Basidiomycota

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Basidiomicetas)
Ir para: navegação, pesquisa
Como ler uma caixa taxonómicaBasidiomycota
Basidiomicetes da obra Kunstformen der Natur de Ernst Haeckel, 1904

Basidiomicetes da obra Kunstformen der Natur de Ernst Haeckel, 1904
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Fungi
Subreino: Dikarya
Filo: Basidiomycota
R.T. Moore, 1980
Subfilos/Classe

Incertae sedis

Wallemiomycetes
Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Basidiomycota

Basidiomycota é um dos dois grandes filos que juntamente com Ascomycota constitui o subreino Dikarya, no reino Fungi. Engloba as espécies que produzem esporos numa estrutura em forma de bastão chamada basídio e também são chamados de basidiomicetes.

Número de Espécies Conhecidas[editar | editar código-fonte]

No mundo estima-se que o grupo dos Basidiomycota tenha em torno de 30.000 espécies, correspondendo a 37% do número descrito dos fungos verdadeiros (Kirk et al., 2001).

Dentre esses, no Brasil estima-se um número de 8.897 espécies de Basidiomycota. O número exato de espécies dos principais grupos é bastante controverso, pelo fato da intensa mudança na classificação, ocorrida nos últimos anos (Capellari et al., 1998).

Grau de Conhecimento do Grupo[editar | editar código-fonte]

Figura 1- Diagrama da formação da fíbula (grampo de conexão): A. Hifa dicariótica, a seta demonstra a direção do crescimento do topo da hifa. B. Crescimento do gancho (grampo) celular, divisão nuclear sincrônica. C. Conexão formada (Swann et al., 2007).

A diversidade dos fungos no planeta Terra é muito grande e, tomando como base hipotética a extrapolação dos dados de trabalhos já concluídos, estima-se que este número seja em torno de 1,5 milhões de espécies (Hawksworth, 2001a). Desta estimativa, aproximadamente 97 mil espécies ou 6.7% do total são conhecidas, um número ainda muito pequeno (Kirk et al., 2008).

Evidências sugerem que a diversidade desses organismos encontra-se principalmente nas regiões tropicais e temperadas (Hawksworth, 2001a).

Características Gerais do Grupo[editar | editar código-fonte]

Os fungos do Filo Basidiomycota podem ser encontrados tanto nas formas miceliais, quanto leveduriformes, sendo a primeira sua fase dominante. O micélio é sempre septado, sendo uniporados no micélio primário (haploide) e dolíporos com parentossomos, no micélio secundário (dicariótico) (Alexopoulos & Beneke, 1962). Esses fungos podem se apresentar na forma haploide e dicariótica,. A forma dicariótica é a presença de dois núcleos dentro da célula, sem que eles se fusionem (Alexopoulos et al., 1996).

A reprodução dos Basidiomycota pode ocorrer de duas formas, assexuada e sexuada. A forma assexuada pode consistir na fragmentação do talo, brotamento em espécies unicelulares ou produção de vários esporos assexuais. O início da fase sexuada se dá pela fusão entre células haploides compatíveis, tornando-se células dicarióticas (e não diplóides) Esse micélio dicariótico dá origem aos basídios, onde, na formação desses esporos, ocorre a união dos núcleos (Alexopoulos et al., 1996; Swann et al., 2007). Não só na formação dos basídios, mas também na formação de novas células do micélio secundário de Basidiomycota, há a formação de um gancho denominado ansa ou fíbula (figura 01). Esse gancho difere do “crozier” encontrado nos Ascomycota. Nesse filo, o gancho ocorre apenas na formação do asco. (figura 02).

Outra característica interessante desses fungos são seus basidiósporos. Ao contrário dos ascósporos nos Ascomycota, os basidiósporos são exógenos e encontrados em quatro por basídio, normalmente (figura 02). Em vários grupos de Basidiomycota, ocorre uma dispersão por meio de uma descarga violenta de esporos. Esses esporos são denominados balistosporos (figura 03).Sabe-se que a gota hilar encontrada na base dos basidiósporos esta relacionada à descarga de balistosporos (Swann et al., 2007). Os tipos e formas de basídios são características muito utilizadas para a identificação dos grupos de Basidiomycota. (Alexopoulos, & Beneke, 1962) (figura 4).

