Batalha de Heracleia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Text document with red question mark.svg
Este artigo ou secção contém uma ou mais fontes no fim do texto, mas nenhuma é citada no corpo do artigo, o que compromete a confiabilidade das informações. (desde junho de 2010)
Por favor, melhore este artigo introduzindo notas de rodapé citando as fontes, inserindo-as no corpo do texto quando necessário.
Batalha de Heracleia
Guerras pírricas
Rome against Taranto location.png
Data 280 a.C.
Local Heracleia, Basilicata, sul da Itália
Desfecho Vitória de Pirro, Rei do Épiro
Combatentes
Épiro
Magna Grécia
República Romana
Comandantes
Pirro Públio Valério Levino
Forças
31.500 infantaria
4.000 cavalaria
20 elefantes de guerra
29.000 infantaria
6.000 cavalaria
Baixas
4.000 mortos 7.000 mortos

A Batalha de Heracleia foi travada no ano 280 a.C. entre os romanos, chefiados pelo cônsul Públio Valério Levino, e as forças aliadas de gregos do Épiro, Tarento, Túrios, Metaponto e Heracleia, sob o comando de Pirro, rei do Épiro.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Tarento era uma colónia grega pertencente à Magna Grécia. Os membros da facção que liderava a cidade, os democratas sob as ordens de Filocáris ou Enésias, estavam contra Roma, pois sabiam que se Roma entrasse em Tarento, a soberania Grega estaria perdida. Os gregos de Tarento estavam conscientes da constante ameaça que era Roma, que se expandia cada vez mais, depois da Terceira Guerra Samnita. Depois da rendição dos Samnitas em 290 a.C., os Romanos fundaram várias colónias na Apúlia e na Lucânia, a mais importante das quais era Venúsia. Em 282 a.C., a seguir a uma batalha contra os Samnitas, Lucanos e Brútios e Túrios, os Romanos conseguiram invadir as colónias gregas de Crotona, Lócris Epicefíria e Régio (atual Régio da Calábria). Os democratas Tarentinos sabiam que, uma vez que Roma terminasse as guerras contra os Gauleses, Lucanos, Samnitas, Etruscos e Brútios, voltar-se-iam contra a própria Tarento. Outro motivo de preocupação dos Tarentinos era o de que a facção aristocrática de Túrio tinha subido ao poder, convidando um regimento romano a entrar na sua cidade. Como cidade mais importante da Magna Grécia, os Tarentinos achavam que este era um motivo de grande preocupação.

A segunda facção em Tarento era chefiada por Agis, que não se opunha a Roma, pois esta apoiava a manutenção do poder aristocrático na cidade. Os aristocratas, no entanto, não queriam render-se imediatamente, pois sabiam que a população iria ficar muito descontente com isso. No Outono de 282 a.C., Tarento celebrava o festival a Dioniso; quando estavam no teatro, em frente para o mar, viram dez embarcações romanas com soldados e mantimentos destinados para a guarnição romana de Túrio, entrando no golfo de Tarento. Isto irou a população de Tarento, pois havia um acordo segundo o qual os romanos não podiam navegar no golfo. Preparou-se uma armada para atacar as embarcações romanas. Algumas foram afundadas e uma foi capturada.

Os Tarentinos sabiam que tinham poucas hipóteses de vitória contra os Romanos. Decidiram então pedir a ajuda de Pirro, rei do Épiro. O exército e a armada de Tarento deslocou-se a Túrio e ajudou os democratas contra os aristocratas, que foram forçados a exilarem-se. A guarnição romana em Túrio retirou. Os romanos enviaram uma delegação diplomática para tentar um acordo e reaver os prisioneiros, mas as negociações terminaram abruptamente e Roma acabou por declarar guerra a Tarento. Em 281 a.C., as legiões comandadas por Lúcio Emílio Bárbula entraram em Tarento e saquearam-na. Posteriormente, aliada a Samnitas e Salentinos, Tarento perdeu mais uma batalha contra os romanos. Depois desta, os gregos decidiram escolher Agis para encetar novas negociações diplomáticas. Também estas foram interrompidas, quando 3000 soldados do Épiro comandados por Mílon entraram na cidade. O cônsul romano retirou e sofreu baixas infligidas por navios gregos.

