia aos judeus dedicados à artesania, ferralheria e joalheria, assim como à produção de tâmaras.[1]

Hégira[editar | editar código-fonte]

No ano 622 da Era Comum as cinco maiores tribos de Yathrib viviam em constantes desavanças políticas e o clima de instabilidade tornava-se intolerável. Finalmente chegou-se à um acordo para que uma pessoa de fora da comunidade fosse escolhida como árbitro imparcial das disputas internas. Reconhecido como um hábil negociador e comerciante inteligente, além de pertencer à importante tribo árabe dos coiraxitas, Muhammad ibn 'Abd Allah foi ecolhido como árbitro tribal ao mesmo tempo que vários xeques árabes de Yathrib se converteram ao recém-fundado Islã. Por sua vez, o profeta cada vez mais pressionado pelas classes dominantes de Meca e tendo perdido a proteção de seu falecido tio Abu Talib, já buscava há muitos meses um local para emigrar com seus seguidores mulçumanos. Em menos de um ano, Muhammad e seus seguidores modificaram profundamente a sociedade de Yathrib.

Relação com "Os povos do Livro"[editar | editar código-fonte]

À princípio a tolerância era praticada em relação aos dhimmis ("povos do livro": judeus e cristãos monoteístas), tendo o profeta deixado bem claro sua afinidade com o judaísmo. Nestes primeiros anos Muhammad via cristãos e judeus como possíveis aliados do Islã pois ambas as religiões eram monoteístas e cultadoras do deus de Abraão. Num primeiro momento o Islã absorveu algumas práticas judaicas, como a proibição do consumo de carne suína, a prática de circuncisão, a prática da qibla voltada em direção à Jerusalém, as preces de sexta-feira em preparação para o Sabá e a festividade de Ashura coincidente com o Yom Kippur judaico.

Batalha de Badr[editar | editar código-fonte]

Em 624 EC os seguidores de Muhammad realizaram uma emboscada à uma grande caravana mequense na localidade de Badr. A batalha de Badr foi a primeira grande vitória militar dos mulçumanos. O butim de 150 camelos, 10 cavalos, diversas armas e reféns que foram trocados por resgates, bem como o controle sobre a rota de caravanas do norte, representou um enorme aumento no poder econômico dos mulçumanos que somou-se à autoridade política de Muhammad.[2]

Rompimento das relações[editar | editar código-fonte]

A não participação das tribos judaicas na batalha de Badr e o ditanciamento que procuravam manter do Islã, evitando a mescla de suas crenças, começou a gerar desconfiança entre os mulçumanos. Um incidente entre judeus e muçulmanos que culminou na morte de um destes últimos, foi o pretexto que faltava para a expulsão da primeira das tribos judaicas de Yathrib, os Banu Qaynuqa. Em 625 EC os Banu Nadir são expulsos por não cumprirem os termos da aliança de defesa militar de Medina tornado os Banu Qurayza a última tribo judaica da cidade. Após a Batalha da Trincheira em 627 EC, embora tenham oficialmente apoiado a resistência de Medina contra as tropas de Meca, pesam desconfianças de que os Banu Qurayza tivessem feito um acordo secreto com Meca pelo qual atacariam as forças muçulmanas pela retaguarda caso a batalha tivesse de fato se concretizado. Como punição à esta traição, Muhammad ordena a execuçaão dos cerca de setecentos judeus da tribo e a disposição de seus corpos decaptados na grande trincheira que haviam ajudado a cavar na face norte da cidade. As mulheres e crianças judias foram escravizadas e seus bens e propriedades distribuídos entre os muçulmanos.[2] [3] O fracasso da aliança muçulmana-judaica em Medina viria a ser a semente da discórdia que desde então acompanha os dois povos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. LEWIS, DAVID LEVERING. O Islã e a formação da Europa de 570 a 1215. Brasil: Editora Manole, Amarilys, 2010. ISBN 978-85-204-2793-4
  2. a b RODINSON, MAXINE. Muhammad. USA: The New Press, 2002. ISBN 978-1565847521
  3. LINGS, MARTIN. Muhammad: His Life Based on the Earliest Sources. USA: Inner Traditions, 1987. ISBN 978-0892811700

Ligações externas[editar | editar código-fonte]