Os Basidiomycota podem apresentar um micélio visível, responsável pela reprodução do grupo, onde são armazenados os basídios. Tal conjunto é chamado de basidioma (figura 5 e 6). Todos os fungos que apresentarem essa estrutura pertencem a esse grupo, mas, a ausência desse caráter não o exclui do mesmo, podendo pertencer a classes que não possuem basidiomas. Outros ainda podem apresentar diferentes formas, como gelatinosas, carnosas, secas, coriáceas, entre outras. (Alexopoulos & Beneke , 1962)

Ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

Os "Basidiomycota" podem ser divididos em três classes: Basidiomycetes, Teliomycetes e Ustomycetes. Os Basidiomycetes incluem todos os fungos que produzem basidiomas, enquanto Teliomycetese e Ustomycetes produzem soros, esporos em aglomerados

Basidiomycetes[editar | editar código-fonte]

Os basidiomicetos se distinguem de outros fungos pela sua produção de basidiósporos, exemplos de basidiomicetos são os cogumelos, as orelhas-de-pau, e os fungos que produzem alucinógenos, como Psilocybe, além dos venenosos, como Amanita phalloides. Esta classe de fungos inclui cerca das 2500 espécies conhecidas.

Os basidiomicetos desenvolvem micélios primários, monocarióticos, compostos por hifas septadas mono ou, mais comumente binucleadas, são produzidos a partir de basidiósporos em uma estrutura denominada basídio. Em cada basídio há inicialmente um núcleo diplóide, que passam pelo processo de cariogamia e logo sofrem a primeira divisão meiótica, originando dois núcleos haplóides, em seguida ocorre a segunda divisão meiótica formando quatro núcleos haploides.

Cada núcleo migra para uma das quatro projeções apicais que se formam no basídio, originando quatro basidiósporos. Em seguida, esse basidiósporos se soltam dos esterigmas e ocorre a germinação dos basidiósporos e micélio primário, monocariótico. Ocorre a plasmogamia, e quando as hifas se fundem, dão origem ao micélio secundário e dicariótico, pela fusão de linhagens diferentes resultando em micélios heterocarióticos. O micélio que forma o basidioma, (estrutura produtora de basidiósporos nos cogumelos e nos gasteromicetos) ou micélio terciário, que é também dicariótico, contém os basídios alinhados no himênio sobre as lamelas. Finalmente, milhões de basidiósporos são liberados.

A formação dos basidioma pode requerer luz e baixa quantidade de CO2 situação a qual o micélio pode emergir do substrato.A reprodução sexuada nos basidiomicetos envolve sempre a fusão de hifas; não há gametas nem gametângios. A reprodução assexuada é observada com menor frequência que a verificada em outros grupos de fungos, sendo a formação de conidiósporos um dos modos mais comuns.[1]

Teliomycetes[editar | editar código-fonte]

O ciclo de vida de uma ferrugem é exemplificado por Puccinia graminis, o causador da ferrugem preta no trigo. P. graminis é uma espécie heteroécia, isto é, requer dois hospedeiros diferentes para completar o ciclo de vida. Parasitas auto-écios, ao contrário, necessitam somente de um hospedeiro. Puccinia graminis pode crescer indefinidamente na gramínea hospedeira, onde se reproduz apenas assexuadamente.