Pirro decidiu entretanto ajudar Tarento, pois estava em dívida para com eles - eles tinham-no ajudado a conquistar a ilha de Córcira. Ele sabia também que podia contar com a ajuda de Samnitas, Lucanos, Brútios e algumas tribos Ilírias. O seu grande objectivo era reconquistar a Macedónia, que havia perdido em 285 a.C., mas não tinha dinheiro para recrutar soldados. Planeou ajudar Tarento, depois deslocar-se para a Sicília e atacar Cartago. Depois de vencer a guerra contra Cartago a capturar o sul da Itália, teria dinheiro suficiente para organizar um exército forte e capturar a Macedónia.

Preparação para a guerra[editar | editar código-fonte]

Antes de sair do Épiro, Pirro conseguiu algumas falanges do rei Ptolomeu de Cerauno da Macedónia e pediu navios e dinheiro ao rei macedónio Antígono II Gónatas. O rei Egípcio prometeu também enviar 9000 soldados e 50 elefantes de guerra. Estas forças haviam de defender Épiro enquanto Pirro estava fora. Recrutou também soldados na Grécia - cavaleiros da Tessália e archeiros de Rodes - pois os líderes gregos queriam evitar um conflito com Pirro. Pirro desembarcou na península Itálica durante a Primavera de 280 a.C. sem quaisquer baixas.

Assim que ouviram da chegada de Pirro à Itália, os romanos mobilizaram oito legiões com auxiliares num total de 80 000. Dividiram-se em quatro exércitos:

  • Um exército sob o comando de Bárbula, com ordens para distrair os samnitas e os lucanos, para que estes não se pudessem juntar ao exército de Pirro.Ficaram colocados em Venúsia.
  • Um segundo exército deixado em Roma.
  • Um terceiro exército sob o comando do general Tibério Coruncânio marchou contra os etruscos, para evitar uma aliança entre estes e Pirro.
  • Um quarto exército sob o comando de Públio Valério Levino marchou em direcção a Tarento, saqueando também a Lucânia.

Públio Levino partiu em direcção a Heracleia, uma cidade fundada por tarentinos, com a intenção de cortar o acesso de Pirro às colónias gregas da Calábria, evitando assim que estas se revoltassem contra Roma.

A batalha[editar | editar código-fonte]

Pirro não marchou contra os romanos, pois aguardava ainda os reforços dos aliados. Quando compreendeu que estes não viriam, decidiu lutar contra os romanos numa planície perto do rio Sinni, entre Pandósia e Heracleia. Tomou lá posição e aguardou. Antes da batalha, enviou diplomatas ao cônsul romano, propondo que ele podia arbitrar os conflitos entre Roma e a população do sul de Itália. Deu a palavra que os seus aliados o reconheciam como um juiz e pediu que os romanos também o considerassem como tal. O romanos negaram o seu pedido e colocaram-se na margem direita do rio, onde montaram o acampamento.

Não se sabe quantas tropas tinha Pirro em Tarento, mas teria provavelmente entre 25 000 a 30 000 com ele em Heracleia. Tomou posição na margem esquerda do Sinni (Siris, como era chamado na época), esperando que os romanos tivessem dificuldade para atravessar o rio, o que lhe dava mais tempo para preparar o ataque. Deixou algumas unidade de infantaria ligeira perto do rio para que ficasse a saber a altura em que os romanos começariam a atravessá-lo, e planeou atacar primeiro com a sua cavalaria e elefantes. Valério Levino tinha cerca de 30 000 soldados às suas ordens, incluindo muita cavalaria, peltastas e lanceiros. Seria a primeira vez que dois poderes bélicos tão diferentes se defrontariam: a Legião Romana e a Falange Macedónia.

Os romanos começaram a atravessar o rio de madrugada. A cavalaria romana atacou os batedores e a infantaria ligeira pelos flancos, que foram forçados a fugir.

Quando Pirro soube que os romanos tinham começado a atravessar o rio, enviou a cavalaria macedónia e tessália para atacar a cavalaria romana. A sua infantaria, com peltastas, arqueiros e infantaria pesada infantaria, começou a marchar também. A cavalaria epirota conseguiu entretanto romper a formação de batalha romana e retirou em seguida. Os peltastas e os arqueiros de Pirro começaram a arremessar mísseis e as falanges iniciaram o ataque. A linha de infantaria era semelhante à romana em termos de comprimento. Embora Pirro tivesse uma pequena vantagem em número, a falange era mais comprimida que a legião.

