Barquq

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Barquq
25º Sultão mameluco do Egito
Mamluk Barquq copper fals Damascus 1382 1389.jpg
Moeda em cobre do sultão Barquq
Governo
Reinado 13821389
1390junho de 1399
Antecessor al-Salih Hajji
al-Salih Hajji
Herdeiro al-Nasir Faraj
Sucessor al-Salih Hajji
al-Nasir Faraj
Dinastia Burjidas
Títulos Fundador da dinastia Burji
Vida
Nome completo Al-Malik Az-Zahir Sayf ad-Din Barquq
الملك الظاهر سيف الدين برقوق
Região da Circássia
Morte junho de 1399
Cairo
Sepultamento Cairo
Filhos al-Nasir Faraj

Al-Malik Az-Zahir Sayf ad-Din Barquq (em árabe: الملك الظاهر سيف الدين برقوق) foi um sultão do Egito e fundador da dinastia mameluca dos burjidas. Ele governou por dois períodos distintos, primeiro entre 1382 e 1389 e depois, entre 1390 e a sua morte, em 1399.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Barquq era de origem circassiana[1] e havia sido comprado como escravo - tornando-se um mameluco - para a casa de Yalbogha por volta de 1363-1364[2] .

Ascensão ao poder[editar | editar código-fonte]

Desde 1341, o Sultanato Mameluco do Cairo era governado pelos descendentes de al-Nasir Muhammad, da dinastia Bahri, mas nenhum deles conseguia exercer o poder de maneira efetiva. Na realidade, muitos deles eram menores de idade quando ascendiam ao trono e agiam apenas como marionetes de uma ou outra facção mameluca que disputava o poder. Numa dessas ocasiões, em 1377, o sultão al-Ashraf Sha`ban, que já reinava por conta própria desde 1366, foi deposto e assassinado. Os rebeldes o substituíram pelo seu filho de sete anos de idade. Quando este sultão marionete morreu, foi substituído também por seu irmão caçula.

Nesta época, Barquq, pertencia à facção que comandava o governo, servindo em diversas funções oficiais na corte dos sultões meninos. Ele foi consolidando seu poder até que, em novembro de 1382, ele se sentiu capaz de depor o sultão al-Salih Hajji e reivindicar para si o sultanato. Ele tomou nome real de al-Zahir, imitando o grande sultão al-Zahir Baibars[3] .

Primeiro reinado (1382-1389)[editar | editar código-fonte]

Barquq colocou membros de sua própria família em poderosas posições oficiais em detrimento de outras famílias rebeldes na tentativa de solidificar sua nova posição. Ele também patrocinou a construção de uma madrassa-khanqa no centro do Cairo. Completada em 1386, ela é um dos três mais proeminentes monumentos islâmicos na rua Bayn al-Qasrayn na parte fatímida do Cairo. Apesar de ser chamada de Mausoléu de Barquq, apenas a sua filha está enterrada ali[4] .

A caravanserai central do famoso souk do Cairo, Khan El-Khalili, foi fundada no primeiro ano de seu primeiro reinado, mas não por ele e sim por um de seus emires, Djaharks el-Khalili.

Revolta[editar | editar código-fonte]

Em 1389, irrompeu uma revolta dos emires mamelucos da porção norte do sultanato: Mintash, governador de Malatya, e Yalbogha al-Nasiri, de Alepo[5] . Após tomarem o controle da Síria, os emires marcharam em direção ao Cairo. Barquq tentou escapar, mas foi capturado e enviado para a fortaleza de al-Karak. Enquanto isso, os emires restauraram o bahri Hajji ao trono, que tomou o nome de al-Mansur. Diversos combates se travaram entre as facções mamelucas na capital e, eventualmente, os aliados de Barquq conseguiram vencer os rebeldes. Barquq voltou ao Cairo em triunfo em fevereiro de 1390[3] .

Segundo reinado (1390-1399)[editar | editar código-fonte]

Durante o seu segundo reinado, Barquq conseguiu substituir quase todos os governadores e principais oficiais do governo por membro de sua família.

Ele também se tornou um adversário de Timur após ele ter invadido novamente Bagdá e demonstrar a intenção de tomar toda a Síria. Após 1393, ele se juntou a uma aliança formada pelo Império Otomano, pela Horda Dourada e pelo Principado de Siwas, mas Timur, que estava em campanha na Transcaucásia, Rússia e Índia, não atacou[6] .

Barquq morreu em junho de 1399 e foi enterrado no Cemitério Norte do Cairo. Ele foi sucedido por seu filho Faraj, que adotou o nome de al-Nasir Faraj.

Referências

  1. http://books.google.co.il/books?id=i0KYzOISv_4C&pg=PA290&lpg=PA290&dq=circassian+mamluks&source=bl&ots=HxAYZxERJb&sig=hqKBAySDY67jmWwfs64ylsrw3zs&hl=iw&sa=X&ei=ThxJT4OSK4WCOunx-P4N&ved=0CF0Q6AEwBzgK#v=onepage&q=circassian%20mamluks&f=false
  2. Holt, p. 127
  3. a b Holt, p. 128
  4. Williams, pp. 170-172
  5. Que não deve ser confundido com Yalbogha al-`Umari
  6. The Mamluks, Ivan Hrbek, The Cambridge history of Africa: From c. 1600 to c. 1790, Vol. III, Ed. Roland Oliver, (Cambridge University Press, 2001), 54.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Al-Maqrizi, Al Selouk Leme'refatt Dewall al-Melouk, Dar al-kotob, 1997.

Idem in English: Bohn, Henry G., The Road to Knowledge of the Return of Kings, Chronicles of the Crusades, AMS Press, 1969.