Para a reprodução sexuada ocorra, a ferrugem precisa passar parte do seu ciclo sobre o Berberis e parte sobre a gramínea. A infecção em Berberis ocorre na primavera, quando os basidiósporos uninucleados infectam a planta formando um micélio haploide que, em primeiro lugar dá origem a espermogônio na face superior das folhas. P. graminis cresce em Berberis sob a forma de linhagens +e -, portanto, os basidiósporos e espermogônios derivados dessas linhagens são + ou - . Cada espermogônio é uma pústula em forma de frasco que produz células unicelulares e viscosas, chamadas espermácios. A abertura de de espermogônio é revestida por hifas rígidas, sem ramificações e de coloração alaranjada, as perífises, que contêm gotas de açúcar, como néctar. Esta substância, que é atrativa as moscas, contém os espermácios. Hifas receptivas ramificadas também são formadas entre as perífises. As moscas visitam os espermogônios e alimentam-se do néctar. Movimentando-se de um espermogônio a outro, elas transferem os espermácios. Se um espermácio + de um espermogônio entra em contato com a hifa receptiva – de outro espermogônio, ou vice-versa, a plasmogamia ocorre e formam-se hifas dicarióticas. Inicia-se então a formação dos écios, a partir das hifas dicarióticas que se dirigem para baixo do espermogônio. Écios são formados na superfície inferior das folhas, onde são produzidas cadeias de eciósporos. Os eciósporos dicarióticos infectam o trigo; eles não crescem sobre Berberis.[1]

Ustomycetes[editar | editar código-fonte]

O nome carvão é dado ao conjunto de teliósporos, que possuem aparência escura, fuliginosa ou pulverulenta desses esporos de resistência. O ciclo de vida de um fungo da classe Ustomycetes é auto-écio, requer somente um hospedeiro. Sua reprodução se assemelha aos membros da classe Teliomycetes. Os membros da classe Ustomycetes infectam os hospedeiros formando tumores ou soros com seus esporos. Os tumores ou galhas hipertrofiam órgãos de planta, principalmente frutos, por causa do desenvolvimento do micélio dentro deles. O micélio, dicariótico, da a origem aos teliósporo de parede espessa é onde a cariogamia e a meiose ocorrem.

Ao germinar os teliósporo vão dar origem a um basídios com quatro células, a maior parte dos membros desta classe formam basídios septados, formam-se dois basidiósporos uninucleados haploides + e outros dois -, um em cada célula do basídio. Os basidiósporos podem infectar os hospedeiros diretamente ou por brotamento, a uma população de células chamadas esporídios. Após a germinação, os basidiósporos ou esporídios podem produzir micélios + ou -, que ao se encontarem aos opostos, entram em contato e ocorre a plasmogamia, produzindo um micélio dicariótico, onde a maior parte de suas células transformaram-se em teliósporos.[1]


Figura 2 - Diferenças entre a formação do Basídio e do asco. Note a diferença de formação entre o “crozier” e o “grampo de conexão” e também na formação dos meiósporos de cada um dos grupos (The fifth Kingdom online ).
Figura 03. Micrografia mostrando a estrutura de um basídio com gota hilar, responsável pela expulsão dos basidiósporos Basidiospore = basidiósporo, Sterigma = Esterigma, Hilar droplet = gota hilar, Basidium = Basídio (Swann et al., 2007).

Relação Com Outros Grupos de Fungos[editar | editar código-fonte]

Figura 4 - Tipos encontrados de basídios. Em ordem temos um holobasídio típico; um heterobasídio; um basídio em forma de diapasão (Dacrymyces) e um fragmobasídio típico de Auricularia. Basidiospores = basidiósporos, Four types of basidia = Quatro tipos de basídios. (Alexopoulos, C. J. & Beneke E.S, 1962)

A presença de hifas dicarióticas não é uma novidade evolutiva nos grupos de fungos. Os Ascomycota também apresentam hifas dicarióticas no qual seus núcleos se unem apenas na formação dos esporos reprodutivos. Essa característica unida a outras como a presença de hifas septadas, o “crozier” e a fíbula (figura 2) presente nesses organismos, aproximam os filos Basidiomycota com os Ascomycota, formando um Sub-reino denominado Dicarya (Hibbett et al., 2007). Apesar de apresentarem certas diferenças quanto às suas estruturas, estas podem ser casos de homologia, ou seja, apresentarem um mesmo ancestral em comum que compartilhava tais características (Taylor et. al., 2006).