As falanges acometeram sete ataques, mas não conseguiram romper por entre a legião. Estavam a conhecer um adversário bem mais forte do que alguma vez tinham encontrado. Os romanos fizeram sete ataques, mas também não conseguiram partir a formação das falanges. A batalha continuou a ser travada sem que se pudesse notar vantagem de algum lado. A dada altura, Pirro, ao ver que a batalha estava no auge pensou que, se tombasse em combate, os seus homens ficariam desmoralizados; trocou então de armadura com um dos seus guardas. Calhou que fosse este guarda a morrer nos seus braços, e pensou-se que tinha sido o próprio rei Pirro a morrer. A desmoralização começou a tomar conta das tropas de Pirro, enquanto os romanos, festejando a morte do líder inimigo, começavam a ganhar vantagem. Tentando dar a volta à situação, Pirro decidiu cavalgar na linha de combate com a cabeça totalmente à mostra, de modo a que o reconhecessem e pudessem recobrar ânimo. Assim aconteceu, e a batalha continuou a ser travada com bravura.

Incapaz de ganhar vantagens determinantes, Pirro acabou por colocar os elefantes à disposição, que tinham estado em reserva até agora. A cavalaria romana estava a ameaçar fortemente o seu flanco. Impressionados com a visão daquelas estranhas e enormes criaturas que ninguém houvera visto antes, os cavalos fugiram para longe, o que bastou para que também a legião romana iniciasse a sua debandada. Pirro lançou então a cavalaria tessália por entre as legiões desorganizadas, que completou a derrota romana. Os romanos voltaram para o outro lado do rio e Pirro garantiu o terreno.

Na opinião de Dionísio, os romanos perderam 15 000 soldados e vários milhares foram feitos prisioneiros; Hierónimo fala em 7000. Dionísio conta 13 000 soldados mortos no lado de Pirro, ao passo que Hierónimo fala em 4000. Em qualquer das situações, esta pode ser considerada a primeira das vitórias pírricas contra Roma.

Forças dos exércitos em detalhe[editar | editar código-fonte]

Épiro e Tarento[editar | editar código-fonte]

Comandante: Pirro

  • 3000 hipaspistas sob o comando de Mílon
  • 20000 falangites epirotas incluindo 5000 soldados macedónios dados por Ptolomeu
  • 6000 hoplitas tarentinos
  • 4000 cavaleiros, incluindo o contingente tessálio e 1000 cavaleiros tarentinos
  • 2000 arqueiros
  • 500 fundeiros de Rodes
  • 20 elefantes de guerra com tropas nas torres que encimavam os paquidermes.

República Romana[editar | editar código-fonte]

Comandante: Públio Valério Levino

  • 20000 legionários romanos em quatro legiões
  • 16800 legionários aliados, em quatro legiões
  • 2400 tropas de infantaria ligeira, brútios e câmpanos
  • 1200 cavaleiros romanos
  • 3600 cavaleiros aliados
  • 1200 cavaleiros ligeiros aliados do sul de Itália

Algumas destas forças estariam possivelmente a guardar o acampamento, não tendo lutado na batalha.

Consequências pós-batalha[editar | editar código-fonte]

Depois da batalha, Pirro obteve reforços vindos do sul da Itália. Os gregos de Régio (atual Régio da Calábria) que se queriam juntar a ele acabaram por ser massacrados pelos soldados romanos sob o comando de Décio Vibélio, que acabou sendo proclamado líder da cidade. Pirro iniciou então a sua marcha em direcção à Etrúria. Capturou várias cidades na Campânia, tendo saqueado o Lácio. A sua marcha foi interrompida em Anagni, a dois dias de viagem de Roma, quando se deparou com outro exército romano comandado por Corunciato. Pirro receou que não tivesse soldados suficientes para lutar e sabia que, provavelmente, Levino e Bárbula estavam a marchar no encalço dele. Acabou por retirar e os romanos não o seguiram.

A próxima batalha entre Pirro e os romanos foi a Batalha de Ásculo.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Batalha de Heracleia