Batalha de França

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A Batalha de França
Segunda Guerra Mundial
Bundesarchiv Bild 101I-126-0347-09A, Paris, Deutsche Truppen am Arc de Triomphe.jpg
Tropas alemãs desfilam embaixo do Arco do Triunfo em Paris, 14 de junho de 1940.
Data 10 de Maio de 1940 - 22 de Junho de 1940
Local França
Resultado Vitória do Eixo
Combatentes
Comandantes
Maurice Gamelin, Maxime Weygand (Franceses) John Vereker (Força Expedicionária Britânica) Gerd von Rundstedt (Grupo de Exércitos A)
Fedor von Bock (Grupo de Exércitos B)
Wilhelm von Leeb (Grupo de Exércitos C)
Forças
144 divisões
13 974 canhões
3 384 tanques
3 099 aviões
Total: 2 862 000 homens
141 divisões
7 378 canhões
2 445 tanques
5 446 aviões
Total: 3 350 000 homens
Baixas
360 000 mortos ou feridos
1 900 000 capturados
2 233 aeronaves perdidas
157 621 baixas (mortos ou feridos)
1 236-1 345 aeronaves destruidas
323-488 aeronaves danificadas
795 tanques destruidos
Itália:6 029 baixas

A Batalha da França, também conhecida por Queda da França, foi a invasão da França e dos Países Baixos pela Alemanha Nazista, em 10 de Maio de 1940 durante a Segunda Guerra Mundial, terminando assim a "Guerra de Mentira".

Unidades blindadas alemãs atravessaram a região florestal das Ardenas, flanqueando a Linha Maginot e derrotando os defensores Aliados. A Força Expedicionária Britânica foi evacuada no que ficou conhecido como a Batalha de Dunquerque na Operação Dínamo, e muitas unidades francesas juntaram-se à Resistência ou passaram ao lado dos Aliados.

A Itália declarou guerra à França em 10 de junho. Paris foi ocupada em 14 de junho, e o Governo Francês fugiu para Bordéus no mesmo dia.

Em 17 de junho, o Marechal Pétain anunciou publicamente que a França iria propor um armistício, que foi assinado pela França e a Alemanha em 22 de junho, quando se deu a rendição do Segundo Grupo do Exército Francês. O armistício entrou em vigor a 25 de junho. Para o Eixo, a campanha foi uma vitória espetacular.[1]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O expansionismo alemão da década de 1930 pôs em cheque a política de apaziguamento levada a cabo pelo Reino Unido e França. Em 1938, a Alemanha anexou a Áustria e, em meados de 1939, concluiu a dominação da Tchecoslováquia. Com essas invasões, a Alemanha fortaleceu ainda mais seu poderio econômico e suas forças armadas, já que após as invasões divisões austríacas foram incorporadas a Wehrmacht e centenas de tanques tchecos passaram a integrar a Panzerwaffe, tanques esses superiores aos tanques Panzer I e Panzer II que compunham a espinha dorsal das forças blindadas alemães à época. Além disso, as indústrias tchecas de armas pesadas Skoda e CKD também contribuíram para esse fortalecimento alemão produzindo toneladas de munições e outros itens bélicos.

Reino Unido e França, de início procurando a conciliação pacífica, mudaram sua política após a tomada da Tchecoeslováquia pela Alemanha, a qual desrespeitou o Tratado de Munique. Dessa forma, finalmente Reino Unido e França se contrapuseram diretamente aos planos expansionistas da Alemanha nazista. Em 3 de setembro, dois dias após o início da invasão da Polônia pela Alemanha, França e Inglaterra declararam guerra à Alemanha, dando início, desta forma, à Segunda Guerra Mundial. A União Soviética permaneceu neutra.

Após a derrota da Polônia, Hitler começou a preparação do plano de invasão da Europa Ocidental. A França e a Inglaterra começaram seus preparativos para conter um possível ataque alemão. Porém, o período que se segue ficou conhecido como "Guerra de Mentira", pois, desde os fins de setembro de 1939 até abril de 1940, as hostilidades simplesmente eram inexistentes, à exceção de uma ou outra incursão aérea de ambos os lados em nível de reconhecimento. A Inglaterra mandou, a território francês, a BEF (British Expedicionary Force) e a RAF (Royal Air Force).

A França, por sua vez, acreditava estar protegida pela majestosa Linha Maginot, que era uma barreira de fortificação com extensão de 400 quilômetros, construída ao longo da fronteira franco-germânica. Na verdade, a Linha Maginot fora construída após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) com o objetivo de barrar os alemães, e a França nunca mais sofrer uma invasão germânica. Contudo, fora construída baseada nas arcaicas teorias da guerra linear de 1914, ignorando a moderna aviação, que poderia facilmente bombardeá-la, e também o transporte aéreo de tropas, que poderiam flanqueá-la por trás. Após meses de tédio, enquanto os aliados esperavam um ataque alemão, em abril de 1940, Hitler direcionou seus exércitos ao norte, ocupando a Noruega e a Dinamarca. Franceses e ingleses enviaram tropas para impedir esse ataque mas fracassaram.

Estratégia alemã[editar | editar código-fonte]

As forças alemãs estavam divididas em três Grupos de Exércitos; ao norte, contando apenas com três divisões blindadas, estava o Grupo de Exércitos B, comandado pelo general Fedor von Bock, que tinha como objetivo invadir a Bélgica e atrair as forças britânicas e francesas para o combate. Mais ao sul, estava o Grupo de Exércitos A, que tinha 37 divisões, sendo sete delas blindadas e três de infantaria motorizada, o que a tornava a principal força de ataque alemã, responsável por avançar nas Ardenas, romper a linha francesa no rio Meuse e então atacar ao norte, dividindo a Força Expedicionária Britânica e o 1º e 2º exército francês do restante das forças armadas francesas. Mais ao sul, estava o Grupo de Exércitos C, comandado pelo general Wilhelm Ritter von Leeb, com o objetivo de atacar a linha Maginot.

A Ameaça vem das Ardenas[editar | editar código-fonte]

Com a campanha escandinava bem-sucedida e concluída, Hitler direciona seus exércitos para atacar a Holanda e a Bélgica que, até então, eram países neutros à guerra. Efetua desembarques nas cidades de Haia e Rotterdan e também na fronteira oriental holandesa, enquanto a Luftwaffe bombardeava ferozmente. A Holanda caiu em cinco dias. A Bélgica foi a próxima a sentir os efeitos da Blitzkrieg alemã, sendo a tomada de Albert Canal e da fortaleza de Eben Emael uma das mais brilhantes operações aerotransportadas de toda a guerra. A França não julgava ser possível um ataque alemão através da densa floresta das Ardenas, pois seria praticamente instransponível para pesados blindados. Com muitos efetivos do exército francês e também da Força Expedicionária Britânica marchando em território belga, em auxílio à defesa daquele país, foi uma desagradável surpresa quando maciças divisões blindadas alemãs saíram das Ardenas e entraram em território francês. O ataque alemão à Holanda e à Bélgica propiciaram aos exércitos de Hitler dar a volta por trás da Linha Maginot, evitando o combate frontal. Assim, em um gigantesco movimento circular, os exércitos de Rudstendt, vindos do sul, e as divisões Panzer de Güderian, a oeste, iriam encurralar franceses e britânicos contra o Canal da Mancha. O rompimento das linhas francesas em Sedan, que tinham o objetivo de barrar os alemães na invasão do país, fizeram com que a França entrasse em colapso, sendo muitas de suas forças capturadas ou aniquiladas.

Estratégia francesa[editar | editar código-fonte]

A estratégia francesa estava baseada na Linha Maginot, um conjunto trincheiras construído após a Primeira Guerra Mundial. A Linha Maginot cobria toda a fronteira entre Alemanha e França, começando ao Sul, perto da Suíça, e terminando na fronteira com Luxemburgo, nas Ardenas. Com essa linha, os franceses tinham os seguintes objetivos:

  • Evitar um ataque surpresa
  • Dar tempo para o exército francês se mobilizar (2-3 semanas)
  • Economizar forças (França tinha apenas 39 milhões de habitantes, contra 70 milhões de habitantes da Alemanha)
  • Proteger a Alsácia e Lorena e suas indústrias
  • Ser o ponto de partida para um contra-ataque
  • Forçar um ataque alemão pelos flancos (Bélgica ou Suíça)

Ataque alemão[editar | editar código-fonte]

Em 10 de maio, o Grupo de Exércitos B deslanchou sua ofensiva contra os Países Baixos e Bélgica, obtendo rápido sucesso graças às forças aerotransportadas que inutilizaram o Forte Eben-Emael e tomaram diversas pontes na região. Os aliados prontamente reagiram, avançando através da Bélgica e ali estabelecendo sua linha defensiva. Enquanto isso, o Grupo de Exércitos A avançou pelas Ardenas sem maiores dificuldades, alcançando o Meuse - perto de Sedan - em dois dias, e cruzando-o no dia seguinte. Divisões do 9º Exército Francês foram despachadas para proteger o flanco direito, mas a rapidez dos ataques alemães cercou o exército, terminando por dispersá-lo completamente. Quebrada a linha francesa, a 7ª Divisão Panzer de Erwin Rommel e os Panzerkorps de Guderiam, Hoth e Reindthart avançaram a norte, alcançando o Somme no dia 20.