Classificação Mais Aceita[editar | editar código-fonte]

Basidiomycota era tradicionalmente dividido em duas classes obsoletas, Homobasidiomycetes (incluindo os cogumelos verdadeiros); e Heterobasidiomycetes. Anteriormente os Basidiomycota eram chamados Basidiomycetes, um nome de classe inválido cunhado em 1959 como contraponto a Ascomycetes, quando nenhum destes táxons eram reconhecidos como filos. Os termos basidiomicetes e ascomicetes são frequentemente usados de forma imprecisa para referir-se a Basidiomycota e Ascomycota.

Figura 5 - Basidioma de cogumelo do gênero Amanita
Figura 06. Ilustração exemplificando todas as partes de um basidioma
Figura 07 – Representação didática para a identificação de algumas classes e ordens de Basidiomycota * retirado de American phytopatological Society, 2000

Há fortes evidências de que o filo Basidiomycota é monofilético. A presença de balistosporos,basídios, e fíbulas são características exclusivas nos indivíduos desse grupo. Quanto à sua classificação, atualmente são classificados em Agaricomycotina, Ustilaginomycotina e Pucciniomycotina. Caracteres não moleculares têm sido utilizados para identificar os principais grupos dentro de Basidiomycota, como a forma dos basídios, ultra-estrutura dos septos e hifas, presença ou ausência de formas leveduriformes e composição de metabólitos secundários. Porém, estudos moleculares têm demonstrado que alguns atributos morfológico não são o que realmente aparentam ser, como por exemplo, casos de homoplasia na forma dos basídios. (Swann & Hibbet, 2007).

Agaricomycotina[editar | editar código-fonte]

O subfilo Agaricomycotina compreende os fungos posicionados na classe Agaricomycetes e inclusos também os fungos das classes Dacrymycetes e Tremellomycetes. Aproximadamente 98% das espécies desse grupo são Agaricomycetes, cerca de 20.000 espécies, ou 70% dos fungos conhecidos de Basidiomycota (Hibbet, 2007).

Ustilagomycotina[editar | editar código-fonte]

O subfilo Ustillaginomycotina inclui vários fungos parasitas, das classes Ustilaginomycetes, Exobasidiomycetes e a ordem Malasseziales. O grupo possui cerca de 1400 espécies, e 70 gêneros (Bauer et al., 2008) .

Pucciniomycotina[editar | editar código-fonte]

Os membros de Pucciniomycotina são altamente diversos, compreendendo a todas as outras classes de fungos onde não há certeza de classificação. Uma característica em comum de todas as classes é seu diminuto tamanho, o que dificulta ainda mais o seu estudo. A maioria dos indivíduos foi incluída na ordem Pucciniales, formada por fungos fitoparasitas (Frieders et al., 2008).

Importância do Grupo[editar | editar código-fonte]

A importância dos Basidiomycota é variada, tanto sob o ponto de vista ecológico, como nos setores de alimentação, biotecnologia e medicinal (Pulido, 1983; Alexopoulos et al., 1996).

No enfoque ecológico, os basidiomicetos possuem papel fundamental na ciclagem de nutrientes e manutenção dos ecossistemas, atuando na degradação da matéria orgânica. São sapróbios, parasitas e formam associações com plantas (ectomicorrizas ). A conservação deste grupo de organismos está intimamente ligada à conservação das florestas preservando, assim, os habitats onde eles naturalmente ocorrem. Além disso, os compostos bioativos produzidos por esses fungos são utilizados hà décadas para produção de antibióticos e antifúngicos. Outras utilizações desses fungos ocorrem nos setores agropecuários, no controle natural de pragas e parasitas de plantas (Hawksworth, 2001b)

Os Basidiomycota se destacam também como agente infeccioso. As basidiomicoses, infecções fúngicas provocadas por basidiomicetos ou agáricos, vêm sendo registradas cada vez com maior frequência na literatura médica, principalmente após o advento da AIDS/SIDA, em 1981. Lesões da mucosa da boca, abscessos cerebrais, onicomicoses e endocardites já foram descritas, aumentando o interesse dos micologistas e infectologistas para este tipo de micose profunda (Lacaz et al., 1996).

