Basílica de São João de Latrão

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Basílica de São João de Latrão
Basilica di San Giovanni in Laterano
Basílica de São João de Latrão
Estilo dominante Barroco
Arquiteto Alessandro Galilei
Construção 1735
Diocese Diocese de Roma
Padre Agostino Vallini
Bispo Papa Francisco
Local Coat of arms of Rome.svgRoma

A Basílica de São João de Latrão (em italiano: San Giovanni in Laterano), localizada na Praça Giovanni Paolo II em Roma,[1] é a Catedral do Bispo de Roma: o Papa[nota 1] . Seu nome oficial é Archibasilica Sanctissimi Salvatoris (Arquibasílica do Santíssimo Salvador) e é considerada a "mãe" de todas as igrejas do mundo.

A Igreja católica decidiu dedicar-lhe todos os anos o dia santo de 9 de Novembro, como forma de celebrar a unidade e o respeito para com a Sé Romana[2] .

Como catedral da Diocese de Roma, contém o trono papal (Cathedra Romana), o que a coloca acima de todas as igrejas do mundo, inclusive da Basílica de São Pedro. Tem o título honorífico de Omnium Urbis et Orbis Ecclesiarum Mater et Caput (Mãe e Cabeça de todas as Igrejas de Roma e do Mundo).

É uma das quatro basílicas patriarcais de Roma. As três outras, também caracterizadas com uma Porta Santa e um Altar Papal, são:

Vinte e um papas da Igreja Católica estão sepultados na Basílica de São João de Latrão:

História[editar | editar código-fonte]

Abside e Cátedra de São João de Latrão.

O local onde se encontra a Basílica de São João de Latrão foi ocupado durante o Império Romano pelos gens Lateranos. Os Lateranos serviram como administradores para diversos imperadores; Sexto Laterano foi o primeiro plebeu a ser designado cônsul. Um dos Lateranos, também designado cônsul, Pláucio Laterano, ficou famoso por ter sido acusado por Nero de conspiração contra o imperador: acusação que resultou em confisco e distribuição de suas propriedades por volta do ano 60 d.C.

Juvenal menciona o palácio, e fala que era dotado de alguma magnificência, regiæ ædes Lateranorum. Algum resquício das construções originais ainda resistem nos muros da cidade exteriormente à Porta de São João e um largo corredor, decorado com pinturas, foram descobertos no século XVIII junto à basílica, atrás da Capela Lancellotti. Outros traços, menos significantes, apareceram durante escavações feitas em 1880, quando obras de ampliação estavam em andamento.

No ano de 161, Marco Aurélio construiu ali um palácio. Em 226, Septímio Severo devolveu uma parte das propriedades dos Lateranos. Não se sabe se incluiu o palácio. Sabe-se que o Palácio Laterano encontrava-se em posse do imperador Constantino I enquanto casado com sua segunda esposa, Fausta, irmã de Magêncio. Ficou conhecido na época como "Domus Faustae", ou "Casa de Fausta," e, posteriormente foi doado ao bispo de Roma por Constantino. A data precisa da doação é desconhecida, mas os estudiosos acreditam que tenha sido durante o pontificado do Papa Melquíades, em tempo de hospedar um sínodo dos bispos em 313, realizado com o intuito de combater o Donatismo.

Tempo de Constantino[editar | editar código-fonte]

A basílica foi fundada por Constantino I, o primeiro imperador cristão, para ser a principal igreja de Roma, era a única dentre as três grandes basílicas construídas que se encontrava no interior dos muros que cercavam a cidade e por isto serviu de catedral. A Basílica de São Pedro e a Basílica de São Paulo Extramuros situavam-se sobre os túmulos dos apóstolos, do lado externo da muralha.

A dedicação oficial do Palácio Laterano e Basílica foi presidida pelo Papa Silvestre I em 324, declarando ambos Domus Dei ou "Casa de Deus". Inicialmente dedicada ao Salvador, Basilica Salvatoris, posteriormente dedicada também a São João Batista e São João Evangelista.

Da Idade Média ao início da Idade Moderna[editar | editar código-fonte]

Seu nome moderno data do século VII quando o Papa Gregório I, o Grande, (pontificado de 590 a 604), a colocou sob a proteção de São João Batista. Desta igreja medieval subsistem o importante claustro, do século XIII, e algumas partes da igreja. Durante a Idade Média, foram realizados cinco grandes concílios ecumênicos na Basílica de São João de Latrão, conhecidos como os Concílios de Latrão.

