Batalha de Porongos

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Batalha de Porongos
Revolução Farroupilha
Data 14 de novembro de 1844
Local arroio Porongos (em Pinheiro Machado)
Desfecho Vitória imperial
Combatentes
Flag of Piratini Republic.svg República Rio-Grandense Flag of Empire of Brazil (1870-1889).svg Império do Brasil
Comandantes
Flag of Piratini Republic.svg David Canabarro
Flag of Piratini Republic.svg Teixeira Nunes
Flag of Empire of Brazil (1870-1889).svg Francisco Pedro de Abreu
Forças
150 lanceiros 260 infantaria
Baixas
96 55

Batalha de Porongos ou Traição dos Porongos, foi o último confronto da Revolução Farroupilha. Foi uma batalha combinada entre Canabarro e Imperiais. Resultou no massacre do Corpo de Lanceiros Negros de Teixeira Nunes, que estavam acampados na curva do arroio Porongos, no atual município de Pinheiro Machado quando foram atacados pelos imperiais.

Confronto[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 1844, a revolução encontrava-se em pleno armistício, e seu fim já começava a ser negociado entre os líderes de ambos os lados. Os lanceiros negros estavam acampados no cerro de Porongos sob comando do general David Canabarro, quando foram atacados de surpresa por forças sob o comando de Francisco Pedro de Abreu, o Moringue. O Corpo de Lanceiros Negros, cerca de 100 homens de mãos livres, tentou resistir ao ataque, mas foram quase todos mortos. Também foram presos mais de 300 republicanos, entre brancos e negros, e 35 oficiais farroupilhas.

Teixeira Nunes, principal líder dos lanceiros negros, foi ferido durante o confronto e, logo após, sem condições de defender-se, foi morto por Manduca Rodrigues, que lutava pelos imperiais.

Repercussão[editar | editar código-fonte]

Cogita-se se que o ataque teria sido previamente combinada com Canabarro para exterminar os lanceiros negros, que poderiam formar bandos após o término da guerra, que já estava sendo tratado. A questão da abolição da escravatura, uma das condições exigidas pelos farroupilhas para a paz, entravava as negociações. A libertação definitiva dos ex-escravos combatentes precipitaria um movimento abolicionista no resto do império, e a mão de obra escrava vinha mantendo a produção agrícola desde os tempos coloniais.

Foi mencionada à época uma carta do barão de Caxias instruindo Francisco Pedro de Abreu a atacar o corpo de lanceiros negros e afirmando que tal situação estaria acertada com Canabarro. Esta carta foi mostrada em Piratini a um professor ligado aos demais comandantes farrapos. A autenticidade da carta foi questionada, e há a possibilidade de ela ter sido forjada nas hostes imperiais para desmoralizar Canabarro, à época um dos mais importantes líderes militares da República Riograndense e um dos negociadores da paz pelo lado farroupilha. O documento, com a devida assinatura de Caxias, é reconhecido como autêntico pelo Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul. [1]

O desastre dos Porongos levou Canabarro a um tribunal militar farroupilha. Com a paz em 1845, o trâmite continuou na justiça militar do Império. O General Manuel Luís Osório, futuro comandante das tropas brasileiras na batalha de Tuiuti (durante a Guerra do Paraguai), fez com que o processo fosse arquivado sem ter sido concluído, em 1866. Durante toda a sua vida, o general Canabarro insistiu em sua inocência e na tese da difamação.

Referências

  1. O Massacre de Porongos faz 164 anos, jornal A Nova Democracia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • DONATO, Hernâni. Dicionário das Batalhas Brasileiras. São Paulo: Editora Ibrasa, 1987.
  • MACHADO, Cesar Pires. Porongos : Fatos e Fábulas: Editora Evangraf, 2011.