Batalha de Cartago (698)

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Batalha de Cartago
Parte da Conquista muçulmana do Magrebe; Guerras bizantino-árabes
Data 698698
Local Cartago
Desfecho Vitória omíada
Mudanças
territoriais
Cartago recapturada pelos muçulmanos
Combatentes
  Califado Omíada Império Bizantino
Principais líderes
  Hasan ibn al-Nu'man Império Bizantino João, o Patrício
Império Bizantino Tibério Apsimaro
Forças
40 000 Desconhecida, mas menor.
Vítimas
Altas Baixas

A Batalha de Cartago foi travada em 698[1] entre as forças expedicionárias bizantinas e os exércitos do Califado Omíada. Tendo perdido Cartago para os muçulmanos[2] , o imperador bizantino Leôncio[3] enviou a marinha sob o comando de João, o Patrício[4] , e o drungário Tibério Apsimaro. Eles entraram no porto da cidade e o recapturaram juntamente com a cidade num avassalador ataque-surpresa. As forças árabes recuaram para Cairuão.

40 000 homens[editar | editar código-fonte]

O emir Hasan ibn al-Nu'man estava ocupado pacificando o território do Maghreb, mas retornou para enfrentar a renovada iniciativa bizantina contra o emergente califado. Em Cairuão, ele iniciou o planejamento para retomar Cartago na primavera seguinte. Estima-se que ele tenha conseguido juntar uma força de 40 000 homens[5] . Os bizantinos emitiram um pedido de ajuda aos tradicionais aliados na região, os amazigh, e até mesmo para seus inimigos, os visigodos e os francos[4] . Apesar de terem conseguido dominar a cidade no ataque-surpresa, os romanos estavam desorganizados. O exarca anterior, Genádio, já havia traído a causa dos cristãos e desertado para os muçulmanos e se tornado um vassalo.

Hasan ibn al-Nu'man, enfurecido por ter que retomar uma cidade que não resistira à conquista bizantina, não ofereceu termos além da total rendição ou a morte. O imperador Leôncio, infame por suas duras reações a fracassos, também tinha instruído suas tropas a vencer ou morrer. Os bizantinos assim seguiram em frente com uma tentativa de vencer uma luta direta e foram derrotados, posteriormente preferindo somente incitar a revolta entre os príncipes dos amazigh. O comandante bizantino, João, decidiu então esperar e aguentar um cerco atrás das muralhas de Cartago, esperando que os árabes se exaurissem, uma vez que ele ainda era capaz de receber suprimentos pelo mar. Os defensores, porém, enfrentavam uma força esmagadora que continuamente tentava escalar a muralha com escadas. Os árabes combinaram ainda o ataque por terra com outros pro mar e deixaram João e Apsimarus temerosos de serem encurralados na cidade. Ainda assim, a determinação dos defensores resultou numa segunda e definitiva destruição de Cartago. Os bizantinos recuaram para as ilhas de Córsega, Sicília e Creta, resistindo à expansão muçulmana e aguardando a raiva do imperador.

Resultado[editar | editar código-fonte]

João, o Patrício, foi posteriormente assassinado numa conspiração comandada por seu co-comandante, Apsimarus. Ele, por sua vez, ao invés de tentar retornar para a África para lutar contra os muçulmanos, foi para Constantinopla. Após uma revolta vitoriosa, ele ascendeu ao trono como Tibério III[4] e terminou posteriormente deposto pelo Justiniano II.

A conquista do Norte da África pelas forças do Islã estava agora quase completa e Hasan ibn al-Nu'man estava triunfante. Porém, logo Hasan se envolveu em conflitos com a tribo berbere dos zenata sob a rainha al-Kahina[6] . Eles infligiram uma séria derrota às suas forças e o fizeram recuar para Barca. Porém, em 702, o califa Abd al-Malik enviou um poderoso reforço até ele que, reforçado e contando com o apoio da população local, conseguiu avançar. Hasan derrotou al-Kahina definitivamente na Batalha de Tabarka, a 136 quilômetros a oeste de Cartago. Em seguida, ele fundou a vila de Tunis a dezesseis quilômetros da destruída Cartago. Por volta de 705, Musa ibn Nusayr substituiu Hasan e pacificou a região.

Referências

  1. Tunisia - Carthage www.sights-and-culture.com. Página visitada em 20 September 2012.
  2. ʿAbd al-Malik www.britannica.com. Página visitada em 20 September 2012.
  3. Leontius i-cias.com. Página visitada em 20 September 2012.
  4. a b c Moore, R. Scott. Leontius (695-98 A.D.) www.roman-emperors.org. Página visitada em 20 September 2012.
  5. Battle of Carthage (698) www.myetymology.com. Página visitada em 20 September 2012.
  6. Augusto Ferreira do Amaral. Mazagão: a epopeia portuguesa em Marrocos. Tribuna da Història; 2007. ISBN 978-972-8799-56-4. p. 53.