Basílio II da Rússia

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Vasili II of Russia

Basílio II Tyomniy (Basílio o Cego) (em russo Василий II Васильевич Тёмный, transl. Vasiliy II Vasil'yevich Tomnyy) (10 de março de 141527 de março de 1462) foi Grão-Príncipe de Moscou. O seu reinado (14251462) passou pela maior guerra civil da história da Rússia medieval.

Os primeiros anos de guerra civil[editar | editar código-fonte]

Basílio II era filho primogênito de Basílio I e de Sofia, filha única de Vytautas o Grande. Com a morte de seu pai, foi proclamado Grão-Príncipe quando tinha apenas dez anos. Antes de assumir o trono, sua mãe atuou como regente. Seu tio, Iuri Dmitrievich, príncipe de Galich-Mersky, e seus dois filhos, Vasili Kosoi e Demétrio Chemyaka, tentaram aproveitar a oportunidade para reivindicar o trono. As pretensões de Basílio foram suportadas pelo seu pai materno (pai materno?), Vytautas. Os motivos da grande guerra feudal que se segue ainda são controversos atualmente. Uma das razões teria sido o fato da família de Iuri possuir territórios nórdicos ricos em sal e minerais, que poderiam oferecer à Rússia um caminho de desenvolvimento mais liberal e capitalista.

Em 1430, após a morte de Vytautas, Iuri consegue autorização da Horda Dourada para ocupar o trono de Moscou. Entretanto, o Kahn deixa de apoiá-lo em razão das atitudes traiçoeiras de Ivan Vsevolzhsky, príncipe de Smolensk e boiardo moscovita. Quando Iuri reúne um exército e ataca Moscou, Basílio, traído por Vsevolzhsky, é vencido e feito prisioneiro (1433). Após ser proclamado Grão-Príncipe de Moscou, Iuri perdoa seu sobrinho e deixa-o reinar sobre a cidade de Kolomna. Isso é visto como um erro, pois imediatamente, Basílio começa a conspirar contra seu tio. Inseguro, Iuri abdica do trono e sai de Moscou para os territórios nórdicos. Com seu retorno à Moscou, Basílio torna cego o seu traidor, Vsevolzhsky.

No casamento de Basílio II, sua mãe puxa o cinto dourado do príncipe Basílio o Vesgo (1861)

Enquanto isso, os filhos de Iuri decidem continuar com a luta. Eles chegam a derrotar Basílio, que precisou buscar refúgio na Horda Dourada. Após a morte de Iuri em 1434, Basílio o Vesgo entra no Kremlin, onde é proclamado Grão-Príncipe. Demétrio Chemyaka, que também ambicionava pelo trono, se desentende com seu irmão e forma uma aliança com Basílio II. Eles conseguem expulsar Basílio o Vesgo do Kremlin em 1435, que depois é capturado e cegado para nunca mais disputar o trono.

Conflitos com Kazan e Chemyaka[editar | editar código-fonte]

O reinado de Basílio assistiu ao colapso da Horda Dourada e sua fragmentação em vários pequenos canados. Agora que tinha o trono assegurado, pôde se ocupar com a ameaça tártara.

Em 1439, Basílio precisou fugir da capital, devido ao sítio de Olug Moxammat, khan do recém estabelecido canado de Kazan. Seis meses depois, suas tropas enfrentam-no, mas é vencido e feito prisioneiro. Os moscovitas se vêem obrigados a pagar um enorme resgate para que o príncipe seja libertado cinco meses mais tarde.

Durante esse tempo, o controle de Moscou foi passado para Demétrio Chemyaka. Basílio é cegado por ordens de Demétrio e fica exilado em Ouglitch (1446). Isso lhe provoca o apelido de Tyomniy que significa o Cego ou, mais precisamente, que vê a escuridão. Como Basílio ainda possuía certo número de simpatizantes em Moscou, Demétrio lhe concede Vologda. Isso vem a ser um novo erro, pois Basílio reúne rapidamente seus simpatizantes e retoma o trono.

A vitória definitiva de Basílio contra seu primo ocorre na década de 1450, quando captura Galich-Mersky e envenena Demétrio. Esses eventos põem fim ao princípio da sucessão colateral, que teria sido a principal causa de guerras civis medievais.

Fim da guerra civil e a independência da igreja ortodoxa russa[editar | editar código-fonte]

Assim que a guerra termina, Basílio elimina a maior parte dos privilégios alheios em Moscou, com o objetivo de assegurar sua autoridade. Em consequência de suas campanhas militares, os governos republicanos de Novgorod, Pskov et Vyatka se vêem forçados a reconhecer sua autoridade sobre a região.

Nesse meio tempo, Constantinopla era tomada pelos turcos e o Patriarca reconheceu a supremacia do Papa no Concílio de Florença. Basílio rejeita imediatamente esta concessão. Em 1448, o bispo Jonas é nomeado Metropolita da Rússia por ordem sua, considerado o equivalente a uma declaração de independência da Igreja Ortodoxa Russa frente ao Patriarca Ecumênico de Constantinopla. Tal decisão aumenta a reputação da Rússia entre os Estados ortodoxos.

Precedido por
Basílio I
Grão-Príncipe de Moscou
1425—1462
Sucedido por
Ivan III
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