Basílica de Nossa Senhora de Nazaré

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Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré
Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, com detalhe da imponente fachada.
Estilo dominante Neoclassico
Arquiteto Gino Coppede e Giuseppe Predasso
Construção 24 de outubro de 1909
Diocese Arquidiocese de Belém
Arcebispo Dom Alberto Taveira Corrêa
Local Belém, PA,  Brasil

A Basílica de Nossa Senhora de Nazaré foi erguida em 1852 no mesmo lugar em que foi achada a imagem da Santa pelo Caboclo Plácido na cidade de Belém do Pará, às margens do Igarapé Murucutu, que atualmente não existe mais. Durante o Círio de Nazaré a imagem da Santa sai da Catedral Metropolitana de Belém (Sé) e segue em procissão até a Basílica.[1]

O atual templo, de suntuosos caráter neoclássico e eclético, começou a ser construído em 1909, com a colocação de sua pedra fundamental em 24 de Outubro daquele ano pelo então arcebispo de Belém Dom Santino Maria Coutinho. Na ocasião, o poeta maranhense Euclides Faria apresentou ao público o hino “Vós sois o lírio mimoso”, que se tornou o hino oficial em louvor à Virgem de Nazaré, por lei considerada como “Rainha da Amazônia”, e que os carrilhões da Basílica tocam todos os dias, ainda hoje, às 6h, 12h e 18h.[2]

A Basílica de Nazaré é a única basílica da Amazônia Brasileira. Sua história, seu simbolismo e sua importância religiosa exercem uma profunda influência no imaginário religioso paraense. Elevada no dia 31 de maio de 2006 à categoria de Santuário Mariano Arquidiocesano, passou a denominar-se Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Desde o século XVIII, muitos fiéis peregrinavam até a pequena ermida que se encontrava ao lado do Rio Murucutu. Tal ermida fora erguida por seguidores da imagem encontrada pelo caboclo Plácido. A cabana ficava na área periférica da cidade, à época, e era muito visitada principalmente por ribeirinhos e desvalidos.[4] A devoção, com o tempo, se estendeu para as classes mais nobres e chegou ao conhecimento da igreja, que ratificou a devoção e, por intermédio do Arcebispo de Belém, Dom Santino Maria Coutinho, delegou aos padres barnabitas (que já tomavam conta da ermida desde o século XIX) no ano de 1905, a responsabilidade da construção de uma locação mais organizada e digna da da população, além de se haver uma urgência em encontrar um local maior para abrigar o grande número de fiéis que crescia sem cessar.[5]

Para que o projeto inicial fosse para frente, primeiro foram cortados gastos e arrecadados recursos com o intuito de tornar tal obra realidade. Muitos beneficiários da paróquia acabaram perdendo seus créditos, pois muitos eram aproveitadores do fundo da igreja e pilhavam os bens que deveriam ser destinados a obras de caridade e para a construção do templo. Em 1908, o Visitador Geral da Ordem, Pe. Luigi Zoia, chegou em Belém para continuar sua inspeção da Província geral do Brasil (Como era chamada uma zona catequética para a igreja), sendo informado dos barnabitas sobre tal obra.[6] Zoia encantou-se com a ideia e decidiu contribuir com a construção do templo. Ele entrou em contato com os arquitetos italianos Gino Coppede e Giuseppe Predasso, pedindo-lhes o projeto de uma Igreja consagrada a Nossa Senhora de Nazaré do Desterro, inspirado na Santíssima Basílica de São Pedro do Vaticano.[7] Coppede nunca esteve em Belém, enviando os esboços, os projetos, e copiando tudo o que achava de mais belo nas igrejas italianas para a sua própria. Ele estava empenhado, pois era um artista dedicado ao movimento do Art Nouveau, mais abria uma exceção, indo para o Neoclássico. Além disso, era a única igreja de toda a sua história com arquiteto e projetista.[8]

Em 1909, fora lançada a pedra fundamental. A igreja recebia, com muita dificuldade, todo o material vindo da Europa, com sacrifícios do Padre Zoia, que pedia a intendência e ao intermédio dos barões da borracha, a ajuda para a isenção fiscal dos materiais que ficavam estacionados na alfândega.[9] A Igreja só foi acabada depois da Segunda guerra mundial, enfrentando os dois períodos de conflitos (Primeira e Segunda Guerra, quando houve crise econômica e o comércio foi interrompido), a crise da borracha no Pará, a Revolução de 1930 e o Estado Novo. Atualmente, ela é a única Basílica da Amazônia brasileira e a que recebe o maior número de contingente do Norte da América do Sul, principalmente durante o período da Quadra Nazarena, onde ocorre a festa do Círio de Nazaré. [10]

A igreja auxíliou na elevação dos preços das moradias na região, além de tornar a área um local disputado. Ela é uma construção imponente, mesmo em meio a variados prédios advindos da verticalização que ocorrera em Belém dos anos 1970 até a atualidade. Junto com o Colégio Gentil Bittencourt, as Casas dos antigos barões da borracha e o Museu Emilio Goeldi, formam o Conjunto arquitetônico do bairro de Nazaré. [11]

A igreja[editar | editar código-fonte]

A Basílica Nossa Senhora de Nazaré é uma das igrejas mais belas de Belém, apresenta o estilo neoclássico e abriga uma grande quantidade de mármore. Hoje, quem vem no segundo domingo de Outubro para o Círio de Nazaré vê milhares de fiéis, turistas e romeiros de todas as partes do Brasil e do mundo prestigiando a festividade do Círio de Nazaré. A procissão do Círio começa na Catedral de Belém e acaba na Basílica. [12] O Círio de Nazaré é a maior procissão católica do mundo, com um número de dois milhões de acompanhantes de todas as procissões durante todo o ano.

