Batalha de Cinossema
| Batalha de Cinossema | |||
|---|---|---|---|
| Guerra do Peloponeso | |||
| Data | 411 a.C. | ||
| Local | Cercanias de Cinossema, no Helesponto | ||
| Resultado | Vitória ateniense | ||
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| Comandantes | |||
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| Predefinição:Campanhainfo Guerra do Peloponeso | |||
A batalha de Cinossema foi um conflito naval travado em 411 a.C. durante a Guerra de Decélia (última fase da Guerra do Peloponeso). Na batalha, a frota ateniense comandada por Trasíbulo e Trasilo obteve uma apertada vitória, apesar de que inicialmente a superioridade numérica dos espartanos a puseram à defensiva. Esta vitória, sucedida quando a democracia ateniense fora substituída por uma oligarquia e uma derrota ateniense pôde ter posto fim à guerra, teve um impacto desproporcionado a respeito do seu significado tático. Renovada a sua confiança e em rápida sucessão, a frota ateniense ganhou mais duas batalhas no Helesponto; a segunda delas foi a vitória esmagadora de Cícico, que acabou com a ameaça imediata de Esparta sobre as posses de Atenas no mar Negro.
Índice |
Prelúdio [editar]
Depois da derrota ateniense na expedição à Sicília em 413 a.C., uma pequena frota espartana comandada por Calcideu, que era aconselhado e ajudado por Alcibíades, teve sucesso provocando revoltas em diferentes cidades jônias pertencentes ao Império Ateniense.1 Após a revolta da cidade chave de Mileto, o sátrapa persa Tisafernes pactuou uma aliança contra Atenas junto a Esparta.2 Os espartanos duvidavam enfrentarem com os atenienses no mar, e uma frota de Atenas conseguiu recapturar várias cidades e assediar Quios durante os últimos meses de 412 a.C.3 Em 411 a.C., porém, novas rebeliões em Rodes e Eubeia, com a captura de Abidos e Lâmpsaco no Helesponto por parte de um exército peloponeso que marchou por terra, obrigou os atenienses a dispersarem as suas forças para fazer face às diferentes ameaças. A frota espartana pôde então movimentar-se livremente pelo Egeu e aproveitou a sua recente superioridade para levantar o bloqueio sobre Quios e conter a frota ateniense do Egeu em Samos.4
Ao retirar os seus navios do Helesponto para Samos, os atenienses puderam restabelecer a sua superioridade naval no mar Egeu,5 mas isto possibilitou que Esparta mudasse o teatro de guerra. Assim, em julho, o comandante espartano Clearco tentou chegar ao Helesponto atravessando a frota ateniense com 40 navios. Apesar de que deveram regressar devido a uma tormenta, pouco depois chegaram ao Helesponto 10 navios sob comando do general megarense Helixo,6 onde iniciaram revoltas em Bizâncio, provocando a sua defecção,7 e em Calcedônia e outras cidades importantes.8 Vários meses mais tarde, o novo navarco espartano, Míndaro, após decidir que as promessas de apoio realizadas por Farnabazos II, o sátrapa persa da Anatólia, eram melhores que as de Tisafernes na Jônia,9 conseguiu escorrer-se entre os atenienses com toda a sua frota. Depois, uniu-se aos navios peloponesos que já operavam no Helesponto e estabeleceu a sua base em Abidos, forçando a fuga da pequena frota ateniense em Sestos, com baixas, para Imbros e Lemnos.10
A batalha [editar]