Metodologia de Estudo do Grupo[editar | editar código-fonte]

Para o estudo desses macrofungos, existem três pontos principais na pesquisa, coleta, documentação e preservação dos espécimes. A remoção de espécimes deve ser feita com cuidado para que não haja danos aos fungos, e todas as mudanças no esporoma devem ser anotadas, pois podem influenciar na identificação. A documentação é feita com etiquetas e catálogos. As etiquetas são individuais e levam dados básicos de cada indivíduo, já o catálogo é uma lista mantida por cada pesquisador, onde se encontram todas as coletas organizadas numericamente.

A preservação do DNA atualmente é muito utilizada. Culturas de espécimes são importantes na identificação de alguns grupos de fungos e por isso devem ser feitas. A descrição macromorfológica dos fungos está entre os dados mais importantes. Testes macroquímicos e os esporos são importantes para identificação, que é um dos pontos mais importantes de todos os processos, pois é através dela que vai ser definida a espécie (Mueller et al., 2004).

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Por ser grande o número de espécies no mundo, só não maior que o número dos Ascomycota, o Filo Basidiomycota apresenta certas peculiaridades, que vai desde o maior organismo do mundo até fungos causadores de doenças. Alguns exemplos podem ser citados, como o cogumelo do mel ou Armillaria ostoyae. O fungo foi encontrado nos Estados Unidos. Descoberto na Floresta Nacional de Malheur, no leste do estado de Oregon. Esse fungo subterrâneo tem 2.400 anos e cobre uma área 890 hectares, o que o torna o maior organismo vivo até agora descoberto (Ferguson et al., 2003).

Existem também registros de novas espécies de Basidiomycota, coletadas em alguns dos últimos remanescentes de habitats florestais do Atlântico, perto de São Paulo, Brasil, que emitem luz verde amarelada 24 horas por dia a partir do gel que cobre suas hastes. Existe cerca de 1,5 milhão de espécies de fungos na terra, e apenas 71 espécies são conhecidas por serem bioluminescentes, algumas espécies do gênero Mycena são das mais impressionantes (Desjardin et al., 2007).

Práticas de Ensino[editar | editar código-fonte]

Uma aula teórica sobre basidiomycetos pode ser muito melhor aproveitada se vinculada com práticas de ensino que envolvam fungos desse filo. Seguem abaixo algumas sugestões práticas que podem ser utilizadas em sala de aula.

1- Montagem de uma câmara úmida. A câmara úmida é um instrumento de baixo custo, que auxilia na visualização da parte reprodutiva de algumas espécies de fungos, pois reproduz as condições favoráveis ao aparecimento desses organismos. - Material a ser utilizado: • Micélio de um Basidyomicota; • Pote de plástico ou sacola plástica (de preferência transparente); • Algodão ou Papel higiênico; • Água. - Como montar: • É necessário que a atividade gere um relatório que posteriormente servirá de material de pesquisa e estudo; fotografias podem ser anexadas ao processo; • Depositar o micélio no recipiente transparente; • Depositar o pedaço de algodão/papel higiênico já umedecido com água para simular a fonte de umidade; • Lacrar o recipiente, se escolhido o pote plástico, a tampa deve estar perfurada para a passagem de oxigênio; • O micélio e a fonte de umidade não podem se encontrar unidos; • Colocar o recipiente em um local com baixa incidência de luz; Para finalizar o procedimento, continuar relatando e observando o desenvolvimento da parte reprodutiva desse filo, e se de fato conseguirá se desenvolver sobre essas condições.

2- Confecção de um cartaz expositivo Essa prática é para compreender melhor o ciclo reprodutivo do filo Basidiomycota através da confecção de um cartaz, produzido pelos próprios alunos. - Material a ser utilizado: • Uma figura ilustrativa do ciclo reprodutivo, disponibilizada pelo professor; • Lápis de cor, canetinha; • Folha sufite A4; • Régua, tesoura e cola; • Material de apoio para melhor compreensão do ciclo (sugestão: Raven, 2007); - Como fazer: • A prática pode ser realizada em grupos ou individualizada; • O professor disponibiliza para os alunos uma figura ilustrativa do ciclo reprodutivo, com o nome especifico de cada fase e seu desenho; • Se em grupo, os alunos devem se dividir e cada um ficar responsável pela reprodução através de desenhos manuais de cada uma das partes do ciclo; • Os desenhos devem ser coloridos e de preferência, grandes para uma boa visualização; • Após a confecção dos desenhos, os alunos podem montar o ciclo indicando com setas a ordem correta dos desenhos; • Para finalizar, os alunos devem montar um cartaz expositor, com todo o ciclo reprodutivo ampliado, explicando cada parte do ciclo. • A forma como cada grupo/aluno irá montar o cartaz ou conduzira explicação fica a critério.

