Basílica de Nossa Senhora de Nazaré

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré
Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, com detalhe da imponente fachada.
Estilo dominante Neoclassico
Arquiteto Gino Coppede e Giuseppe Predasso
Construção 24 de outubro de 1909
Diocese Arquidiocese de Belém
Arcebispo Dom Alberto Taveira Corrêa
Local Belém, PA,  Brasil

A Basílica de Nossa Senhora de Nazaré começou a ser erguida em 1909 no mesmo lugar em que foi achada a imagem de Nossa Senhora de Nazaré por Plácido José de Souza (cujas origens são controversas, havendo versões de que se trataria de um fidalgo) na cidade de Belém do Pará, às margens do Igarapé Murututu. Durante o Círio de Nazaré a chamada Imagem Peregrina (uma réplica da imagem encontrada por Plácido, esculpida na década de 1960 pelo italiano Giacomo Muzner, com traços das mulheres amazônicas) sai da Catedral Metropolitana de Belém e segue em procissão até a Basílica.[1]

O atual templo, marcado por diversos estilos arquitetônicos, cujos mais fortes são o neoclássico e o eclético, começou a ser construído em 1909, com a colocação de sua pedra fundamental em 24 de outubro daquele ano pelo então arcebispo de Belém Dom Santino Maria Coutinho. Na ocasião, o poeta maranhense Euclides Farias apresentou ao público o hino “Vós sois o lírio mimoso”, que se tornou o hino oficial em louvor à Virgem de Nazaré, por lei considerada como “Rainha da Amazônia”, e que os carrilhões da Basílica tocam todos os dias, ainda hoje, às 6h, 12h e 18h.[2]

A Basílica de Nazaré é a única basílica da Amazônia Brasileira. Sua história, seu simbolismo e sua importância religiosa exercem uma profunda influência no imaginário religioso paraense. Elevada no dia 31 de maio de 2006 à categoria de Santuário Mariano Arquidiocesano, passou a denominar-se Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Desde o século XVIII, muitos fiéis peregrinavam até a pequena ermida que se encontrava ao lado do Rio Murucutu. Tal ermida fora erguida por seguidores da imagem encontrada pelo caboclo Plácido. A cabana ficava na área periférica da cidade, à época, e era muito visitada principalmente por ribeirinhos e desvalidos.[4] A devoção, com o tempo, se estendeu para as classes mais nobres e chegou ao conhecimento da igreja, que ratificou a devoção e, por intermédio do Arcebispo de Belém, Dom Santino Maria Coutinho, delegou aos padres barnabitas (que já tomavam conta da ermida desde o século XIX) no ano de 1905, a responsabilidade da construção de uma locação mais organizada e digna da da população, além de se haver uma urgência em encontrar um local maior para abrigar o grande número de fiéis que crescia sem cessar.[5]

Para que o projeto inicial fosse para frente, primeiro foram cortados gastos e arrecadados recursos com o intuito de tornar tal obra realidade. Muitos beneficiários da paróquia acabaram perdendo seus créditos, pois muitos eram aproveitadores do fundo da igreja e pilhavam os bens que deveriam ser destinados a obras de caridade e para a construção do templo. Em 1908, o Visitador Geral da Ordem, Pe. Luigi Zoia, chegou em Belém para continuar sua inspeção da Província geral do Brasil (Como era chamada uma zona catequética para a igreja), sendo informado dos barnabitas sobre tal obra.[6] Zoia encantou-se com a ideia e decidiu contribuir com a construção do templo. Ele entrou em contato com os arquitetos italianos Gino Coppede e Giuseppe Predasso, pedindo-lhes o projeto de uma Igreja consagrada a Nossa Senhora de Nazaré do Desterro, inspirado na Santíssima Basílica de São Pedro do Vaticano.[7] Coppede nunca esteve em Belém, enviando os esboços, os projetos, e copiando tudo o que achava de mais belo nas igrejas italianas para a sua própria. Ele estava empenhado, pois era um artista dedicado ao movimento do Art Nouveau, mais abria uma exceção, indo para o Neoclássico. Além disso, era a única igreja de toda a sua história com arquiteto e projetista.[8]

Em 1909, fora lançada a pedra fundamental. A igreja recebia, com muita dificuldade, todo o material vindo da Europa, com sacrifícios do Padre Zoia, que pedia a intendência e ao intermédio dos barões da borracha, a ajuda para a isenção fiscal dos materiais que ficavam estacionados na alfândega.[9] A Igreja só foi acabada depois da Segunda guerra mundial, enfrentando os dois períodos de conflitos (Primeira e Segunda Guerra, quando houve crise econômica e o comércio foi interrompido), a crise da borracha no Pará, a Revolução de 1930 e o Estado Novo. Atualmente, ela é a única Basílica da Amazônia brasileira e a que recebe o maior número de contingente do Norte da América do Sul, principalmente durante o período da Quadra Nazarena, onde ocorre a festa do Círio de Nazaré. [10]

A igreja auxíliou na elevação dos preços das moradias na região, além de tornar a área um local disputado. Ela é uma construção imponente, mesmo em meio a variados prédios advindos da verticalização que ocorrera em Belém dos anos 1970 até a atualidade. Junto com o Colégio Gentil Bittencourt, as Casas dos antigos barões da borracha e o Museu Emilio Goeldi, formam o Conjunto arquitetônico do bairro de Nazaré. [11]

