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Batalha de Cinossema

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Batalha de Cinossema
Guerra do Peloponeso
Data 411 a.C.
Local Cercanias de Cinossema, no Helesponto
Desfecho Vitória ateniense
Combatentes
Atenas Esparta
Comandantes
Trasilo
Trasíbulo
Míndaro
Forças
76 navios 86 navios
Baixas
15 navios 21 navios

A batalha de Cinossema (em grego: Κυνὸς σῆμα; transl.: Cynossema) foi um conflito naval travado em 411 a.C. durante a Guerra de Decélia (última fase da Guerra do Peloponeso). Na batalha, a frota ateniense comandada por Trasíbulo e Trasilo, apesar de inicialmente posta à defensiva pela frota espartana numericamente superior, obteve uma apertada vitória. Esta vitória, conseguida no tempo em que a democracia ateniense fora substituída por uma oligarquia, e quando uma derrota ateniense poderia ter colocado fim a guerra, teve um impacto desproporcionado a respeito do seu significado tático. Renovada a sua confiança, a frota ateniense conseguiu, em rápida sucessão, mais duas vitórias no Helesponto; a segunda delas foi a vitória esmagadora de Cízico, que acabou com a ameaça imediata de Esparta sobre as posses de Atenas no mar Negro.

Prelúdio[editar | editar código-fonte]

Mundo Egeu em 431 a.C.

No rescaldo da derrota ateniense na expedição à Sicília em 413 a.C., uma pequena frota espartana comandada por Calcideu, que era aconselhado e ajudado por Alcibíades, teve sucesso provocando revoltas em diferentes cidades jônias pertencentes ao Império Ateniense.[1] Após a revolta da cidade chave de Mileto, o sátrapa aquemênida Tisafernes pactuou uma aliança contra Atenas junto a Esparta.[2] Os espartanos relutaram em enfrentarem os atenienses no mar, e uma frota de Atenas conseguiu recapturar várias cidades e assediar Quios durante os últimos meses de 412 a.C.[3] Em 411 a.C., porém, novas rebeliões em Rodes e Eubeia, com a captura de Abidos e Lâmpsaco no Helesponto por parte dum exército peloponésio que marchou por terra, obrigou os atenienses a dispersarem as suas forças para fazer face às diferentes ameaças. A frota espartana pôde então movimentar-se livremente pelo Egeu e aproveitou a sua recente superioridade para levantar o bloqueio sobre Quios e conter a frota ateniense do Egeu em Samos.[4]

Ao retirar os seus navios do Helesponto para Samos, os atenienses puderam restabelecer a sua superioridade naval no mar Egeu,[5] mas isto possibilitou que Esparta mudasse o teatro de guerra. Assim, em julho, o comandante espartano Clearco tentou chegar ao Helesponto atravessando a frota ateniense com 40 navios. Apesar destes terem regressado devido a uma tormenta, pouco depois chegaram ao Helesponto 10 navios sob comando do general megarense Helixo,[nota 1] onde iniciaram revoltas em Bizâncio, provocando a sua defecção,[nota 2] e em Calcedônia e outras cidades importantes.[nota 3] Vários meses mais tarde, o novo navarco espartano, Míndaro, após decidir que as promessas de apoio realizadas por Farnabazos II, o sátrapa persa da Anatólia, eram melhores que as de Tisafernes na Jônia,[6] conseguiu escorrer-se entre os atenienses com toda a sua frota. Depois, uniu-se aos navios peloponésios que já operavam no Helesponto e estabeleceu a sua base em Abidos, forçando a fuga da pequena frota ateniense em Sesto, com baixas, para Imbros e Lemnos.[7]

A batalha[editar | editar código-fonte]

Diagramação da batalha de Cinossema

Com uma grande frota peloponésia operando no Helesponto, lugar de vital importância, pois era pelo qual se passava a rota de comércio de grão ateniense, a frota de Atenas não teve mais opção que perseguir Míndaro.[8] Assim, Trasíbulo, assumindo o comando total, guiou a frota até Eleu, no extremo da península de Galípoli, onde os atenienses passaram cinco dias preparando-se para confrontar os 86 navios espartanos em Abidos com os seus 76 navios.[9] A frota ateniense avançou em fila para o Helesponto, seguindo a costa por norte, enquanto os espartanos zarpavam de Abidos na costa meridional. Quando os atenienses rodearam o promontório de Cinossema, os espartanos atacaram. O plano dos espartanos era colocarem-se contra o flanco direito ateniense e pegar a frota no Helesponto ao mesmo tempo em que o centro da formação era empurrado para terra.[10] O centro ateniense ficou imobilizado na costa de Cinossema; o flanco esquerdo, sob comando de Trasilo, assaltado por navios siracusanos e incapaz de ver o resto da frota devido ao promontório, não pôde ajudar. Enquanto isso, Trasíbulo conseguiu que o flanco direito evitasse ficar cercado ao estender sua linha para oeste. No entanto, este movimento fê-lo perder contato com o centro da formação. Com os atenienses divididos e grande parte da sua frota incapacitada, a vitória espartana parecia assegurada.[11]

Neste momento crítico, contudo, a linha peloponésia começou a entrar em desordem quando os navios quebraram a formação para perseguirem os navios atenienses. Ao ver isto, Trasíbulo mandou girar os seus navios abruptamente e atacou o flanco esquerdo espartano. Após vencer estas embarcações, a direita ateniense avançou para o centro peloponésio e, encontrando-o num estado de desorganização, também conseguindo vencê-lo com rapidez. Os siracusanos do flanco direito, vendo fugir o resto da sua frota, abandonaram o seu ataque sobre a esquerda ateniense e empreenderam a fuga.[11] O estreito assegurou que os peloponésios tivessem um curto caminho para se ficar a salvo e limitou o dano que os atenienses podiam provocar; porém, ao final o dia a frota de Atenas capturara 21 navios espartanos contra os 15 que foram tomados pelos peloponésios no início do confronto. Os atenienses colocaram um troféu em Cinossema e estabeleceram-se em Sesto, enquanto os peloponésios se dirigiram de volta para Abidos.[12]

Consequências[editar | editar código-fonte]

Durante os dias que se seguiram à batalha, os atenienses arranjaram os seus navios em Sesto e despacharam um pequeno destacamento para Cízico, recapturando a cidade e tomando oito trirremes que encontraram no caminho.[12] Foi enviado um trirreme para Atenas, onde a inesperada notícia do sucesso restaurou a confiança do povo no esforço bélico.[12] O historiador Donald Kagan enfatiza o efeito que esta vitória teve sobre os atenienses. Forçados a lutar sob termos estabelecidos pelos seus inimigos, numa época quando a cidade carecia de recursos para construir uma nova frota, os atenienses poderiam ter perdido a guerra em Cinossema. No seu lugar, contudo, conseguiram uma vitória que os permitiu continuar lutando.[13]

Notas

  1. Tucídides somente o menciona nesta passagem e Xenofonte o faz em Helénicas i.3.15-21
  2. A presença do general megarense Helixo é explicada pelo fato de Bizâncio ter sido fundada por colonos de Mégara.
  3. Tucídides século V a.C., 8.80.3. Kagan 2003, p. 394, indica final de julho como data dos acontecimentos.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]