3 – Vídeo em time-lapse: A sugestão é que os alunos visitem campos onde o aparecimento de cogumelos deste filo seja frequente e fotografem ou filmem, durante minutos, por muitos dias seguidos e depois relatem essa experiência relacionada ao ciclo de vida dos fungos Basidiomycota. Para essa produção também é possível utilizar parte da prática da câmara úmida (01), já citada anteriormente, caso a visita aos campos seja impossibilitada. O vídeo é uma forma dinâmica para que os alunos consigam assimilar como ocorre o ciclo de vida dos basidiomicetos. - Como fazer: • Expor aos alunos através de uma visita ou coleta em campo, de onde surgem os fungos, como vivem e seus habitats mais comuns; • Se for possível que os alunos retornem ao campo, fotografar ou filmar, junto com anotações sobre o local e a situação do fungo. Caso o retorno não seja possível, realizar a coleta do cogumelo, instruir os alunos a separarem aqueles que são micélios e os colocar em uma câmara úmida para seu desenvolvimento reprodutivo; • É necessário que cada etapa, desde a confecção da câmara úmida como o crescimento do fungo em si seja registrado através de fotografias; • Cada basidomiceto possui um tempo para completar seu ciclo de vida, geralmente acontece em um curto período, por esse motivo é necessário a atenção daquele que desenvolve a prática; • Após o encerramento do ciclo e o registro de cada etapa, as fotografias são agrupadas e transformadas em um vídeo; • As imagens podem ser aceleradas, acarretando um efeito interessante de velocidade ao processo, chamado de time-lapse, onde um segundo do vídeo equivale a muitos minutos na vida real. • O vídeo pode ser exposto para o restante da turma, que ajudará no entendimento e visualização do ciclo.

4 - Coleta e Observação: Esse é um bom método para o aprendizado, onde o aluno pode ver da onde saem o material (fungos coletados pelo professor) e além de se divertir o aluno adquire novas experiências. O professor deve instruir o aluno para a realização da coleta e o primeiro passo é saber o material básico necessário para a coleta que são: • Máquina fotográfica: para tirar fotos dos cogumelos no local de coleta, pois muitos deles até chegarem ao laboratório mudam algumas características como coloração, tamanho, etc. • Faca ou canivete: para auxiliar a retirada do basidioma do substrato e sempre que possível, trazer junto parte do substrato. • Sacos de papel pardo: colocar individualmente a amostragem para evitar a mistura de esporos. Acondicioná-los de forma a manter bastante ar no seu interior, evitando assim, danificar os fungos coletados. • Caneta e caderneta: para anotar detalhes importantes como substrato, coloração, local de coleta, etc; • Lupa de mão: para verificar algumas características que posteriormente possam mudar até a chegada ao laboratório. • Sacola de plástico: para o transporte de todos os sacos de papel pardo. • Caixas diversas: para o transporte de espécimes frágeis. O segundo passo é anotar as características do material coletado e também do substrato onde se fixa. As características principais a serem anotadas são: Tipo se substrato (madeira, solo, etc.), características gerais: - Píleo (forma, coloração, consistência, superfície, margem, diâmetro; - Lamelas (fixação ao estipe, coloração, distância); - Estipe (forma, superfície, presença ou não de anel, volva, rizomorfa, micélio na base, comprimento).