Sua modificação mais importante data de 1650, quando o papa Inocêncio X (pontificado de 1644 a 1655) chamou Francesco Borromini, que transformou a basílica de quatro naves laterais em uma igreja barroca. Entre 1733 e 1736, Alessandro Galilei acrescentou a fachada monumental e em 1886 o papa Leão XIII (pontificado 1878-1903) mandou alargar o coro.

A fachada de Galilei, acima do vestíbulo, marca o apogeu do barroco em Roma. Altas pilastras e colunas dividem a parede em cinco seções, com uma central. Uma balaustrada adorna o ático, com imagens dos santos. Atrás da fachada principal há um segundo paredão, na forma de colunata com dois andares e projetando-se um pouco para a frente acima da entrada principal de modo a criar um balcão para as bençãos papais.

A Edificação do Complexo Laterano[editar | editar código-fonte]

A antiguidade da Basílica e do Complexo Laterano pode ser medida pelo antigo Baptisterium; pelos restos do palácio medieval papal com a Scala Santa e a Capela Sancta Santorum; pelo Triclínio de São Leão e pelo Obelisco Laterano.

A Basílica[editar | editar código-fonte]

Aspecto do interior.

Até 1309, ao lado da Basílica se situava a residência do Papa, cujo resquício ainda é visível na Capela Sancta Sanctorum e na Scala Santa. Todos os papas foram nela entronizados até o Século XIX. Ao seu lado situa-se o Palácio Laterano.

Na fachada norte se vê a chamada loggia da bênção. O arquiteto Domenico Fontana já construíra um vestíbulo diante do transepto norte da Praça de São João de Latrão (piazza di S. Giovanni in Laterano) em 1586-1598, encomendada pelo papa Sisto V. É uma estrutura com dois andares e pinturas internas e dela o papa dava sua bênção tradicional no dia da Ascensão. Dentro do vestíbulo, há uma estátua de bronze do rei Henrique IV de França feita por Nicolas Cordier em 1608. Como o rei fez generosas doações ao capítulo, todos os chefes de Estado da França desde então são cônegos honorários da basílica.

O interior da antiga basílica — o imperador Constantino adornou a antiga basílica monumental com ouro, prata, mosaicos. Tratava-se de uma basílica tradicional com quatro naves com colunas, transeptos e ábside. Em toda a largura, havia uma espécie de átrio (atrium) quase quadrado para servir como local de meditação e purificação. Quinze colunas de mármore da Numídia separavam a ampla nave central das laterais, e cada amplo arco tinha 4 metros de largura. Um arco triunfal em altas pilastras marcava o limite entre a nave e o transepto com o altar no centro. Na abside, atrás, ficava a cadeira papal, elevada. As naves não eram abobadadas, e as traves de madeira do teto ficavam expostas como se deduz ao ver o afresco em S. Martino ai Monti, que mostra o interior da velha basílica.

São Judas Tadeu, num dos nichos da nave.

Ao redesenhar a igreja em 1650, Borromini recebeu ordem do papa para criar uma igreja moderna, mas manter-se tanto quanto possível fiel à antiga estrutura de Constantino. Reduziu as catorze arcadas da nave central a cinco apenas, colocadas entre altos pilares enquadrados por pilastras colossais, e inserindo janelas acima delas. Nas paredes entre os pilares colocou nichos emoldurados por colunas, e enormes estátuas dos apóstolos foram ali colocadas entre 1703 e 1719 graças a doadores. Os nichos são coroados por relevos em estuque que mostram cenas do Antigo e do Novo Testamento, e medalhões pintados com retratos dos profetas. Comparados com as delicadas estruturas do apogeu do Barroco, quase todas em estuque branco, os tetos em madeira executados durante o pontificado do papa Pio IV (1559-1565), mantidos por ordem do papa Inocêncio X, dão impressão de pesados, maciços. Borromini também acrescentou capelas às naves laterais, e ao contrário da velha basílica longitudinal, a atual parece mais ampla, mais larga.

Um dos trabalhos mais importantes é o altar papal, no qual apenas o papa pode celebrar a Eucaristia. Contém o altar em madeira, segundo a tradição, os primeiros bispos de Roma celebravam missa. Acima, ergue-se o tabernáculo, adornado com afrescos e esculturas. Pode ter sido desenhado por Giovanni di Stefano, de Siena, entre 1367 e 1370, mas foi muito restaurado em 1851. As flores-de-lis são referência ao patrono, rei Carlos V de França. Na parte superior, vêem-se bustos de São Pedro e São Paulo, de prata dourada, os quais, na Idade Média, se acreditava conterem as próprias cabeças dos apóstolos. Na confessio, abaixo do altar, está o túmulo do papa Martinho V (pontificado de 1417 a 1431) feito por Simone di Giovanni Ghini cerca do ano 1443. Nesta igreja, em 1417, Martinho V deu por findo o Grande Cisma.

