Batalha de Mogadíscio (1993)

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2° 03′ N 45° 19′ E

Batalha de Mogadiscio (1993)
Guerra Civil Somali
Black Hawk Down Super64 over Mogadishu coast.jpg
Helicóptero de Mike Durant, Super Six-Four, sobrevoando Mogadíscio em 3 de outubro de 1993.
Data 3–4 de outubro de 1993
Local Mogadíscio, Somália
Desfecho Vitória tática da UNOSOM II

Vitória estratégica da Aliança Nacional Somali

  • Retirada das tropas americanas em 25 de março de 1995
  • Retirada das tropas da ONU em 3 de março de 1995
Combatentes
Flag of the United Nations.svg UNOSOM II Somália ANS
Comandantes
Estados Unidos William F. Garrison Somália Mohamed Farrah Aidid
Forças
160 soldados
19 aeronaves
12 veículos (9 Humvees)
2 000-4 000 milicianos e combatentes civis
Baixas
EUA
18 mortos
73 feridos[1]
1 capturado
Malásia
1 morto
7 feridos
Paquistão
1 morto
2 feridos
Milícia da ANS e civis
Desconhecido, estimativas variam de 1 000[2] a 3 000[3] mortos[4] a mais de 700 mortos
Est. mais de 1,500 feridos
21 capturados
  • Nota: a Força-Tarefa Ranger alcançou os objetivos da missão, de capturar determinados tenentes de Aidid, porém as repercussões políticas negativas decorrentes da batalha e a eventual retirada americana da Somália podem classificar esta batalha como uma vitória de Pirro.[5]

A Batalha de Mogadíscio (em inglês: Battle of Mogadishu), também conhecida como Batalha do Mar Negro (Battle of the Black Sea) e Black Hawk Down na cultura popular americana, e como O Dia dos Rangers (em somali: Maalintii Rangers) para os somalis, foi um confronto militar travado em Mogadíscio, Somália, em 3 e 4 de outubro de 1993, por forças dos Estados Unidos com apoio militar das Nações Unidas contra milicianos somalis leais ao chefe tribal Mohamed Farrah Aidid, com apoio de civis armados. A batalha, parte da Operação Serpente Gótica, por vezes é chamada de Primeira Batalha de Mogadíscio, para diferenciá-la da Segunda Batalha de Mogadíscio.

A Força-Tarefa Ranger (Task Force Ranger), que consistia de uma força de assalto formada por equipes da Delta Force do Exército Americano e de Rangers, um elemento aéreo do 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais (160.º SOAR), cinco operadores Navy Seals do SEAL Team Six, membros dos Pararescue da Força Aérea Armericana e controladores da Equipe de Controle de Combate executaram uma operação que consistia do deslocamento de suas instalações, na periferia da cidade, para capturar personalidades do primeiro escalão do clã Habr Gidr, liderado por Aidid. A força de assalto consistia de dezenove aeronaves, doze veículos terrestres (incluindo diversos Humvees) e 160 homens de infantaria.

Durante a operação, dois helicópteros UH-60 Black Hawk americanos foram derrubados por lança-granadas-foguete, e três foram danificados. Alguns dos soldados conseguiram resgatar os feridos e levá-los de volta à base, porém outros ficaram presos nos locais dos acidentes e acabaram isolados; seguiu-se uma batalha urbana que durou toda a noite.

No início da manhã seguinte, uma força-tarefa foi enviada para resgatar os soldados presos na cidade, formada por soldados do Paquistão, da Malásia e da 10.ª Divisão de Montanha dos Estados Unidos. Totalizava 100 veículos, incluindo tanques M48 paquistaneses e veículos blindados Condor da Malásia, com o apoio de helicópteros A/MH-6 Little Bird e UH-60 Black Hawk dos Estados Unidos. A força-tarefa chegou ao local do primeiro acidente e conseguiu resgatar os soldados que ali estavam; o local do segundo acidente foi tomado pelos somalis, e o piloto Mike Durant, único sobrevivente ali, foi preso e libertado posteriormente.

Não se sabe ao certo o número de vítimas somalis, porém as estimativas americanas afirmam que entre 1 000 e 1 500 milicianos e civis somalis teriam perdido suas vidas no combate, e 3 000 a 4 000 teriam sido feridos. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha, no entanto, estima que 200 civis teriam sido mortos, e milhares de outros feridos.[2] De acordo com as estimativas apresentadas pelo livro Black Hawk Down: A Story of Modern War, do autor americano Mark Bowden, 700 milicianos teriam morrido e mais de mil teriam sido feridos; a Aliança Nacional Somali, no entanto, dum documentário do programa Frontline, na televisão americana, declarou que apenas 133 teriam sido mortos em toda a batalha.[6] Já o jornal americano The Washington Post apresentou a cifra de 312 mortos somalis e 814 feridos.[1] Cerca de 18 soldados americanos morreram e 73 ficaram feridos. Entre as forças das Nações Unidas que participaram do combate, um soldado malásio morreu, sete outros malaios e dois paquistaneses ficaram feridos.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bowden, Mark, Black Hawk Down: A Story of Modern War, Atlantic Monthly Press (1999)
  • O'Connell, James Patrick. Survivor Gun Battle Mogadishu, US Army Special Forces. (New York City) (1993)
  • Clarke, Walter, e Herbst, Jeffrey, editors, Learning from Somalia: The Lessons of Armed Humanitarian Intervention, Westview Press (1997)
  • Gardner, Judith e el Bushra, Judy, editors, Somalia - The Untold Story: The War Through the Eyes of Somali Women, Pluto Press (2004)
  • Prestowitz, Clyde, Rogue Nation: American Unilateralism and the Failure of Good Intentions, Basic Books (2003)
  • Sangvic, Roger, Battle of Mogadishu: Anatomy of a Failure, School of Advanced Military Studies, U.S. Army Command and General Staff College (1998)
  • Stevenson, Jonathan, Losing Mogadishu: Testing U.S. Policy in Somalia, Naval Institute Press (1995)
  • Stewart, Richard W., The United States Army in Somalia, 1992-1994, US Army Center for Military History (2003)
  • Somalia: Good Intentions, Deadly Results, VHS, produced by KR Video and The Philadelphia Inquirer (1998)

Referências

  1. a b Rick Atkinson. ""Night of a Thousand Casualties; Battle Triggered U.S. Decision to Withdraw"", The Washington Post, 31 de janeiro de 1994.
  2. a b "Anatomy of a Disaster", Time, 18 de outubro de 1993. Página visitada em 19-1-2008.
  3. Bowden, Mark. "Black Hawk Down: A defining battle", The Philadelphia Inquirer, 16 de novembro de 1997. Página visitada em 25-7-2007.
  4. Ambush in Mogadishu: interviews: Captain Haad, Frontline (PBS).
  5. Bowden, Mark. "Black Hawk Down", The Philadelphia Inquirer, 16 de novembro de 1997. Página visitada em 25-10-2006.
  6. in Mogadishu, Frontline (PBS).


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