5 - Crescimento de cogumelos: Essa prática foi baseada nas práticas de Berchtold (1991), sobre criação de mofos, s obre criação de Aspergillus e Penicillium (Bold, 1972), e sobre a prática de bolores que são encontrados na água (Craig, 1970). Objetivos: Testar o crescimento de cogumelos em 8 tipos de substratos diferentes. Procedimentos: Para esta prática deverá ser realizada a coleta de cogumelos em dias anteriores a aula. Na aula os alunos deverão cultivar os esporos presentes no cogumelo sobre os seguintes substratos: substrato 1: pão; substrato 2: inseto morto; substrato 3: fezes de mamífero (ex. vaca, capivara); substrato 4: fruta; substrato 5: madeira em decomposição; substrato 6: vaso com grama; substrato 7: objeto de plástico; substrato 8: lata de metal (ex. lata de refrigerante ou alimentos em conserva). Adicionar cinco gotas de água em cada substrato. Esses substratos deverão ser armazenados durante duas semanas em estufa improvisada feita de caixa de papelão (ex. caixas de sapatos). Os materiais deverão ser mantidos na estufa durante duas semanas, ao abrigo da luz, sendo que, deverão colocar as estufas a luz do sol, em dias alternados. Adicionar cinco gotas de água em dias alternados ao dia que foi expostos a luz (ex. 2º dia= adicionar gotas de água; 3º dia=exposição a luz; 4º dia= adicionar gotas de água). Relatório: Deverá ser feito um diário de anotações, com observações e desenhos de acordo com percebido de mudança no substrato, por exemplo, o crescimento de hifas e dos cogumelos. Resultados esperados: Espera-se que o cogumelo cresça em todos os materiais, menos no plástico e metal, já que são matérias orgânicas. Porém em alguns substratos os fungos deverão ter um desenvolvimento melhor devido a sua especificidade com o substrato. Observação: Estes procedimentos ainda não foram testados, mas acredita-se que que é uma prática viável, pois todos os materiais são propícios para o crescimento de fungos.

6 - Trilha do conhecimento - Essa prática foi baseada nas práticas de Mamede (2003) no qual consiste em um jogo cooperativo com alunos de todas as idades, jogo da trilha do conhecimento, promovendo interações com o meio ambiente. Objetivo: Promover a construção de conhecimento da biologia dos fungos do filo Basidiomycota e sua interação com o ambiente em que vivem. Procedimentos: Será realizada uma trilha do conhecimento com duração de 05 horas obedecendo às regras e orientações a seguir: 1. Essa prática deverá ser efetuada em um sábado em um ambiente fora da escola escolhido pelo professor, ambiente que apresente grande quantidade de fungos do filo Basidiomycota. 2. A sala deverá ser dividida em dois grupos. 3. Cada grupo escolherá um grito de guerra (o nome de uma família do filo Basidiomycota). 4. Haverá uma competição, que resultará de pontuações. 5. O professor planejará duas trilhas antes da aula em locais próximos, fixará nesse ambiente, 10 estacas, em pontos estratégicos relacionados aos fungos do filo localizados no local, sendo espalhadas nesses ambientes duas perguntas e duas charadas. Como exemplo de Pergunta: Qual o ambiente mais propício para a proliferação dos basidiomicetos? Observação. A estaca estará fixada nesse ambiente propício, porém esse detalhe o aluno que perceberá. Exemplo de charada: Atrás do tronco eu vou encontrar um cogumelo redondinho para brincar. Saborear ou não saborear? A pergunta que não quer calar, olhos por debaixo e que barato vejo o anel, mas logo acima percebo a grande estrutura chamada de (resposta do aluno). 6. Cada grupo deverá responder às 10 questões e as 02 charadas rimadas com característica dos basidiomicetos. 7. As perguntas e charadas serão pontuadas de acordo com as respostas. 8. Ao final os alunos serão pontuados igualmente (Somente o professor saberá dessa pontuação), devido ao desempenho dos mesmos, valendo um ponto na média final, não permitindo uma competição ofensiva dependendo da idade dos mesmos. Estes procedimentos ainda não foram testados com o reino Fungi, mas é uma prática viável a ser feita nas escolas para alunos de ensino fundamental e médio.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Alexopoulos, C.J., Mims, C.W. & Blackwell, M. 1996. Introductory Mycology. 4th ed. John Wiley & Sons, Inc.,New York.