A igreja[editar | editar código-fonte]

A Basílica Nossa Senhora de Nazaré é uma das igrejas mais belas de Belém, apresenta o estilo neoclássico e abriga uma grande quantidade de mármore. Hoje, quem vem no segundo domingo de Outubro para o Círio de Nazaré vê milhares de fiéis, turistas e romeiros de todas as partes do Brasil e do mundo prestigiando a festividade do Círio de Nazaré. A procissão do Círio começa na Catedral de Belém e acaba na Basílica. [12] O Círio de Nazaré é a maior procissão católica do mundo, com um número de dois milhões de acompanhantes de todas as procissões durante todo o ano.

A imagem original da santa permanece no Glória (espaço elevado ornado com anjos e esplendores) durante o ano todo, sendo retirada somente no dia da missa após a procissão da Motoromaria para a apresentação dos fiéis. A Basílica recebe as missas comuns, casamentos e celebrações rotineiras de todo o ano litúrgico. São os coroinhas da basílica que vão a frente da procissão do círio todos os anos.[13]

Quem vem a Belém e é católico não pode deixar de visitar essa igreja. Hoje a Basílica é um dos principais patrimônios históricos de Belém. Em sua fachada, apresenta duas inscrições em latim. A inscrição superior Deiparae Virgini a Nazareth significa "Virgem de Nazaré Mãe de Deus", e a inscrição inferior Salve Regina Mater Misericordiae significa "Salve Rainha Mãe Misericordiosa". [14]

Detalhes Arquitetônicos[editar | editar código-fonte]

Segundo dados de um levantamento em pesquisa das Organizações Rômulo Maiorana [15]

A Basílica em números tem

  • 5 naves
  • 62 m de comprimento
  • 24 m de largura e 20 m de altura
  • 2 torres com 42 m de altura
  • 32 colunas de granito maciço
  • 54 vitrais
  • 38 medalhões em mosaico de 1,5 metro de diâmetro
  • 19 estátuas do mais puro mármore de Carrara
  • 2 candelabros de bronze (vindos de Milão)
  • 24 lampadários venezianos
  • 9 sinos eletrônicos
  • 1 órgão com três teclados e 1.100 tubos, verdadeiro desafio ao clima do Pará.
  • A Capela com os restos mortais do padre Afonso Di Giorgio está situada no lado direito de quem entra
  • O Batistério está situado no lado esquerdo
  • As principais passagens da vida de Nossa Senhora, inclusive as aparições estão em uma coleção de 38 medalhões em mosaicos redondos em torno da Igreja.
  • Dos 09 sinos existentes na Basílica, o maior deles fica na torre a direita ao lado do quartel e pesa 2,8 ton. medindo 1,80 de diâmetro. Os demais ficam na torre da esquerda
  • Cada sino tem a imagem e nome de padroeiro para cada nota musical - É o conjunto de sinos mais antigo e completo do pais, movimentados através de um console
  • Nos anos 60, o vigário padre Miguel Giambelli transformou os sinos da Basílica nos primeiros sinos eletrônicos do Brasil.
  • Em 1992, a Basílica foi colocada entre as construções tombadas pelo Patrimônio Histórico do Estado do Pará.

Curiosidade[editar | editar código-fonte]

O Sambista Dominguinhos do Estácio se casou na Basílica de Nossa Senhora de Nazaré

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre arquitetura é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
  1. Histórico da Basílica Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Visitado em 25-12-2014.
  2. Arquidiocese de Belém. Visitado em 25-12-2014.
  3. Histórico da Basílica Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Visitado em 25-12-2014.
  4. Edição 7 pela Basílica de Nazaré Organizações Rômulo Maiorana. Visitado em 25-12-2014.
  5. Ponto Turístico da Basílica de Nazaré [[]]. Visitado em 25-12-2014.
  6. Virgínia Barbosa. Basílica De Nossa Senhora De Nazaré (Belém, PA) Fundação Joaquim Nabuco. Visitado em 25-12-2014.
  7. Edição 7 pela Basílica de Nazaré Organizações Rômulo Maiorana. Visitado em 25-12-2014.
  8. Histórico da Basílica Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Visitado em 25-12-2014.
  9. Histórico da Basílica Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Visitado em 25-12-2014.
  10. Virgínia Barbosa. Basílica De Nossa Senhora De Nazaré (Belém, PA) Fundação Joaquim Nabuco. Visitado em 25-12-2014.
  11. Virgínia Barbosa. Basílica De Nossa Senhora De Nazaré (Belém, PA) Fundação Joaquim Nabuco. Visitado em 25-12-2014.
  12. Virgínia Barbosa. Basílica De Nossa Senhora De Nazaré (Belém, PA) Fundação Joaquim Nabuco. Visitado em 25-12-2014.
  13. Site oficial da Basílica de Nazaré Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Visitado em 25-12-2014.
  14. Site oficial da Basílica de Nazaré Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Visitado em 25-12-2014.
  15. Edição 7 pela Basílica de Nazaré Organizações Rômulo Maiorana. Visitado em 25-12-2014.