Batalha de Ascalon
| Batalha de Ascalon | |||
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| Primeira Cruzada | |||
Pintura da batalha de Ascalon na Sala das Cruzadas do Palácio de Versailles (Victor Schnetz, 1839-1842) |
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| Data | 12 de Agosto de 1099 | ||
| Local | Ascalon | ||
| Resultado | Vitória dos cruzados | ||
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| Predefinição:Campanhainfo Primeira Cruzada | |||
A batalha de Ascalon ocorreu durante a 12 de Agosto de 1099. Considerada a última batalha da Primeira Cruzada, opôs os cruzados aos muçulmanos fatímidas do Egipto.
Índice |
Antecedentes [editar]
Durante a marcha da cruzada até Jerusalém, os fatímidas tinham tentado acordar uma paz com os cristãos para estes não atacarem a Cidade Santa, mostrando-se dispostos a ceder o controle da Síria, parcialmente nas mãos dos turcos seljúcidas, mas não da Palestina. No entanto, os peregrinos recusaram - o objectivo da Primeira Cruzada era libertar os lugares santos do domínio muçulmano. Jerusalém foi submetida a um cerco, durante o qual tiveram notícias da aproximação de um exército inimigo do Egipto.
Logo após a conquista da cidade a 15 de Julho de 1099, os cruzados agiram rapidamente: Godofredo de Bulhão foi eleito Protector do Santo Sepulcro a 22 de Julho; Arnulfo de Chocques tornou-se patriarca latino de Jerusalém a 1 de Agosto e quatro dias depois descobriu a relíquia da Vera Cruz, na qual se acreditava que Cristo teria sido crucificado.
Os fatímidas enviaram uma embaixada com a missão de ordenar que os cristãos abandonassem a Cidade Santa. A 10 de Agosto, a resposta foi a saída de Godofredo com um exército cruzado em direcção a Ascalon, a um dia de marcha de Jerusalém. Entretanto, Pedro o Eremita liderou o clero latino e ortodoxo grego em orações e em uma procissão, do Santo Sepulcro ao Templo de Jerusalém.
Roberto II da Flandres e Arnulfo acompanharam o duque da Lorena, mas Raimundo IV de Toulouse e Roberto II da Normandia não, talvez devido a um desentendimento com Godofredo ou porque preferiam aguardar notícias dos seus próprios batedores. Mas quando foi confirmada a presença do exército egípcio, também avançaram no dia seguinte.
Ao chegar a Ramla, o exército cruzado encontrou-se com Tancredo de Hauteville e Eustácio III de Bolonha, o irmão de Godofredo que no início do mês tinha feito uma sortida para tomar Nablus. As relíquias acompanharam os seus fiéis: na vanguarda, Arnulfo levava a cruz; Raimundo de Aguilers era o portador da Santa Lança, descoberta no cerco de Antioquia.
Batalha [editar]
Os fatímidas eram liderados pelo vizir al-Afdal Shahanshah, que comandava talvez até 50.000 homens (diferentes estimativas variam de 20.000–30.000 até ao exagero dos 200.000 da Gesta Francorum1 ). Com o seu exército de turcos seljúcidas, árabes, persas, arménios, curdos e etíopes, pretendia cercar os ocidentais em Jerusalém, apesar de não ter trazido engenhos de cerco; no entanto, possuía uma frota que se reunira no porto de Ascalon.}}
Desconhece-se o número exacto dos cruzados, mas o cronista Raimundo de Aguilers2 refere 1.200 cavaleiros e 9.000 soldados de infantaria. A mais alta estimativa de 20.000 homens parece impossível a esta altura da cruzada.
Al-Afdal acampou na planície de al-Majdal em um vale nos arredores de Ascalon, preparando-se para continuar até Jerusalém, aparentemente desconhecedor de que o inimigo já vinha ao seu encontro. A 11 de Agosto os cruzados encontraram bois, ovelhas, camelos e cabras nos arredores da cidade, que serviriam para alimentar o campo muçulmano.
Segundo prisioneiros feitos por Tancredo de Hauteville em uma escaramuça nas proximidades de Ramla, os animais tinham sido colocados no local para encorajar os cruzados a dispersar e pilhar as terras, tornando-os em presas mais fáceis para um ataque fatímida. No entanto, al-Afdal ainda não sabia que os seus inimigos estavam na área, e aparentemente não estava à espera de os encontrar aqui. Os cristãos reuniram os animais e, devido à área de terreno que estes cobriam, na manhã seguinte o seu exército parecia ser muito mais numeroso.