Alexopoulos, C. J., Beneke E.S. Laboratory Manual for Introdutory. Burgess Publishing Company, 1962.

Bauer, Robert, Dominik Begerow, and Franz Oberwinkler. 2008. Ustilaginomycotina R. Bauer, Begerow, J P. Samp., M. Weiß & Oberw. 2006. The true smut fungi. Version 23 January 2008 (under construction). http://tolweb.org/Ustilaginomycotina/20530/2008.01.23 in The Tree of Life Web Project, http://tolweb.org

CAPELARI, M.; GUGLIOTTA, A. M. ; FIGUEIREDO, M. B. O estudo de fungos macroscópicos no Estado de São Paulo. In: JOLY, C. A. ; BICUDO, C. E. M (Eds.) Biodiversidade do Estado de São Paulo. São Paulo: FAPESP, 1998. p. 9-35.

Desjardin et al. 2007: Bioluminescent Mycena species from Sao Paulo, Brazil. Mycologia, 99(2), 2007, pp. 317–331.The Mycological Society of America, Lawrence

Ferguson, B. A.; Dreisbach, T. A.; Parks, C. G.; Filip, G. M.; Schmitt, C. L., 2003: Coarse-scale population structure of pathogenic Armillaria species in a mixed-conifer forest in the Blue Mountains of northeast Oregon. Can. J. For. Res. 33, 612–623.

Frieders, Elizabeth M., David J. McLaughlin, and Les J. Szabo. 2008. Pucciniomycotina (formerly Urediniomycetes). A diverse group of fungi, including rusts, yeasts, smut-like and jelly-like fungi. Version 21 February 2008. http://tolweb.org/Pucciniomycotina/20528/2008.02.21 in The Tree of Life Web Project, http://tolweb.org

Hawksworth,D.L. 2001a. The magnitude of fungal diversity the 1.5 million species estimate revisited. Mycological Research 105 (12): 1422-1432.

Hawksworth,D.L. 2001b Why to Study tropical fungi? . Tropical Mycology, volume 2, Micromycetes.

Hibbett, David S. 2007. Agaricomycotina. Jelly Fungi, Yeasts, and Mushrooms. Version 20 April 2007. http://tolweb.org/Agaricomycotina/20531/2007.04.20 IN The Tree of Life Web Project, http://tolweb.org/

Hibbet, D. S. et al. A higher-level phylogenetic classification of the Fungi. Disponível na Science Direct. 2007 The British Mycological Society. Published by Elsevier Ltd. All rights reserved

Kirk, P.M., Cannon, P.F., Minter, D.W. & & Stalpers, J.A. 2008. Dictionary of the fungi. 10 ed. CAB International, Wallingford.

Lacaz, C. S.; Heins-Vaccari, E. M.; Melo, N. T. & Hernandez-Arriagada, G. L. 1996.Basidiomycosis: a review of the literature. Rev. Inst. Med. trop. S. Paulo [online]. vol.38, n.5 ISSN 0036-4665.

Mueller, G. M.; Bills, G. F.; Foster, M. S. 2004. Biodiversity of fungi: Inventory and Monitoring Methods.

Pulido, O.M.M. 1983. Estúdios em Agaricales Colombianos - los hongos de Colombia IX. Bogotá, Univ. Nac. de Colombia.

Silveira, A. P. D. Micorrizas. In: Cardoso, E. J. B. N.; Tsai, S. M.; Neves, M. C. (Eds.). 1992. Microbiologia do solo. Campinas: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 257-282 p.

Swann, Eric and David S. Hibbett. 2007. Basidiomycota. The Club Fungi. Version 20 April 2007. http://tolweb.org/Basidiomycota/20520/2007.04.20 IN The Tree of Life Web Project,http://tolweb.org/

Ícone de esboço Este artigo sobre fungos é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.


Referências

  1. a b c RAVEN, P.H., EVERT, R.F. & EICHHORN, S.E. 2001. Biologia Vegetal, 6a. ed. Coord. Trad. J.E.Kraus. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro.