Bardanes II Mamicônio

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Bardanes II Mamicônio
Medalha comemorativa com efígie de Bardanes II Mamicônio
Nascimento 393
Morte 26 de maio de 451 (58 anos) em Avarair
Veneração por Igreja Apostólica Armênia
Gloriole.svg Portal dos Santos
Uma iluminura medieval armênia representando a batalha de Avarair

Bardanes II Mamicônio (em armênio/arménio: Վարդան Բ Մամիկոնյան; transl.: Vardan/Vartan II Mamikonian; em grego: Βάρδας Μαμικονιάν; transl.: Bardanes/Bardas Mamikonian; m. 26 de maio de 451) também conhecido como São Bardanes foi um chefe militar armênio. Estrategista, é reverenciado por sua coragem e é um dos maiores líderes militares e espirituais da Armênia antiga. Filho de Amazaspes I Mamicônio e Sahakanuch, da família dos gregóridas (descendentes de Gregório, o Iluminador, o evangelizador da Armênia), e irmão de Maiactes Mamicônio e Amazaspiano Mamicônio.[1] [2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Desde seu advento, o sassânida Izdegerdes II (r. 438–457) começou a converter a Armênia ao zoroastrismo. Cerca de 449, ele emitiu um decreto obrigando os armênios a renunciar sua fé. Em contrapartida, a nobreza e o clero enviaram um manifesto em que eles forneciam sua obediência absoluta, mas recusaram qualquer ideia de apostasia e negaram ao rei o direito de intervir em assuntos religiosos. O rei então convocou os principais naxarar intimamente e forçou-os a escolher entre a conversão ou a morte. Eles correram, alguns como Bardanes II Mamicônio relutantemente, mas usaram um subterfúgio envolvendo as prostrações rituais completas para o sol, enquanto respondiam às suas orações a Deus.[3]

Os naxarar, ao voltarem para a Armênia, estavam acompanhados pelos padres mazdeístas e comprometeram-se a fechar as igrejas e construir templos. Os nobres que apostataram, mesmo que em cerimônia falsa, reagiram lentamente ao descontentamento, e levaram as massas nos tumultos. Bardanes II Mamicônio, desconfortável com a conversão simulada que teve que praticar e por não querer pegar em armas contra o rei, que permaneceu seu senhor, pretendia refugiar-se no Império Bizantino. O marzpan Vasaces de Siunique, preocupado com a deserção de um clã poderoso, enviou mensageiros que com sucesso fizeram-no abandonar seu projeto. Bardanes II levou a cabo a insurreição contra os persas e reuniu a maior parte da nobreza armênia. Para não ficar isolado, Vasaces de Siunique não teve outra escolha senão juntar-se a insurgência, apesar de sua fidelidade inabalável aos sassânidas.[4] [5]

Consciente de que estavam em menor número, ele enviou uma embaixada a Constantinopla, composta por seu irmão Maiactes Mamicônio, Atom Gnuni, Bardanes Amatuni e Meruzanes Arcruni, porém ela não logrou resultados.[6] Em maio de 451, Izdegerdes II enviou para a Armênia um exército que esmagou Bardanes II Mamicônio em 26 de maio de 451 na batalha de Avarair.[7] [8]

Posteridade[editar | editar código-fonte]

Segundo Cyril Toumanoff, Bardanes II era pai de:[9]

  • Susana, mártir morta em 17 de outubro de 475 por seu marido, Vazgenos (Varsken), vitaxe de Gogarena e vice-rei da Albânia.
  • Vardanuch, casada em 451 com Archavir I Camsaracan;
  • Magno I, sparapet em 451;

Magno é mencionado por uma fonte tardia, a Crônica de Miguel, o Sírio (século XIII), que afirma que governou a Armênia por 20 anos. A ausência de tal referência em crônicas armênias contemporâneas demonstra a improbabilidade, e Magno é considerado uma duplicata de seu primo Baanes II, o Grande (em latim: Magnus) que foi efetivamente marzpan da Armênia de 485 a 505. Cyril Toumanoff considera que Magno teria existido, tendo morrido jovem, enquanto Christian Settipani não o menciona em suas reconstituições.[10]

Christian Settipani menciona apenas duas meninas:

  • Vardanuxt[2] ou Susana, esposa de Vazgenos, vitixe de Gogarena;[11]
  • Vardanuch[2] ou Vardanoyš, esposa de Archavir Camsaracan.[12]

Referências

  1. Toumanoff 1990, p. 330
  2. a b c Settipani 2006, p. 132
  3. Grousset 1947, p. 189-193
  4. Grousset 1947, p. 193-196
  5. Dédéyan 2007, p. 189
  6. Grousset 1947, p. 196-199
  7. Grousset 1947, p. 202
  8. Dédéyan 2007, p. 190
  9. Toumanoff 1990, p. 330-331
  10. Settipani 1991, p. 39
  11. Settipani 2006, p. 387; 535
  12. Settipani 2006, p. 372

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Grousset, René. História da Armênia das origens à 1071. Paris: [s.n.], 1947.
  • Settipani, Christian. Continuidade das elites em Bizâncio durante a idade das trevas. Os príncipes caucasianos do império dos séculos VI ao IX. Paris: de Boccard, 2006. ISBN 978-2-7018-0226-8.
  • Toumanoff, Cyril. As dinastias do Cáucaso cristão na Antiguidade ao século XIX: tabelas genealógicas e cronológicas. Roma: [s.n.], 1990.