Batalha das Forcas Caudinas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou se(c)ção não cita fontes fiáveis e independentes (desde Março de 2013). Por favor, adicione referências e insira-as no texto ou no rodapé, conforme o livro de estilo. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Batalha das Forcas Caudinas
a Segunda Guerra Samnita
Battle of the Caudine Forks.jpg
Cena da passagem sob o jugo, numa pintura mural romana.
Data 321 a.C.
Local Forcas Caudinas, Benevento
Desfecho Vitória samnita
Combatentes
República Romana Samnitas
Comandantes
Espúrio Postúmio Albino
Tito Vetúrio Calvino
Caio Pôncio Herénio
Forças
Desconhecidas 50.000
Baixas
Insignificantes Insignificantes

A batalha das Forcas Caudinas foi um encontro armado que aconteceu em 321 a.C., entre os exércitos romano e samnita, no quadro da Segunda Guerra Samnita.

O comandante samnita era Caio Pôncio Herénio, quem conhecia a posição de um importante exército romano perto de Calatia, pelo qual enviou alguns soldados disfarçados de pastores com ordens de propagar a história de que os Samnitas estavam sitiando a cidade de Lucera, uma colônia romana chave situada na Apúlia, na retaguarda do Sâmnio. Os comandantes romanos, os cônsules Espúrio Postúmio Albino e Tito Vetúrio Calvino, foram enganados por este ardil, decidindo pôr-se em funcionamento com várias legiões (uns 50.000 homens, segundo Apiano) para emprestar ajuda Lucéria, e escolhendo a via mais rápida para esta cidade através das Forcas Caudinas sem quase conhecer o terreno. Era este um estreito vale que discorria entre os montes Tifata e Taburno, em plenos Apeninos, e situado entre as atuais localidades de Arpaia e Montesarchio. Recebia o seu nome (Furculae Caudinae) devido à proximidade da cidade samnita de Cáudio, situada a leste de Cápua e que corresponderia à atual Montesarchio.

O terreno em torno do vale é muito montanhoso, pelo qual constituía a única rota que o exército romano podia afrontar nesta zona. Quando os romanos franquearam um primeiro desfiladeiro muito estreito, os veteranos começaram a sentir-se inquietos, e ao atingir uma segunda passagem acharam-na fechada mediante uma barricada de pedras e troncos, evidentemente procedentes das árvores recentemente talados que balizavam o vale. Advertindo a armadilha, Postúmio deu ordem de regressar depressa para a primeira passagem, encontrando-a fortemente custodiada pelos samnitas, que impediam a saída. Então os romanos desesperaram pela sua situação, e de acordo com Tito Lívio, trataram de escalar as escarpadas paredes do desfiladeiro e tentaram abrir-se passagem, mas os samnitas matavam ou feriam àquele que o intentava.

Contudo, os Samnitas não pareciam saber como aproveitar a sua acertada estratagema, pelo qual Pôncio decidiu enviar uma missiva ao seu pai Herénio, quem respondeu que os romanos deviam ser postos em liberdade depressa após serem desarmados. Pôncio recusou este conselho e voltou a mandar outra carta ao seu pai, quem esta vez respondeu que os romanos deviam ser executados até o último homem. Surpreendidos por dois conselhos tão contraditórios, os Samnitas reclamaram a presença de Herénio para que se explicasse; uma vez presente, o ancião respondeu que se deixavam livres aos romanos após desarmá-los, poderiam obter o respeito e ainda a amizade de Roma; embora se executavam todos os romanos, então Roma seria tão débil que não constituiria uma ameaça durante muitos anos. Seu filho perguntou-lhe se não existia uma alternativa intermédia, ao que Herénio respondeu que seria uma completa loucura, pois deixaria os romanos desejosos de vingança sem terem sido enfraquecidos.

Porém, Pôncio desprezou os conselhos do seu pai e acedeu a libertar os romanos, embora em condições humilhantes, algo que foi aceite pelos dois cônsules romanos, pois o seu exército começava a sofrer os estragos da fome. O juramento de rendição foi levado a cabo por Pôncio do lado samnita, e por parte do romano os dois cônsules, dois questores, quatro legados das legiões e doze tribunos militares, que eram toda a oficialidade que sobrevivera ao desastre. Apiano descreve com pormenor a humilhação sofrida pelo exército romano: os soldados foram desarmados e despojados das suas vestes e, unicamente vestidos com uma túnica, foram obrigados a passar um por um por baixo de uma lança horizontal disposta sobre outras duas cravadas no chão, que obrigavam os romanos a se inclinarem para as cruzar. Deste episódio, também chamado "a passagem sob o jugo", nasceu a expressão passar sob o jugo ou passar pelas forcas caudinas, que significa o ter de aceitar irremediavelmente uma situação desonrosa.

Assim mesmo, as condições de rendição exigiam a entrega de várias populações fronteiriças como Frégelas, Terentino e Sátrico, a evacuação dos colonos romanos de Lucera e do vale do rio Liris, a retirada de todas as posições que mantinham no Sâmnio e uma trégua de cinco anos. Para garantir que o Senado romano ratificava o acordo atingido (foedus caudinum), Pôncio enviou os dois cônsules a Roma para que informassem do mesmo, ao mesmo tempo que retinha 600 cavaleiros romanos como prenda do acordo.

Contudo, os historiadores romanos trataram de minimizar este descalabro, tecendo a lenda de que quando os cônsules chegaram a Roma, exortaram o Senado para que continuasse a luta devido ao ignominioso trato recebido, não importando a sua própria sorte ou a dos cavaleiros retidos. O certo é que o Senado não teve mais remédio que ratificar o tratado, marcando assim um momento humilhante no devir histórico de Roma, e um dia nefasto para a cidade: os senadores despojaram-se das suas togas púrpuras, produziram-se cenas de duelo e proibiram as festas e casamentos durante todo um ano. Muitos dos legionários liberados refugiram-se nos campos ou voltaram de noite para a cidade pelo opróbrio que sentiam, embora os dois cônsules entrassem de dia, pois a lei romana obrigava-os a mostrarem a sua autoridade, que porém não voltaram a exercer durante o restante do seu consulado.

Contudo, a sabedoria do conselho de Herénio ficou logo demonstrada, pois esta afronta ficou marcada no orgulho de Roma, que romperia novamente as hostilidades em 316 a.C., tomando a revanche com a captura de Lucera e o resgate das armas, estandartes e reféns perdidos cinco anos antes.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]