O Claustro[editar | editar código-fonte]

O claustro com sua decoração cosmatesca.

Entre a basílica e o Muralha Aureliana havia, em períodos anteriores, um grande mosteiro, no qual habitava uma comunidade de monges da Ordem de São Bento que servia à igreja. Este mosteiro era o maior de Roma, com seus 36 metros na lateral. A única parte que restou desta edificação foi o claustro, circundado por graciosas colunas de mármore marchetado. Estas são de um período intermediário entre o estilo românico e o gótico: obra do estilo cosmatesco dos Vassaletto, célebre família de marmoristas romanos, datados do início do século XIII.

O Baptisterium[editar | editar código-fonte]

A entrada do Baptisterium.

O Batistério Octogonal de Latrão é, provavelmente, o mais antigo do cristianismo, considerado o protótipo dos batistérios. Muitíssimo bem preservado, registra, como um calendário, as intervenções ao longo dos séculos. Fica no lado meridional da basílica.

Foi construído com forma de rotunda, possivelmente sobre uma base mais antiga ou um nympheum do antigo palácio, por volta de 313 ou 315 por Constantino I, que teria sido ali batizado. A forma octogonal com a fonte no centro foi criada em 432, quando o papa Sisto III substituiu o edifício de Constantino pela nova estrutura. Apresenta ainda restos de antigos mosaicos e colunatas de pórfiro egípcias.

Sua entrada é notável, e o rico entalhe dos capitéis, bases e entablamentos do período Flaviano (Século I). A parte superior descansa sobre uma arquitrave sobre pilares de pórfiro, com uma inscrição que louva o batismo. No século XVI, criou-se um círculo de colunas menores na arquitrave o que fez levantar a galeria.

Um portal de bronze da época do Papa Hilário (Século V) é um dos últimos remanescentes da antiguidade romana.

O interior se deve muito ao redesenho barroco feito por Andrea Sacchi e seus alunos no século XVII, decorando as paredes com afrescos que mostram a vida de Constantino, e a lanterna foi decorada com cenas da vida de São João Batista. A pia batismal, de basalto verde, da antiguidade clássica, recebeu uma orla de bronze dourado por Ciro Ferri em 1677. As capelas laterais, dedicadas a Santa Rufina, São Venâncio e dois São João, datam dos séculos V a VII. A porta de bronze da Cappella del Battista é mesmo proveniente da Antiguidade. Os tetos da capela de São João Batista são decorados com mosaicos do século V, tendo no centro o "Cordeiro de Deus" e ao redor uma guirlanda que mostra as estações do ano, com espigas de milho, rosas, lilases, azeitonas e folhas de vinha e, ao redor, vasos de flor entre pares de pássaros.

O Palácio Laterano[editar | editar código-fonte]

Obelisco Laterano.

Scala Santa[editar | editar código-fonte]

A Scala Santa ou Escada Santa, significa na tradição católica a escada usada por Jesus para entrar na sala de seu interrogatório com Poncio Pilatos antes da crucificação. A Scala Santa di Roma, está em um celebre edifício vizinho a Basílica de São João de Latrão ou San Giovani Latereno. Afirma-se que foi trazida a Roma por Helena de Constantinopla, mãe de Constantino I no ano de 326 d.C.

Obelisco Laterano[editar | editar código-fonte]

O Obelisco Laterano é o maior obelisco de Roma: tem 32,18 m de altura (com o embasamento e a cruz, 45,70 m). Erigido, atualmente, na praça São João de Latrão, este obelisco foi construído na época dos faraós Tutmósis III e Tutmósis IV (século XV a.C.). É proveniente do templo de Amon em Tebas (Egipto). Foi transportado para Roma pelo imperador Constantino II em 357 e colocado no Circo Máximo, onde já se encontrava o Obelisco Flamínio. Refundido em três partes, em 1587, com o obelisco Flamínio, foi erigido novamente em sua atual posição, em 1588, sob a supervisão do arquiteto Domenico Fontana, por solicitação do Papa Sisto V.

Referências

Notas

  1. A Basílica de São João de Latrão é propriedade do Vaticano, embora fique situada fora dos limites da cidade-estado. O Vaticano é um Estado independente, de regime monárquico, governado pelo Sumo Pontífice da Igreja Católica Romana. De acordo com o Tratado de Latrão, certas propriedades da Santa Sé, apesar de não fazerem parte do território da Cidade Estado do Vaticano (Status Civitatis Vaticanæ), gozam do privilégio da extraterritorialidade (e.g. Basílicas Maiores, Cúria Romana e escritórios diocesanos, Castelo Gandolfo).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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