Batalha de Harim

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Batalha de Harim
Cruzadas
Near East 1165 pt.svg
Os estados cruzados em 1165
Data 12 de Agosto de 1164
Local A leste de Antioquia, Turquia
Desfecho Vitória decisiva dos zengidas
Combatentes
Armoiries Tripoli.svg Condado de Trípoli
Armoiries Bohémond d'Antioche.svg Principado de Antioquia
Armoiries Leon II Arménie.svg Principado Arménio da Cilícia
Império Bizantino
Alepo e Damasco
Mossul
Comandantes
Armoiries Tripoli.svg Raimundo III de Trípoli
Armoiries Bohémond d'Antioche.svg Boemundo III de Antioquia
Blason Courtenay.png Joscelino III de Edessa
Armoiries Leon II Arménie.svg Teodoro II da Arménia
Império Bizantino Constantino Colomano
Blason Lusignan.svg Hugo VIII de Lusignan
Nur ad-Din
Qutb ad-Din Mawdud
Forças
desconhecidas desconhecidas
Baixas
cerca de 10 000 desconhecidas

A batalha de Harim (ḥārim, حارم em árabe, Harenc em francês antigo[1] ) foi um confronto entre um exército dos zengidas e uma aliança de cruzados com bizantinos e arménios. A 12 de Agosto de 1164 os cristãos foram derrotados, e a maioria dos seus líderes foi aprisionada por Nur ad-Din.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Em 1163 o rei Amalrico I de Jerusalém liderou uma invasão ao Califado Fatímida, deixando os os estados cruzados vulneráveis a ataques do oriente. Interessado em afastar os latinos do Egipto, Nur ad-Din aproveitou para invadir o Condado de Trípoli, mas quase foi morto pelos Cavaleiros Templários que o surpreenderam em al-Buqaia.

Nur ad-Din passou depois para os territórios do Principado de Antioquia. Com o auxílio do seu irmão Qutb ad-Din Mawdud de Mossul, dos seus vassalos de Alepo e Damasco e dos ortóquidas de Al-Jazira, cercou a fortaleza de Harim em 1164. Segundo Guilherme de Tiro, «colocou os seus engenhos de cerco ao redor da cidade do modo habitual e começou a atacar o lugar com uma fúria sem dar descanso aos habitantes».[1]

Batalha[editar | editar código-fonte]

Respondendo ao apelo do senhor Reginald de St. Valery de Harim, Raimundo III de Trípoli, Boemundo III de Antioquia e Joscelino III de Edessa vieram tentar levantar o cerco. Receberam ainda o auxílio de Constantino Colomano, o governador bizantino da Cilícia, do príncipe arménio Teodoro II e do seu irmão Melias, bem como de Godofredo Martel de Angoulême e Hugo VIII de Lusignan, pai de Guy de Lusignan, que tinham chegado recentemente à Terra Santa em peregrinação.

Nur ad-Din preparou-se para abandonar o cerco quando os reforços inimigos chegaram mas, moralizados pelo sucesso dos Templários em al-Buqaiam os cruzados «negligentes das regras da disciplina militar [...] dispersaram e deambularam de um lado para o outro em perseguição do inimigo».[1] As forças muçulmanas defenderam-se da carga cruzada e depois atacaram empurrando os cristãos para um pântano, onde foram massacrados «como vítimas perante o altar».

Possivelmente Nur ad-Din usou a habitual estratégia de simular uma retirada para atrair os cruzados para uma emboscada, mas o abandono de um cerco perante a chegada de um exército de auxílio à cidade era uma táctica comum. É possível que Nur ad-Din não tivesse previsto que os inimigos o iam perseguir, o que justificaria a asserção de Guilherme de Tiro de que os cruzados foram irresponsáveis.

Teodoro e Melias da Arménia, que tinham desaconselhado o ataque, fugiram do campo; Constantino Colomano, Hugo de Lusignan, Raimundo de Trípoli, Boemundo de Antioquia e Joscelino de Edessa foram aprisionados em Alepo. Segundo Ali ibn al-Athir, 10 000 cruzados morreram na batalha.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Nur ad-Din retomou o cerco e conquistou Harim poucos dias depois. Com Amalrico de Jerusalém ausente no Egipto, todos os estados cruzados estavam sem os seus líderes. No entanto o zengida não quis atacar a cidade de Antioquia para não provocar uma resposta do Império Bizantino, uma vez que este principado era na época vassalo de Constantinopla. Em vez disso conquistou Banias, e a pressão sobre os estados latinos só aliviou quando Amalrico voltou à Síria em 1165.

Boemundo III de Antioquia foi libertado ainda nesse ano, mas Raimundo III de Trípoli permaneceu na prisão até 1173[2] e Joscelino III de Edessa até 1175,[3] já depois da morte de Nur ad-Din.

Referências

  1. a b c Guilherme de Tiro, Historia rerum in partibus transmarinis gestarum, Li diznueviemes livres, VIII. Coment Noradins desconfist les Crestiens, tradução para o francês antigo (Medieval Sourcebook)
  2. René Grousset. Histoire des croisades et du royaume franc de Jérusalem - II. 1131-1187 L'équilibre (em francês). Paris: Perrin, 1935 (reimpr. 2006).
  3. Counts of Edessa - Foundation for Medieval Genealogy (em inglês).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Steven Runciman. A History of the Crusades Vol. II: The Kingdom of Jerusalem and the Frankish East, 1100-1187 (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press, 1952.
  • Guilherme de Tiro. A History of Deeds Done Beyond the Sea: tradução de E.A. Babcock e A.C. Krey (em inglês). [S.l.]: Columbia University Press, 1943.
  • Amin Maalouf. The Crusades Through Arab Eyes: tradução de Jon Rothschild (em inglês). [S.l.]: Al-Saqi, 1984.
  • R. C. Smail. Crusading Warfare 1097-1193 (em inglês). New York: Barnes & Noble Books, 1956, 1995. 33, 183 pp. ISBN 1-56619-769-4.