A imagem original da santa permanece no Glória (espaço elevado ornado com anjos e esplendores) durante o ano todo, sendo retirada somente no dia da missa após a procissão da Motoromaria para a apresentação dos fiéis. A Basílica recebe as missas comuns, casamentos e celebrações rotineiras de todo o ano litúrgico. São os coroinhas da basílica que vão a frente da procissão do círio todos os anos.[13]

Quem vem a Belém e é católico não pode deixar de visitar essa igreja. Hoje a Basílica é um dos principais patrimônios históricos de Belém. Em sua fachada, apresenta duas inscrições em latim. A inscrição superior Deiparae Virgini a Nazareth significa "Virgem de Nazaré Mãe de Deus", e a inscrição inferior Salve Regina Mater Misericordiae significa "Salve Rainha Mãe Misericordiosa". [14]

Detalhes Arquitetônicos[editar | editar código-fonte]

Segundo dados de um levantamento em pesquisa das Organizações Rômulo Maiorana [15]

A Basílica em números tem

  • 5 naves
  • 62 m de comprimento
  • 24 m de largura e 20 m de altura
  • 2 torres com 42 m de altura
  • 32 colunas de granito maciço
  • 54 vitrais
  • 38 medalhões em mosaico de 1,5 metro de diâmetro
  • 19 estátuas do mais puro mármore de Carrara
  • 2 candelabros de bronze (vindos de Milão)
  • 24 lampadários venezianos
  • 9 sinos eletrônicos
  • 1 órgão com três teclados e 1.100 tubos, verdadeiro desafio ao clima do Pará.
  • A Capela com os restos mortais do padre Afonso Di Giorgio está situada no lado direito de quem entra
  • O Batistério está situado no lado esquerdo
  • As principais passagens da vida de Nossa Senhora, inclusive as aparições estão em uma coleção de 38 medalhões em mosaicos redondos em torno da Igreja.
  • Dos 09 sinos existentes na Basílica, o maior deles fica na torre a direita ao lado do quartel e pesa 2,8 ton. medindo 1,80 de diâmetro. Os demais ficam na torre da esquerda
  • Cada sino tem a imagem e nome de padroeiro para cada nota musical - É o conjunto de sinos mais antigo e completo do pais, movimentados através de um console
  • Nos anos 60, o vigário padre Miguel Giambelli transformou os sinos da Basílica nos primeiros sinos eletrônicos do Brasil.
  • Em 1992, a Basílica foi colocada entre as construções tombadas pelo Patrimônio Histórico do Estado do Pará.

Curiosidade[editar | editar código-fonte]

O Sambista Dominguinhos do Estácio se casou na Basílica de Nossa Senhora de Nazaré

Ver também[editar | editar código-fonte]

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  1. Histórico da Basílica Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Visitado em 25-12-2014.
  2. Arquidiocese de Belém. Visitado em 25-12-2014.
  3. Histórico da Basílica Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Visitado em 25-12-2014.
  4. Edição 7 pela Basílica de Nazaré Organizações Rômulo Maiorana. Visitado em 25-12-2014.
  5. Ponto Turístico da Basílica de Nazaré [[]]. Visitado em 25-12-2014.
  6. Virgínia Barbosa. Basílica De Nossa Senhora De Nazaré (Belém, PA) Fundação Joaquim Nabuco. Visitado em 25-12-2014.
  7. Edição 7 pela Basílica de Nazaré Organizações Rômulo Maiorana. Visitado em 25-12-2014.
  8. Histórico da Basílica Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Visitado em 25-12-2014.
  9. Histórico da Basílica Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Visitado em 25-12-2014.
  10. Virgínia Barbosa. Basílica De Nossa Senhora De Nazaré (Belém, PA) Fundação Joaquim Nabuco. Visitado em 25-12-2014.
  11. Virgínia Barbosa. Basílica De Nossa Senhora De Nazaré (Belém, PA) Fundação Joaquim Nabuco. Visitado em 25-12-2014.
  12. Virgínia Barbosa. Basílica De Nossa Senhora De Nazaré (Belém, PA) Fundação Joaquim Nabuco. Visitado em 25-12-2014.
  13. Site oficial da Basílica de Nazaré Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Visitado em 25-12-2014.
  14. Site oficial da Basílica de Nazaré Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Visitado em 25-12-2014.
  15. Edição 7 pela Basílica de Nazaré Organizações Rômulo Maiorana. Visitado em 25-12-2014.