Batalha de Rayy

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Batalha de Rayy
Parte da Quarta Fitna
Rayy-location1.jpg
Localização de Rayy
Data 1º de maio de 8111º de maio de 811
Local Rey, Califado Abássida (atual Irã)
Desfecho Vitória decisiva das forças de al-Ma'mun
Combatentes
Forças de al-Amin Forças de al-Ma'mum
Principais líderes
Ali ibn Isa ibn Mahan   Tahir ibn Husayn
Forças
Por volta de 50 000 Mais que 10 000
Vítimas
Alta Baixa

Esta Batalha de Rayy (uma entre várias) se deu em 1 de maio de 811 como parte da guerra civil abássida entre os dois irmãos al-Amin, o califa, e al-Ma'mum, o pretendente.

Causas[editar | editar código-fonte]

O califa Harun al-Rashid previra que, ao morrer, haveria uma luta entre os dois pela sua sucessão ao califado (o costume da primogenitura, conceito utilizado nas monarquias cristãs, não era prevalente no Islã). Assim, ele decretou que al-Amin iria reinar até a sua morte enquanto que al-Ma'mum seria o governante da província do Grande Coração, no Irã oriental. Em seguida, al-Ma'mum ou um de seus filhos iria suceder al-Amin como califa, seguido por alguém escolhido por al-Amin.

Era natural que um esquema como este, bem intencionado que fosse, estava fadado ao fracasso. Os dois irmãos eram influenciados por seus vizires, Fadl ibn Rabi e Fadl ibn Sahl, respectivamente, para tentarem tomar o poder. O resultado foi que al-Amim acabou declarando que seus filhos reinariam como califas após a sua morte e, para garantir, ele chegou a tomar e queimar os documentos que selavam o acordo entre os irmãos que estava guardado na cidade sagrada de Meca. Al-Ma'mum ficou furioso pelo ato e se preparou para a guerra, com seu vizir enviando uma força para defender uma fortaleza chave em Rayy, entre os Montes Zagros e a cadeia do Elburz. Enquanto isso, al-Amim enviou um exército para destruir as forças do irmão em 14 de março de 811.

Líderes[editar | editar código-fonte]

O exército de al-Amim (dividido entre as diversas tribos) foi liderado por Ali ibn Isa ibn Mahan, o antigo governador do Coração, afastado por Harun. O exército de al-Ma'mum era liderado por Tahir ibn Husayn, um nobre persa que tinha um reivindicação sobre um dos muitos principados das montanhas da região que eram nominalmente vassalos do califado.

Tamanho das forças[editar | editar código-fonte]

O exército de Ali era "o maior e o mais bem equipado" na lembrança dos cronistas, contando talvez com até 50 000 soldados. O de Tahir continha no máximo 10 000, porém, com uma grande proporção de cavalaria, enquanto que Ali contava majoritariamente com a infantaria.

Batalha[editar | editar código-fonte]

Temendo uma reação da população contra as suas forças se ele escolhesse se fortificar nas muralhas de Rayy e se defender de um certo, Tahir levou suas forças ao longo das estradas em direção a Bagdá até que os invasores foram vistos. Após uma noite apreensiva, o exército de Ali realizou uma carga inicial, que foi seguida por uma breve trégua e negociações infrutíferas, nas quais o enviado de Tahir lembrou a Ali do contrato solene que ele havia firmado e, depois, destruído. Então a batalha principal começou, com um ataque relâmpago de 700 corásmios, apoiados por arqueiros, enviados para forçar o centro da linha de Ali e, se possível, destruir a sua estrutura de comando. A estratégia foi muito bem sucedida, resultando na morte quase imediata de Ali. Como ele morreu não é claro; uma versão relata que ele foi vítima de uma chuva de flechas enviada pelos arqueiros bukharas de Tahir antes da carga. Outra versão alega que ele foi desmontado por um soldado chamado Dawud Siyah ("David Negro") - possivelmente por uma flecha -, mas não foi morto. Tahir ibn al-Taji (sem relação com o general) então se aproximou dele e perguntou se ele era realmente Ali ibn Isa e, em seguida, o matou em combate singular. Seja como for, quando o general foi morto, o exército se dispersou e bateu em retirada[1] .

De acordo com Hugh N. Kennedy:

A Batalha de Rayy foi um ponto de inflexão nas táticas militares da época. O enorme exército de infantaria foi derrotado por uma força de cavalaria muito menor. Esta batalha pode ter marcado o fim dos grandes exércitos de soldados a pé que eram típicos da guerra islâmica primitiva e da superioridade dos grupos menores à cavalo, fossem cavaleiros em armaduras com lanças ou arqueiros montados
 
The Armies of the Caliphs: Military and Society in the Early Islamic State, Hugh N. Kennedy[2] .

Resultado[editar | editar código-fonte]

Tahir ibn Husayn percebeu a oportunidade e, sem esperar novas instruções, conduziu seu exército quase incólume em direção a Bagdá. Após um cerco de quase um ano, Bagdá caiu e al-Amin foi capturado e morto.

Referências

  1. Al-Tabari (trans. & ed. Michael Fishbein), "The War Between Brothers (History of al-Tabari, vol. XXXI)" Suny Press (1992) ISBN 0-7914-1085-4, p. 51
  2. The Armies of the Caliphs: Military and Society in the Early Islamic State by Hugh N. Kennedy Published by Routledge, 2001,ISBN 0-415-25092-7,p.109

Bibliografia[editar | editar código-fonte]