A reação[editar | editar código-fonte]

Em 20 de maio, o Primeiro-Ministro francês, Reynaud, demitiu o general Gamelin e nomeou o general Weygand, que imediatamente tomou medidas para deter o cerco alemão. O Plano Weygand consistia em quebrar a pinça alemã, usando as tropas cercadas ao norte e suas divisões de reserva estacionadas ao sul, atrás do Somme. Não se tratava de uma tarefa impossível; a linha alemã tinha em torno de 40 km de largura, e não estava consolidada no terreno. Um contra-ataque britânico foi feito na região de Arras, pegando a divisão de Erwin Rommel de surpresa. Outras tentativas foram feitas mais ao leste, mas os ataques não foram coordenados e não ameaçaram as posições alemãs, que, após breve parada, retomou o avanço, ordenando os Panzerkorps a avançarem.

Evacuação[editar | editar código-fonte]

Lord Gort, comandante da Força Expedicionária Britânica, recuou de Arras em 23 de maio; ao oeste, as cidades portuárias da região de Calais foram dominadas uma por uma, até que as forças alemãs foram detidas no canal Aa, a poucos quilômetros de Dunquerque, de onde seriam evacuadas todas as forças britânicas e parte das divisões francesas. Nesse interim, as unidades panzer de Guderiam foram ordenadas pelo Alto-Comando a não avançar; aproveitando a hesitação adversária, os aliados estabeleceram uma linha defensiva no canal Aa e em torno de Dunquerque, permitindo que ali fossem evacuados mais de 300 mil soldados até 4 de junho, quando os alemães defintivamente tomaram Dunquerque.

Paris[editar | editar código-fonte]

Paris sob o domínio da Alemanha.

Terminada a batalha de Calais, os alemães voltaram suas forças para a travessia do Somme, visando à conquista de Paris. Em 5 de junho, os alemães deslancharam um ataque através do rio e venceram as escassas reservas de Weygand. No dia 14, após um rápido avanço, os alemães tomaram Paris. O governo, transferido para Bordeaux, ainda solicitou a ajuda por apoio aéreo na França, pedido negado por Churchill. Nas tratativas finais, o líder inglês garantiu do Almirante Darlan que a frota francesa não cairia em mãos alemãs.

Batalha dos Alpes[editar | editar código-fonte]

Em 10 de junho, quando a Batalha da França já estava literalmente definida em favor dos alemães, o governo italiano de Benito Mussolini entrou na guerra como aliado da Alemanha, ordenando a invasão do território francês. O objetivo do ditador fascista era obter vantagens territoriais, quando a França se rendesse.

A invasão italiana - conhecida como Batalha dos Alpes - resultou em fracasso militar, mas a rendição da França, poucos dias depois, garantiu a Mussolini o alcance de seus objetivos políticos.

Rendição francesa[editar | editar código-fonte]

A rendição oficial se deu em 22 de junho de 1940 em Compiègne, no mesmo trem que a Alemanha, em 1918, ao final da Grande Guerra, fora forçada a se render. Reynaud, Primeiro-Ministro francês, se negou a assinar a rendição e abdicou do cargo, que foi assumido pelo marechal Pétain, que anunciou ao povo francês, via rádio, a intenção do governo em se render.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Com a rendição aos alemães a França foi dividida em três partes:

  • França de Vichy - Formada pelo centro-sul da França, seu comando foi entregue ao Marechal Pétain, que organizou um regime colaboracionista com os alemães, de orientação semi-fascista.
  • Zona de Ocupação alemã - Correspondia ao norte e à costa atlântica da França, incluindo Paris. Esta área ficou sob comando direto de autoridades militares alemães, que usaram a indústria local para ajudar no esforço de guerra alemão e como base logística para a futura Operação Leão-Marinho
  • Alsácia-Lorena - Tornou-se parte do Reich alemão, se tornando na prática um território nacional alemão.

Houve também a fundação da França Livre, sob o comando de Charle de Gaulle, com apoio inicial da Guiana Francesa e da África Equatorial Francesa (mais tarde as ilhas francesas da Oceania e o Chade se uniriam a França livre de De Gaulle). Este governo estava sediado em Londres e organizou a resistência francesa, ainda que nominalmente, pois diversas facções compunham essa resistência, nem todas submetidas ao líder da França Livre.

Referências

  1. Keegan, John. (1989). "The Second World War". Glenfield, Auckland 10, New Zealand: Hutchinson..
  • CHURCHILL, Winston Spencer. Memórias da Segunda Guerra Mundial
  • WILLIAN, John. França 1940 - A catástrofe. Ed. Renes, RJ.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]