Na manhã do dia 12, os batedores cruzados relataram a localização do campo fatímida e o exército marchou na sua direcção, organizado em nove divisões: Godofredo de Bulhão liderou a ala esquerda e Raimundo IV de Toulouse a direita; Tancredo, Eustácio III de Bolonha, Roberto II da Normandia e Gastão IV de Béarn formavam o centro; estes ainda se dividiram em duas forças, e uma divisão de soldados de infantaria marchava à frente de cada uma delas. À saída de Ascalon, o centro do exército posicionou-se entre as portas de Jerusalém e de Jaffa, a ala direita alinhou-se com a costa do Mediterrâneo, e a esquerda voltou-se para a porta de Jaffa.
Segundo a maioria dos relatos, tanto cruzados como muçulmanos, os fatímidas foram apanhados desprevenidos e a batalha foi curta, apesar de Alberto de Aquisgrão3 ter escrito que esta demorou algum tempo, contra um inimigo bem preparado. As duas principais linhas da batalha atingiram-se com flechas até se aproximarem o suficiente para lutarem corpo-a-corpo com lanças. Os etíopes atacaram o centro da linha cruzada, enquanto a vanguarda fatímida conseguiu flanquear os cristãos e cercar a sua retaguarda, até Godofredo chegar para a ajudar.
Apesar da superioridade numérica, este exército não era tão forte ou perigoso como os dos seljúcidas que os ocidentais tinham encontrado previamente na cruzada. A batalha terá acabado antes da cavalaria pesada muçulmana estar sequer preparada para entrar em acção.
Al-Afdal e as suas tropas em pânico retiraram para a segurança da cidade bem fortificada; Raimundo de Toulouse perseguiu alguns inimigos até ao mar, outros subiram a árvores para fugir e foram mortos com flechas, outros ainda foram esmagados na retirada para os portões de Ascalon. O vizir abandonou o seu campo e os seus pertences foram tomados por Roberto e Tancredo.
Consequências [editar]
Os cruzados passaram a noite no campo abandonado, preparando-se para outro ataque, mas de manhã souberam que os fatímidas estavam a retirar para o Egipto, al-Afdal viajando por mar. Assim, levando o saque que podiam, que incluía o estandarte e a tenda pessoal do vizir, os ocidentais queimaram o acampamento e voltaram a Jerusalém a 13 de Agosto.
Tanto Godofredo de Bulhão como Raimundo IV de Toulouse reclamaram a posse de Ascalon, mas quando a guarnição da cidade teve notícias da disputa recusou-se a render-se. Após esta batalha, a maioria dos cruzados, entre os quais Roberto da Flandres e Roberto da Normandia, considerou os seus votos cumpridos e voltou para a Europa. Segundo Fulquério de Chartres,4 apenas algumas centenas de cavaleiros permaneceram no reino recém-formado.
Ascalon permaneceu sob o controlo fatímida e, com a sua guarnição foi reforçada, tornar-se-ia na base de operações para frequentes invasões ao recém-formado Reino Latino de Jerusalém. Nesta cidade seriam travadas numerosas batalhas nos anos seguintes, até que em 1153 o rei Balduíno III de Jerusalém conseguiria completar a conquista.
Referências
- ↑ Gesta Francorum et aliorum Hierosolimitanorum, de autor(es) anónimo(s) - {{Link|la|http://www.thelatinlibrary.com/gestafrancorum.html%7CTexto integral |4=; Excertos (em inglês)
- ↑ Excertos da Historia Francorum qui ceperint Iherusalem (em en)., Raimundo de Aguilers
- ↑ Historia Hierosolymitanae expeditionis (em la)., Alberto de Aquisgrão
- ↑ Historia Hierosolymitana e Gesta Francorum Jerusalem Expugnantium, Fulquério de Chartres
Bibliografia [editar]
- The Crusades, Hans Eberhard Mayer, tradução para o inglês de John Gillingham, Oxford, 1988 (ISBN 0-19-873097-7)
- The First Crusade and the Idea of Crusading, Jonathan Riley-Smith, University of Pennsylvania Press, 1986 (ISBN 978-0812213638)
- The First Crusaders, 1095–1131, Steven Runciman, Cambridge University Press, 1951
- A History of the Crusades, ed. Kenneth Setton, Madison, 1969–1989 (em inglês)