Com uma grande frota peloponesa operando no Helesponto, lugar de vital importância, pois era por que passava a rota de comércio de grão ateniense, a frota de Atenas não teve mais opção que perseguir Minandro.11 Assim, Trasíbulo, assumindo o comando total, guiou a frota até Eleus, no extremo da península de Galípoli, onde os atenienses passaram cinco dias preparando-se para enfrentar com os 86 navios espartanos em Abidos com os seus 76 navios.12 A frota ateniense avançou em fila para o Helesponto, seguindo a costa por norte, enquanto os espartanos zarpavam de Abidos na costa meridional. Quando os atenienses rodearam o promontório de Cinossema, os espartanos atacaram. O plano espartano era colocarem-se contra o flanco direito ateniense e pegar à frota no Helesponto ao mesmo tempo em que o centro da formação era empurrado para terra.13 Pronto, o centro ateniense ficou varado na costa de Cinossema; o flanco esquerdo, sob comando de Trasilo, acossado por navios siracusanos e incapaz de ver o resto da frota devido ao promontório, não pôde acudir na sua ajuda. Enquanto isso, Trasíbulo pôde conseguir que o flanco direito evitasse ficar rodeado ao estender a sua linha para oeste; no entanto, este movimento fê-lo perder contato com o centro da formação. Com os atenienses divididos e grande parte da sua frota incapacitada, a vitória espartana parecia segurada.14
Contudo, neste momento crítico, a linha peloponesa começou a entrar em desordem quando os navios quebraram a formação para perseguirem os navios atenienses. Ao ver isto, Trasíbulo mandou girar os seus navios abruptamente e atacou o flanco esquerdo espartano. Depois de vencer a estas naves, a direita ateniense avançou para o centro peloponeso e, encontrando-o num estado de desorganização, também o venceu com rapidez. Os siracusanos do flanco direito, vendo fugir o resto da sua frota, abandonaram o seu ataque sobre a esquerda ateniense e empreenderam a fuga.14 O estreito assegurou que os peloponesos tivessem um curto caminho para se ficar a salvo e limitou o dano que os atenienses podiam provocar; porém, ao finalizar o dia a frota de Atenas capturara 21 navios espartanos contra os 15 que foram tomados pelos peloponesos no início do confronto. Os atenienses colocaram um troféu em Cinossema e estabeleceram-se em Sestos, enquanto os peloponesos se dirigiram de volta para Abidos.15
Consequências [editar]
Durante os dias que se seguiram à batalha, os atenienses arranjaram os seus navios em Sestos e despacharam um pequeno destacamento a Cícico, recapturando a cidade e tomando 8 trirremes que encontraram no caminho.16 Foi enviado um trirreme para Atenas, onde a inesperada notícia do sucesso restaurou a confiança do povo no esforço bélico.15 O historiador Donald Kagan enfatiza o efeito que esta vitória teve sobre os atenienses. Forçados a lutar sob termos estabelecidos pelos seus inimigos, numa época quando a cidade carecia de recursos para construir uma nova frota, os atenienses puderam ter perdido a guerra esse dia em Cinossema. No seu lugar, conseguiram uma vitória que permitiu continuarem lutando.17
Referências
- ↑ Tucídides, The Peloponnesian War 8.14-17
- ↑ Tucídides, The Peloponnesian War 8.17-18
- ↑ Kagan, The Peloponnesian War, pág. 340-354
- ↑ Kagan, The Peloponnesian War, pág. 359
- ↑ Kagan, The Peloponnesian War, pág. 387
- ↑ Tucídides somente o menciona nesta passagem e Xenofonte em Helénicas i.3.15-21
- ↑ A presença de Helixo explica-se ao ser Bizâncio uma fundação de Mégara.
- ↑ Tucídides, The Peloponnesian War 8.80.3 . Kagan, The Peloponnesian War, pág. 394, indica final de julho como data dos acontecimentos.
- ↑ Tucídides, The Peloponnesian War 8.99
- ↑ Tucídides, The Peloponnesian War 8.101-103
- ↑ Kagan, The Peloponnesian War, pág. 404
- ↑ Tucídides, The Peloponnesian War 8.103
- ↑ Tucídides, The Peloponnesian War 8.104
- ↑ a b Tucídides, The Peloponnesian War 8.105
- ↑ a b Tucídides, The Peloponnesian War 8.106
- ↑ Tucídides, The Peloponnesian War 8.107
- ↑ Kagan, The Peloponnesian War, pág. 406
- Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em espanhol, cujo título é «batalla de Cinosema».
Bibliografia [editar]
- Kagan, Donald. The Peloponnesian War. [S.l.]: Penguin Books, 2003. ISBN 0-670-03211-5
- História da Guerra do Peloponeso de Tucídides.